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1 Governador vs 30 Esquerdistas

Com Romeu Zema
1 h 27 min de vídeo · 16 mil palavras
1 Governador vs 30 Esquerdistas é um episódio do Canal Foco no formato 1 vs 30, sobre política, com Romeu Zema (ex-governador de Minas Gerais), publicado no YouTube em 14 de dezembro de 2025. O vídeo tem 1 h 27 min e 1,19 mi de visualizações.
Transcrito em 9 de outubro de 2026. Todas as transcrições
Cada minuto é um botão que toca o vídeo a partir daquele trecho.
A esquerda defende bandidos.
Tem que acabar com esse teto, esse é caboso. Tem que investir educação, saúde, moradia, saneamento.
Ah, então na sua opinião quanto mais gastar, melhor então?
Não foi no governo de esquerda que morreram mais de setecentas mil pessoas por descaso programático do governo.
Então o senhor se comprometeria uma vez eleito a fazer uma reforma administrativa do, do Judiciário e parar o xandão e o STF?
Certamente.
Tô muito contente com essa oportunidade de conversar com candidato à presidência. Quando fala que a esquerda acabou com o Brasil, nunca eu vi um governo, seja de esquerda ou de direita, que olhasse pra educação.
Se não fosse a esquerda, possivelmente a gente ia ainda tá em regime de escravidão.
Minas Gerais tem trezentos mil funcionários. Sabe quantos parentes eu tenho no Estado? Nenhum.
Mas aí que vem a grande falácia nesse processo, de fato o criminoso, ele causa danos pra sociedade.
Tá falácia na visão sua é o que você tá falando.
Porque a direita, ela age pra matar.
A direita age pra matar? É? A esquerda não?
Não, a esquerda não. Claro.
A esquerda tá no poder desde 2003 no Brasil praticamente. Teve um intervalo só do Temer-
Teve o intervalo de um golpe, mas tranquilo. O que é um golpe num país democrático, né?
Pra que caso você chegue lá e seja eleito de verdade, você possa também representar a gente apesar de você discordar de algumas pautas.
E parece que agora que com a gastança do Lula, nós tamos caminhando pra ter outra quebradeira aí. Meu nome é Romeu Zema, durante mais de trinta anos eu me dediquei ao setor de varejo e em 2018 eu me candidatei a governador de Minas Gerais. Estou aqui hoje com trinta esquerdistas. Estamos aqui para um debate que eu tenho certeza vai ser muito frutífero. Tenho certeza que hoje aqui muitas ideias boas vão surgir.
A esquerda defende bandidos. [som de buzina] Você é o?
Kevin.
Kevin. Kevin, antes de você falar, eu quero fazer aqui umas pontuações. Primeiro, o tema da segurança pública ficou muito em evidência aí no dia vinte e oito de outubro, quando teve aquela operação no Rio de Janeiro. E nós governadores de direita ficamos assustados, porque uma operação para combater criminalidade e o presidente Lula simplesmente negou disponibilizar equipamentos, os blindados para que o governador Cláudio Castro pudesse atuar. E hoje no Brasil, qualquer um tá aí no Google, em qualquer lugar, nas redes sociais, que olhar o mapa do Brasil, vai ver que a criminalidade nos estados que têm governadores de esquerda é em média o dobro daquela dos estados governados pela direita.
Então, o que eu escuto sempre aí, e que é a minha visão hoje, é que a esquerda parece que defende bandido. E tem a declaração do Lula, né? Que traficante é vítima, né? Que é-é, isso pra mim é algo que ele soltou, depois ele até tentou consertar, mas na hora do-do natural ali é que a pessoa realmente fala a verdade, mas vamos escutá-lo.
Não, entendido. É, pra começo de conversa, eu sou de esquerda sim, mas eu sou comunista, o que significa que eu não tenho simpatia alguma pelo governo Lula. Bom, sou Kevin, tenho vinte e seis anos, sou metalúrgico e decidi participar desse debate porque tá chegando ano eleitoral. Infelizmente, é a única época onde se debate política, eu vim fazer minha parte, né, nessa guerra ideológica, representando minha classe. Segundo lugar, eu acho que não é a esquerda que tá pedindo anistia pra golpista por aí, né?
Ameaçando parar o Brasil. [palmas] Então... [risadas]
É, agora-
Agora, agora vai continuando sobre a defesa de bandidos. Inclusive, nos governos de esquerda, por exemplo, Rio Grande do Norte, morei lá. Bahia. São governadores do PT, mas que eles absorvem o mesmíssimo populismo penal e as mesmas políticas de segurança pública que envolvem apenas aumentar ostensivamente o efetivo da polícia, como se isso fosse adiantar algo.
Então não adianta. Então cê concorda comigo de que a segurança lá tá indo mal.
Não, eu concordo que quando os governadores de esquerda, entre aspas, estão pecando na segurança pública, é muito pelo contrário, é justamente por se alinhar a esse discurso de direita, de que precisa-
Ué.
É, na prática, a-a governadora Fátima Bezerra-
E os de direita? E os de direita? Aonde que eles estão alinhados, então? Que a criminalidade tá baixa em São Paulo, em Minas, Santa Catarina, Paraná.
A criminalidade em São Paulo só cresce. A gente teve recorde de assalto esse ano.
Ma-mas isso aí pega-- eu tô falando de estatística, tô falando de estatísticas. É.
[conversas ao fundo]
Aí eu puxo a cadeira.
Não, mas cheguei primeiro, cheguei primeiro. Parou aí, parou aí. Oi?
Você é o?
Sócrates.
Sócrates, olha só que nome, hein? É difícil encontrar.
É difícil encontrar. Jesus aí meu sobrenome.
Jesus?
Sócrates.
Olha só, é, dois iluminados.
É verdade.
Lá na família tem Aristóteles também.
Platão.
Maomé, tem tudo isso? Vamos lá.
John Calebe. [risadas] Então, eu sou totalmente contra essa visão sua, né? Porque eu venho de comunidade, né? A gente mora ali na comunidade Nova Heliópolis, né?
Mas então eu quero só fazer um adendo aqui.
Hum.
Ninguém levanta o braço aí. É, a comunidade lá no Rio de Janeiro, o pessoal que mora onde teve a operação, foi quem mais apoiou a operação da Polícia Militar do Rio de-
Isso é o que a mídia passa, né?
Não, é o que a pesquisa foi feita, os institutos de pesquisas foram lá entrevistar.
Isso é o que passa na Globo, né?
Porque você que tem acesso à comunidade, cê sabe que esse pessoal é extorquido, eles pagam mais pela internet Pagam mais pela energia elétrica, pela água, pelo menos lá no Rio de Janeiro. Lá eu confirmei isso. Aqui em São Paulo pode ser. Em área controlada pelo crime organizado, todo mundo paga a mais.
Lá, na verdade, só as milícia, né, que comanda ali, a maioria, né?
Então, eu tô falando de lá.
Bolsonaro ficou vinte e oito ano no poder lá em Brasília como deputado federal, cê vê que a situação que tá o Rio de Janeiro hoje, né?
Mas o Lula e o PT ficaram quantos anos no poder? Ficaram mais de vinte, né? Com Dilma e tudo, né. É, agora com a volta dele já deu vinte. E na, na, durante o governo do PT é que a violência, segundo o gráfico que tá lá, subiu bastante também. Falou, só. [som de notificação de celular] Opa, foi tranquilo?
Foi tranquilo.
Gostou?
Prazer, Zema. Vitor.
Vitor.
É, eu queria começar, Zema, dizendo que-
Vamos falar aí, a esquerda defende bandido, que é a ideia que nós temos.
A sua fala, ela, primeiro lugar, é uma falácia. Infelizmente, ela não contribui pra um debate mais produtivo, porque existe, de fato, um grande debate importante em segurança pública que deve ser levantado, que é onde nós combatemos a segurança. Sou Vitor Andrade, tenho vinte e seis anos, componho a coalizão de políticas públicas baseadas em evidências e decidi participar do debate por conta do descaso que muitos governos de direita têm tido com a ciência aqui no Brasil e feito uma falta representação do que realmente seriam ideais do liberalismo.
A direita, e esse é o grande problema que a gente levanta aqui quando a gente fala sobretudo dos governos de direita no Brasil, elas têm enfatizado muito o combate do crime no varejo, que são as operações que ficam muito famosas, como a do Rio de Janeiro e etc. Só que isso é muito pouco quando a gente fala em combate à criminalidade e um combate eficiente. E aqui tem um certo negacionismo da ciência da segurança pública nesse processo todo.
Por quê? Porque quando a gente fala em combate à criminalidade, existem três pontos que são fundamentais de serem trazidos aqui. Um é a questão de nós de fato termos pessoas atuando para que haja mais oportunidades pra aqueles que operam, hã, e fazem com que o crime diminua.
Tá certo.
É, nós também temos que enfatizar que outra coisa muito importante, que é as pessoas que trabalham com segurança pública, de fato terem ações que sejam efetivas e não simplesmente ações que vão gerar algo midiático, mas que na prática não mudam a realidade.
Oportunidade, é, é, equipe policial e...?
E a outra questão que é muito importante, que é o manejo ao longo do tempo. Porque não adianta nada você fazer uma operação se não houverem-
Ter continuidade.
É, se não houverem recursos e meios pra que a gente tenha a longo prazo uma política que seja realmente eficaz. Isso não é cumprido. Operações como a do Rio de Janeiro, elas simplesmente fazem com que transpareça que está se combatendo segurança pública. Mas quando a gente olha o histórico do Rio de Janeiro, a gente olha que, por exemplo, quatro mil e seiscentas operações policiais foram feitas de doi-- desde 2020.
Só que isso não tem gerado, de fato, uma diminuição dos homicídios. Aumentou em, em treze por cento, por exemplo.
Então eu vou te argumentar aqui o seguinte: eu já vi diversos estudos onde quando o emprego aumentou, as oportunidades aumentaram, estavam disponíveis, a criminalidade aumentou também. Já vi estudos também onde havia regiões com distribuição de renda muito desigual e que nesse lugar tinha menos crimes do que aonde a distribuição era melhor. Me parece que tá muito mais ligado a questões de os criminosos realmente estarem atuando, formando novos criminosos.
O crime hoje no Brasil virou um modo de vida.
Mas é aí que meu ponto, governador.
O crime alicia jovens hoje. O jovem muitas vezes compra uma tornozeleira fake, coloca na perna, porque aquilo dá glamour pra ele, cê entende?
Mas aí vamos falar de sobre-
Nós criamos aqui junto com a esquerda a cultura do crime. E a fala do presidente demonstra muito isso, que eles são vítimas. Agora, você não falou da mãe que perdeu o filho, cê não falou da viúva que ficou com três filhos, que o pai foi assaltado.
Mas aí que vem a grande falácia nesse processo. De fato, o criminoso, ele causa danos pra sociedade.
A falácia, na minha opinião, é o que você tá falando.
Mas ele causa danos pra sociedade e de fato isso é verdadeiro. A grande questão é o meio que nós vamos fazer pra ter um combate efetivo ao crime organizado. Em Minas Gerais, vamos falar de Minas, por exemplo. Em Minas a gente teve aumento de cinco por cento das mortes dolosas. Nós tivemos, por exemplo, um aumento das facções criminosas. Eu sou mineiro, infelizmente eu tenho percebido o aumento do PCC lá em Minas Gerais.
Isso por que, Zema? Porque você trabalha juntamente com a lógica de outros governadores, do combate do crime no varejo e não trabalha, por exemplo, com outras ações que seriam muito importantes.
Eu criei um milhão de empregos. Eu criei na minha gestão um milhão de empregos já. Um milhão de empregos, é, foram criados desde que eu assumi o governo de Minas.
Então como é que você explica, Zema, mas como você explica o aumento das facções criminosos em Minas Gerais? O aumento do PCC, por exemplo. A gente teve aumento de cinquenta por cento, Zema, dos tráfico de droga em Minas Gerais.
Vamo pegar as estatísticas de crime em Minas.
Você não falou que era os governos de esquerda que geravam o crime? Por que que em Minas Gerais a gente tem tanto acesso?
Compara Minas com Bahia, compara Minas com outros estados da esquerda, cê vai ver o tanto que Minas está melhor. E us-- eu tô falando de estatística.
Zema, a gente tá falando aqui de acertos que deveriam ser...
Não, eu tô falando estatística.
Não. Então depois a gente vai mostrar os gráficos.
A criminalidade na minha gestão em Minas só caiu ao longo do tempo, cê entendeu?
Tem, tem um processo muito importante.
E nos estados do PT só tem subido.
A gente teve uma queda nacional de onze por cento. A gente teve uma queda nacional de onze por cento. Em Minas, a queda foi de doze. Estatisticamente falando, não é relevante essa queda em Minas Gerais, porque inclusive a gente tem explicações muito boas pra essa queda. Uma mudança da demografia no Brasil. Nós tivemos uma mudança no formato de crime, isso cê não comenta, Zema. Porque existe um combate de crime que é muito especial, que é o combate do crime digital.
Por favor, mais tempo.
Valeu.
Valeu.
Agora deu certo.
Tudo bem, governador, como vai? Eu sou o Daniel Kramer. Tudo bem com você aí de casa? Vamos lá então. Então a esquerda defende o bandido, logo, por associação, então a direita não defende. Então o senhor se comprometeria, uma vez eleito, a fazer uma reforma administrativa do, do Judiciário e parar o Xandão e o STF?
Certamente, é o que o Brasil mais precisa.
Eu sou o Daniel Kramer, tenho vinte e cinco anos, sou massoterapeuta e também crio conteúdo pras redes sociais. Eu tô aqui hoje porque quem se diz de direita no Brasil, pra mim não representa bem a direita. Então, se esse cara que eu vou debater hoje realmente é de direita, eu devo ser o Leon Trotsky.
Hoje, o que nós temos, principalmente no Supremo, são práticas que incentivam a desobediência. O que aconteceu essa semana no Brasil, é, com o ministro Gilmar Mendes mudando a maneira de se proceder a um impeachment de ministro do Supremo, é um, uma afronta à Constituição. Parece que o que tá escrito não vale. O ministro que pegou o avião pra ir pro Peru com o advogado da empresa que ele pediu sigilo, cê concorda?
São ações totalmente erradas que, é, parece que fala assim: "lei tá escrita só-
O senhor tá me votando, vou ter que te interromper.
Tempo, maioria.
Céus.
Vote a favor, por favor.
Bem, governador.
Você é o?
André.
André.
Bom, eu vou continuar a linha de raciocínio, é, anteriormente, que o senhor-- eu discordo que governos de esquerda privilegiam os bandidos, mas vamos usar o exemplo do senhor, como governador. De 2023 pra 2024, a expansão das facções, não só do PCC, mas de outras, ocuparam o Triângulo Mineiro e também o norte de Minas, isso no governo do senhor. Olá, sou o André Oliveira, tenho trinta e cinco anos, assistente social, ativista militante, não só dos direitos humanos e na luta antirracista.
Eu participo desse debate porque sou contra governos de direita. A letalidade policial cresceu também no governo do senhor. Com isso, a gente conta também que a falta de recurso e aplicação do senhor na área social, na área da educação, contabilizou também nesse aumento do, da criminalidade e dessa taxa de letalidade. Recentemente nós vimos a Polícia Civil tendo problemas com o senhor, protestando também com o seu método de governo.
Então, parcialmente ou diretamente, o seu governo favorece os bandidos.
É, primeiro eu quero te dizer o seguinte: [aplausos] que na, na minha gestão, a criminalidade tem uma tendência de queda constante. Às vezes, num gráfico, existe algum repique, mas a tendência, inclusive-
São, no mínimo, três a quatro facções dentro de Minas Gerais hoje.
Tá. Nem-- não tem um quarteirão, não tem uma rua que a nossa polícia não tenha acesso, não patrulhe. Agora, o crime organizado, ele está crescendo em todo o Brasil, porque o governo federal não vigia as fronteiras adequadamente.
Certo.
Com isso, entra droga, que alimenta o caixa do crime organizado. Entra, entra a arma também, como foi visto lá no Rio de Janeiro. Lá no Rio de Janeiro-
A expansão criminal no estado do senhor, no governo de direita hoje. Não é por conta da falta de gestão do senhor em educação, em cultura e lazer?
Por que que homicídios, latrocínios, tudo melhorou em Minas Gerais?
Não, muito pelo contrário.
Nesses sete a-- nos sete anos melhorou.
Muito pelo contrário. De 2023 a 2024, esse cenário criminal cresceu em Minas.
Às vezes, cê tá pegando um re-- em 25, já caiu de novo. Eu já te adianto que já tá lá embaixo de novo. O melhor índice da história.
O último índice não mostra isso. Pra cem mil habitantes, tem ali um crescimento de pelo menos de 1,5% por ano.
Então é o seguinte: era como se eu pesasse duzentos quilos.
Sim.
Peso cem quilos hoje e teve uma semana que eu ganhei quinhentas gramas, é a única que cê tá enxergando.
Certo.
A, a todas as outras eu melhorei, cê entendeu? Então acho que nós temos de olhar o todo.
O ponto é: a esquerda defende bandido. Então vamos agora na premissa que a direita do senhor tá deixando o crescimento da bandidagem no seu Estado. Então, eventualmente, o senhor também defende.
As estatísticas demonstram o contrário. As estatísticas em Minas demonstram o contrário, que nós estamos-- cê pegou lá, igual eu falei, cê pegou o dia em que quem tá emagrecendo comeu um pouco a mais, aí cê falou: "Não, cê tá ga-
Muito pelo contrário.
Então vamo, então fica pra vo-
De 2023 a 2025, a expansão criminal cresceu em Minas Gerais e o senhor investiu-
Tempo, maioria. Mario Neto, por favor. Vote a favor.
[riso] É, bom, falando, o senhor tava perguntando a respeito do Lula, por que que ele não mandou o blindado, né?
Isso.
Felizmente, eu tenho essa informação. Ele estava voltando da Indonésia num voo, é, que teve que ser a-- é, que teve que ser adiantado com um avião que não tinha capacidade de rádio. E foi aí que o Cláudio Castro decidiu agir, porque o Cláudio Castro já tinha essa informação. Inclusive o senhor já tinha essa informação.
Não.
Todos os governadores já tinham essa informação.
Fiquei sabendo pela mídia.
Todas essas informações foram dadas aos governadores. Saiu na mídia, saiu inclusive no portal Metrópoles.
É, então...
Que os governadores e as polícias federais estavam coordenando o voo do, do presidente Lula. Então, assim, é, essa questão que aconteceu no Rio de Janeiro, ela é extremamente exemplar do que é a direita agindo, porque a direita, ela age pra matar. Por exemplo, então, a gente pode pegar um outro exemplo da operação que aconteceu aqui em São Paulo com a polícia.
A direita age pra matar?
Age pra matar.
É? A esquerda, não.
Não, a esquerda, não.
A esquerda-
Tanto que a operação policial que aconteceu aqui em São Paulo com a Polícia Federal, que foi coordenada pelo governo Lula, não matou ninguém.
Te interromper aqui. A esquerda tá no poder desde 2003 no Brasil, praticamente. Teve um intervalo, só o do Temer.
Teve o intervalo de um golpe, mas tranquilo. O que é um golpe num país democrático, né?
Então, então, olha aqui.
Não é como se a gente já não tivesse passando por vários. Não é como se esse jogo não tivesse...
A esquerda teve, a esquerda teve-- deixa eu falar?
Dois golpes.
Cê deixa eu falar?
Desculpa.
A esquerda teve então mais de vinte anos e o Brasil hoje é o campeão mundial de homicídios. Depois de vinte-- deixa eu falar? Deixa eu falar? Depois de vinte anos, Lula, Dilma, Lula agora de novo, o Brasil tem aí quarenta, quarenta e cinco mil homicídios por ano e a esquerda protege vida. É como se todo dia no Brasil caísse um avião com cento e trinta pessoas.
Graças a Deus não cai.
E a esquerda fechando os olhos. Não cai, mas o efeito é o mesmo. Na minha opinião...
Obrigado
Ok.
Obrigado.
O nosso próximo tema agora pra todo mundo acompanhar aí é: A esquerda quebrou o Brasil.
[som de bip]
Aí de novo. É muita gente. O nome?
Kevin Santos Barbosa.
Kevin, é, antes de você falar, eu quero fazer aqui meu comentário sobre esse tema aqui. Não sei aqui, pelo menos o pessoal que é um pouquinho mais velho aqui, que não é tão novo, vai lembrar de 2015 e 2016. 2015 e 2016 o Brasil teve a maior recessão da história. Nós, ao final de 2016, tínhamos aqui dezesse-- Treze milhões de desempregados, o maior número que já teve na história.
Isso foi depois do impeachment da Dilma, do Petrolão, do Mensalão, da mala de dinheiro, da refinaria de Passadino e de um punhado de outros escândalos. E o interessante é o seguinte: nesses dois anos, 2015 e 2016, o Brasil foi o único país do mundo que engatou marcha ré. O mundo inteiro crescendo. É como se num-- Se numa sala de aula todo mundo tirasse oito, nove e passasse de ano.
E o Brasil tirou nota dois e foi reprovado. E quem tava à frente era o PT. Agora tem um detalhe extra ainda. Eu assumi Minas Gerais em janeiro de 2019. Peguei um Estado arruinado pelo PT. Folha de pagamento paga parcelada em três vezes. Décimo terceiro não se pagava. Repasses para as prefeituras não se fazia. Prefeito renunciando, prefeito suicidando em Minas Gerais. E parece que agora que com a gastança do Lula, que continua, nós tamos caminhando pra ter outra quebradeira aí.
Bom, eu acho que chega a ser engraçado, né, todo esse pânico com questão fiscal por parte da direita, dizendo que o Lula tá gastando isso e aquilo, sendo que na prática, em 2023, ele aprovou um arcabouço fiscal, que é uma versão piorada do teto de gasto de Temer e que é muito mais restritiva ainda por cima, inclusive sobre quebrar o país e destruir o país. Eu acho que, como é que eu vou dizer, não foi a esquerda, não foi no governo de esquerda que morreram mais de setecentas mil pessoas numa pandemia por descaso programático do governo.
Não foi durante o governo de esquerda que se privatizou a Vale do Rio Doce, que inclusive essa privatização desembocou naquelas tragédias que houveram em Minas Gerais. Então não foi num governo de esquerda em que se privatizou praticamente, se tornou autônomo, o Banco Central do Brasil. Então não importa se eu votar no senhor, votar no Lula ou no Leo Pérics, cês não vão ter controle direto sobre a política monetária do país.
Eu acho que se quando você tira essa chance do povo decidir sobre a política monetária do país, você quebra o país. Então mesmo que você queira fazer uma reforma, por exemplo, aprofundar o neoliberalismo, se essa não for a agenda do Banco Central, que agora é autônomo, como é que cê vai conseguir?
Não, e-eu quero que o Banco Central zele pela moeda, e não que o Banco Central seja sub-subserviente ao Executivo, ao presidente, como sempre foi. O Banco Central ter autonomia é coisa de país civilizado e desenvolvido, e antes era subservie-subserviente.
Não existe um país no mundo fora que tenha isso aí.
[som de bip]
Olá.
Boa tarde, tudo bem?
Você é?
Rafaela.
Rafaela.
É, senhor Zema, eu tenho, assim, tô muito contente com essa oportunidade de conversar com candidato à presidência. E eu sou professora há vinte e dois anos, sou professora de geografia. Comecei no Estado e eu saí agora do Estado, exonerei, porque eu fui fazer o doutorado. Sou doutora em geografia.
Parabéns.
Muito obrigada. E o que eu queria dizer pro senhor é que assim, como é difícil ser professor nesse país. Olá, meu nome é Rafaela Locali, eu tenho quarenta e três anos, sou professora de Geografia há vinte e dois anos e eu aceitei participar desse programa porque a minha preocupação real é com a educação, é com a qualidade de vida dos professores e a situação que a gente tem em sala de aula, que não é fácil.
Eu até me emociono porque, é, eu passei tantas dificuldades na minha vida e eu sempre estudei. Por ser mulher é mais difícil entrar em colégios bons, em cursinhos. Hoje, graças a Deus, eu dou aula em bons colégios, em bons cursinhos, que é um ambiente muito masculino. Pra eu conseguir tá lá, eu tive que estudar, fazer mestrado, fazer doutorado, me provar muito mais. E ainda assim, eu tenho um HB20 2014.
Eu moro no apartamento de um quarto só. Eu sou sozinha, não tenho marido, pai, ninguém que me ajuda. Dando um monte de aula. Segunda-feira eu dou onze aulas.
Então, cê entrou aí num ponto que acho que eu quero...
Eu só queria só concluir, senhor, por favor. O que eu tô querendo dizer é que assim, não é fazer vítima, não. Eu escolhi essa profissão, que eu amo ser professora, porém eu não acho-
Por vocação mesmo, sim.
Por vocação. E eu dou aula de uma, uma disciplina que a gente trabalha o-o, o ideal crítico, o viés crítico no aluno, mostrar. Eu não sou-- Eu sou uma professora imparcial, eu não sou parcial.
Parabéns. Cada um tem que tirar sua conclusão.
Exato, eu acre-- Porque eu não dou aula só pra alunos ou de esquerda ou só de direita. É claro que eu coloco os dois lados, mas eu não sou parcial. E aqui eu queria que o senhor me olhasse também não como esquerdista ou de "ah, o senhor de direita, eu tenho raiva de professor, que só briga e só arma contra o senhor." Não, como educação. Então quando fala que a esquerda acabou com o Brasil, nunca eu vi um governo, seja de esquerda ou de direita, que olhasse pra educação.
Eu vejo uma China que tá aí formando um milhão e meio de engenheiros por ano. Ano passado ela formou um milhão e meio de engenheiros. O Brasil não formou cento e, cento e cinquenta mil. Aí eu vi um outro governador de, de es-- de direita, dizendo que um diploma não vale nada, que n-- é, eu sou CLT, eu tenho um doutorado-
Acho que até o nosso presidente fala isso, né? Ele, ele se gaba, não é? O que é muito ruim como exemplo, cê concorda, não é?
É muito ruim. Quando falam esse discurso, pra que que eu fui fazer doutorado se eu não valorizou minha aula, eu ainda tenho que trabalhar um monte pra me sustentar sozinha. Então é um discurso que desvaloriza o, a educação.
Mas eu quero que você uma hora converse com alguma professora de Minas, não sei se às vezes você tem, tem contato. Nós já reformamos mais de três mil e cem prédios escolares que estavam numa situação deplorável. A merenda escolar nem se compara com aquela que era no passado. Nós tamos investindo vinte e três ma-- ve-vezes mais em merenda escolar. Não sei se você viu o avanço da alfabetização que saiu aí há um mês atrás.
Minas foi o Estado que mais avançou, tá entre os três melhores do Enem. Então lá em Minas nós tamos mostrando que é possível e temos melhorado a educação e temos o maior programa técnico profissional do Brasil, que é o Trilhas de Futuro.
Obrigada. Olhe pra educação, por favor, se o senhor for o presidente. Obrigada.
Epa, você é o primeiro.
As perna comprida, né, Zema?
É. Qual o nome?
Luiz.
Luiz. Bom, Luiz, nós estamos falando aqui de que a esquerda quebrou o Brasil e parece que vai quebrar de novo. Sua visão aí.
Ó, queria só trazer uma perspectiva histórica. Posso?
Pode.
Nunca tivemos esquerda dominando o Congresso do Brasil, o senhor sabe disso até melhor que eu. O Brasil, desde a época da invasão colonial, monarquia, período ditatorial do Estado Novo, ditadura, sempre direita. Mesmo quando o Brasil entra num período desenvolvimentista, quem tá lá no Congresso? A direita. Bom, meu nome é Luiz Felipe, tô aqui de novo, dessa vez pra falar com político e não com empresário. Sou professor de Geografia, tenho trinta e seis anos e hoje a ideia é mostrar que os políticos também têm que prestar conta pra população e pensar na perspectiva histórica aí do papel tanto da esquerda quanto da direita pra construir um caminho democrático pro nosso país.
Ruralista, povo que herdou latifúndio, a galera que tá lá no Congresso-
Mas Getúlio Vargas, Leonel Brizola, ela vem pra área de trabalho trabalhista lá. É, eu sei, mas muito influente, cê concorda?
Brizola não foi nosso presidente, né, infelizmente, se eu tivesse chegado ali. Vargas teve uma política populista, mas também não tinha Congresso. Quando o Lula entrou no poder, o senhor se lembra, né, o, o pessoal mais velho aqui do recinto, o vice dele era do PL, lembra? Não é uma coisa interessante que o vice do Lula era do PL?
Era um mineiro lá.
Ele teve que se vender, né, pra direita pra conseguir minimamente ter um governo de coalizão. E o Lula, ele é um cara de um partido que se posiciona centro-esquerda, mas a gente tá numa lógica que é capitalista, o mundo é capitalista. Por isso a gente tá falando esquerda, direita, não capitalista, comunismo.
Então por isso que não dá certo, então, é porque não adotou a regra da esquerda.
Muito pelo contrário, a questão é um processo. A gente não tá num processo que tem começo, meio e fim. Ele tá sempre em desenvolvimento, é um período de transição. Não fosse a esquerda, possivelmente a gente ia, ainda tá em regime de escravidão. Por isso a esquerda tradicionalmente luta contra o racismo. [aplausos]
Mas pera aí.
Luta contra o machismo, luta contra a homofobia, luta por educação pública, por saúde pública, coisa que o senhor me corrija se eu tiver errado, é contra, por conta de uma política privatista, não da garantia de direitos coletivos, mas de privilégios particulares. É isso que a direita defende. A esquerda, não. Tem bandido na direita, tem bandido na esquerda, lamentavelmente, eu concordo com isso. Tem competência na direita, tem competência na esquerda.
Não vou nem falar no centrão porque já tá implícito. Agora, a política social da esquerda parte também de uma concepção de mentalidade, filosofia, que vem lá do Iluminismo, de direitos iguais, de combater u-uma hierarquia do pobre explora-explorado pelo rico. É isso que a esquerda vem construindo década após década, século após século.
Então eu quero agora fazer aqui uma, um posicionamento pra você e pros colegas aqui. A esquerda fala que devemos, e eu concordo, que devemos dar oportunidades iguais pra todos.
Sem dúvida.
Agora, dar oportunidades iguais pra todos, pelo que eu sei, não vai fazer com que todos fiquem iguais.
Não.
Eu conheço uma família em que-
É o conceito da equidade.
É, em que um filho que foi criado pelo mesmo pai e pela mesma mãe é padre e o outro é, tá, tá condenado, tá preso porque já matou dois ou três, cê entendeu? Então-
Sim, mas é trazer, é trazer direitos diferentes pra pessoas diferentes é o conceito da equidade. Eu ajudo mais quem precisa mais. Por isso o governo precisa investir em quem precisa mais. Por isso o rico paga mais imposto pra que o pobre possa estudar e comer.
Agora a esquerda-
Por isso o empresário vai ter que pagar mais imposto pra que a gente possa investir, por exemplo, na reforma agrária e produção de alimento no campo.
O Brasil é um país pobre, em que as pessoas passam dificuldades. [aplausos]
O Brasil é um país riquíssimo, mas cheio de pobreza.
Cheio de pobreza.
Por conta de quem explora a população.
E por que que os políticos da esquerda, quando viajam pro exterior, levam comitiva de duzentas pessoas mostrando relógio-
O senhor sabe que é uma questão diplomática. Eu, particularmente, não me incomodo muito com isso. Mas o senhor gostaria que um presidente usasse casa de moletom e chinelo Havaianas no Palácio do Planalto?
Não, não tá falando... Mas, mas precisa usar um sapato de quinze mil reais, um relógio de duzentos? Cê acha que precisa?
É uma ostenta-- é uma ostentação de consumo que também me desagrada, sem sombra de dúvida.
Eu acho, eu acho até que eu tenho mais patrimônio que o presidente. Nunca comprei e nunca vou comprar. E no dia que eu usar-
Mas tá compartilhando isso agora, sem a menor necessidade.
É, é, é, e no dia que eu ganhar um, eu faço questão de repassar pra uma instituição que precise, uma instituição de caridade, cê entendeu?
Perfeito. E como, e como governador presidente-
Porque eu acho que quem é de esquerda deveria dar bons exemplos.
Ô, sem dúvida.
Minas Gerais tem trezentos mil funcionários. Sabe quantos parentes eu tenho no Estado? Nenhum.
Mas não é, mas essa é sua ligação. Com todo o meu respeito, governador.
E por que que todo mundo da esquerda leva?
Mas temos que criticar essas pessoas também.
Então, então, me parece-
Eu concordo em grau milenior com o senhor.
Me parece então-
Eleição democrática, esquerda e direita disputando partido sem-
Exato.
Nepotismo, sem vantagem. A esquerda democrática defende absolutamente isso. Por isso o fim-
Mas não é o que tá sendo praticado, não.
O fim do financiamento, o fim do financiamento privado de campanha, o fim de bilionários se sustentando pra ocupar cargo público. O senhor sabe que a esquerda defende isso, governador.
Agora, por que que esse governo deixa esse juros tão alto por causa da gastança?
Porque é galípola, é o Banco Central que tem autonomia, que o senhor acabou de defender.
Mas o galípolo coloca o juros alto-
Se o governo pudesse martelar os juros lá embaixo-
O governo, o governo gasta muito-
Pra beneficiar o rentista Opa! Pra ganhar dinheiro do dinheiro que tá lá investido, de banco público emprestando e gerar juros. Isso é política de mercado. Isso é um governo de esquerda do PT governando de acordo com o mercado.
Isso é por causa da gastança, é, é por causa da gastança do PT. Os juros sobem e todo mundo-
O governo tem que gastar. Tem que acabar com esse teto e cerca bolso. Tem que investir educação, saúde, moradia, saneamento.
Então, na sua opinião, quanto mais gastar, melhor então?
O país que tem a maior dívida pública do planeta, governador, é o Estados Unidos.
Tá. Então tudo bem.
A China não fica muito atrás. Se o Estado não investe em infraestrutura, o país não se desenvolve. Se o Estado não traz igualdade e justiça social, depender do bom senso, do empreendedor bonzinho que vai gerar emprego, não funciona. A China tá mostrando isso.
Na hora que o juro subir pra cinquenta por cento ao ano, todo mundo quebra e país paralisado. Aí o governo vai acordar.
Aí o governo tem que respeitar a vontade popular e todo mundo ir pra rua protestar sem tomar porrada da polícia, que é a abordagem da direita.
Cê deixa eu falar agora?
Por favor.
O Brasil, lá em 2015 e 2016, quebrou por causa da irresponsabilidade da Dilma, do PT, que veio com o PAC, que veio com a-- Deixa eu falar. Cê deixa eu falar? Que veio com aquela gastança, veio com déficit atrás de déficit. Cê deixa eu falar?
Sexta maior economia do mundo foi o Brasil em 2011.
E hoje não tá nem entre as dez. Com o governo do PT. Deixa eu falar.
Golpe de Temer e governo de Bolsonaro.
Deixa eu falar. Cê deixa eu falar?
É que o senhor tá contando uma coisa que a gente já sabe.
Não, eu tô querendo completar.
Por favor.
O que o Lula tá fazendo agora é o mesmo que a Dilma fez. A economia está-
Melhores índices de pobreza da história.
Cê deixa eu falar? É, então é isso. Menor índices de pobreza da história através de anabolizante. Isso é que tem que ficar claro. O efeito colateral vai vindo aqui a pouco.
O efeito colateral é a reforma trabalhista do Temer, que destruiu as garantias sociais que a esquerda conquistou com muita luta. E quando os neoliberais foram lá-
Deixa eu falar de novo?
Mas é monopólio da palavra, Zé. Tamo conversando.
Tá, é, então, por que que o brasileiro que preza tanto o fundo de garantia, o décimo terceiro, as férias, etc, vai para países aonde ele não tem nada disso e ganha por hora? Me parece-
Primeiro que a pessoa que não tem nem como pegar condução pública não vai pra outro país. Isso é uma ilusão que o senhor tirou não sei da onde. O segundo é que tem muito país como os Estados Unidos, onde os índices de pobreza, gente morrendo de overdose de Fentanil, porque tá desalentado, é o emblema do capitalismo que deu certo, é o país do mundo que mais tem gente encarcerada, que tem violência pra caramba, que tem desemprego, tem criminalidade, tá entrando num buraco sem fundo e que tá vindo engolir ele é a China.
E por que que tem tanto brasileiro querendo ir pra lá? Gente do mundo todo querendo ir pra lá. É estranho, né? Um lugar tão ruim que parece que atrai tantas pessoas.
Mas a população no Brasil que quer sair da favela, da comunidade, porque não tem saneamento básico, não tá indo morar nos Estados Unidos, o senhor sabe disso. A questão é que a esquerda olha pra essas pessoas, não invisibiliza, não tá vendo pra-- Olhando pra classe alta que tá indo pra outro país pra sonegar imposto. Tá olhando pra quem quer educação pública de qualidade, quem quer merenda de qualidade.
Num país historicamente com Congresso de direita.
Posso falar de novo? Se a esquerda tá lá, como eu disse, desde 2003, teve já vinte anos no governo pra poder fazer essas questões. Vinte anos.
Com Temer e Bolsonaro, a gente não pode usar isso como se fosse uma sequência só.
Tá, mas vamos somar tudo.
Não, não, não. Aí é uma distorção histórica grosseira. Bolsonaro andou pra trás, Temer andou pra trás.
Então o culpado é o Temer e o Bolsonaro.
A reforma trabalhista, colocar arma na mão de cidadão, tudo isso foi bastante complicado pro governo PT. Se tivesse uma sequência, a história seria outra. O senhor precisa concordar comigo.
Não concordo, não.
Chama revisionismo histórico.
Se ele concordasse tava só ele no palco já.
A esquerda até hoje não deu certo em lugar nenhum. Relógio marcando.
Bom, se a esquerda não deu certo em lugar nenhum, então a gente precisa apagar a Rússia do mapa, juntamente da China, Vietnã, Laos, apagar simplesmente praticamente todo o continente africano, porque se existe algum continente africano, se existe uma inovação na China, se existe um lugar aonde as pessoas possam morar, as pessoas possam trabalhar e a gente acha a China um país exemplo, tanto que o Brasil é o maior importador e exportador, é, tem a China como seu maior parceiro comercial, né.
Então, se a gente vai dizer que a esquerda nunca deu certo em lugar nenhum, a revolução de 1949, a revolução de 1917 nunca existiram.
Tá, então eu quero te fazer aqui algumas considerações, né. Primeiro, a Revolução Russa de 1917, ela acabou sendo concluída em 1990, né. Em o-- Em 89, o muro de Berlim caiu, o Mikhail Gorbachev fez a perestroika, em 90 a Rússia pratica-- A União Soviética acabou, né.
Então a Rússia sumiu do mapa em 1990?
Não, sumiu não. Tô falando a União Soviética acabou em 1990. Eu sou bem mais velho que você, eu assisti isso de camarote.
Não, com certeza, ela não existe mais.
É, não existe. E a China, de 1949, quando o Mao assumiu, até 1976, quando ele morreu, era-
77.
Oi?
77 ele morre.
77. É, me desculpe.
Na verdade, 77 ele sai do partido e aí em 78 pra 79 é quando ele realmente morre.
É, a China, nesse período, foi um dos países com a história mais triste do mundo.
Entendi. Então, assim, o país que saiu de uma, de uma-
Não, deixa eu, deixa eu terminar. É, deixa eu terminar. Então, de 49 até a morte do Mao, a China era super pobre, comunista, e aí teve a sorte de vim o Deng Xiaoping. E o Deng Xiaoping colocou práticas de mercado na China, que estão lá até hoje. Hoje, a China Tem grandes empresas, tem grandes marcas.
São todas privadas? Só uma dúvida.
São privadas com participação do Estado.
A Huawei é uma empresa privada?
A Huawei é coreana.
Não, a Huawei não é. A Hyundai é coreana. A Huawei é uma empresa chinesa onde 99% dos trabalhadores são os donos da Huawei.
Isso.
E 1% pertence ao Estado. Então a gente chama uma empresa privada onde 99% é dos trabalhadores?
Mas vamos deixar aqui bem claro, tudo com prática de mercado, tudo com investimento que tem um acompanhamento das melhores práticas de gestão. A China hoje, eu já estive lá duas ou três vezes, é um país capitalista.
Sim, sem dúvida nenhuma.
Pode ser que essa empresa até tenha alguma participação estatal maior, mas as outras grandes empresas da China...
Como, por exemplo...
Várias outras, as fabricantes de automóveis.
A BYD, a BYD, por exemplo, é 60% do governo chinês.
Mas tudo com gestão privada. O governo às vezes até pode ter. O governo pode ter até 100%, mas sem interferência política, que é o que ocorre aqui no Brasil.
Mas aí vale a gente lembrar que a China, antes de 1949, passou pela longa marcha, aonde de 1917 até 1949, o Exército Vermelho...
A maioria foi votado pra fora, por favor, vão pro seu lugar, por favor, mais um exemplo. Beija!
Bem, eu tô no lugar que tava a cadeira, então acho que eu sou o primeiro.
Eu tô na cadeira.
Eu aguento ficar aqui. Vocês puxaram a cadeira, eu cheguei na cadeira. Qual é o conceito da regra?
É entre vocês.
Quem chega na cadeira primeiro?
Eu tô na cadeira.
Tira um par ou ímpar aí, então. Par ou ímpar.
Quem chega na cadeira. De acordo com a regra. Não, quem aqui é conceituado na cadeira? Não, me puxa a cadeira, eu sentei.
Você é o?
Opa, prazer, eu sou o Klaus.
Klaus?
Isso.
Nome alemão.
Isso mesmo. Inclusive de um general alemão.
Isso.
Vamos lá. A pauta é: A esquerda não funcionou em lugar nenhum. Mesmo tendo uma política de Estado capitalista, o regime chinês ele é um regime comunista, um regime socialista. E tá funcionando, hoje tá passando em PIB, acredita-se que em 2030 vai passar até o próprio Estados Unidos, em PIB. Então como que você diz que não funcionou, sendo que tá funcionando?
Bom, eu posso te fazer aqui uma pergunta então. Por que a Coreia do Norte, Cuba, os outros países socialistas não avançaram e a China avançou?
Não avançaram justamente porque o que acontece? O modo da esquerda funcionar são nas ideias, ali no socialismo trabalhando no social, mas sim adquirindo um regime capitalista, sim, junto com o social. Coisa que, por exemplo, a direita não defende, defende totalmente o regime capitalista. Tudo funciona em cima do capital, sendo que o Estado pode trabalhar junto, sim, com empresas. Vide a Xiaomi hoje que tá passando até a própria Apple.
Agora você concorda que na China, ela adotou uma economia de mercado lá, práticas que os países capitalistas têm? Você concorda?
Economia de mercado capitalista. O regime em si é um regime socialista, trabalha pelo social da população, mesmo praticando o capitalismo, porque hoje não tem como crescer o capital duma nação sem realmente ter a parte de capital.
Você sabe como que um chinês aposenta?
Me explique.
Ele precisa poupar a vida toda pra poder receber depois. Lá não tem aposentadoria.
Por favor, se arranjem.
Opa, obrigado.
Beija!
Boa tarde, tudo bem?
Você é o?
Eu sou o Tomás. Muito prazer.
Tomás, tudo bom, Tomás?
Bom, eu queria primeiro dar uma indicação aí pra quem tá assistindo a gente. Acabou de sair um livro muito interessante da Isabela Weber, que chama Como a China Sobreviveu à Terapia de Choque. Boa tarde, gente, tudo bem? Eu sou o Tomás Lucchese, eu tenho 21 anos, sou estudante de economia na USP e vim aqui participar desse debate pra mostrar que a esquerda é o único campo político que consegue oferecer respostas pras necessidades reais das pessoas.
Explora exatamente essa questão de como a China, diferentemente de países como a União Soviética, que adotou o Consenso de Washington, adotou as políticas neoliberais que eram defendidas na época, e ela teve uma economia em termos sociais, em termos de indústria, em termos de todas essas coisas que você consegue considerar, elas, todos esses indicadores caíram. Enquanto a China, ela de fato teve uma abertura de mercado, essa abertura de mercado foi necessária.
Ah, então, você já tá concordando com alguma coisa que eu falei.
Sim, com certeza.
Exato. Práticas de mercado.
Práticas de mercado. Só que na China não existe oposição, historicamente falando, entre mercado e governo, entre mercado e sociedade. Eles entendem que o mercado é uma forma que você precisa conciliar as coisas que são essenciais pra população com as coisas que são caras. E você precisa fazer uma regulação dessas duas coisas conjuntamente. Tem nesse livro que eu tô indicando, tem um debate, um tratado muito interessante do século IV ou V antes de Cristo, que é o debate sobre o sal e o ferro, que o sal e o ferro eles eram monopólios estatais na China já há quatro ou cinco anos antes de Cristo.
E aí o debate era exatamente se eles iam virar empresas privadas ou se eles iam continuar na mão do Estado. E aí quais eram as considerações? As considerações eram a função social. Muitos debates que a gente tá tendo hoje em dia já foram tidos pelos chineses quinhentos anos atrás. Então eles estavam tendo discussões sobre considerações sociais, sobre eficiência, sobre custo dos serviços e dos produtos, né. Então assim, na mesma medida, nesse processo de abertura, a China levou em consideração duas coisas que são uma coisa só.
Ela levou o governo e o mercado como um direcionamento pro desenvolvimento das suas forças produtivas e do desenvolvimento da sua população.
Então você tá me dizendo o seguinte: é um governo Que fala que é socialista, mas que adotou internamente, como se vê quando vai lá, práticas de mercado.
Não porque os bancos são públicos.
Mas as empresas, a maioria das empresas.
As maiores, as empresas quando elas têm um porte acima de um certo nível, elas precisam ter um CEO que é do Partido Comunista, que ge-que gerencia e faz a gestão dos ativos da empresa.
E o que que acontece lá com as empresas que vão mal? O que que acontece com as empresas?
Não, as empresas que vão mal, elas, elas usam da mesma forma a competição de mercado, que é considerada válida em certos setores, que de fato a locação por meio de preços é algo interessante, mas o-o controle político, o co-- a regulação é toda feita pelo Estado.
Mas eu te perguntei, se uma empresa lá tá dando prejuízo, vai mal, o que que acontece com ela?
Provavelmente ocorre um processo de M&A, ou ela é vendida pra outra empresa.
Ela desaparece, não é isso?
Sim, ou ela quebra.
Então, então nós temos que deixar muito claro aqui, tem uma seleção entre as empresas que é uma prática de mercado. Você concorda?
Só que o domínio, o domínio da economia é pública. Muito obrigado.
Tudo de bom. Opa, agora... Ôpa, ôpa.
Quase quebrei.
Deu certo agora. Você é o?
Dennis Grilo.
Dennis?
Dennis Grilo. É, o grilo é porque eu falo demais, eu sou neurodivergente, neuro, é sou TDAH, então eu comecei a ficar ali pulsando. Seguinte-
Então vamo lá, Dennis.
Bora pra responder essa pergunta. É, quando os amigos começam a falar sobre a, a esquerda ter dado certo ou não, o que me preocupa é o seguinte: quando você fala assim, não deu certo em lugar nenhum. Aí já vemos, vamos no referencial, o capitalismo destruiu as, os oceanos, o método de consumo ele deixa a gente mais individualista, mais egoísta. Por exemplo, a minha pauta que é de neurodivergência é muito afetada por conta disso, porque muitas vezes por conta do mercado, o capacitismo vem forte.
Na educação que sou professor, então, nossa, terceirização da educação é destruição total. Então vamos lá. Quando eles falam dos exemplos de dar, dar certo ou não, é muito aberto, porque, por exemplo, Karl Marx, cê falou sobre o método de produção. A confusão que existe aqui é que o método político do socialismo não em si tem a ver com o método de produção, até porque o guru, é, da esquerda é Karl Marx.
Karl Marx diz que o método capitalista era o bom pra produção e tinha que ser superado. Então quando cê fala a China usa o método de mercado, a gente tem que destacar o seguinte: o socialismo, ele é, de modo imprescindível, o garantidor do bem-estar social. É isso que o socialismo preza, garantir o bem-estar social. E as dinâmicas de mercado da China hoje garante o bem-estar social, concentrando o poder nas mãos do Estado.
Portanto, todo empresariado chinês, ele não está acima do Estado nunca. Contrário do Brasil, que os bilionários estão no poder e ferrando com a gente pra caramba.
Quero que cê me responde aqui um ponto.
Tudo que cê quiser.
Socialismo traz o bem-estar social. Eu não conheço nenhum brasileiro, até hoje, do meu relacionamento, conheço muitos que foram pra Europa, pros Estados Unidos, mas nenhum que tenha ido pra Cuba, pra Venezuela, pra Coreia do Norte.
O problema é esse.
Qual que é a questão? Porque geralmente as pessoas vão pra onde a vida vai melhorar. Me parece que nesses países eles vão pra onde a vida piora.
Mas essa argumentação sua é muito vazia. Você já andou nas periferias do seu, do, do, por exemplo, eu já andei nas periferias de São domingas das Letras do seu estado, por exemplo. Quando a gente fala com as pessoas pobres, pergunta pra eles se o Bolsa Família, que é uma política de esquerda, não deu certo. Pergunta pra ele se mais médico, SUS não deu certo. Essa falácia, ela é muito equivocada, porque cê tá tomando referenciais que não são do nosso país.
Não, não é falácia, é um fato.
Não, não é.
Vamo pegar.
Não é um fato, porque pra mim que sou pobre, o Minha Casa, Minha Vida permite eu ter uma casa, e é um programa socialista.
Se o Brasil tem cinco milhões de brasileiros morando fora, noventa por cento tão em países com economia de mercado e não em Venezuela, Cuba.
Nosso país é mais cem anos de direita, as pessoas tão fugindo pra caçar uma vida melhor.
Eu não concordo com você.
Não, mas eu tô te falando como pobre.
Estados Unidos.
Eu não tenho condição de pegar um coiote e colocar minha vida em risco, por exemplo.
Tem muita gente pobre que eu conheço que foi pra outros países.
Mas eu conheço só gente pobre, praticamente. Minha vida é nesse meio. Sou professor de escola pública, do Estado, sou pobre.
Eu quero te deixar claro o seguinte: se países socialistas fossem atrativos, eles não construiriam um muro.
Não, não, mas é aí que é o equívoco.
Por que que a Alemanha Oriental construiu um muro pra ninguém passar pra ocidental? Tinha de proibir as pessoas de transitarem.
Sou professor de história, porque esse, então o muro, tá bom. Obrigado.
Opa, prazer.
Você é o?
Pedro Porto.
Pedro.
Sim, senhor. Sou um cearense residindo no Rio e alguns amigos aqui em São Paulo. É, rapaz, tenho a honra de pensar em Brasil, né, a gente veio pra isso, então alguns amigos foram muito bem pensando algumas pautas internacionais, mas acho que a gente pode pensar dessa esquerda funcionando bem no nosso país, no debate da brasilidade. Eu, particularmente, sou um trabalhista, e o trabalhismo tem história pra contar enquanto a melhor educação que já apresentou pra esse país, uma vanguarda educacional da educação integral, e mais do que isso, na pauta econômica.
Eu sou Pedro Porto, tenho vinte e seis anos, sou segundo suplente vereador na cidade do Rio de Janeiro e eu decidi vir hoje porque eu acho que é fundamental a gente ter espaço pra debater Brasil, brasilidade e projeto nacional. De trinta a oitenta, e aí misturando os eixos políticos, mas tendo um start no trabalhismo brasileiro, a gente teve o, o Brasil sendo reconhecido enquanto essa marcha que hoje a China é vista.
Todos os cenários prospectivos, a gente tem inclusive o Sheng, nosso amigo deu uma bibliografia muito boa, acompanha aí o Chutando a Escada. Isso explica porque que os países que já se desenvolveram ensinam pra gente que é país de terceiro mundo ou subdesenvolvido, governador, de por que que a gente não deve fazer pra se desenvolver.
Mas vamos lá.
Por favor.
É, por que que a esquerda não deu certo. Ela, igual nós já falamos aqui, tem que ficar claro, né. Na China, ela está dando certo, porque é um país que adotou práticas de economia de mercado, aonde as decisões são descentralizadas e não que ficam centralizadas lá num comitê central que acha que sabe mais do que todo mundo.
Discordo, governador, mas eu acho que isso inclusive é superficializar muito. Tem tantos países fazendo essa receita liberal de descentralização, de liberalismo, não alcança os resultados da China. A gente tem que entender o que que tem diferente nesse case de sucesso aí pra gente poder copiar, colar. Mas trazendo pro nosso país, novamente, acho que a China, eles vão resolver os problemas deles. Vão descobrir a nossa esquerda. Acho que inclusive eu fiquei até desconfortável, eu fui chamado de esquerdista aqui.
Eu sou um nacionalista, sou um homem de esquerda, mas um nacionalista. E inclusive, governador, enquanto até um eleitor, eu fico muito embasbacado de ver esse nacionalismo que vai no sete de setembro e presta continência pra bandeira americana, que vai no momento ali, com todo respeito
Mas é, é de verdade uma curiosidade que eu tenho pra entender como que funciona essa perspectiva do nacionalismo que defende-
Quero lembrar aqui que eu defendo a soberania do Brasil e eu só presto continência pra bandeira brasileira, entendeu? É, eu-
Em 2023 teve uma situação de fa-- eu sou até cearense, apesar de tá morando no Rio, e teve a situação daquele comentário do bloco Sul-Sudeste pra rivalizar com o consórcio Nordeste, que ou me parece um divisionismo ou uma ideia velha sobre o Nordeste, que a, hoje apresenta a melhor educação do país, é um eixo de turismo, é um hub de fibra ótica.
O que, o que nós fizemos foi copiar o Norte e Nordeste. Eles fizeram uma associação de estados, que já funcionava bem, e o Sul e o Sudeste não pode fazer? Inclusive tivemos uma reunião recentemente, entendeu?
Pode, pode. Só que místico parecer que o Nordeste-
Aí, aí veio essa, essa narrativa de que nós querer-- nós queremos é um Brasil melhor, tem que ficar muito claro. Tem lugar pra todos.
Até o senhor como presidenciável ter essa perspectiva do divisionismo até me surpreende, mas na, na forma como é colocada, surpreende, porque a gente vê um sinal daquele e a gente entende até que parte que o nordestino ainda é visto nessa perspectiva retrógrada, né, velha mesmo, nesse, no sentido Nordeste. Proporcionalmente, pasme, a região Nordeste cresce no PIB proporcionalmente maior do que o Sudeste nos últimos anos.
Sabemos disso, é impressionante.
É, e tem a melhor educação integrada pra isso, pra apresentar como nós-
E que continue avançando.
Então, na realidade, eu, eu vejo nessa...
Tempo do senhor presidente acabou.
Ah, valeu. [aplausos] Nosso próximo tema é: A esquerda é contra a religião.
Três.
Uh, pá, desculpa.
Cuidado, aí.
Desculpa, amigo.
Seu nome de novo?
Dennis Grilo.
Dennis. Nós vamos falar agora que a esquerda é contra a religião. Só quero fazer aqui uma introdução. Todo regime de esquerda que se apropriou no passado, né, foi o caso lá da União Soviética, onde as igrejas foram destruídas, qualquer um que queria exercer a sua religião era perseguido. Depois a esquerda acabou vendo que isso era meio que antifuncional e acabou liberalizando alguma coisa. Mas até hoje, né, lá na União Soviética tá lá o corpo do Lênin, do Stalin, pra serem venerados, né, como se fosse santos maiores do que os humanos.
Me parece que o corpo do Mao, na China, mesma coisa. Então a esquerda gosta muito dessa idolatria e nada exemplifica, né, o que ainda acontece do que a Coreia do Norte, né. Os santos da Coreia do Norte é o atual ditador com o pai dele e com o avô que tem lá estátuas do tamanho do Cristo Redentor pra todo mundo chegar e adorar. Então parece que a esquerda gosta é de venerar os seus figurões e não da liberdade aí das pessoas pensarem mais.
Discordo muito de você por ser professor de História. Primeiro, porque você tá pegando exemplos de um lugar, de uma localização e uma cultura e tentando trazer pra toda a esquerda. Nós temos um autor que se chama Florestan Fernandes e ele fala nós e o marxismo. E ele fala que todos nós que temos algum conceito de esquerda, que acredita que o Estado tem que garantir o bem-estar social ou como os comunistas, de superar o Estado, inclusive.
Eu, na minha prática, eu sou socialista, eu acho que o Estado tem que garantir o bem-estar social. É, eu acho que isso é um absurdo, porque primeiro que culturalmente cada, hã, conceito de governo, cada grupo de pessoas, eles vão colocar isso de uma maneira. Eu sou cristão e sou de esquerda, inclusive muito pautado na Bíblia. Se você pegar o livro de Amós, o livro de Josué, todos eles.
Por exemplo, Josué, cê pode falar sobre a questão da, do, do MST, do Movimento Sem Terra, né, que defende a terra, né. Você pode pegar Jesus, que diz que é mais fácil um camelo passar no buraco de uma agulha do que um rico entrar no reino dos céus. Então, quando a gente pega tudo isso, é, muita coisa que é empurrada pela, pra esquerda, por exemplo, foi Jesus que falou.
Então, na verdade, Karl Marx, ele fala sobre a liberdade religiosa, ele até tem um termo que fala que a religião é o ópio do povo.
Exatamente, o próprio Karl Marx falou isso.
É aí que tá. Quando a gente pensa criticamente, eu, eu sou professor de filosofia também, eu tenho que colocar pras pessoas que a religiosidade é uma coisa e a religião é outra. A religião ela institucionaliza. Quando nós somos institucionalizados, nós tendemos a seguir cartilha, seguir regras, e aí vem o dogmatismo. Isso pode acontecer num viés mais à esquerda, de direita, não importa. Por exemplo, a gente tem um exemplo como o fascismo, né, o próprio bolsonarismo.
Olha o que as igrejas tão fazendo. Gente com arma dentro da igreja. Por exemplo, a, a educação de forma geral, ela sofre por conta da anticiência hoje, né, é, o capacitismo e tudo isso num viés de direita que se diz cristão, mas que humilha muitas vezes as pessoas, né, que são religiosas ou, ou que são deficientes, e eu posso falar isso com muita propriedade. Nas escolas, por exemplo, falta, hã, quase todos os governadores, inclusive o senhor, a Lei Berenice Piana, por exemplo, não é respeitada, a Lei de Inclusão não é respeitada.
E que que isso tem a ver com a questão da religiosidade? Quando a gente tenta englobar culturalmente que um grupo é contra, né, a religião, a gente, tudo bem, contra a religião, sim, mas contra a religiosidade, jamais. E quando a gente pega e permeia todas as pessoas nas suas condições diversas, a esquerda respeita.
Fala agora. Perfeito.
A esquerda respeita, a esquerda coloca pautas de respeito a isso, de inclusão, de debate. Pode ver que todas as pautas de inclusão a esquerda defende, inclusive de afro, né, a Lei 10.639, por exemplo.
Então deixa eu falar agora. Perfeito, muito obrigado. É, nós sabemos que no Brasil, recentemente, existe um amplo movimento da esquerda pró-aborto. E nós somos um país crist-- deixa eu falar então.
Mas não é.
É, inclusive a esquerda tá lá forçando ou várias pessoas da esquerda, mas isso existe.
Não, o aborto já acontece.
É, só em, em situações excepcionais, mas se depender da esquerda, nós vamos ter mais liberação. A esquerda também, o próprio presidente Lula-
Não, não. A esquerda defende o direito do aborto seguro. Isso é uma, isso é mentira, isso é fake news. É bom procê pesquisar melhor. Isso é fake news
Nós temos o presidente Lula, que é simpatizante do grupo terrorista Hamas lá no Oriente Médio.
Ah, eu não posso falar pelo Lula, né? Eu sou de esquerda, mas ele é só uma outra pessoa da esquerda, né?
Tá certo. É. Que matou-
Essa referência não é legal. É que cê fala que eu defendo bandido e eu não defendo.
É, ele realmente parece assim, que tem um posicionamento que também agride um país que é feito de cristãos.
Não, então, pera aí. A, os, os judeus não são cristãos, né? Inclusive é um problema gigantesco isso, porque o sionismo não tem nada a ver com Jesus Cristo, né. Aliás, eles não defendem isso-
Eu não tô nem falando de judeu, eu tô falando de um grupo que estupra e mata, cê entendeu?
Mas o ponto é-
Eu não tô falando disso.
Não, mas, mas o ponto é quando você fala do Hamas ou você fala de, dos grupos que são contra o Estado islâmico, a gente tem que colocar nessa pauta. Por quê? Eu, to-todo bolsonarista lava com a bandeira de Israel, só que os israelenses inclusive estupram, tem vídeo de soldado estuprando, é, palestinos, etc. Então ficar justificando violência por violência não cabe, né? A gente precisa pautar discussão sobre a, a, o grupo de ideias.
A esquerda é contra religião. Mentira.
Três minutos pra maioria.
Obrigado [risos].
Pare o tempo, por favor. [som de batida]. Já!
[risos] Não deu não, paizão. Boa tarde.
Boa tarde. Cê ainda não tinha vindo não, né?
Ainda não.
Você é o?
Sou Erick, vim de Minas pra poder conversar com você um pouquinho.
Opa, veio de onde, Erick?
Sou de Contagem.
Então tá, legal.
Podemos começar? E aí, tudo bem? Me chamo Erick Belico, tenho vinte e oito anos. Trabalho como consultor estratégico de negócios, trabalho também com comunicação política eleitoral. Eu acredito que os ideais que Jesus trouxe na Terra, quem mais segue, quem mais preocupa com o pobre, com a classe baixa, assim, é a esquerda. Eu acredito que na narrativa a gente pode ter uma conversa sadia e talvez mudar mesmo esse estereótipo e trazer mesmo a reflexão pra um representante de direita que quer ser presidente, pra poder pensar também na classe trabalhadora.
Vamos lá então.
Então-
Então, por que que cê acha que a esquerda é ou não é contra os valores cristãos?
Eu acho que é totalmente o contrário disso, né. Se a gente pegar a passagem de Jesus Cristo, eu te falo hoje como um catequista te falando isso, tá? Jesus defendia o direito das minorias. Jesus, ele andava com prostitutas, andava com leprosos, que eram excluídos da sociedade.
Sim.
Né, então se a gente for pegar assim, a parte que mais preocupa com a questão de asssist-assistência, né, mais assistencialista, qual parte, qual ideologia o senhor acredita que vai mais pra esse lado? E outro ponto, né, cê trouxe assim que a esquerda ela não, não atua tanto assim na, na questão religiosa, né, mas a direita que defende falsos Messias, certo? Como o presidente que, o ex-presidente que foi preso, certo?
[palmas] É, e tem outro ponto também. Tem outro ponto também, né. Se a gente for pegar pra analisar, é, hoje a direita compõe grande parte da bancada evangélica, certo? Cê acha certo a gente utilizar o templo, que é algo sacro, pra gente poder falar da nossa fé, da nossa religiosidade, pra debater assuntos políticos, levantar ban-bandeira de candidatos, levantar bandeira de, de pessoas, ideologias?
Eu acho que política é uma coisa, religião é outra coisa, entendeu? Eu julgo diferente. Por isso até que a esquerda não deveria entrar nesse tema. Deveria, é, deixar um país cristão decidir. No-- eu como eu tava dizendo aqui-
Mas como a esquerda deixou de, de deixar isso?
Eu tava dizendo aqui o seguinte: a esquerda primeiro é claramente muito mais pró-aborto do que a direita. Eu sou a favor da vida.
Então, se eu posso-
Quero-
Então só um minuto, só cortando. Então, se a gente for pegar essa base de raciocínio, eu posso falar assim então que o senhor, como acaba favorecendo, né, mineradoras atuando no nosso estado de Minas Gerais, o senhor é pró então, à, à morte de pessoas, como aconteceu em Mariana, em Brumadinho. [palmas] Então, é, eu tô te apontando a inconsistência, né, porque você tá pegando uma, algo assim, mais geral pra poder trazer algo sobre a questão da religiosidade de um país que ele é sim majoritariamente cristão.
Só que se a gente for apontar hipocrisias como o senhor tá apontando, vai refletir em você.
Posso falar? Quem que é a favor da ideologia de gênero? A esquerda ou a direita? Eu acho que tá claríssimo que é a esquerda, entendeu?
Eu acho que é o seguinte. Governador, Governador, eu acho que-
Querem, deixa eu terminar aqui. A esquerda quer que o Estado comece a doutrinar crianças pequenas sobre sexo.
É, então, eu, eu acredito-
Deixa eu terminar.
Não, é porque isso que é uma conversa, né-
Deixa eu terminar aqui.
Se for em questão de mão única, igual o senhor tá levando-
Deixa eu terminar.
Isso o tempo todo.
Deixa eu terminar.
Então é melhor o senhor levar esse aí pro debate presidencial que você vai ter ano que vem com o PT, né.
Deixa eu terminar aqui minha fala. É, eu acho que a questão de sexualidade, cada um vai definir a sua no momento adequado, na adolescência. E a esquerda quer pegar crianças pequenas e falar prum menino ou pruma menina: "Ó, cê pode escolher ser homem ou ser mulher". Eu acho isso abominável, isso só causa confusão, só causa ansiedade. E nós temos de lembrar que no passado, isso tá em tudo quanto é livro de história, na União Soviética, em Cuba, em to-- na China, em todos os países de esquerda, os homossexuais foram perseguidos, pra não dizer exterminados muitas vezes.
E a esquerda hoje se faz de boazinha, porque quer ficar, é, é, ganhando o coração das pessoas. Mas o que a esquerda realmente quer-
Mas você acredita que esses discursos assim, que são mais, é, abrangentes, né, que permite que pessoas diferentes, seja de credo, cor, gênero, então, então isso aí atrai mesmo as pessoas? Cê acha que é um caminho bacana, narrativamente falando?
É, eu acho que é uma forma de se mostrar bonzinho, se mostrar soft, que a esquerda faz, cê entende?
Sabe que eu acho que é uma forma de, de parecer bonzinho, ô Governador. Quando o senhor fala assim, por exemplo, da, da questão da gestão, né, que a, a esquerda faz mal pro Brasil, mas a dívida pu-- a dívida pública de, de Minas Gerais, ela praticamente duplica com o senhor no poder, né. A questão assim de vocês defenderem a privatização a todo instante, né, aqui no nosso estado de, de Minas Gerais.
E a gente vê resultados assim em outros estados, né, como acontece, né, a Enel deixando São Paulo no escuro. Então tem uns pontos assim que você acaba apontando, que se a gente for analisar a mesma forma de narrar e de levar essas conexões, a gente aponta hipocrisias na sua fala-
Nós tamo fugindo, nós tamo falando aqui de valores cristãos e esquerda.
É, mas o senhor também fugiu de alguns temas, né.
Não, eu tô, eu tô me concentrando aqui. Cê foi pro lado aí que a esquerda, é, valoriza as minorias, né. Eu tô dizendo que no passado elas foram perseguidas pela esquerda.
E hoje é perseguido por quem?
Pelo que eu, pelo que eu saiba, por ninguém. Hoje nós somos uma sociedade muito mais avançada hoje, entendeu? Acho que todos têm de ter direito, todos têm o seu lugar.
Uhum.
Agora, quando fica colocando isso muito em pauta, na minha opinião, é que acaba gerando diferenciação e nós somos todos iguais.
Como cristão-
Eu quero é uma Minas Gerais melhor pro ban-- para o branco, pro negro, pro índio, para o adulto, para a criança, pra mulher, pro homem.
Vamos voltar aqui pro tempo.
Cê tá entendendo?
Eu concordo.
Eu quero-
Três minutos. Pare o tempo.
Valeu pelo debate.
Mas eu, essa pauta [som de sinal sonoro]
Já!
Opa.
Você tá de novo aí.
Tamo aqui de novo, né? Eu como cristão, né, tenho que debater isso aí. Na campanha eleitoral a gente teve que defender várias fake news, o pessoal evangélico, né, falando que o presidente Lula ia fechar as igrejas, que ia perseguir os evangélicos, né. E na verdade, é, o pessoal-- o que a esquerda defende é a liberdade.
Essa liberdade tem lá na Venezuela, em Cuba, na Coreia do Norte, tem?
A liberdade religiosa.
Tem lá nesses países de esquerda, lá em Cuba, todo mundo na Venezuela é livre?
Você ser livre.
São livres lá? E não tem, não tem ninguém preso lá.
Maioria. [som de sinal sonoro]
Foi tranquilo agora.
Sim.
Você é o?
Rogério.
Rogério.
Eu acho que a direita, na verdade, ela utiliza a religião como palanque, ba-- palanque político. O Bolsonaro, por exemplo, ele se vale muito de ser um cristão, de defender que, defender que o, o, o país é, é, é nacionalista, que o país todo mundo é cristão, quem não é cristão tá errado. Quem não é cristão tá-- é criminoso, quem não é cristão tá fazendo coisa errada, tá, tá traficando, tá...
De alguma forma, a esquerda, ela defende a liberdade religiosa. Você pode ser católico, você pode ser cristão, você pode ser umbandista. O que interessa é a pessoa em si, não a religião que ela defende.
Mas isso acontece nos países governados pela esquerda hoje, todo mundo tem liberdade de religião, de expressão, em Cuba, na Venezuela, na Coreia. Me parece que é, é algo que a esquerda não gosta muito não. Por que que a esquerda aqui sempre tá tentando colocar limites na, na, no que é divulgado pela mídia, na internet, etc. Parece que ela não gosta de quem não segue a cartilha dela, não é não?
Discordo. Discordo.
Você já veio? Não. Você é o?
Sou o Fernando.
É, então bem-vindo, Fernando. Vamos lá.
Obrigado. Então, governador, eu acredito que essa afirmação que o senhor fez anteriormente, ela não é verdadeira. Até porque a questão da religião, ao governo, todos os governos de esquerdas que a gente teve, eles sempre foram todos abertos, muito pelo contrário do que o governo de direita faz, principalmente com os evangélicos. Hoje eu tenho parentes na minha família do qual eles me tratam mal porque eu, eu não, não tenho um lado político exatamente, mas é que eu acho errado o que eles fazem na igreja.
Você vai na igreja e você vê um pastor falando: "Ah o governo de esquerda quer acabar com a gente". E isso é fato. Você vê que existe essa segregação, é, uma intenção de fazer utopia.
Mas você não acha que isso é por causa de algumas posições da esquerda, como com relação ao, à ideologia de gênero, que causou isso, com relação à, à, a uma série de pontos.
Todo o comportamento de esquerda ele tá muito mais alinhado a Cristo.
Mas aborto, cê acha que...
Então, mas essa questão do aborto, é como tudo que a direita faz, eles transformam uma coisa, porque assim, existe o aborto que é seguro, o aborto que é necessário. Agora você, é, uma pessoa que é estuprada aos doze anos, você defender que essa criança tenha, que essa criança tenha uma outra criança, isso o senhor achou correto?
É, a questão de proteger, às vezes, assassinos confessos que estão aí soltos, porque a lei é extremamente leniente, que foi muito proposta e aprovada, incentivada pela esquerda.
Eu acho que isso não tem nada a ver. O que acontece, que as igrejas hoje, principalmente na maioria evangélicas, elas usam esses espaços pra falar de política dentro da igreja, sendo que, na verdade, tudo que é defendido pela esquerda é ra-- é praticamente, em outras palavras, tudo que tá na Bíblia.
A Bíblia defende corrupção, como nós já tivemos aí, né, lá em 2015, 16, como eu citei agora. Tamo tendo com os, os velhinhos do INSS agora também.
Então, e o que que o senhor achou, por exemplo, daquele pastor que falou aquilo que falou na frente do Flávio?
Eu não tô dando razão aqui pra ninguém. Eu tenho as minhas convicções aqui. Ok.
Valeu, obrigado.
Valeu. Bom, nosso último tema agora é um tema que o pessoal com certeza vai achar aqui que é bastante polêmico: o MST é terrorista. [som de sinal sonoro]
Bom, foi mal, eu vou ter que atacar a cadeira.
Antes de você falar, o MST, pra quem acompanha, está na internet, são dezenas e dezenas de vídeos que mostram o MST invadindo propriedades privadas com pessoas lá dentro, agredindo, destruindo o que estava pela frente. E eu já vi, isso aconteceu comigo no meu primeiro ou segundo ano de governo, uma fazenda, é, que foi invadida e o MST recruta crianças pequenininhas, às vezes de colo, pra levar a mãe, dá lá uma diária pra mãe ficar lá, recruta idosos pra que na hora que a polícia chegue lá pra ver a situação, eles falam que aquela terra ali é uma terra que aquelas pessoas vão defender.
E tem ainda as escolinhas do MST, que pegam crianças pequenas e que desde cedo são, da mesma maneira que o Hamas fa-faz lá no Oriente Médio, são doutrinadas aqui, né, com essa linha, falando que é, né, u-uma escola agrícola, né, ou escola, é... Ecoagrícola, alguma coisa assim Então, é, o MST que eu tenho acompanhado, que é o real, não é o que sai na televisão, que às vezes, muitas vezes só mostra as criancinha, os velhinhos, é esse.
E tá aí na internet, muita gente já filmou o MST chegando numa fazenda e-
Posso fazer uma pergunta pro senhor?
Então vamo, quero te escutar.
O senhor já foi pra algum acampamento do MST, sem, antes de ser governador?
Já passei em vários, eu, eu andava é-
Antes de ser governador, o senhor já foi em algum?
É, eu quero lembrar uma coisa. Durante-
A minha pergunta é muito simples, sim ou não.
Tá, é. Eu passei trinta anos da minha vida na estrada, no interior de Minas.
O senhor entrou em algum acampamento?
Vi muitos acampamentos.
Não, o senhor já viu acampamento. O senhor já entrou em algum? Minha pergunta é simples.
Já. E, e abandonados.
E como foi quando o senhor, quando o senhor entrou?
Só tinha as barracas lá pra poder encenar, tudo encena, o que eu vi foi encenação.
Encenação, entendi.
Enenação, entendeu?
O senhor acha que foi encenação? Isso foi em que ano, mais ou menos?
Ah, deve ter sido 2000, 2005, por aí. É, foi, é, 2010.
2000, 2005. Tem uma diferença muito grande de cinco anos.
Foi por aí, é, 2010.
Mas vamos supor que tenha sido entre os anos 2000. O que que acontece? O MST, ele somente vai pra frente das fazendas que são improdutivas. O professor Ubaldo-
Então tá na internet o contrário.
Deixa eu terminar de falar?
Pode terminar, sim.
Obrigado. É, então, o professor Ubaldo Ribeiro, que era um professor de Geografia da Universidade de São Paulo, que faleceu faz pouco tempo, ele tinha um estudo extremamente importante que mostrava que oitenta por cento das terras no Brasil são improdutivas. Isso faz muito sentido. Quando a gente pensa, por exemplo, no preço do alimento aqui no Brasil. O senhor não acha o preço do alimento no Brasil justo, sim ou não?
Acho que as famílias aqui sabem falar melhor.
Sim ou não?
Acho caro, todo mundo hoje reclama, não é?
Exatamente. Por que que o alimento é caro, se a gente tem oitenta por cento das terras improdutivas? Porque essas terras são preparadas pro gado. Essas terras são preparadas pra fazenda pastar e não pras famílias plantarem. Toda vez que a gente tem um latifundiário, toda vez que a gente tem um latifúndio, a gente, é, igno-- a gente remove a possibilidade do pequeno agricultor, do camponês pobre ir lá e realmente trabalhar na terra.
Por quê? Porque essa terra tá sendo abandonada, justamente pra fazer o quê? Pra fazer a especulação imobiliária. É muito mais vantajoso pra um latifundiário ter uma terra improdutiva, uma terra parada ou até uma terra queimada, como a gente teve em Mato Grosso. Não sei se o senhor gostou do calor que a gente teve aí nos últimos anos, mas uma grande parte disso é porque os latifundiários queimaram as suas próprias terras pra poder passar pasto depois.
É assim que o latifúndio a-age. E é justamente assim que o latifúndio tem lucro, porque o gado dá muito mais lucro do que uma produção pequena.
Tá, então quero, quero falar agora.
Por favor.
O governo federal é o maior proprietário de terra do Brasil e tem o INCRA, que é o órgão fe-
Sim, se você for contar individualmente, sim, claro.
Deixa eu falar agora, é. E tem o INCRA, que é o órgão responsável pra poder fazer a reforma agrária.
Sim, quem faz o INCRA?
O maior proprietário.
Quem compõe o INCRA?
Então-
Essa é uma pergunta interessante, o senhor sabe?
Então eu queria que o INCRA-
A minha pergunta é essa, o senhor sabe quem compõe, quem compõe o INCRA? Quem tá dentro da diretoria do INCRA?
Não, eu sei que ele é o responsável pela reforma agrária.
É, então os diretores do INCRA são latifundiários.
Tá, então-
Os diretores do INCRA são todos donos de terra.
Mas o presidente é do PT há qua-- há vinte e cinco anos, é, então-
Não faz muita diferença, quando o órgão que é responsável por fazer a reforma agrária é de parte dos latifundiários, que são quem controlam e quem tem interesse em manter aquela terra desocupada.
Tá. Então eu queria que cê colocasse na internet depois, colocar lá, é, invasões do MST-
Eu posso pôr a hora que o senhor-- se o senhor quiser, o senhor pode pesquisar método de ação do MST pelo Pedro Stedile, que é o presidente do MST no Brasil.
Que é um terrorista, que é um terrori- é um terrorista.
Se o Pedro Stedile é um terrorista, então eu sou três.
Licença, senhora Maria.
Posso só fazer mais duas perguntinhas. Obrigado, obrigado.
Você é o?
Henrique.
Henrique.
Eu sou carioca, mas eu cresci no estado do Pará. Lá a gente teve muito problema de grilagem de terra, muito problema com agro, muito problema de desmatamento, de queima.
Então você conhece de perto lá então.
Conheço.
O Nortão.
Inclusive o Movimento Sem Terra. Queria dizer aqui pra todo mundo, qual é a câmera, é aquela ali? Queria dizer aqui pra todo mundo, pesquise Armazém do Povo, perto da sua casa, tem vários pelo Brasil. Lá você vai conhecer o que é o Movimento Sem Terra, tá? Cê pode ser voluntário, inclusive, ajudar nas entregas das cestas que eles vendem, entendeu? Cê pode ajudar o Movimento Sem Terra. Queria perguntar pro senhor, que o senhor tava falando que o Movimento Sem Terra é terrorista.
É, queria perguntar pro senhor se o senhor tem a mesma opinião de quem chega em locais como o Vietnã, quem chega em locais como o Iraque, quem chega em locais como o Panamá, enfim, vários países aqui da América Latina, quem chega em locais como a Venezuela e tenta impor o seu modo de vida.
Afeganistão com a União Soviética também.
E com os Estados Unidos também.
É, tem vários casos aí, né? Temos muitos, né?
O senhor diria que o presidente Trump é terrorista?
É, não, va-vamos, vamos falar aqui do MST, tá certo?
Vamos falar.
O nosso foco aqui é o MST. É. Eu queria te perguntar uma coisa, o seguinte:
Vamo lá.
Vamos fazer aqui uma, uma comparação.
Vamos.
Você deve ter familiares, uma família grande como a minha também, né. Geralmente, o pessoal no passado tinha dez, quinze irmãos. Eu tenho lá na, na minha família, pessoas que às vezes têm lá, é, imóveis pra poder alugar casa, apartamento, e eventualmente esses imóveis ficam fechados, às vezes improdutivos.
Com tanta gente sem casa pra morar, veja só.
Aí, aí, aí eu acho que nós deveríamos, né, se for nessa lógica, termos também o movimento do sem teto também.
Nós temos o MTST. Muito obrigado, governador, por lembrar do MTST, que faz as suas ocupações. Temos a ocupação nove de Julho em São Paulo. Conheça, por favor, o MTST.
Ninguém pode ter mais uma casa que fique um mês, dois, seis meses disponível pra aluguel.
Eu acho que não deveria. Só acho justo que enquanto tem gente que tem as casas disponíveis e sobrando lá pra pessoas morarem, tenha tanta gente como no caminho pra cá pro debate, a gente vê morando na rua.
Eu não sei quantas camisas cê tem no seu guarda-roupa. Acho que cê deveria ficar com cinco, que dá pra usar um no dia e dar o restante também.
Mas é o que eu faço, governador.
Cê faz isso?
Sim, eu doo minhas roupas.
Cê faz então, cê tá de parabéns.
Eu faço trabalho voluntário. Exatamente, porque a gente precisa se doar pra sociedade, né.
É, eu acho que nós-
Eu tenho o privilégio de ter nascido, é, numa família não tão abastada, mas com condições que me deu o privilégio de entender, né, que tem gente que precisa mais do que eu de certas coisas e que faz eu poder fazer trabalho voluntário, ajudar as pessoas, ajudar quem tem menos que eu, né. Que eu acho que essa deveria ser a postura da direita.
Sim. Então você acha que propriedade privada não precisa, é algo que nós não temos nenhuma necessidade.
Precisa. Não seria tão legal se todo mundo tivesse propriedade privada e não só o Blairo Maggi lá no Mato Grosso, e não só o grande latifundiário.
O Lula com triplex, não é isso também?
Exato. O Bolsonaro com seus mon-- com seu monte de imóveis, não é? Um desse não poderia ser pra, pra algumas pessoas que tão morando na rua, pra algumas pessoas que tão desabrigadas, pra alguém que tá lá no Movimento Sem Terra, né? Porque afinal eles não têm terra, eles não precisam de, é, uma terra, sei lá, do tamanho do Sergipe, como alguns latifundiários têm aqui, né, do tamanho de um estado.
Eles precisam de um campo de futebol, de menos até pra plantar sua mandioca, pra vender sua batata, pra fazer, cuidar da subsistência da sua família, que é o que o Movimento Sem Terra busca.
É, e você sabe que a terra, quem planta todos os anos, depois de X anos, precisa descansar pra ela recuperar?
Exato. O senhor deveria falar isso pro Blairo Maggi, novamente, que eu citei, que é o sujeiro que tá estragando o Mato Grosso, né. O senhor poderia falar isso pros latifundiários que tão detonando a Amazônia, que já não tem um solo tão rico assim, que precisa ser melhor cuidado, que tão lá destruindo. Isso daí não é o Movimento Sem Terra que precisa saber, são os grandes latifundiários.
Então acho que nós precisamos, precisamos então, é, mudar bastante coisa no Brasil, né.
Isso nós concordamos, camarada Zema. Nós concordamos.
É, precisa.
Nós concordamos, sim. Concordamos. Concordo com o senhor. Bom, o senhor gostaria de considerar mais alguma coisa comigo? Eu já terminei por aqui, muito obrigado. Quem tiver na vez, por favor.
Quem não falou ainda, de preferência.
Só duas perguntas, só pedir.
Não, mas vamo deixar quem não falou primeiro.
Só duas perguntas, só duas perguntas. O senhor pode repetir o tema novamente, por favor?
É, o tema que nós tamos falando aqui é que o MST é equivalente a uma organização terrorista, porque recruta pessoas que não têm nem noção daquilo que estão fazendo. Eu já fui-
Quantas pessoas o MST já matou?
Eu não tenho um histórico aqui, não, mas com certeza.
E o senhor sabe qual é o maior produtor de arroz do Brasil, pelo menos no ano passado?
Não sei.
O MTS-- O MTST. O MST, desculpa.
O maior produtor de arroz?
Que é o alimento que o brasileiro mais consome. Então acho que não combina muito essa frase de dizer que, que-
Eu sei que o Brasil hoje é uma grande potência agrícola, porque tem técnicas de produção avançada, de proprietários que têm na propriedade privada, é, essa forma de atuar e ajudar o Brasil, entendeu?
É importante só ressaltar que o MST não matou ninguém.
Quatro minutos ainda.
Você é o?
Wesley. Wesley Gabriel. O senhor aponta que o, que o MST é uma organização terrorista, né. Acho que é importante a gente fazer um pequeno recorte histórico do que é a distribuição de terras no Brasil, que desde a sua concepção teve a sua economia fundamentada a partir da exploração de povos africanos, de povos originários aqui do Brasil, que durante a sua proclamação de independência e da República não rompeu com a lógica da distribuição de renda e distribuição de terras, inclusive antes mesmo desse processo, é, construiu travas institucionais, como a Lei de Terras, por exemplo, que impediu que a maior parte da população, sobretudo aquelas que descendem de povos explorados durante esse período, não tiveram acesso à terra.
O MST nada mais é do que um produto da organização social do Brasil, que nasce justamente pra fazer a disputa pela reforma agrária no nosso país, que nunca aconteceu. Inclusive, o MST é a, é a organização que produz mais de mil variedades de alimentos orgânicos, saudáveis, que abastecem o mercado interno e que garantem que a pop-- garanta, garante que a população tenha acesso a alimentos saudáveis e alimentos acessíveis ali, diferente do agronegócio, que é importante do ponto de vista estratégico pra economia e geração de emprego no nosso país, mas que é insuficiente do ponto de vista do aba-abastecimento do mercado interno, justamente porque atua no sentido de produzir pra exportação, né.
Então, eu acredito que o MST, além de ser um produto da organização social do Brasil, é de extrema importância pra ressaltar a importância da disputa e do debate sobre a distribuição de renda e de terra no nosso país. Algo que nunca aconteceu, mesmo em governos de direita e de esquerda, tendo um recorte histórico, sobretudo, que o Brasil é um país historicamente governado pela direita há centenas de anos e no pequeno ciclo de desenvolvimento em que o PT esteve à frente do nosso país, ainda assim, o Congresso Nacional, a maioria das prefeituras e de Câmaras de Vereadores eram de direita.
Então, atribuir ao MST o papel de terrorista enquanto movimento que disputa a reforma agrária que nunca aconteceu no nosso país, é um erro grotesco e uma ignorância em relação ao processo histórico do Brasil.
Tá, então, deixa eu falar agora Ainda bem que você falou que a esquerda tem a oportunidade de fazer e não faz, né. Porque a esquerda hoje está na presidência, controla o INCRA, que é o instituto responsável pela reforma agrária, e o governo federal é o maior proprietário de terras do Brasil e me parece que acabam utilizando o MST como essa massa de manobra, levando pessoas, né, pouco esclarecidas pra participar desses movimentos, muitas vezes em troca de valores bem pequenos, mas que as pessoas humildes acabam indo.
Eu quero deixar muito claro o seguinte: durante trinta anos eu rodei o interior de Minas, ainda rodo como governador, eu nunca vi nenhuma placa, e-e olha que eu vou em estradas até de chão, falando que o MST tá produzindo alimento. A estatística que eu tenho é que o MST não produz nem meio por cento dos alimentos do Brasil. É algo desprezível e muitas vezes... Ok. Aí de novo.
De novo.
O nome de novo, que eu não-
Eric.
Eric, isso.
Então, repete, por favor, o argumento que você usou pra poder falar assim que o MST hoje ele é um movimento assim terrorista.
Quase que terrorista, porque invade terras, agride pessoas.
Não, é que cê falou de organização, desculpa.
É, seleciona figurantes, é como se fosse pra montar-
Como se fosse o oito de janeiro?
Não, bem diferente, né. Ele leva pessoas idosas, leva mães de crianças-
Que também foi um argumento, né, que tinha os pipoqueiros, os idosos, né.
Leva essas pessoas pra quando a televisão chegar lá, ele falar, colocar essas pessoas na frente e mostrar mais ou menos assim ó: "Nós estamos aqui fazendo a ecoagricultura."
Como a gente só tem só trinta, trinta segundos, só queria trazer um ponto. Como, como mineiro, que você é o governador do meu Estado, eu fico decepcionado de você ter uma oportunidade como essa, num canal grande como esse, você poderia tá falando sobre o, o ICMS no estado de, de Minas Gerais, você poderia tá falando sobre as suas propostas, sobre sua visão. Cê tá utilizando argumentos replicados.
A gente-- Cê tá debatendo aqui com trinta pessoas de esquerda, cê não tá debatendo com trinta petistas. A esquerda é muito além de Lula, é muito além do PT, sabe? Você não tá utilizando a oportunidade que você tem pra poder construir. Eu tenho certeza que as pessoas que são aqui, não tão todo mundo assim só pra poder te colocar numa posição demonizada, e sim pra gente poder construir algo junto, trazer argumentos, pra que caso você chegue lá e seja eleito de verdade, você possa também representar a gente, apesar de você discordar de algumas pautas, né, de ter posicionamentos diferentes.
Mas a forma que você tá trazendo, sempre apontando pra Cuba, pra Venezuela, pro PT, pro Lula, isso é-
Mas não são os amigos do Lula, esse? Esses são os amigos do Lula.
Mas se eu for falar, mas se eu for falar sobre, sobre os amigos, por exemplo, a gente pode pegar o Caiado, que tem ligação da, da família com trabalho escravo, né? A gente pode pegar o próprio senhor mesmo que assaltou, hã, o, o terreno lá da, da, da sua região. A gente pode pegar inúmeros pontos pra poder debater, entendeu? A gente hoje vê no, no estado de Minas Gerais um combustível bem mais caro que São Paulo.
Se você sair daqui, você vai ver o preço do álcool. Isso daí afeta não é só a gente que é população comum, afeta os caminhoneiros, afeta a população geral.
Preço de Minas, eu, e, eu deixo você pesquisar hoje, o preço de Minas é mais barato do que o de São Paulo.
Quatro e quarenta e cinco, aqui em São Paulo tá três e noventa e nove o etanol. E sem falar também a questão, assim, do IPVA, que, né, só placa preta que tem em Minas Gerais. [risos] Um prazer conversar com você. [aplausos]
Tô aqui acabando o debate aqui com trinta esquerdistas. É sempre muito bom enxergar a outra opinião. Continuo, né, com a minha visão de que nós precisamos de economia de mercado. Nós vimos aqui que a China tá avançando, mas é através de economia de mercado. As pessoas tomam a decisão e não o Estado centralizado que decide tudo, como já aconteceu em diversos países socialistas e ainda acontece que não dão certo.
Então fica muito claro, quando as pessoas têm oportunidade, podem se expressar, quando a religião é respeitada, os países tendem a avançar mais rápido no desenvolvimento econômico e social. E é muito bom você ter pessoas que discordam das suas ideias porque isso enriquece muito o debate. E a última coisa que eu quero ser é dogmático, é falar: "Eu sou o dono da verdade", porque ninguém é dono da verdade.
[aplausos]
Sim, achei muito válido. Qualquer, assim, oportunidade que a gente tem pra discutir com argumentos inteligentes, sem, sem grosseria, sem acusações, mas colocar o-- saber ouvir também, então, e ainda com um governador, um chefe de Estado, então é muito válido, agradeço muito a experiência.
Tirei, eu acho que é importante entender que mesmo a pessoa que se posiciona como alguém que defende totalmente a direita, ela é, pode ser permeável. Eu acho que existe uma discussão muito forte de que a esquerda não ouve a direita, a direita não ouve a esquerda, e cada vez mais eu discordo disso. Eu acho que existem pessoas que são muito radicais, muito dogmáticas, com essas é difícil discutir.
Mas é a segunda vez, né, que eu venho aqui com uma pessoa que possivelmente tinha uma opinião ali irredutível, já muito fechada, e consegui chegar em pontos interessantes, é, de reflexão e não de inflexão. E isso é importantíssimo, né, a gente perceber como esse processo mesmo de, de desenvolvimento, ele não para, tá sempre andando. Então acho que esse foi um ponto importante aí de hoje.
Eu gostei muito do posicionamento do governador quando ele é educado, ele soube ouvir, né, tratou todos com muito respeito. Apesar de pontos divergentes, eu achei que a educação prevaleceu, então a, a ética, o compromisso estavam presentes, então eu gostei bastante disso.
A experiência foi muito boa, muito válida. O que eu percebo é que às vezes, como eu estava de um lado e do outro trinta pessoas, muitos queriam se manifestar mais e às vezes não tiveram a oportunidade. Mas muito bom saber que mesmo dentro da esquerda, como eu percebi aqui, existem visões bastante distintas e diferentes, o que demonstra que o ser humano tá longe de ser uma ovelhinha que segue todo mundo.
Ô, quem perder vai ser deportado, tá? O país que eu sou é o... puta que pariu! Eu falei isso, mano. Eu te falei, você não vai acreditar. Eu sabia, esse safado vai fazer isso