Ir para o conteúdo

Transcrição

20 Petistas vs 20 Bolsonaristas Chegam ao Consenso

1 h 25 min de vídeo · 16 mil palavras

Legendas em português

20 Petistas vs 20 Bolsonaristas Chegam ao Consenso é um episódio do Canal Foco, sobre política, publicado no YouTube em 28 de setembro de 2026. O vídeo tem 1 h 25 min e 1,24 mi de visualizações.

Em pauta

  1. 01STF e liberdade de expressão: até onde o Supremo deve agir?
  2. 02Economia: o Estado deve controlar empresas estratégicas ou privatizar?
  3. 03Segurança: facções, crime organizado e menores que cometem crimes
  4. 04Educação pública e cotas
  5. 05SUS: mais recursos ou gestão melhor?

Transcrito em 9 de outubro de 2026. Todas as transcrições

Cada minuto é um botão que toca o vídeo a partir daquele trecho.

Apresentador

O Brasil vive há anos um dos cenários políticos mais polarizados da nossa história. De um lado, quinze pessoas representando os ideais do movimento petista e do governo Lula. Do outro, quinze pessoas representando ideais do movimento bolsonarista e da direita conservadora.

Participante

Uma criança que é induzida ao crime, ela não pode ser classificada como terrorista.

Participante

Você, a partir do momento que você é derivado do crime, você também é um terrorista.

Participante

Então a pessoa que rouba uma balinha no mercado é terrorista, porra?

Participante

A gente tem que investir, ampliar, pra que o SUS seja universal e chegue até onde ele tem que chegar.

Participante

Não adianta investir, investir, investir em dinheiro sem meta de desempenho, que é o que a esquerda faz. Eu não quero saber quanto dinheiro foi investido na saúde, eu quero saber quantos pacientes foram atendidos.

Participante

Nós estamos em 2026 e nós temos decisões de Alexandre de Moraes mandando fazer busca e apreensão em fonte jornalística. Isso nunca vai ser liberdade.

Participante

Concretamente, eu defendo a opinião do presidente Lula, quebrar todos os sigilos. E na história do país, no ano de 2026, nas eleições, existe um candidato que é citado nos processos e outro que não é.

Participante

Não teve nada do, do, do, do Flavio Bolsonaro envolvido com o vocábulo, foi como, como patrício, né?

Participante

Eu fui entender o que a esquerda fazia. Dava com uma mão e tomava com o outro.

Participante

O fantasma do comunismo assombra vocês desde a época da ditadura militar. Aí vocês são fascistas, fazer o quê? Eu não posso fazer nada.

Apresentador

O objetivo de hoje não é declarar um lado vencedor, nem promover um confronto agressivo. O objetivo é testar se, apesar das divergências políticas, é possível encontrar pontos de consenso em temas fundamentais para o futuro do país. A regra é simples: eu vou apresentar um tema e cada grupo definirá seu representante, que virá ao debate por dez minutos no centro da arena. Ao final do tempo, buscaremos uma proposta de consenso, que será votada por todos os participantes.

Vamos descobrir o que nos separa e o que pode nos unir. A primeira pergunta é: o SUS precisa de mais dinheiro ou de uma gestão melhor? No time de direita, quem gostaria de debater o tema saúde?

Participante

Meu nome é Laura, eu tenho vinte e três anos, eu estou cursando medicina no oitavo semestre e eu vou comprovar aqui de que o maior problema do SUS não é a falta de dinheiro, mas sim a má gestão. [aplausos]

Apresentador

Time de esquerda, quem gostaria de debater o tema saúde, por favor, levante a mão.

Participante

Olá, eu sou Edileuza. Como eu informei aqui, eu sou professora, né, na educação infantil e no fundamental dois e médio, mas eu fui, é, por muitos anos, eu fui voluntária na pastoral da criança e acompanhava a mortalidade infantil de Rio Grande da Serra. Isso em 2002. E eu também fui conselheira de saúde por dois mandatos em Rio Grande da Serra. Então é um tema que eu conheço e tenho propriedade pra debater.

[aplausos]

Participante

Bom, meu nome é Daniel Oliveira, todo mundo já sabe aí. É, eu trabalhei no SAMU há vinte e oito anos dentro das comunidades. Sou auxiliar técnico de enfermagem e condutor de ambulância lá na minha cidade. E, é, eu gostaria de, de debater essa, essa questão, porque eu tenho, eu, eu consigo conciliar a parte política da parte do SUS, porque eu precisei estudar muito isso pra poder passar nos concursos que eu passei hoje com cinquenta e dois anos.

Então é, é esse pouco de experiência que eu tenho, eu gostaria também de debater com alguém aí da, da direita, tá bom? [aplausos]

Apresentador

Obrigado. Quem vota pra que Edileuza debata, por favor, levante a mão. Opa, pera aí. Confirmar aqui, tá? Quem vota pelo Daniel? Maravilha, então quem de-vai debater o tema saúde pelo lado da direita é a Laura. [aplausos] Quem vai debater o tema saúde pelo lado da esquerda é Edileuza. [aplausos] A Laura e a Edileuza têm dez minutos pra debater a seguinte pergunta: O SUS precisa de mais dinheiro ou de uma gestão melhor?

Participante

Então, eu estou aqui para defender a minha pauta de que o maior problema do SUS não é a falta de investimento, mas sim uma má gestão. Eu posso comprovar da seguinte maneira: cerca de dez por cento do PIB brasileiro é investido todos os anos em saúde. É, isso equivale a inúmeros países desenvolvidos da Europa, no qual o sistema de saúde público é extremamente eficaz e pessoas ricas, políticos, realmente utilizam dele.

O que é completamente diferente daqui do cenário do Brasil, onde qualquer pessoa que minimamente tenha uma condição estável financeira, foge completamente do sistema único de saúde e paga um plano de saúde particular. É, o TCU estudou e comprovou que cerca de trinta e dois a cinquenta por cento do, da, é a, é o, é o, é o número de eficiência do, dos hospitais públicos aqui no Bra- aqui no Brasil.

Ou seja, eles operam muito abaixo do que a estrutura pode, pode oferecer. O Banco Mundial da Saúde também comprovou que cerca de trinta por cento das verbas, hã, distribuídas todos os anos para a saúde são desperdiçadas ou desviadas. Isso é extremamente grave. E o, existem hospitais, por exemplo, aqui no Brasil, que as pessoas estão há mais de um ano na fila de espera e outros em cerca de po- poucos quilômetros de, de distância, existe um-uma taxa de ociosidade de mais de cinquenta por cento.

Ou seja, hã, o-o SUS pode e deve transferir esse paciente que está aguardando há meses uma cirurgia, hã, e tem num, num raio de dez quilômetros um hospital com uma va- com uma vaga de sala de cirurgia disponível, ele deve, pode e deve transferir esse-este paciente. A lei número cento e noventa e nove do nosso, da nossa Constituição de 88, de 88 prevê que a gente pode realizar uma parceria público-privada, na qual o SUS pode comprar leitos e salas de cirurgias vazias de hospitais filantrópicos, Santa Casas, hospitais privados, e levar o paciente do SUS pra lá.

O que eu quero dizer é o seguinte: não adianta investir, investir, investir em dinheiro sem meta de desempenho, que é o que a esquerda faz. Eu não quero saber quanto dinheiro foi investido na saúde, eu quero saber quantos pacientes foram atendidos, quantas cirurgias foram realizadas e qual foi o tempo de espera de cada paciente para realizar essa cirurgia. E-e é igual eu falei, hã, eu posso provar de que a gente tem dinheiro, o que falta é a gestão.

O que acontece aqui no governo de São Paulo, o Tarcísio implementou a tabela SUS São Paulo, no qual ele destinou verbas governamentais, é, cinco vezes mais do que era pago antes para Santa Casas e hospitais filantrópicos, o-no qual o, as, as cirurgias que tavam, que estavam em espera diminuíram de setecentos e cinquenta mil para cento e cinquenta mil e as cirurgias realizadas no ano subiram de setecentos e cinquenta mil para mais de um milhão e quatrocentas mil, simplesmente destinando, destinando verbas corretamente e não desperdiçando elas.

Não foi arrecadado um real a mais de imposto, não houve mais arrecadação, o dinheiro somente foi bem distribuído. A taxa de, de ausência do-dos pacientes no, na, na gestão pública é de vinte e cinco a trinta por cento. O que eu quero dizer com isso? Às vezes um paciente marca uma cirurgia meses, meses, meses atrás, ele nem lembra que-que marcou essa cirurgia, chegou na hora, ele falta.

E isso somente acumula ainda mais a fila do SUS. O que deveria ser feito é o que acontece na rede privada. Deveria ter uma administração muito mais eficiente, que possa ligar, comunicar o paciente. Por exemplo, você tem uma cirurgia hoje, duas da tarde, ligar. Você vem? Confirmou, confirmou. Não confirmou? Encaixa automaticamente alguém na hora. Esse é um ótimo jeito também de, de reduzir as filas. Mas igual eu falei, o principal, a principal pauta que eu defendo para reduzir as filas do SUS e melhorar a eficácia com o tanto de dinheiro que é investido, é justamente esse: comprar leitos e salas de cirurgias de hospitais, hã, privados e investir dinheiro em hospitais filantrópicos e Santa Casas.

Participante

Uma metralhadora. [risos] É, bem, eu acho sim que é possível tanto investir, é, na questão de dinheiro e, e também o processo de gestão. Então vamos lá. Quando o Lula foi presidente, ele chamou a sociedade e os especialistas pra debater em conferências, conferências de saúde. Eu tive a oportunidade de participar da Conferência de Saúde Nacional e na primeira Conferência de Ciência e Tecnologia e na primeira Conferência de Medicamento.

Foram chamados, então, a sociedade, pessoas da áreas, farmacêutico, pra debater sobre a questão da farmácia no Brasil. E lá naquele debate, surgiu então, que o, a medicação era cara porque os insumos eram, vinham de fora e por essa, que era um acordo político, político entre o Brasil e os Estados Unidos, na questão de insumos, de ter que, é, exportar ou importar. E então o Lula foi, através da demanda dos debate, ele criou o projeto Farmácia Popular, que levou medicamentos...

[aplausos] Pra sociedade, que antes morriam com uma infecção de garganta por não ter dinheiro pra comprar um antibiótico, eu tinha que tomar só benzetacil. Depois, ele criou a cesta de medicamento pra mandar pra diretamente as UBS. E essa medicação sendo analisada conforme a necessidade da região, já que o Brasil é um país imenso, com necessidades e doenças, né, diferente. Então, isso é um exemplo de gestão e dinheiro.

O SAMU. As pessoas morriam, porque eram socorridas num acidente ou num infarto, vinha uma ambulância. E até essas pessoas chegarem ao hospital, principalmente cidades mais periféricas como Rio Grande da Serra, cidade em qual eu morei, você morria pra chegar uma ambulância lá e pra te levar num, num hospital mais próximo, que era em Mauá, o Nardini. Ele criou o SAMU, né? O SAMU aí, salvando vidas. Então foi dinheiro e uma boa gestão do governo federal.

Participante

Ó, eu...

Apresentador

Deixa eu, deixa eu fazer um apontamento aqui.

Participante

Pode, dois minutos.

Apresentador

Olha só, vocês, vocês tão caminhando pra um possível consenso, que é o seguinte: você cita que o problema do SUS é a má gestão. A Edileuza cita que-

Participante

Eu só falei um minuto e meio. Ela falou cinco.

Apresentador

Você vai poder falar mais, depois. Se eu puder caminhar pra, pro consenso, eu, eu vou permitir você falar mais, pode deixar. Você cita que o problema é a má gestão e você cita que é a má gestão, mas também há espaço pra mais dinheiro. Então, se eu faço essa conta rapidinho, vocês tão concordando que a má gestão é uma questão.

Participante

Sim.

Apresentador

Eu vou somar mais um detalhe aqui pra vocês nesse debate, tá? Como o SUS, de forma estratégica, consegue reduzir o tempo de espera?

Participante

É, eu, eu-

Participante

Ela falou cinco minutos.

Apresentador

Você se importa se eu terminar? Não? Obrigado, Laura.

Participante

Como o governo deveria fazer? Então, o governo estadual, como ela mencionou do Tarcísio, não é o que a gente vê na mídia social todos os dias, pessoas denunciena, denunciando que estão na fila pra fazer uma seleçã, uma cirurgia ortopédica há seis, sete meses, esperando uma cirurgia. As pessoas que têm parente oncológico tão chorando, levando seus parentes pra morrer em casa, porque os hospitais não estão aceitando a dar dignidade, como diz o SUS, a esses pacientes oncológicos morrerem, sendo assistido com dignidade, sem dor.

O SUS está mandando é ir embora É isso que tá acontecendo com a política do Doutor Siqueira em São Paulo. Então eu acredito que, ééé, pra diminuir a fila, tem que fazer maiores investimento, é, controlar a corrupção aí, porque muito vaza pela corrupção, como a colega falou. E o Governo Federal criou o primeiro hospital federal, com ciência de ponta, tecnologia, com investimento da China. É isso.

Participante

Ó, eu vou fa-falar alguma coisa. Ela comentou da Farmácia Popular e enfim, sim, eu concordo, isso aí é um exemplo de, de como uma boa gestão pode fazer, pode fazer, hã, hã, hã, ótimos, ótimas consequências dentro do campo da saúde. Sim, eu concordo. Mas você n-- só dizer que somente investimentos podem re-reduzir a fila da, do SUS, isso não é nenhum, isso não é nenhuma resposta, é uma sugestão.

Participante

Não, eu concordo, eu falei boa gestão.

Participante

Eu tô, eu tô ap-- eu tô, eu tô apontando com dados e com exemplos reais.

Participante

Eu também, todos esses exemplos foram de boa gestão.

Participante

Por favor, te falar, o que você pode fazer-

Participante

Cê falou por cinco minuto, eu falei por dois.

Participante

Tá bom. Eu falei, eu, eu estou apresentando exemplos reais na prática-

Participante

Eu também

Participante

...de como reduzir fila do SUS. Ééé, e é igual eu falei, quando você dá, por exemplo, cem, cem milhões de verba, hã, é igual eu falei, não é só simplesmente tacar cem milhões e você não saber o que vai acontecer. Você tem que dar cem milhões e ter metas de desempenho, co-como eu falei anteriormente. Você falou do, do governo Lula, eu vou falar do governo do Bolsonaro, que muito, que muitos, que muito, muitos casos dentro da medicina você consegue resolver pelo, pela porta de entrada.

Então, por exemplo, a gente teve o programa Cuida Mais Brasil, na qual ele direcionou ginecologistas e pediatrias para UBS do Brasil. Antes a gente não tinha, hã, médicos especialistas nisso. Ele cuidou da saúde da criança e da mulher, podendo resolver-

Participante

Sempre tínhamos

Participante

...podendo resolver inúmeros casos da UBS.

Participante

Isso sempre tínhamos.

Participante

Ele ampliou o esquema-

Participante

Eu vou falar então só-

Participante

E, e ele, e outra coisa-

Participante

Dá licença que cê falou por seis minutos, gente, não tá sendo democrático o timing.

Participante

Eu parei de falar no sé-- no sete.

Participante

O timing, olha só. Ééé-

Participante

Outra coisa. UBS digital. A pessoa não precisa mais sair de casa.

Participante

O Lula, o Lula quando ele envi-- o Lula quando ele manda o dinheiro-

Participante

Internou, resolveu inúmeros problemas.

Participante

O Lula quando ele manda o dinheiro pras cestas de medicação, ele manda direto pra UBS, justamente pro din-- pra não vazar, não passar pelo ta-

Participante

O Bolsonaro que é o pior da descentralização da verba, do dinheiro de Brasília pra, pros municípios e colegas.

Apresentador

Laura, Laura, Edileuza, eu vou construir com vocês.

Participante

Certo.

Apresentador

Não foram palavras minhas, foram palavras de vocês duas, o possível consenso que cês teriam caso a gente tivesse que interromper essa conversa agora, tá? O problema do SU-do SUS é a má gestão e a corrupção.

Participante

Sim.

Apresentador

Farmácia Popular é um exemplo de boa gestão.

Participante

Sim.

Participante

E investimento, né, os dois.

Apresentador

Eu, eu, eu vou seguir só com esse ponto que foi com-

Participante

Mas a gente tem dinheiro, a gente não precisa de mais investimento.

Apresentador

É, eu, eu-

Participante

Não, mas é investimento. Não foi investimento? O SAMU, a Farmácia Popular.

Apresentador

Eu entendo, Edileuza, é só porque esse foi um ponto que não, não ve-- não partiu dela, eu tô trabalhando só em cima do consenso, tudo bem?

Participante

Mas isso é óbvio que foi investimento. Não tem como dizer que não foi.

Apresentador

Tudo bem.

Participante

Foi dinheiro investido.

Participante

Foi boa gestão, não foi investimento, porque investimento eu tô querendo dizer que a gente não precisa de mais dinheiro.

Apresentador

Laura, Laura, Edileuza.

Participante

A gente ainda precisa de mais dinheiro, a gente não precisa-

Participante

Mas não foi dinheiro que precisou injetar.

Apresentador

Laura, Edileuza, Edileuza, eu sei que tem coisas que são óbvias pra um.

Participante

É óbvio, precisou de dinheiro pra ser injetado.

Apresentador

Edileuza, olha pra mim. Eu sei que tem coisas que são óbvias pra você, tem coisas que são óbvias pra ela. Eu vou me ater aqui ao consenso de vocês. Tudo bem pra você? Então vou repetir pra vocês o consenso que cês chegaram, só pra poder entender que quando eu for pro time de vocês, é isso que cês concordaram. O problema do SUS é a má gestão e a corrupção.

Participante

Sim, concordo.

Participante

Sim, concordo.

Apresentador

Farmácia Popular é um exemplo de boa gestão.

Participante

Sim.

Participante

Concordo. Mas daí teria que, mas daí não é justo, porque daí também do campo da direita tem inúmeros exemplos de boa gestão que não fo-- que não vão ser colocados.

Participante

Você falou cinco minuto e não colocou.

Participante

Igual Cuida Mais Brasil.

Apresentador

Laura.

Participante

Eu falei três, eu falei três.

Apresentador

Laura, você prefere que eu tire o exemplo-

Participante

Não, chega.

Apresentador

Cê prefere-

Participante

Não.

Apresentador

Laura, Laura, Laura.

Participante

Eu falei, eu falei três: Tabela Sul São Paulo. Eu falei três.

Participante

Ela falou cinco, seis sem interromper.

Apresentador

Gente.

Participante

Não, va-

Apresentador

Gente, tem cinco minutos cada um. Gente, gente, eu, eu, a minha voz certamente é mais alta.

Participante

Ela falou cinco minutos sem interromper.

Apresentador

Edileuza, Edileuza, Laura, a minha voz certamente é mais alta se eu quiser impor aqui.

Participante

Tá.

Apresentador

Eu vou pedir pra vocês a, a delicadeza de confirmar pra mim. Vocês preferem que eu tire a farmácia ou mantenha?

Participante

É, sim, porque olha, eu vou te explicar.

Apresentador

Não, Laura, a gente não tem tempo. Cê vai me dizer, eu tiro a farmácia.

Participante

Ai, eu tô dando mais tempo pra falar.

Apresentador

Laura, Laura.

Participante

Não, então eu não vou falar, pode tirar, tira.

Apresentador

Eu tiro a farmácia.

Participante

Só a má gestão e corrupção.

Apresentador

Tudo bem pra você também?

Participante

Se não tem que colocar os lados da-

Apresentador

Tudo bem, tudo bem

Participante

...do lado da direita que também fizeram má gestão.

Apresentador

Edileuza, tudo bem pra você tirar a farmácia?

Participante

Pra mim tá tudo bem-

Apresentador

Obrigado

Participante

...mas a sociedade sabe o que é. Isso que importa pra mim. Lula é mais corrupto.

Apresentador

Laura, obrigado, viu?

Participante

Tabela Sul São Paulo, Cuida Mais Brasil.

Apresentador

Obrigado, viu? Obrigado.

Participante

UBS digital.

Apresentador

Laura.

Participante

Nossa, não pode falar.

Participante

Porque eu sei o que falar.

Apresentador

Não, eu te pe-- eu te-

Participante

Eu não tenho medo.

Apresentador

Vou aqui. A Laura e a Edileuza chegaram no seguinte consenso: o problema do SUS é a má gestão e a corrupção. Time de esquerda, quem concorda com o consenso, por favor, levante a mão. Quem discorda do consenso, por favor, levante a mão. Quem ainda não falou e gostaria de opinar?

Participante

Boa tarde, pessoal. Meu nome é Renner. Eu gostaria de dar um adendo no ponto dela. A, a minha colega aqui do Partido dos Trabalhadores falou o seguinte, que é investimento. Eu concordo, porque se fosse apenas a corrupção, não seria o caso da vacina, que era apenas uma gripe. Correto? Que matou milhares e milhares de brasileiros nesse, nessa brincadeirinha de gripe, né? Então, realmente, de fato, é investimento ba-- pesado e profissionais capacitados, porque às vezes só tem um médico pra atender, fazer diversos atendimento e às vezes a fila tá com seis, sete mil

Participante

Bom, gente, novamente eu sou o Matheus, sou conselheiro gestor de saúde de uma UBS lá em Osasco. E quando a gente fala que o maior problema do SUS é a corrupção, é o desvio, a gente tem que pensar o seguinte: o maior problema do SUS hoje, é quando ele não chega onde ele tem que chegar. O maior problema do Su-- do SUS, muitas vezes é a gestão, que não tem como falar pra uma pessoa que mora no interior do Paraná, do Pará, muitas vezes, ou de qualquer outro lugar, que tem que passar-- pegar um barco pra passar numa consulta numa UBS, perde essa consulta muitas vezes porque não tem estrutura, que o problema é esse.

A gente tem que investir, ampliar, pra que o SUS seja universal e chegue até onde ele tem que chegar.

[aplausos]

Apresentador

No time de direita, quem concorda com o consenso de que o maior problema do SUS é a má gestão e a corrupção? Quem discorda?

Participante

Meu nome é Guilherme, tenho vinte e nove anos, trabalho na, na, no hotel, no segundo maior hotel de São Paulo, o décimo quinto, vigésimo do Brasil. E eu sei que não tem a ver com o tema, mas eu vou ter que fazer isso. A nossa bandeira jamais será vermelha, primeiramente, tá? Jamais será vermelha, primeiramente. E segundamente, vocês lembram de 2024? Guilherme Boulos, o PT Kids e o Pablo Marçal?

Pois é, ele mandou isso aqui também pra vocês, ó. Aqui pra vocês, ó. Porque eu vim trabalhar, eu vim, eu vim do trabalho. Ó aqui, ó, aqui, ó. Simples. Ó, eu vou te dar de presente aqui, ó. Pega aí, ó. Pega aí, ó. Aqui, ó. Dois pra vocês, ó. Dois presentes pra vocês, ó.

Participante

Doze anos de carteira assinada.

Participante

Carteira assinada e dois filhos. Fácil assim, ó.

Apresentador

Tem mais alguém que gostaria de-- que discordou do tema e gostaria de falar? Você.

Participante

Pessoal, é, vou só fazer um alerta aqui pra todos nós. A, acima da direita, acima da esquerda, todos nós somos brasileiros. E eu queria só fazer um alerta aqui pra vocês. Depois de todos esses escândalos de corrupção, INSS, escândalos após escândalos, vocês realmente acham e vocês realmente confiam que entregar dinheiro na mão do governo é a solução? Obrigado.

[aplausos]

Apresentador

Qual é o limite da liberdade de expressão e até onde o STF pode agir? O lado de esquerda tem três minutos pra determinar quem será a pessoa que participará desse debate. Primeira.

Participante

Bom, eu sou a Simone Nascimento, eu sou jornalista formada pelo ProUni na PUC São Paulo e, além disso, eu acho que o sistema judiciário brasileiro é muito contraditório, principalmente com a classe trabalhadora e a população negra. Por isso eu quero falar sobre esse tema.

Apresentador

Mais alguém? Então a Simone tá eleita, e tá ótimo.

[aplausos]

Apresentador

Agora, o grupo de direita tem três minutos pra determinar quem é a pessoa que vai debater esse tema.

Participante

Meu nome é Dom Ancelotti, eu sou bacharel em Direito e influenciador digital. Eu trabalho com política desde 2009, falando sobre pautas que envolvam liberdades civis ou a influência do Judiciário na, na nossa política. Então eu me sinto preparado pra tratar desse tema sobre o STF e sobre liberdade.

Participante

Eu sou, meu nome é Edmar Marques Silva, mais conhecido como Boca Nervosa, cantor, produtor, ativista político e sou um cara que fui cancelado oito vezes pelo STF e tenho sim condições básicas pra falar sobre esse assunto.

Apresentador

Mais alguém? Não? Quem vota pelo Dom Ancelotti? Acho que ele já foi aqui. Quem representará a esquerda é a Simone.

[aplausos]

Apresentador

Quem representará a direita será Dom Ancelotti.

[aplausos]

Apresentador

Os participantes terão dez minutos para debater a pauta e a pergunta é: qual é o limite da liberdade de expressão e até onde o STF pode agir?

Participante

Olha, eu acho que a gente tá diante do maior caso de corrupção da história do nosso país envolvendo o sistema nacional, que é o caso do Banco Master do Vocaro. Eu tenho a posição do presidente Lula. Eu acho que todos os envolvidos têm que ter o, a quebra de sigilo totalmente quebrada mesmo e eu acho que não é papel do Judiciário tirar a PF do seu papel de investigação, que tem cumprido aí seu dever, que é investigar, prender os envolvidos e, mais do que nunca, esperar a delação do Vocaro, que tem muita coisa pela frente.

Participante

Hã, até quando é o filho do presidente tá envolvido? Porque quando a gente vê que, que há muitas investigações que tão sendo feitas envolvem o filho do presidente, muitas vezes o presidente tenta interferir pra que essas investigações não sejam feitas.

Participante

O Bolsonaro tentou mesmo.

Participante

Mas eu, mas eu vou, eu vo-- eu volto um pouco lá atrás, porque o que acontece? É, eu sou bacharel em Direito, passei cinco anos na faculdade de Direito estudando que a lei é para todos, estudando que o STF seria o guardião da nossa Constituição. Quando nós temos na Suprema Corte, né, do nosso país, que é das maiores instituições do nosso país, digamos, concordo com você, um dos maiores escândalos, talvez, da nossa história, da, dentro da Suprema Corte e dentro da Suprema Corte, nós temos por baixo, no mínimo, pelo menos dois advogados que já trabalharam pro Lula e pro Partido dos Trabalhadores, né.

Mas eu concordo com você que é um dos maiores escândalos e que sim, eu concordo também que o STF teria que qua-- salvaguardar a nossa Constituição, até porque eles, ele nasce com isso, com essa intenção, durante a pro-- depois da proclamação da República, mas que hoje nós temos uma Suprema Corte politizada. Por que politizada? O STF e o Judiciário, como você bem citou, teria que cuidar da Justiça, né?

Concordo mais uma vez com você, é o maior escândalo, né, da nossa história, a maior instituição do no-- do nosso país, com escândalo político A partir da, quan-- a partir do momento que você junta o Judiciário com o político, a lei já não é pra todos. Tem uma série muito famosa aí, sem-- que a gente conhece, que até eles comemoram, né? "Ó, o nosso processo foi pra, foi pro Su-- foi pro STF, foi pra Suprema Corte."

Então assim, isso não, isso não é tratar de liberdade, isso é tratar de seletividade. O que tá acontecendo agora com o Banco Master é: juízes estão soltando-- n-não é, não é só agora com o Banco Master, isso já foi de, de, de décadas e décadas atrás. PT tá há quase 20 anos no poder e a gente sabe que sempre foram seletivas as investigações. Tentaram tirar, tentaram tirar, hã, o presidente Bolsonaro da ele-- dessa, dessa eleição agora, porque sa-- ele é o único que não tá envolvido-

Participante

Que tentou dar um golpe no país, né?

Participante

Ele é o único que não tá envolvido com corrupção. E agora a gente sabe-

Participante

Que ele tentou dar um golpe no país no 8 de janeiro de 2023

Participante

Não, o golpe foi dado pelo STF, é justamente, é o, é o contrário.

Participante

Não, ele tá cumprindo uma pena por tentar dar um golpe de Estado no país. Tinha uma minuta na mesa dele quando ele era presidente.

Participante

Eu não sei se você acompanhou a entrevista que o Cláudio Dantas deu agora recente, falando o porquê que fo-- que acabaram com a Lava Jato.

Participante

Eu acompanhei a decisão do Dino que parou o André Mendonça.

Participante

A Lava Jato, a Lava Jato. Eu gostaria de falar, deixa eu só concluir o, o raciocínio pro pessoal de casa que tá ouvindo. A Lava Jato, pessoal: "Ah, o Bolsonaro acabou com a Lava Jato." Quem acabou com a Lava Jato foi o próprio STF. Se vocês buscarem a entrevista do Cláudio Dantas, ele vai falar que quando começaram a investigar os ministros do Supremo, eles, eles colocaram-- o, e, o Toffoli inventou o, o, o inquérito das fake news, que é o inquérito do fim do mundo, que já dura há sete anos, pra, pra-- estou concluindo, pra evitar que os ministros fossem investigados.

A partir daí, é, começou-se a, a-- vou soltar um, um, uma ideia. Ah, o Vo-o Vorcaro envolvido com o Flávio Bolsonaro. Não teve nada do Vo-- do, do Flávio Bolsonaro envolvido com o Vorcaro.

Participante

Mas tem o número dele no WhatsApp, né?

Participante

Foi como um patrocínio público. Um patrocínio público.

Participante

E o Darken Vorcaro?

Participante

Diferente de um, de um, de um ministro que recebe um contrato de cento e vinte e nove. Cê defende o Moraes? Não tô entendendo.

Participante

Eu não tenho nenhum ministro nesse papo.

Participante

Cê acabou de dizer que o Lula tem razão porque é o maior escândalo.

Participante

Ele é-

Participante

Mas o Lula tá abraçado com o Moraes agora.

Participante

Não, a gente não tem nenhum ministro nesse papo.

Participante

O Flávio Dino acabou de dar uma decisão, é, é cancelando a decisão do Mendonça.

Participante

O Lula defendeu a quebra de sigilo de todos os envolvidos com a Lava Jato.

Participante

Cês, cês têm que escolher um lado. É um consenso que a gente tem que chegar aqui.

Participante

Olha, que que eu acredito?

Participante

Isso não ajuda essa verdade, né?

Participante

Que que eu acredito? Olha só. Nesse momento, eu não sei que dia que vai ao ar esse programa. Eu quero dizer pra quem tá acompanhando em casa. Eu espero que até o dia que a gente for ao ar com esse programa, nós tenhamos tentado barrar esse golpe em curso no nosso país, porque essa história nós já conhecemos.

Apresentador

Simone, cê tá sendo hipócrita.

Participante

Eu posso falar? Posso falar?

Apresentador

Tá sendo hipócrita.

Participante

Não, posso falar? Eu não disse que você é hipócrita, que tá com essa sobrinha.

Apresentador

Vai, Oriente.

Participante

Posso?

Participante

Ó, eu posso falar?

Apresentador

Pode.

Participante

É a minha vez, né?

Apresentador

Deixa, deixa eu só pedir um detalhe pra vocês. Eu vou pedir que vocês respeitem-

Participante

O tempo do outro

Apresentador

...o tempo do outro.

Participante

Eu respeitei o seu tempo.

Participante

Não, cê não responde-- cê não respeitou. Não, cê não respeitou.

Participante

Hipocrisia é o que você tá fazendo agora.

Participante

Cê não respeitou.

Apresentador

Posso?

Participante

Posso?

Apresentador

Po-pode.

Participante

Se ela respeitar, eu respeito.

Apresentador

Se-- vou só pedir pra vocês o seguinte: quando a gente se interrompe, a gente não consegue escutar o outro.

Participante

Tá bom.

Participante

Concordo.

Apresentador

Eu vou pedir pra que a gente possa respeitar isso. Eu queria pedir só mais uma coisa. A pergunta é sobre o limite da liberdade e até onde o STF pode agir.

Participante

Olha, o que eu acredito. Eu espero que até o dia que for ao ar esse programa, nós tenhamos avançado contra o golpe e a tentativa do golpe em curso no nosso país. Eu acho que é muito grave quando nós temos no nosso país um, um caso como o do Banco Master e a gente vê ministros como o André Mendonça tentando interferir no pa- no papel da Polícia Federal.

O Andrei, por exemplo, ele e a Polícia Federal, têm cumprido o papel de investigar o caso do Banco Master. Inclusive, o Vorcaro vai delatar e ele diz que tem aí propina pro Flávio Bolsonaro e pro Tarcísio, que é governador do estado de São Paulo. O candidato Haddad, por exemplo, se recusou a receber o Vorcaro em diversas vezes. O Tarcísio e o Flávio vão ter que se explicar depois com essa delação.

Esse processo, ele tem que seguir, certo? E aí o presidente Lula, ele defende que todas as quebras de sigilo aconteçam. Inclusive, o Bolsonaro, quando ele era presidente, ele tentou interferir. Ele disse que interferiria na PF, no Supremo, pra salvar os seus filhos. E ele tá conseguindo fazer isso agora. Mas é muito importante que a gente consiga investigar até as últimas consequências e que o Supremo Tribunal Federal cumpra o seu papel, né, na, na Corte atualmente.

Então é funda-- eu não, ele falou muito mais tempo que eu.

Apresentador

Não, eu sei. Eu queria poder levantar uma pergunta pra que vocês consigam caminhar pra um consenso.

Participante

Mas ele falou por quatro minutos sem uma pergunta.

Apresentador

Cê vai ter tempo com certeza de falar, tá?

Participante

Faltam três.

Apresentador

Eu quero que cê consiga chegar a um consenso. Aí tem um ponto que casa-

Participante

O consenso é: tem que fazer com que todas as, os sigilos sejam quebrados, certo? Porque assim-

Participante

Concordo

Participante

...a PF investiga o caso da Mariele Franco, a PF investiga o caso do Vorcaro, e aí um ministro que foi citado num processo envolvendo inclusive ganho de um terno, que tá com medo, que ganhou seguidores-

Participante

Cê tá mentindo. Cê tá mentindo

Participante

...ganhou seguidores de um dia pro outro. É quase um candidato à presidência.

Participante

Vai no WhatsApp, a fatura do cartão dele, cê tá mentindo, cê tá mal informada, mas tá mentindo.

Participante

Ele vai e vai tentar interferir no trabalho do, da Polícia Federal? Isso é muito incorreto. Eu quero saber o que que o André Mendonça tem de interferência na, no, com o caso do Vorcaro e do Master, que ele quer interferir na Polícia Federal.

Participante

Posso voltar pro assunto da liberdade?

Participante

O papel dele é não interferir nos outros poderes. Esse é o papel do STF.

Apresentador

Eu acho que vocês tão conseguindo entrar num consenso em dois detalhes, tá? E eu quero poder jogar uma pergunta pra você. É o maior caso de escândalo da história. É papel do STF defender a Constituição, tô entendendo que isso é um consenso.

Participante

Investigar todos os envolvidos.

Apresentador

E que a quebra do sigilo teria que acontecer pra todo mundo. Tô entendendo que vocês dois tão entrando nesse consenso. Aí eu jogo uma pergunta pra você, já que cê ainda quer espaço de fala. Os ministros devem ter o tempo de trabalho determinado, um mandato fechado?

Participante

Eu sou favorável a essa, essa, essa questão. Deveria ter um mandato pra, pra ministros. Nós temos hoje, é, no STF, 11 pessoas que não foram eleitas, não receberam um único voto. "Ah, mas foram escolhidas pelo Senado." Tá, mas as pessoas que f-- não, não foram eles que foram eleitos, né? E voltando no assunto da questão da liberdade de expressão, eu falei do inquérito das fake news que surgiu lá em 2019.

Surgiu porque jornalistas estavam investigando esposas de ministros na Receita Federal. Inventaram o inquérito das fake news pra barrar essas, esse tipo de investigação. Nós estamos em 2026 e nós temos decisões do, a, de Alexandre de Moraes mandando fazer busca e apreensão em fonte jornalística Isso nunca vai ser liberdade, e isso nu-- ah, porque é o limite da liberdade de expressão. Como que é, é, é salvaguar-- é, o, é protegido o direito à fonte pela nossa Constituição.

Mas hoje, no Brasil, em 2026, concordando com você que é o maior escândalo da nossa história, não existe mais Constituição.

Apresentador

Então eu vou passar o direito de fala pra ela, tá? Simone, por favor.

Participante

Olha, eu acho que a nossa principal diferença é que eu tô dizendo que concretamente eu defendo a opinião do presidente Lula: quebrar todos os sigilos. E na história do país, no ano de 2026, nas eleições, existe um candidato que é citado nos processos e outro que não é. O Flávio é citado, né, existe diversas mensagens com o Nikolas Ferreira. Existe inclusive indícios da participação do Tarcísio de Freitas envolvendo propinas.

Esse caso precisa ser investigado até as últimas consequências.

Participante

Eu não posso deixar passar isso.

Participante

Precisa ser investigado até as últimas consequências.

Participante

É um monumento o que cê tá falando.

Participante

Inclusive, o Flávio aproveitou esse momento de crise no nosso país pra dizer que se ele for eleito, ele vai indicar cinco ministros do STF.

Participante

Quando o Lulinha for preso, cê vai lembrar dessa sua fala, hein?

Participante

Ele fez política com isso. E ela, é, com relação aos mandatos, né, ele, o Flávio aproveitou pra dizer que vai indicar cinco ministros.

Participante

Vai mesmo.

Participante

O presidente Lula, o presidente Lula aproveitou pra dizer que tem que quebrar o sigilo de todo mundo. Essa é a grande diferença: interesses coletivos versus interesses da família Bolsonaro, da família rachadinha.

Participante

Deix-deixou-

Participante

Da família do Flávio Bolsonaro, da família rachadinha, que tá tentando acabar com a soberania do nosso país. E os três poderes são soberanos no nosso país. A Polícia Federal tem que cumprir seu papel, o STF tem que cumprir seu papel. Inclusive, eu acho que o sistema judiciário tem várias contradições históricas. Por exemplo, nunca ter tido uma ministra negra no STF, que é algo que eu defendo aí.

Participante

Ah, ela vai falar só pra minoria agora.

Apresentador

Vocês se importam se eu caminhar pra uma possibilidade de consenso?

Participante

Claro.

Participante

Por favor.

Apresentador

Até por respeito ao tempo ali, tá? O que que eu entendi que cês concordam: esse é o maior escândalo da história, o STF deveria resguardar a Constituição e o sigilo deveria ser quebrado pra todos.

Participante

De todos os envolvidos.

Participante

Sim.

Participante

Inclusive o Flávio.

Apresentador

Cês concordam nesses três pontos? Então a gente tem um consenso aqui, tá?

Participante

O André tem que se explicar.

Apresentador

Perfeito.

Participante

André Mendonça.

Apresentador

Obrigado.

Participante

É isso?

Apresentador

Obrigado, viu, gente. [aplausos] O Dom Ancelotti e a Simone chegaram em três consensos sobre esse tema. Esse é o maior escândalo da história, o STF deveria resguardar a nossa Constituição e o sigilo deveria ser quebrado de todos. Pra vocês, time de esquerda, quem concorda com esse consenso, por favor, levante a mão. Ótimo. Time de direita, quem concorda com esse consenso, por favor, levanta a mão.

Participante

Da esquerda, de quem concordou, queria escutar só uma pessoa, se você tem alguma coisa pra complementar que não foi falada.

Participante

Bom, eu concordo com, é, com o tema, né, que foi abordado sobre as, sobre o consenso sobre a investigação de todos os lados, mas eu acredito que o debate mais aprofundado sobre a liberdade de expressão mesmo, que deveria ser resguardada pelo STF, ele não foi, não foi totalmente abordado. Eu gostaria só de deixar uma visão sobre isso, né, simples aqui e rápida, que a liberdade de expressão ela deve ser restrita desde que não atinja, né, desde que não agrida outro grupo ou outras pessoas.

[aplausos]

Participante

Boa tarde, queria só complementar aqui a questão da decisão do Lula, a ordem do Lula em relação à decisão do STF. Isso pode muito bem ser articulado entre eles, tá? Pode ser um jogo, isso tem um nome. Na, na área jurídica, chama-- não, isso aí é outra coisa. Na área jurídica, chama chicana. Quando você trava a obstruição da política nas decisões que eles precisam fazer. Então o que acontece é o seguinte: o Lula pode muito bem falar que quer, mas o STF pode muito bem barrar e é o que tá acontecendo.

Obrigado. [aplausos]

Apresentador

Até que ponto o governo deve ser dono das empresas ou transferir essa gestão para o setor privado? Para debater esse segundo tema, eu vou pedir ao time de direita pra eleger alguém que vá debater na arena.

Participante

Meu nome é Laura, eu tenho vinte três anos, sou estudante de Medicina, ativista política e eu vou representar aqui o lado da direita pra abordar esse tema.

Apresentador

Time de esquerda, cês têm três minutos pra definir quem é a pessoa que vai debater esse tópico.

Participante

Não, cê não vai? Vai lá, garoto. Bom, eu sou o Luciano Da Luz, eu acredito que esse tema é muito importante por questão de soberania nacional e eu gostaria muito de poder falar esse tema se a equipe aí concordar.

Apresentador

Obrigado, Luciano. Mais alguém?

Participante

Bom, eu sou Mateus Jesus, sou ativista político, jurista e comerciante. Eu gostaria muito de falar sobre esse tema, porque é um tema fundamental pra gente discutir a eficiência do Estado e o modelo socioeconômico que a gente vai escolher nas próximas eleições.

Apresentador

Quem vota pra que o Luciano debata esse tema? Quem vota pra que o Mateus debata esse tema? É. Quem debaterá esse tema pela direita é a Laura. [aplausos] Quem debaterá esse tema pela esquerda é o Luciano. [aplausos] A Laura e o Luciano terão dez minutos para debater a seguinte pergunta: até que ponto o governo deve ser dono das empresas ou transferir essa gestão pro setor privado?

Participante

Hã, então, antes de começar esse debate, eu gostaria de citar uma frase de um político que eu gosto muito, que é o Ronald Reagan, que ele, ele fala o seguinte: "Quando uma empresa privada, hã, quebra, ela fecha. Quando uma estatal quebra, quem paga a conta é você." No Brasil, hã, a gente tem cerca de cento e vinte estatais federais e mais de seiscentas empresas públicas, nas quais só nesse ano de 2026 já geraram mais de sete bilhões de reais de prejuízo.

E não queria falar nada, mas o, o, o lucro recorde que a gente teve foi em 2022, no governo Bolsonaro, que as estatais federais lucraram mais de seis bilhões de reais. E

Participante

Por exemplo, hã, a gente paga trinta e três por cento do nosso PIB só de impostos. O brasileiro trabalha cerca de cinco meses ao ano somente para pagar os impostos. Eu discordo completamente que a gente tenha que trabalhar e pagar tantos impostos para cobrir prejuízos estatais federais. E-eu concordo plenamente de que as estatais devem ser, hã, a-a pirâmide da, da sociedade, que é educação, segurança e saúde, mas também acredito que existem inúmeras estatais no nosso país, que além de gerar prejuízos bilionários, também abrem ala pra corrupção.

Por exemplo, no governo Bolsonaro, quando o Paulo Guedes entrou para gerir o Ministério da Economia, eles ti-- eles demoraram cerca de um ano para encontrar todas a, as, as empresas, hã, estatais, e pra saber a origem de cada uma, co-como era gerida. Ééé, por exemplo, o Bolsonaro também, hã, realizou a venda da Eletrobras, que gerou mais de cem bilhões aos cos-- aos cofres públicos, e também, é, foi a segunda maior ação daquele ano.

Da mesma forma, temos aqui a pri-- a privatização da Sabesp, que teria que ser desembolsados, hã, quarenta a sessenta bilhões, que teriam que ser tirado da, como eu falei, segurança, saúde e educação, hã, para gerir ele. Fo-foi privatizado, hã, foi comprometido setenta bilhões para investimento privado, que não vai sair do, do imposto do trabalhador, e ao mesmo tempo, as metas que eram para 2033, se adiantaram quatro anos para 2029.

Mais de dez milhões de pessoas vão ter acesso a saneamento básico com a privatização, além de atraiiir mercado e investidores internacionais, internacionais para o mesmo.

Participante

Beleza, Laura, muito interessante [palmas]. Muito interessante a sua visão, muito, muito legal saber dela, mas eu quero abordar aqui alguns temas que você comentou. E, é, o primeiro eu quero falar sobre o lucro das estatais que você comentou durante o governo Bolsonaro. Eu quero citar aqui dois exemplos, inclusive do Paulo Guedes, do Paulo Guedes, que foi a empresa de gás, né, que foi privatizada por ele, que logicamente teve lucro, justamente porque o valor do produto aumentou.

A gente teve um aumento do preço do gás, que logicamente reflete no preço do lucro. Agora a gente tem que ver o que que é mais, o que que é mais interessante: a gente tirar esse lucro do povo brasileiro e pra mandar pra acionistas, que muitas vezes nem estão no Brasil. Da mesma forma aconteceu também com a BR Distribuidora, que é uma empresa estratégica na questão dos combustíveis.

O que que a gente teve? Aumento do preço do combustível. Aí é fácil a gente ter lucro, aumento do lucro. Aí você fala: "A empresa tal lucrou tantos", mas quanto que era o preço do combustível? O preço do combustível aumentou, tirou, é, a renda das famílias brasileiras, ou seja, esse lucro era, era um dinheiro que ele poderia ter ficado na economia através dos cidadãos brasileiros, que pagavam o valor X na gasolina e começaram a pagar o valor mais alto.

Então, até que ponto vale a pena, é, a gente falar sobre essa questão do lucro? Se esse lucro ele é realmente positivo, a gente tirar das famílias brasileiras através de um produto que tá sendo cobrado mais caro pra mandar pra fora. Então, eu acho que, eu acho-- eu quero primeiramente agradecer aqui ao programa, porque o intuito principal daqui é a gente chegar num consenso, né? E eu acredito, eu sou a favor, eu acredito que v-- as privatizações elas podem ser positivas sim, mas empresas estratégicas, nesses casos, como a gente tá falando, né, a questão das distribuidoras de, de combustíveis, gás, a própria Sabesp, que você mencionou também, que foi privatizada aqui por um valor X, são empresas que já dão lucros, são bilhões de lucros por ano.

A questão da BR Distribuidora, por, por exemplo, ela foi comprada por um valor. Esse valor que ela foi, que ela, que, que pagaram por ela, é um valor que o a-- o acionista que comprou, ele retira esse valor em alguns anos de, de ação. Ou seja, é como eu vou citar um exemplo pra você. Você tem a sua casa hoje, a sua casa própria, né? É, você deixa de pagar um aluguel pra, pra, porque você tem a sua casa própria.

A partir do momento que você entrega a sua casa e você começa a pagar um aluguel, você tira uma renda da s-- do seu subsídio pra pagar com algo que você não teria necessidade. Então é assim que eu vejo a questão das empresas estratégicas, né? Mas da mesma forma, é, a privatização, a privatização ela não é de todo ruim. Eu a- eu acredito num modelo de privatização que, que pode ser positivo.

Vamo citar um exemplo aqui, a coleta do-dos lixos, por exemplo, né, das pequenas cidades, da própria cidade de São Paulo. Ninguém se interessa em fazer uma privatização da coleta desses lixos. E a gente tá jogando ali plástico, vidro, são matérias-primas que têm um valor agregado, que chega uma empresa que recebe do governo, recebe milhões, centenas de milhões pra captar esse, esse lixo e queimar ele. Ou seja, acha-- eu acredito que a gente deveria ter um modelo de privatização, onde, onde, é, cooperativas tivessem o acesso e recursos pra fazer essa captação e transformar esse lixo em recursos, né?

Mas infelizmente, como esse tipo de, esse tipo de trabalho, ele não acaba não gerando, assim, tantos recursos como empresas estratégicas, como combustível, como gás, o poder público acaba não se interessando muito por isso. O que que ele acha melhor? Ele acha melhor contratar uma empresa privada, enorme, gigante, do que fazer concessões e privati-privatizações para empresas menores, que poderiam ser feitas por cidadãos, por cooperativas, por MEIs, por pequenas empresas, pra poder fazer a captação desses recursos.

Então esse é apenas um exemplo. Eu acredito que a privatiza- a privatização, ela pode ser positiva sim, mas não em setores estratégicos, como a energia, o petróleo e o gás.

Participante

Vocês tão, vocês tão chegando num consenso que é o seguinte, olha só, Laura, você fala: "Quem paga a conta do prejuízo da estatal é o povo." E o seu ponto é o lucro das empresas privadas é um retrato do aumento do custo pro povo. Só que o consenso começa a chegar onde as privatizações podem ser positivas através de concessão. Você consegue elaborar mais sobre isso?

Participante

Eu posso citar um consenso que a gente pode chegar, que eu acredito que o maior investimento público deve ser realmente nas estatais voltadas para os pilares da sociedade, como eu citei, que é educação, saúde e segurança. Pra mim, o resto é em segundo plano. E eu

Participante

E, por exemplo, como, como você citou, ééé, toda empresa, é, estatal que deve ser privatizada, obviamente deveria haver todo um plano por trás, de complexidade. Por exemplo, hã, o que tá muito em alta é a pauta de privatização dos Correios, que está dando prejuízos bilionários todos os anos. Inclusive, só nesse ano já gerou bri-- hã, bilhões de prejuízos e que também no governo do Bolsonaro, gerou um superávit recorde de mais de 3,7 bilhões.

Ééé, a gente tem que encontrar uma estratégia pra levar os Correios até, por exemplo, em o interior do Nordeste. Mas eu, como sou a favor da-das privatizações, eu acredito que sim, sempre há um meio. Então, é o, é o que eu falei anteriormente. Existem inúmeras estatais eee empresas, hã, federais que, que somente geram prejuízo e abrem ala pra muita corrupção. Igual eu falei do, do, do Paulo Guedes, quando eles demoraram quase um ano pra, para descobrir todas as empresas que estavam cadastradas no governo, eles descobriram até mesmo uma fábrica de camisinha que ficava no interior do Acre.

Aí eu lhe pergunto, qual a necessidade? Imagina o quanto de ala que essas, é, empresas que não têm a menor necessidade de, de ser do governo, abrem pra corrupção. A gente deve realmente olhar isso aí com mais cuidado, que inclusive o Bolsonaro reduziu de cento e trinta e quatro para cento e vinte e duas estatais federais e eliminou mais de oitenta subsídios.

Participante

É interessante esse número também de empresas estatais, é porque a gente tem os Estados Unidos como modelo hoje de país liberal, que possui o triplo de estatais do Brasil, né? E a questão também, o exemplo da indústria de camisinha, como você mencionou, que foi fechada, né? A gente precisa ter acesso a isso daí pra saber, afinal, quanto que, por quanto que o produ-- o produto final ele sai nessa fábrica de camisinha que, que vem do Estado.

A gente tem que ter acesso a isso, a gente tem que ter acesso. Inclusive, eu quero fazer uma observação do amigo que comentou, né, que ele fez uma fala ali antes sobre a auditoria e...?

Participante

Gestão transparente.

Participante

A auditoria e gestão tr-transparente, né, que trouxe prum amigo, prum colega do, do seu grupo, que eu acho que é algo também a gente deve, é, implantar, né, em todas as estatais, porque a gente deve saber o que que tá acontecendo, quantos que, é, quan-quanto que o, qual o valor que tá sendo gasto, que tá sendo investido, qual que é o retorno que a gente tá tendo.

Citando como exemplo, novamente, a empresa da indústria de camisinha, né? Quanto que se gasta em matéria-prima, quanto se gasta em folha de pagamento. Afinal, o produto final, ele fica, ele fica mais barato, é, é mais barato se comprar dessa estatal ou é mais, fica mais barato você comprar de uma empresa, duma empresa privada? Então a gente precisa ter acesso a isso, à gestão transparente, e principalmente pra que as pessoas participem dessa gestão, né.

Independente de esquerda, de esquerda, a gente precisa ter mecanismos pra que as pessoas saibam, né, qual, é, o que que tá sendo investido e quanto tá sendo gasto.

Participante

Eu concordo completamente com esse consenso de que toda estatal que pode ser privatizada, a gente tem que analisar tudo que tem por trás, além disso, ter uma gestão e transparência completa pra ver a questão de lucro, de folha de pagamento, é, do retorno pra população, como que, como que vai ser encaminhado, então.

Apresentador

Então, cês me permitem, como espectador também, repetir pra vocês o consenso que eu entendo, tá? Da escuta de vocês. Privatizações podem ser positivas através de concessões e em setores essenciais, sempre com transparência na gestão.

Participante

Setores e-- não, em setores essenciais, eu já sou, é-

Participante

Não, é...

Participante

É, não, eu sou contra a privatização. Eu sou a favor do controle do Estado, mas com gestão transparente e...

Apresentador

Então eu vou reduzir aqui o consenso, tá?

Participante

Eu sou a favor da, da, dos pilares básicos da sociedade, segurança, saúde e educação serem estatais, e o resto em segundo plano.

Participante

Pois é.

Apresentador

Ótimo. A Laura e o Luciano chegaram no seguinte consenso: o governo pode seguir na gestão de setores estratégicos, sempre com transparência na gestão. Começando pelo time de esquerda, quem concorda com esse consenso, por favor, levanta a mão. Quem discorda desse consenso, por favor, levanta a mão.

Participante

Tá, a gente vai escutar duas pessoas que ainda não falaram.

Participante

Meu nome é Edileuza e eu sou contra a privatização. Terceirização, sim, tirando os essenciais, como saúde, educação e segurança. Eu percebi que o debate confundiu um pouco o que é terceirizar e o que é privatizar. E eu queria acrescentar na fala da colega, quando ela fala que a empresa privada, quando quebra, não tem custo pro governo. Tem sim, e muito. A gente basta ver aí, quando as empresas de automobilística tavam quebrada, a General Motors, a Volks no Brasil, Fernando Henrique e depois o Lula, foi lá e financiou a dívida e estimulou com dinheiro pra eles, né, lançarem os carros populares.

Então custa dinheiro sim. A isenção hoje, federal, de impostos pra empresas, está na casa de sessenta bilhões, e em São Paulo, mais de nove milhões, isentando empresas pra elas não quebrarem. Então, custa o nosso bolso sim, pra elas não quebrarem. [aplausos]

Apresentador

Obrigado, Edileuza.

Participante

Meu nome é Daniel Oliveira, eu venho duma cidade chamada Extrema, do Sul de Minas, e a partir do momento que existe, que passou a existir a privatização e a terceirização, o dinheiro público virou massa de manobra. Por quê? Hoje, na terceirização, uma cidade, um município chega a pagar pra um cantor, um milhão e duzentos reais pra ele cantar duas horas. Isso é fruto da privatização e da terceirização.

[aplausos]

Apresentador

Obrigado. No time de direita, quem concorda com o consenso, levanta a mão, por favor. Quem discorda do consenso, levanta a mão, por favor. Quem discorda e ainda não falou.

Participante

Meu nome é Flávio Santos, né? Só um adendo aí ao que a colega comentou. A gente, desculpa. A gente tem que avaliar às vezes o que custa mais caro. Realmente, é, uma empresa privada fechar, ela tem custo. Mas o que custa mais caro? De repente, a GM, a Volkswagen ou qualquer outra montadora fechar e deixar milhares de famílias sem dinheiro, um dinheiro que ela vai Toda compra tem imposto.

Toda família empregada paga imposto todo mês. O que que é mais caro? A gente paga-- a gente financia nove milhões de uma dívida e mantém mais de quinhentas famílias trabalhando e pagando imposto mensalmente, ou a gente simplesmente deixa fechar e falar: tudo bem. Beleza, vai lá. Acho que é uma avaliação importante pra gente fazer antes de apr-- é, apontar o que é gasto e o que é investimento.

A gente não deixar uma empresa privada fechar, acaba sendo um investimento em mais famílias continuando tendo poder de compra, moradia, acesso à saúde e etc. Tá bom? Valeu. Valeu, pessoal. [aplausos]

Apresentador

Mais alguém que ainda não falou, quer comentar?

Participante

Então pessoal, boa tarde, Eduardo aqui novamente. Então, hã, aproveitando o ensejo aqui do, do debate aqui, né, que na verdade não foi nenhum debate, foi um ótimo consenso, eu gostaria de a-- de acrescentar a questão que nós temos somente três opções. Nós temos privatização, terceirização ou estatização. Qualquer uma das três, elas precisam ser auditadas. Precisa ter uma auditoria séria. Por quê? Porque o país é um país corrupto pelo seu histórico.

Então não adianta nós, na nossa esquerdolândia, direitolândia, seja lá onde for, acreditar que algo positivo vai sair dessa gestão. Nós temos o quê? Que ter, ter que ter o pé atrás com uma gestão o quê? Totalmente pragmática, ou seja, só acredito vendo. Então, seja estatização, seja privatização, ou seja terceirização, somente auditado, pessoal, senão vai dar certo. [aplausos]

Apresentador

Obrigado. Muito bom. Como o governo deveria classificar facções criminosas? Time de esquerda, pessoas que gostariam de debater.

Participante

Boa tarde, eu sou o Águia, eu sou político e eu queria até pedir pros meus colegas que é um tema muito importante pra mim, porque eu tenho um projeto chamado Educatec e eu sei como lidar com esse tema. Obrigado, viu?

Apresentador

Mais alguém além do Águia?

Participante

Meu nome é João Gregório, mas eu sou conhecido como Greg MC. Eu sou artista inde-- artista independente, produtor musical, faço parte da cultura hip hop, já vi muita coisa na rua e acho que é muito importante a gente debater sobre a raiz desse problema. E enfim, espero que vocês votem em mim aí. Tamo junto. [risos]

Participante

Eu sou o Henrique, pessoal, sou estudante de Políticas Públicas na Federal do ABC e eu queria falar sobre esse tema, porque eu acredito muito que a única forma de resolver a questão de segurança é política pública na veia. Eu venho duma cidade que na década de 90 foi considerada a cidade mais perigosa do mundo por um jornal britânico e através da política pública a gente mudou essa realidade e hoje tem um cenário muito diferente lá.

Então eu gostaria muito de contar com o voto de vocês. Ia ser um enorme prazer tá representando. Valeu!

Apresentador

Quem vota pra que a pessoa que vá debater seja o Águia? Quem vota pelo João Gregório? Jo-- é ele. Então ele tem quatro votos. Quem vota no Henrique? Assim... Águia, agora eu vou s-- permitir os outros só porque cê recebeu menos votos, tá? Quem vota pra que o Je-- o João Gregório seja a pessoa, ele ali, seja a pessoa que vai debater? Mão lá no alto. Um, dois, três, quatro, cinco, seis votos.

Quem vota pelo Henrique? Tá bom, então vai ser o João Gregório do lado da esquerda, tá? [aplausos] Time da direita, pessoas que gostariam de debater esse tema. Vou começar por ele, depois eu te passo o microfone, tá?

Participante

Olá, pessoal. Boa tarde aí mais uma vez pra vocês. Eduardo aqui falando. Hã, falando um pouquinho sobre o quesito segurança pública e classificação de células terroristas que nós temos aqui no país. Eu vou só mencionar dois exemplos que nós tivemos aqui, que é algo muito grave, que já é um alerta, hã, pra nação brasileira de que algo não está indo bem nesse país. Nós tivemos a morte do assistente do Daniel Vorcaro, o Sicário, morreu.

Aí eu pergunto a vocês: qual facção criminosa, qual célula terrorista matou o Sicário? Nós tivemos um outro caso, hã, de um assassinato no aeroporto de Guarulhos, onde nós tivemos um, um laranja, um integrante de uma facção criminosa aqui chamado Gritsba, que morreu, hã, fuzilado no próprio aeroporto. Então eu falo: pessoal, aonde o nosso país chegou? Aonde e em que nível nós estamos de segurança pública, aonde? Hã, o crime, ele já está andando de mãos dadas com o poder, com os nossos poderes.

Obrigado.

Participante

Opa, meu nome é Edmar, mais conhecido como Boca Nervosa. É, segurança pública é um caso muito engraçado, muito emblemático no Brasil. Ééé, é o seguinte: em, o-- há uns dois anos atrás, o PT foi contra votar sobre o crime hediondo, entendeu? Uma coisa que tá aí, é, muito forte no país. E tem muita coisa pra falar sobre o seguinte, sobre isso a-- eu tenho um projeto que fala se tem que começar desde criança, desde as comunidades, arrumar ocupação pras crianças pra não entrar no crime.

É isso aí.

Apresentador

Quem vota pra que o Eduardo vá debater esse tema? Levanta a mão, por favor. Levanta a-- levanta bem alto. Um, dois, três, quatro. Tá bom. Quem vota pra que seja o Edmar? Ótimo, então aqui do lado vai ser o Edmar. Obrigado, Eduardo. Quem vai debater esse tema pelo time da esquerda é o João Gregório.

Participante

[aplausos] Muito bem, menino! Aê!

Apresentador

Quem vai debater esse tema pelo time da direita é o Edmar.

Participante

[aplausos] A favela venceu!

Apresentador

O João Gregório e o Edmar vão ter dez minutos pra debater a seguinte pergunta: como o governo deveria classificar facções criminosas?

Participante

Bom, pra gente primeiramente falar sobre, é, segurança pública, a gente tem que ver a raiz. Ééé, primeiramente, que um moleque na quebrada, mano, ele nunca vai pegar num fuzil, numa arma pra assaltar alguém porque ele quer, e e sim porque ele precisa

Participante

Eee ele tá fazendo aquilo porque o sistema, é, fez, é, fez com que ele, é, fizesse isso. Então a gente não pode culpar uma criança, nem um adulto. A gente não sabe o que tá passando na cabeça da pessoa, da criança, quem sou eu pra julgar, quem é ele pra julgar? Não é ninguém pra julgar, tá ligado? Então, é, por isso que eu falo que a gente tem que focar na raiz, ou seja, colocar aquela criança que tá sendo induzida ao tráfico, é, numa ação social, seja até com hip-hop, é, arte, esporte, colocar dentro da escola, saca?

Então assim, é, é pegar a raiz. E a, e a, e a solução dessa raiz é educação. Não tem, é, outra maneira, é educação. Eu já vou até abrir esse consenso, né, que, é, a segurança pública, a raiz desse problema é educação, tem que focar na educação. E qual que é a pergunta mesmo? Desculpa, Bruno.

Apresentador

Como o governo [riso]-

Participante

Desculpa, eu falo demais.

Apresentador

Como o governo deveria classificar facções criminosas?

Participante

Como o governo deveria classificar-

Apresentador

Enquanto você pensa se se importa dois minutos-

Participante

Pode falar, pode falar.

Participante

Opa, vamo lá. Algumas coisas eu concordo com você, outras não. É o seguinte, o, a seguranç- a segurança tem que começar desde o tempo de criança. Mas voltando ao assunto, a pessoa quando ela é bandida, quando ela tá no sangue dela, ela já vai o seguinte, já tá na maldade, já tá um, é um psicopata, ela já vai ali e tal. Você, como cê pega, você morar na comunidade como morei, é, você pega criança, tem crianças que tão lá, boê, desde os oito anos eu trabalho.

Então eu vejo assim, você pode dar cultura, pode dar música, pode dar tudo, mas tem que começar pela escola. A escola, o governo, ele não melhora. A esquerda é contra a escola, a escola militar. Na escola militar, se você tiver escola militar, o que que acontece? Você vai lá, a pessoa tem disciplina, ela canta o hino, ela obedece as pessoas, vai lá, ela tira todo esse mal.

A escola do, do governo hoje, essa escola aqui, o, o aluno dá na cara do professor, ele xinga, ele vem, ele coloca o que ele falar, ele tira uma onda na cara do cara, ele vai na hora que ele quiser-

Participante

Mas aí você tá generalizando

Participante

...ele fuma maconha na cara do pessoal. Então é o seguinte, já começa por aí. O governo de esquerda nunca foi a favor, nunca foi a favor da, do, do, da, da segurança. Ele vai lá igual o seu governo próprio fala assim: "ah, deixa ele roubar um celular pra tomar uma cervejinha no final de semana, isso é legal". É isso que acontece com o Brasil hoje, a segurança, ela é banalizada, entendeu?

Não adianta você dar cinco carro bonito, Hilux pra polícia andar, todo mundo andando de carro bonito aí. Sendo que o seguinte, o governo da esquerda, ele incentiva o bandido. Quando o Lula ganhou, fizeram festa na cadeia. "Oba, deram um salve, nosso presidente ganhou"-

Participante

Mas matar bandido é, é sem carajelo, não adianta.

Participante

Opa, pera um pouquinho. Não, não, não, não, não, não, não. A esquerda é a favor do bandido, irmão. Não é não. A direita é contra. A direita é o seguinte, a direita vai lá e, e vai na raiz do negócio. Vai, a ra-- a direita vai na raiz, a direita não quer isso aqui. Vocês votaram con-con-contra o crime hediondo, entendeu? Pra que ó, pra estuprador, pra colocar-- a dire-- a esquerda votou contra.

Olha, estuprador-

Participante

A esquerda ou o PT? É diferente.

Participante

A, a, a esquerda faz parte do presidente.

Apresentador

Posso? Posso? Posso?

Participante

Pode, pode.

Apresentador

Vocês começam a desenhar um consenso quando os dois repetem que tudo começa pela educação. Só que meu medo é assim como na outra pergunta, a gente fugir do tema. A pergunta é: como o governo deveria classificar facções criminosas?

Participante

Terrorista.

Participante

Eu não, eu não concordo.

Participante

Pronto aí, gente. Terrorista [aplausos].

Participante

Eu não concordo porque-

Participante

Classificação é terrorista

Participante

...uma, uma c- uma criança que é induzida ao crime, ela não pode ser classificada como terrorista.

Participante

Sim.

Participante

Ela não pode ser classificada como terrorista, ela precisa de ajuda. Ela precisa de ajuda de ação social, precisa, precisa de ajuda do governo, do Estado. Ela não tem que se, ser classificada como terrorista. Eu sou, eu discordo totalmente-

Participante

Mas as facções sim, irmão. As facções sim. As facções sim, porque é o seguinte: o crime organizado, ele está em todo lugar. Ele tá no governo, ele tá no, na, na, na, na, na, na, na, educação, ele tá na iniciativa privada, tá em todo lugar. O crime organizado-

Participante

Na Faria Lima também

Participante

...na Faria Lima ele tá o melhor ainda, tá, tá em todo lugar. Ele tá no Congresso, ele tá no, em todo lugar ele tá lá, ó. O, é o seguinte: existe facções que formam juiz, advogados, professores, tem em todo lugar. Então é o seguinte: como é que você vai brecar o crime organizado hoje, que deixaram ele correr, deixaram ele andar? Você não consegue, o PCC tá nos Estados Unidos, tá no Canadá, tá no, tá, tá, tá, tá, tá no, no, no, na, na Europa, tá em todo lugar.

Como é que ele andou? Você vê hoje o governo, o, o, hoje o, o SP-- o STF, ele se organizado, o crime é mais organizado do que eles.

Participante

Então.

Participante

Hoje, hoje as pessoas aqui fora respeita mais o Marcola e o, e o Fernandinho Beira-Mar do que o próprio ministro.

Participante

Então beleza, vamo colocar, vamo colocar as facções criminosas como terroristas e a Faria Lima também como terrorista. Se é pra colocar bandido com bandido, é isso.

Participante

Eu concordo.

Participante

É isso.

Participante

Eu concordo colocar.

Participante

Tem que colocar isso.

Participante

Tem que colocar.

Participante

Se é, se é pra gente fazer, é, a bandidagem e os corruptos da Faria Lima, beleza, porque o inimigo do sistema tem cor e CEP, irmão, você sabe muito bem disso.

Participante

Irmão, o sistema, ô, eu só, o sistema é o seguinte-

Participante

Você sabe muito bem disso

Participante

...o sistema tá corrompido, o sistema hoje é tudo, o sistema é uma coisa só, irmão. O sistema é Faria Lima, o sistema é Leblon-

Participante

Quinhentos anos de colonização, irmão, tem como

Participante

...o sistema é Itaparica, o sistema é Vorcar, o sistema é todo mundo. Hoje, o seguinte, o que que é o sistema? Quem está no poder? Eu sou candidato a deputado estadual. Deixa eu falar, eu sou um cara, sou pobre, negro pobre, e eu fui dos dois lados, irmão.

Participante

É uma pena

Participante

...eu conheci da esquerda, eu fui da esquerda, eu fui da esquerda e fui da direita. Eu consegui, quando eu tava na esquerda, eu trabalhava, eu cheguei em São Paulo com 13 anos de idade, fugi da minha cidade, trabalhava numa construtora, vim pra cá. Quando eu era da esquerda, sabe o que eu levava? Que eu trabalhava, eu era entorno, eu era peão lá. Eu fui entender o que a esquerda fazia.

Dava com uma mão e tomava com o pá, e não dava nada. Eu virei pra direita. Hoje eu tenho casa, eu ando de Mercedes, eu ando de uma coisa, eu sou um negão bem, graças a Deus [aplausos].

Participante

Aí você, aí você acha só porque você vive-

Participante

Eu vivo bem hoje. Eu não sou um cara, deixa eu dizer o seguinte-

Participante

...aí você acha só porque você vive isso, que você deixa de acreditar em política social, véi

Participante

...eu não sou nega bobo, eu não sou um cara besta, eu sou um cara que vivo legal. Não é porque eu ganhei dinheiro com a minha fama, eu ganhei dinheiro porque é o seguinte, porque eu sou um cara que eu, a, eu deixei de ser abestado.

Participante

Mas por que você pararia de acreditar em política social por causa disso? Só porque sua vida mudou, porque você ganha dinheiro?

Participante

Não, não, não, eu sou um cara que eu tenho um projeto, eu tenho um projeto social, irmão. Eu dei duzentas mil marmitex na, na, na, na pandemia.

Participante

Ótimo.

Participante

Entra aí que a retinha do bem é meu.

Participante

Ótimo. Parabéns.

Participante

Pô, tá nervosa, eu dei lá pro pessoal.

Participante

Parabéns. Parabéns.

Participante

É o seguinte, ó, agora a segurança é o seguinte, depende do quê? Você vai viver essa vida De jumento, a vida toda de, de, de esquerda, falando lá, o Lula vai lá, o que que o Lula faz? O Lula pega você, irmão, dá dez reais prum cara, vinte reais pro cara, pro cara chegar aqui, porra, ele ganha, eu ganho, eu ganho pobre com dez mil reais. A minha família tudo de esquerda, eu falo pro cara: "Vocês são muito burro".

Participante

Tá, mas, tá vendo como vocês generalizam?

Participante

A esquerda não dá nada pra ninguém. A esquerda não dá nada pra ninguém. A esquerda não dá nada pra ninguém, irmão

Participante

Vocês pegam uma ideologia e generalizam tudo, velho.

Participante

Não tô generalizando, não, não tô não-

Participante

Claro que tá, a esquerda-

Apresentador

Edmar, Edmar, cê se importa dele falar?

Participante

Pelo amor de Deus.

Participante

Pode falar

Apresentador

Por favor.

Participante

É, eu, eu, é inacreditável esse pensamento, mano, que vocês generalizam tudo que é: "Ah, a esquerda, a esquerda". O outro amigo lá, lá falou do comunismo. Meu, esse fantasma do comunismo assombra vocês a, desde a época da ditadura militar. Tipo, mas vocês são fascistas, fazer o quê? Eu não posso fazer nada. Vocês são fascistas, vocês, voc-você, o outro defendeu o Flávio Bolsonaro. O outro defendeu o Flávio Bolsonaro.

Tipo, cara, patético, mas vamos-

Participante

Você sabe o que é fascismo?

Apresentador

Olha, olha só-

Participante

Pode falar, deixa eu falar aqui, mano

Apresentador

A gente tem, a gente tem pouco tempo. É-

Participante

Mas tá ficando bom

Apresentador

Até agora, a gente consegue caminhar aos pouquinhos, de forma educada. Aos pouquinhos a gente consegue caminhar pra pontos que vocês dois citaram e a princípio concordam, tá? Tudo começa pela educação.

Participante

Sim.

Participante

Sim.

Apresentador

E as facções dentro da Faria, da Faria Lima também deveriam ser classificados como terroristas.

Participante

Sim. Quem, quem faz parte do crime, pra mim, sim.

Apresentador

Perfeito, vocês dois concordaram com isso, tá?

Participante

Porque lá, lá eles trabalham com o quê? Lavagem de dinheiro de quem? Do crime. Cê, a partir do momento que você é derivado, você pega uma vaca, ela dá leite, dá o couro, dá tudo. Você, a partir do momento que você é derivado do crime, você também é um terrorista. Certo? Concorda comigo ou não?

Participante

Ah, então a pessoa que rouba uma balinha no mercado é terrorista, porra?

Participante

Amigo, depende da, de-depende da, a posição que ela roubar.

Participante

Então todo mundo é terrorista então, amigo.

Participante

Não, não, não, não, pera um pouquinho, irmão. Não, pera, pera um pouquinho. Pera um pouquinho.

Participante

Porra, o re, o-

Participante

Não, não, isso, isso é generalizar uma coisa. Aí não é por aí, não. Sabe por quê? Não é por aí. Não, não, não, não, não. Uma criança, você falou com a criança quando rouba. Uma criança é o seguinte: ela é, na, na, na favela, é todo-- não é todo mundo que é ruim, não é todo negro que é, que é, que é bandido. Porque é o seguinte: pra polícia uma época atrás, você é o negrão, andava o quê?

Eu quantas vezes, eu sempre tive carro importado. Quantas vezes eu fui parado na rua? "Ô, tal, tal, tal, de quem é esse carro?" Eu falei: "O carro é meu, tá aqui no meu nome, tal". E eu passava. Hoje eu não passo mais por isso, graças a Deus. Mas o seguinte, mas eu passei muito. Eu passei muito.

Participante

Uhum.

Participante

Então sabe por quê? Porque as pessoas pensam por esse lado. Ela não vê você dum lado bem. Ninguém quer, quer você bem. Entendeu?

Participante

Então, mas você, mas você falou da esquerda, meu. Rio de Janeiro, governa-- quem tá governando é a direita e é o estado mais perigoso do Brasil, irmão.

Participante

Não, não, não, não, não. O mais perigoso é a Bahia, que cê não pode andar, rouba até seu pensamento.

Participante

Ah, tá bom. Tá bom.

Apresentador

Eu vou repetir pra vocês o possível consenso, cês confirmam pra mim os dois, antes da leitura acontecer pra, pra equipe de vocês, tá? Tudo começa pela educação e as facções dentro da Faria, da Faria Lima deveriam ser classificadas como terroristas também.

Participante

Sim.

Apresentador

Perfeito? Obrigado, viu, gente. O consenso que o João Gregório e o Edmar chegaram foi o seguinte: tudo começa pela educação e as facções dentro da Faria Lima deveriam ser classificadas como terroristas também. Começo pela direita. Quem concorda com esse consenso, por favor, levante a mão. Quem discorda?

Participante

Eu sou o Bruno e eu discordo que tudo começa com a educação, porque tudo começa com a economia. E se a gente aqui do Brasil, é, definir facção criminosa como grupo terrorista, a gente vai abrir as portas pra potências estrangeiras, principalmente, é, os Estados Unidos, hã, intervir em nosso país.

Participante

Meu nome é Laura e eu quero dizer que as facções criminosas no Brasil devem, sim, ser classificadas como grupo terroristas, porque um grupo que cria imposto paralelo dentro da favela, que faz Tribunal da Justiça, que tem e po-e porta armas que nem a nossa polícia tem, e que inclusive está infiltrada dentro de holdings bilionárias, lavando dinhei-- lavando muito dinheiro com fintechs, postos de gasolinas, como a gente viu aqui na Operação Carbono Cutro, que ocorreu em São Paulo, iniciativa do governo Tarcísio, isso aí já não é mais só uma facção criminosa.

Isso aí é um grupo terrorista e a gente precisa de mecanismos jurídicos e de investimentos, inclusive do exterior, ajuda da Interpol pra ajudar a combater, para combater isso tudo. [aplausos]

Apresentador

Quem do time de esquerda concorda com o consenso, por favor, levante a mão. Quem discorda do consenso, levanta a mão, por favor. Quem ainda não falou e gostaria de falar?

Participante

Eu sou o Henrique Araújo e eu discordo dessa fala porque esse debate que foi a síntese do que é o debate de segurança pública pra direita. Eles falam, falam, falam, mas não tem nenhuma ação eficaz. Aliás, tem uma ação bem eficaz: eles levar pra dentro do Palácio dos Bandeirantes membro do PCC. E adivinha quem era o governador? Tarcísio de Fre-de Freitas, né?

Participante

Eu sou o Águia. O senhor, Boca Nervosa, esqueceu de falar das milícias, que é da direita, inclusive com Flávio Rachadinha, que comanda o estado do Rio de Janeiro. E eu lhe faço um desafio. Eu lhe faço um desafio pra um debate com o senhor Boca Nervosa pra deixar ela calminha, porque ser de direita e se transformar milionário, pera aí, me dá minha Mercedes agora aí, Boca Nervosa.

Participante

Vem. [aplausos] É sua. Vem buscar. Só trabalhar, só.

Participante

Eu sou o Kel e eu discordo do ponto de que você teria que classificar o PCC ou o crime organizado como uma organização terrorista, porque não vai mudar em nada. Primeiro ponto: a gente tem que entrar num debate econômico. Pra você acabar, obviamente, com as facções criminosas, você tem que ir pro braço dele, que é a economia. Primeiro, a gente tem que entrar na Faria Lima, a gente tem que investigar quem tem que ser investigado, pra depois a gente começar, obviamente, punir as pessoas de baixo, que obviamente são os menores que entram pro tráfico.

Então assim, pra acabar com as gor-organizações criminosas, é só você acabar com o Estado burguês, é só você acabar com o capitalismo, investigar quem, quem tem que ser investigado. É isso

Apresentador

Qual deve ser a estratégia do Estado pra elevar a qualidade do ensino público? Time da direita, quem são as pessoas que gostariam de debater esse tema?

Participante

Olá, pessoal, boa tarde. Eu sou o Eduardo, eu sou coach, sou professor de inglês e me interesso muito pela área educacional e acredito que a área educacional do Brasil ela é falha, ela é negligente e acredito que uma boa reforma vai mudar muito as diretrizes e o eixo, e a qualidade, e a sustentabilidade desse país. Obrigado.

Apresentador

Além do Eduardo, mais alguém? Não? Então o Eduardo tá eleito, tá? Time de esquerda, quem gostaria de debater educação pública?

Participante

Olá, meu nome é Malu. Eu também sou professora de inglês, mas sou também professora de artes e teatro, e eu vejo muito de perto como a educação funciona e pra além da educação, como chegar na escola e como as crianças estão vindo pra escola. Eu acho que eu consigo debater sobre isso.

Participante

Sou Denis Grilo, estou há dezoito anos na educação pública. Sou concursado tanto pelo Estado de São Paulo, em História, quanto Educação Física da Prefeitura de São Paulo. Sou neurodivergente e a gente tá vivenciando uma realidade hoje com a militarização das escolas, que é catastrófica. Então eu acho que eu me sinto mais que preparado e é uma pauta de vida e de luta. Adoraria debater esse tema, conversar e tentar construir um consenso de revolução educacional, a qual eu acredito que tenha muita habilidade pra fazer.

Participante

Meu nome é Daniel Oliveira, eu sou um homem negro de comunidade, sou ativista do grupo Educafro há quarenta anos e, é, o nosso trabalho dentro da Educafro é ensinar e retirar o máximo do, de pessoas, jovens, traficantes, é, os próprios terroristas aqui disso, dentro das comunidades, através da educação. Eu acredito que só existe uma forma de se andar seguro dentro de São Paulo. É através da educação, porque eu estou dentro da comunidade, estou dentro da favela e eu sei que lá, é, não existe uma outra forma de retirar esses jovens das nossas comunidades através da educação.

E se caso for eu, eu gostaria também de interagir com o, os meus amigos esquerdistas, porque me desculpa, [aplausos] mas direita, muito menos pessoa preta, não cabe.

Participante

Boa tarde pessoal, sou o Bruno Barbosa, sou formado em teatro, professor de teatro, professor de comunicação e oratória. Sou apaixonado por educação. Fiz algumas especializações na área de educação e também na área artística, né, e acredito que é um tema que dá pra gente tirar bastante coisa e pela primeira vez conseguir entrar em consenso com o pessoal da direita.

Apresentador

Quem vota pra que a Malu debata esse tema? Mão lá alto. Não? Tá bom. Quem vota pelo Denis? Levanta a mão bem alto, tá? Pra se, pra facilitar a contagem. Quem vota pelo Daniel? Quem vota pelo Bruno? Pelo lado da direita, quem vai debater educação pública é o Eduardo. [aplausos] Pela esquerda, quem vai debater é o Denis. [aplausos] O Eduardo e o Denis têm dez minutos pra dis-discutir a seguinte pergunta: qual deve ser a estratégia do Estado pra elevar a qualidade do ensino público?

Participante

É, primeiro que eu acredito que o Estado, ele tem que ser o garantidor do bem-estar social. Então eu sou uma pessoa que eu acredito, e muito, que todos os serviços, eles deveriam passar pelo Estado, porque eu acredito que o Estado é o grande órgão fiscalizador. E eu sou, por ser educador, formado em Educação Física, História, sou formado também em Pedagogia, é, acredito na ciência, né. Por exemplo, por ser neurodivergente, ter filho neurodivergente, estar num ambiente hoje que a escola, que deveria ser inclusiva, a gente vê que falta completamente a ciência.

E aonde eu quero chegar? Uma escola pautada em evidência, hã, e que de forma contundente proteja o conhecimento no seu entendimento mais amplo, ele tem que passar por uma escola que tem concurso público, que defende o concurso público, porque a escola de qualidade que a gente quer, ela passa pelas mãos de uma boa seleção, de uma educação de qualidade de fato. E eu acredito numa revolução da educação.

Hoje, por exemplo, nós vivenciamos uma estrutura de escola que sofre um grande problema, porque a escola, ela é só o espaço. A gente tem diversas disciplinas acontecendo dentro da escola, tanto que a gente fala hoje de multidisciplinaridade, transdisciplinaridade. E aí quando a gente pega pessoas como eu, neurodivergente, TDAH, autista, altas habilidades, a gente fica nesse ambiente que é quase que castrativo. Então, tem toda uma ânsia do jovem de hoje, toda uma dinâmica social, que esse espaço escola, que é bancário, infelizmente, que Paulo Freire, né, já vem criticando, né, o, o nosso autor mais lido lá fora, inclusive, não à toa, porque tem que ser uma, uma educação que caiba na realidade da pessoa.

Então, eu muitas vezes não me sentia representado na escola, e veja, mesmo tendo altas habilidades, eu tinha dificuldade em matemática, por exemplo. Eu achava que tinha dificuldade em matemática. Agora adulto, de diagnóstico tardio, no processo de educação do meu filho, com as formações que eu tive, eu percebi que, na verdade, o problema nunca tá no ensinado, sempre no ensinante, porque o processo da educação tem que ser em quem vai transformar.

Então quando a gente pega hierarquicamente, temos o Estado que deveria, através da BNCC, do Ministério da Educação, dos seus ministros, todo mundo que tá ali preparado, cercado de capacidades, habilidades e tecnologia e tudo mais, que deveria nos fornecer isso, de fato não faz. E aí vem o outro lado que é pior. Quando a gente discute modelo, que provavelmente você vai falar: "ah, modelo civico-militar", como o outro falou ali É, eu não vejo nenhum problema no modelo, apesar da gente ter servido o exército, achado deprimente.

Tem vários casos, inclusive, de pessoas que, né, atentaram contra a própria vida, de neurodivergentes em modelos militares, porque tem uma equação muito sinistra aí. Eu servi o exército, e esse modelo de "sim, senhor", "não, senhor", por exemplo, ele tira a criticidade do ser humano, ele desumaniza, assim como a plataformização, que é um outro problema, trazidos, por exemplo, por terceiras de feitas. E o Estado de São Paulo, hoje, é o maior exemplo disso.

Noventa e cinco professores por dia, são afastados por doença psiquiátrica no Estado de São Paulo. A educação pública se tornou uma máquina de triturar gente. E aí aquela velha lógica dos privatistas: vamos deteriorando, pagamos mal, desincentivamos, desincentivamos as crianças, plataformizamos, e aí depois a gente fala: "Vamos buscar solução. Agora a gente terceiriza". E o processo de terceirização das escolas já está acontecendo e ele já se mostra ineficaz.

Todos os lugares que privatizaram seus serviços essenciais, como educação, saneamento, etc, retrocederam e voltaram atrás, como a própria Inglaterra, entre outros locais. E aí, só pra finalizar, quando a gente pensa em educação pública, cê pode até pensar em diversos modelos, desde que todos os modelos sejam, de fato, expostos pras, pra comunidade. Quando a gente fala só fora da militarização, por que não uma escola artística? Por que não uma escola esportiva?

Não existe um jeito melhor de se educar uma pessoa politicamente através, que não a educação física, por exemplo. Cê pega um esporte de invasão como o futebol, e você fala do coletivo, sobre as regras, você pode trabalhar o coletivo, você pode fazer uma análise de grupo, entender que atacando todo mundo conjunto e defendendo todo mundo conjunto, os resultados são os melhores. E não significa que você sempre vai ganhar.

Então cê pode trabalhar com uma série de coisas. Então, só pra dar um panorama aí do que eu penso, da revolução que tem que acontecer nos espaços escolares, de acessibilidade também.

Apresentador

Obrigado, Denis. Eduardo, obrigado por ter escutado esse tempo todo, tá? Só reforçando a, a pergunta, tá? Qual é a estratégia do Estado pra elevar a qualidade do ensino público? Ele levanta que o Estado deveria ser o, o regulador e que a escola deveria proteger a, o conhecimento e a ciência. Sua opinião.

Participante

Denis Grima.

Participante

Denis. Ô, Denis, eu queria parabenizar o Denis, porque realmente eu noto que ele é um profissional da área. Ele fala com propriedade, eu também compartilho da, da, das, da, das mesmas questões, das mesmas dores, hã, das mesmas interpretações, né, porque eu sou professor, fui aluno e nós sabemos como que é-

Participante

O desespero.

Participante

Né? É, estar dos dois lados, né? Então, assim, é, eu diria de antemão que já houve um consenso. Eu concordo com tudo que o Denis falou. É, ele foi sensacional. E assim, é, dando, dando o, o, um gatilho nesse ensejo, né, que ele, que ele até mencionou sobre a escola ser só um espaço, ser um, hã, é, é, da necessidade da escola ser pautada em conhecimento, isso é fato, né?

Eu concordo, eu vejo da mesma forma. Hoje, uma escola sem expi, sem, é, experiência empírica, ela não é nada, né? Então, assim, ela não existe. Então, esse, Denis, é o distanciamento de uma escola, hoje, que não está pautada em conhecimento.

Participante

Em conhecimento, perfeito.

Participante

Em conhecimento prático.

Participante

Sim, concordo.

Participante

Empírico. Então essa é uma questão. Então ela se torna necessariamente só um espaço.

Participante

Sim.

Participante

Um espaço entediante, assim como você falou.

Participante

E não acessível também.

Participante

Não acessível, assim como eu presenciei, isso, isso é fato. E então, assim, a estratégia, é, é, a partir disso, né, dessa nossa experiência que nós tivemos, é o quê? É, é, é, é, é desmantelar esse, esse sistema entediante que a escola é.

Participante

Perfeito.

Participante

Né, então, assim, isso tem que ser desmantelado urgentemente.

Participante

O consenso é uma revolução escolar.

Participante

Exatamente, isso eu concordo, é uma revolução escolar pra ontem.

Participante

Pra ontem.

Participante

Pra ontem. Cabe as perguntas, né?

Participante

Sim, como?

Participante

Então, como? Por quê? Hã, os poderes, é, são interessados nisso? Há interesse da, da, da, da, das classes dominantes em que isso aconteça? Porque tem aquele ditado que dizia, né: "Quer armar um povo? É dar educação pra ele."

Participante

Sim, o Darcy Ribeiro já fala que o problema da educação no Brasil não é um problema, e sim um projeto.

Participante

É um projeto.

Participante

E quando a gente coloca assim, porque, é, querendo ou não-

Apresentador

Denis.

Participante

Desculpa.

Apresentador

Perdão, vou interromper só pra poder botar. Vocês já chegaram num consenso muito rápido.

Participante

Prévio, prévio, sim.

Apresentador

Eu vou fazer o exercício de colocar um pouco mais nessa troca, tá?

Participante

Certo.

Apresentador

De que maneira e quais cotas deveriam ser aplicadas?

Participante

Bem, vamo lá. Eu acho que um, um primeiro passo que parece ser clichê, mas aí acho que é aquela fala, né: "Nem tudo que é clichê, só é clichê à toa." Que é uma questão da desvalorização da profissão. Porque vamo pegar, mesmo com a mentalidade liberal, querendo ou não, a gente, ele mesmo se exaltou pela questão de ter um bom carro. Quando a gente pega o jovem, hoje, periférico, da quebrada, que é onde eu, onde eu sou transeunte, principalmente, o cara olha pro tênis, ele olha prum carrão, ele, etc.

Ele falou: "Ah, os, os alunos fumam maconha na cara do professor." Eu tenho 18 anos de profissão, sou extremamente respeitado, é, inclusive mudei a realidade de várias pessoas. Então, isso é uma mentira, assim. Isso é filme, isso é Hollywood. Escola de verdade, isso não tá acontecendo totalmente. Claro que tem violência nas escolas, tem problemas, tem enfrentamentos, mas não é essa patifaria. Até porque tem uma questão de preparo.

Só que aí vamos colocar, nem todo mundo tem as mesmas formações que eu, talvez nem todo mundo partiu das mesmas realidades que eu, lembrando que eu sou uma pessoa que tem altas habilidades também, então eu não posso colocar na mesma régua os profissionais que eu, que inclusive, têm um adoecimento. Onde precisamos pontuar, então? Quando a gente paga melhor o profissional, a gente tá colocando também uma mensagem pra população de que aquele cargo, ele tem que ser valorizado.

E a desvalorização do professor, ela é também um plano estratégico de longo prazo. Eu acho que, eu acho que é quase oitenta por cento da população concorda que os professores tinham que ganhar mais. Acho que se eu perguntar aqui, eu duvido que não vai ser unânime, falar que o professor ganha mal. Então assim, esse é um ponto.

Apresentador

A pergunta é mais voltada pras cotas.

Participante

Não, sim, sim, porque aquele, você fala de cota...

Apresentador

Cota pra entrada na escola e tudo mais.

Participante

Faculdade, etc.

Apresentador

Exatamente.

Participante

Ah, não, é, a cota é aquela coisa, né, é a política que a gente, hã, não, não gostaria de ter, mas pautado na história do Brasil, por conta da questão racial escravista, não tem como não ter cota, porque a gente precisa, né, ainda pra reparação histórica.

Participante

Eu concordo, a, a cota, hã, assim como o Denis falou, ela, ela é, ela não é só uma reparação histórica, é um remédio Pra uma sociedade que já caminha doente há muito tempo

Participante

Muito tempo

Participante

Desde a sua constituição. Então, precisa ter.

Participante

É.

Participante

Certo? Agora, como ela vai ser elaborada, como ela pode ser otimizada, é uma questão pra um segundo plano, mas que precisa ter cota, precisa.

Participante

É.

Participante

Porque simplesmente você tinha uma população no continente africano, qual ela foi-

Participante

Sequestrada.

Participante

Ela foi, né, é, ela foi sequestrada

Participante

Sequestrada

Participante

Pra o continente americano e ela foi usada como, é, é força escravatória, depois foi largada

Participante

Abandonada

Participante

No limbo. E aí, como é que fica isso?

Participante

É, cê gente tem lei de terras, tipo, proibido de, na lei de terras cinquenta, é proibido de ter propriedade, num país que todo mundo defende propriedade privada. Depois, é, proibido de estudar na, na lei de educação. Então, tipo, não tem como cê falar que não tem que ter cota, porque a questão da cota, inclusive, é uma reparação também jurídica. Então pra quem defende aí o Estado, a questão jurídica, ele falou que ele é advogado, ele não tem nem como.

Uma pessoa ser contra a cota, ela é contra inclusive uma reparação jurídica também, né?

Apresentador

Então me permitam repetir pra vocês tudo que cês desenharam em conjunto, não fiz trabalho nenhum pra chegar nesse consenso, tá?

Participante

É porque o Denis é muito bom.

Participante

Obrigado. Vote cinquenta-zero-vinte e sete. Denis Grilo, deputado estadual.

Apresentador

O Estado, eu vou repetir pra vocês pra que a gente não, é, corra lá pra trás com consenso que não foi verbalizado por vocês, tá? O Estado deve ser o regulador em termos, né, educação pública. A escola deve ser pautada em conhecimento prático. Cota é ser um remédio pra, pra história do Brasil.

Participante

Sim, acho que-

Apresentador

Perfeito?

Participante

Cer-certeza.

Apresentador

Muito obrigado.

Participante

Perfeito.

Apresentador

Garoto. [palmas]

Participante

Isso aí. Prazer. Obrigado pelo debate, né? Aliás, né, até bom ter pra nossa profissão, né, cara, também ter um debate assim.

Participante

Precisa.

Apresentador

O Eduardo e o Denis conseguiram chegar no seguinte consenso: o Estado deve ser o órgão regulador, a es- a escola deve ser pautada em conhecimento prático e as cotas são um remédio para o histórico do Brasil. Eu pergunto pro time da esquerda: quem concorda com o consenso, por favor, levante a mão. Perfeito. Quem discorda do consenso, por favor, levante a mão. Perfeito.

Participante

Posso comentar? Olha, na verdade, professor, eu concordo com quase tudo que você falou, mas tem uma coisinha que eu acho que é uma pegadinha desse consenso. O Estado não é o órgão regulador. A educação tem que ser pública, gratuita e de qualidade. Regular abre espaço pra privatização, a terceirização, isso faz mal pro professor, pro estudante, e eu quero ressaltar uma coisa: aqui é o time do Lula, e o Lula é quem mais abriu universidade nesse país.

E nós temos que dizer que educação de verdade é direito universal, sem privatização. É, mas é que são só-- é, é só uma complementação ao meu professor.

Participante

Meu nome é Edileuza, eu sou professora formada em Letras, Pedagogia e pós-graduada em Gestão Escolar e atuo trabalhando voluntariada na Educa Afro, em cursinho pré-vestibular. Eu gostaria de falar que a pergunta, ela foi voltada sobre o que o Estado deveria tá atuando na educação. Então, o Estado, os Estado, principalmente o Estado de São Paulo, atua muito pouco, né? Não tem projeto nenhum. Eu vou falar de quem tem projeto e fez e faz por esse país.

O governo Lula, ele criou a, o ENEM. O ENEM com o ProUni colocou milhares de pobres a acessar o ensino superior em cursos que antes não chegávamos. Curso de Psicologia, curso de Odontologia, curso de, até de Medicina, Engenharia, ele criou. Outra coisa que o Lula criou foi o CEPOP, o ano passado em outubro, pra ajudar os cursinhos pré-vestibulares que atuam em comunidade, preparando alunos pra prestar concursos pras federais, estaduais e cursos técnicos, sem ganhar um centavo, nós atuamos lá sem ganhar um real, pagando passagem, almoço e trabalhando o dia inteiro, ele criou o apoio ao CEPOP ajudando.

Então vamo falar de quem faz, de quem construiu universidades, criou o Pé de Meia pra que o aluno permaneça fazendo ensino médio. Isso é projeto de educação.

Apresentador

Time de direita, quem concorda com o consenso que eles chegaram, por favor, levanta a mão. Maravilha. Quem discorda do consenso, por favor, levante a mão. Maravilha. Quem discorda e ainda não falou.

Participante

Boa tarde, meu nome é Juliana. Eu só gostaria de ressaltar e lembrar que recentemente o presidente Lula falou que pobre não tem que estudar, que pobre nasceu pra trabalhar. Esse é o presidente que vocês querem pra vocês? É só isso que eu gostaria de falar. Obrigada.

Apresentador

Mais alguém? Vou dar uma oportunidade pras pessoas que não falaram, tá?

Participante

E aí, pessoal. Flávio Santos de novo. Eu achei que foi o debate mais bonito da gente ver aqui, achei bacana. Eu acho que só ficou faltando um ponto muito importante aí que o próprio Denis comentou, né? É, a falta de preparo dos professores pra atuar nessa revolução que a gente pensa em ver as escolas. Então eu acredito que se a gente tá falando de falta de preparo, o modelo de contratação desses professores, que é só através de concurso público, tem que ser revisto também, tá?

Eu acho que tem que ser levado em conta, é, as necessidades dos alunos e com isso as habilidades dos professores pra ser colocado eles pra fazer o, o ensino público, beleza? [palmas]

Apresentador

Obrigado, meu caro. Hoje colocamos lado a lado quinze apoiadores do movimento petista e quinze apoiadores do movimento bolsonarista. Debatemos temas profundos e complexos. Como vimos, as divergências são reais e profundas, mas o exercício de hoje provou que, quando nos dispomos a ouvir e debater com respeito, é possível, sim, encontrar pontos em comum. Deixe nos comentários qual dos temas você achou mais difícil de encontrar consenso e qual deles você concorda com o resultado final.

[aplausos]

Participante

Lula!

Participante

Ladrão!

Participante

Segundo turno é pra prisão