Transcrição
1 Pastor vs 30 Criadores de Conteúdo

Com Rafael Nery
1 h 42 min de vídeo · 21 mil palavras
1 Pastor vs 30 Criadores de Conteúdo é um episódio do Canal Foco no formato 1 vs 30, sobre fé, com Rafael Nery (pastor), publicado no YouTube em 2 de dezembro de 2025. O vídeo tem 1 h 42 min e 1,36 mi de visualizações.
Transcrito em 9 de outubro de 2026. Todas as transcrições
Cada minuto é um botão que toca o vídeo a partir daquele trecho.
Quem tem família boa, não se torna criador de conteúdo adulto. [aplausos] Daqui a vinte anos, caras que consomem o seu conteúdo hoje, vão ser presos por pedofilia, por estupro de vulnerável.
No seu link lá tá dando duzentos reais. Na minha plataforma que eu, eu libero dopamina pras pessoas é vinte e nove e noventa. Eu acho que tô ajudando mais que o senhor.
Preciso vim aqui olhar nos seus olhos e dizer que o seu corpo não é um objeto.
É meu corpo. Mas eu não preciso que homem me fale nada, porque o meu corpo é meu, não é de vocês.
Eu vim aqui olhar nos seus olhos e dizer que é imoral porque destrói você e destrói os seus consumidores.
Eu, eu, eu pareço destruído pra você? Eu, não, tô, tô de boa.
Meu Deus do céu, tudo na vida é dinheiro.
Não, tudo na vida é dinheiro, sem dinheiro você não consegue nada. Se tivesse dinheiro-
É melhor você ter uma vida simples, humilde, com dignidade e honra do que ter uma indústria-
Não. Sabe por que não? Sabe por que não?
Essa indústria vai usar todos vocês aqui, vai descartar vocês como lixo.
Como a medicina usa, como uma pessoa pro, que trabalha com estética usa.
Claro que não, o médico tem aposentadoria, cê vai ter aposentadoria. Se seu pai apoia a filha dele usar o corpo como objeto e comercializar a sua nudez e a sua intimidade, me perdoe, ele não é um bom pai.
Ah, nossa, cê não pode falar do meu pai mesmo.
Olá, pessoal, meu nome é Rafael Nery, eu sou casado com minha esposa há mais de treze anos, pai de três filhos, sou cristão, pastor, terapeuta e hoje estou cercado por trinta criadores de conteúdo adulto. [música de introdução] A pornografia é responsável pela sexualização de crianças. [música de tensão]
Opa, prazer. Sou Rezende, sou radiologista e também sou filho de pastor. A pornografia não é responsável pela adultização de crianças, porque criança não tem cartão de crédito nem pix. Se a criança tá tendo acesso a isso, é porque os pais não tá sendo uma pessoa bem responsável pra poder proibir seu filho de ter acesso a isso. Cê não concorda comigo nesse ponto?
Cê conhece pessoas que te dizem que descobriram a pornografia na infância? Conhece pessoas?
Sim.
Você descobriu pornografia com quantos anos?
Pra cê uma noção, eu q-- eu descobri pornografia na igreja, porque lá no púlpito era pregado que Salomão, ele tinha mil mulheres, e era normal. [aplausos] Lá pregava também-
Mas com quantos anos você descobriu a pornografia?
Calma, eu tô te explicando. Eu descobri também que era normal, Davi, ele ter várias mulheres e uma delas era casada, se o senhor sabe também, que é pastor.
Mas vamos falar de bíblia, Deus criou a monogamia. Como Deus criou o casamento, e Deus é o criador do casamento, é um relacionamento onde um homem e uma mulher têm um relacionamento exclusivo até a morte, apenas com a sua esposa, apenas com o seu marido.
Correto. O senhor-
A poligamia foi tolerada na lei mosaica, mas nunca deu certo. A bíblia faz questão de mostrar.
Fazer uma pergunta pro senhor.
Salomão foi polígamo, deu muito errado.
Ok, ok. O senhor disse, o senhor se diz ser conservador, né? O seu curso é pra casais, correto? Só que s-só que seus cursos são pra casais, só que, só que são pra duzen-duzentos reais, cê cobra, não é? Por que cê não coloca então, então de graça pra todo mundo, já que cê quer ajudar as pessoas? [aplausos] Que eu acho mais justo. Não, eu vi, eu, eu sigo você pra poder te estudar e eu vi que você não dá de graça o curso pras pessoas.
No seu link lá tá dando duzentos reais. Na minha plataforma que eu, eu libero dopamina pras pessoas é vinte e nove e noventa. Eu acho que tô ajudando mais que o senhor.
Não, é diferente. Olha só, vamo voltar pro tema. O tema é: a pornografia é responsável por sexualizar crianças.
Sim, correto.
Cê tá de acordo comigo?
Não, não tô con-- não, tô dando a sua afirmação que cê tá falando pra mim.
Deixa eu te dar um número aqui. Cê sabe qual é a média em que um menino hoje descobre a pornografia pela primeira vez?
Hum, me dá um soldado.
Nove anos de idade.
Caramba, e não é culpa dos pais, né, porque não sabe-
Talvez.
Às vezes os pais tá tão preocupado no púlpito e não tá preocupado em cuidar da criança, né?
Talvez seja. [aplausos]
Eu penso isso.
Talvez, mas não adianta você lacrar aqui, cê tem que entender a realidade.
Não, não tô lacrando, não tô lacrando o senhor. Sabe o que tá acontecendo? O senhor tá pegando uma pessoa que tem um defeito, um exemplo. Nem todo criador de conteúdo pode ser bom, mas também nem todo criador de conteúdo é ruim, nem todo policial é ruim, e nem todo policial é bom. O senhor tá generalizando todos os criadores daqui, inclusive mães que já são bem formadas, falando que todos nós somos uma pessoa que alimenta a pornografia e o estupro de criança.
Eu não tô falando que vocês são más pessoas. O que eu estou falando é que vocês, infelizmente, entraram numa indústria que está usando vocês pra destruir nações.
Não, a in-a indústria tá utilizando o nosso trabalho que tá sendo de bem feito igual um jogador de futebol. As indústria usa os fu-o jogador de futebol.
A indústria vai sugar suas forças, suas energias e depois vai te descartar.
Igual jogador de futebol, né?
Meu Deus do céu.
Igual jogador de futebol, quando dá quarenta anos, eles são aposentado porque não, não serve mais pro, pro jogo de futebol.
Talvez, mas o, o futebol não destrói o cérebro de pessoas nem casamento.
Não? Pelo amor de Deus, como não? [aplausos]
Olha só-
Então vou te dar outro exemplo mais fácil, então. O lutador de boxe, então, quando ele dá uma carreira de cin-cinquenta anos, cinquenta e cinco ano, ele não serve mais pra poder lutar boxe ou muay Thai ou diversas lutas. E aí, não destrói também o impacto dele também não, na luta?
Não.
Não?
Ele f-ele fez um trabalho ali completamente moral.
É moral?
Não destrói pessoas.
É moral? Não destrói? A agressão física de um contra não destrói?
Mas o tema, vamos nos ater ao tema.
É que o senhor tá fugindo também do tema, então eu tô fugindo junto com o senhor.
O tema é adultização, é sexualização de crianças.
Sim.
Se você fizer uma pesquisa com os millennials, com a geração Z, você vai ver que oitenta, noventa por cento descobriram a pornografia antes dos dez anos de idade, talvez com onze anos de idade.
E pra acessar a Netflix, quando tem algum filme, por exemplo, deram o exemplo de Um Maníaco do Parque, lá não tem restrição pra menores de doze anos.
O que cê tá querendo dizer?
Eu tô falando que-
A pornografia também-
Então, mas não, não é pornografia, tá falando sobre um-
Tem séries adultas.
Não, eu tô falando pro senhor o quê? Cês tão jogando a culpa num criador de conteúdo, onde a gente tem que ter, de ser de maior de idade, tem que ter cartão de crédito, pix, onde o Netflix, várias crianças, eu inclusive, com todo respeito, o filho do senhor também assiste Netflix, ou não?
O fato-- não assiste.
Não assiste? Pelo amor de Deus, cara.
O fato, o fato é que você hoje com a internet, não tem controle sobre o conteúdo que você coloca lá.
Então é melhor ir pra Coreia, pra ter uma ditadura.
Vou te dar um exemplo. Cê pode ter bitcoins hoje numa carteira de autocustódia com doze palavras de senha e a passphrase. Se essa carteira entrou na internet um dia, ela não é mais segura.
E o jogo Roblox, então, que as crianças tão fazendo sexo pelo jogo? Por que cê não fala do jogo?
Vamos proibir, é isso que cê tá propondo?
Ué, eu tô falando pro senhor, porque cê tá jogando a culpa a todos os inc-- os criadores, só que tem outros fatores que alimentam o estupro. A gente não alimenta o estuprador, a gente tá trabalhando de uma forma que a pessoa-
Eu posso te dar um, um testemunho meu?
Por favor, por favor.
E aqui, por favor, a gente tá numa conversa respeitosa.
Não, sim, sim, com todo respeito.
Uma experiência que eu tive. Meus pais sempre foram muito cuidadosos com relação à pornografia.
Correto.
Um único vacilo. Tinha nove anos de idade. Eu fui pra casa de, de uma pessoa que era da nossa mais alta confiança. Lá eu fui inserido na pornografia. Não era pra eu ter descoberto, mas eu achei-
Mas a culpa não foi nossa, foi de quem te inseriu.
Meu Deus do céu, mas se não tivesse sido produzido, portanto a criança não ia achar.
Não, se não existisse maconha. Olha aqui.
Isso é óbvio.
Se não existisse maconha, ó-
Eu não quero que exista.
Não, calma aí, calma aí. Se não existisse a maconha, não ia ter tratamento pra pessoas que têm problema de-
Eu não quero que exista.
Se não, se não existisse maconha.
Eu não quero que exista maconha.
Olha aqui, se não existisse maconha, não ia ter pessoas viciadas. Tá bom, mas não ia ter pessoas que faz tratamento da maconha.
Você tá, você não tá conversando aqui, Resende.
O problema não é existir. O problema é quem utiliza.
Você tá olhando nos olhos de uma pessoa que quando criança descobriu o conteúdo de um produtor de conteúdo como você.
E a culpa não foi do criador, a culpa foi de quem te mostrou.
Acabou o tempo.
[riso] Prazer, viu? Obrigado.
Um, dois, três e vai lá.
[som de microfones] Ai. Prazer, Rafa. Eu sou a Bi.
Oi, Bi. Satisfação conhecê-la.
Muito obrigada.
Cê discorda disso?
Eu discordo disso, porque quando você tira a responsabilidade dos pais...
Eu não tô tirando.
Mas então por que-
Eu tô dizendo que acontecem problemas, mesmo que os pais sejam extremamente responsáveis, como os meus foram, situações acontecem onde as crianças descobrem. Porque é o seguinte, o Resende comparou com maconha aqui, mas você concorda comigo, e seja sincera, por favor. Você concorda comigo que é muito mais fácil uma criança acessar um celular hoje do que acessar um lugar onde tem maconha?
Sim, mas eu não posso tirar a responsabilidade desse responsável.
Eu não tô tirando.
Meu nome é Gabriela, meu nome artístico é Bi Meggia. Eu tenho vinte e quatro anos. Eu sou empresária e produtora de conteúdo adulto e hoje eu tô aqui pra debater sobre a informação e sobre o respeito no conteúdo adulto.
O meu ponto é simplesmente o seguinte: por mais que os responsáveis sejam responsáveis, o acesso de crianças acontece eventualmente.
Eu não consigo considerar que os meus pais tenham sido irresponsáveis comigo em algum, em algum momento.
Você descobriu pornografia com quantos anos?
Pela televisão.
Com quantos anos?
Eu tinha menos de dez anos, com certeza.
Ou seja, você foi sexualizada por um conteúdo pornográfico, apesar de ter bons pais.
Mas eu já havia visto, eu já havia ouvido falar sobre sexo em outras questões-
Foi erotizada antes da hora.
Em outros lugares.
E talvez, por isso você trabalhe com isso hoje.
Me faltou informação.
É isso. Isso que eu tô te mostrando.
Mas eu não diria que isso é a causa do, do meu serviço.
Mas, mas-
Eu não diria que isso é a causa do meu trabalho.
Foi culpa dos seus pais?
Não, não foi culpa dos meus pais.
Você concorda comigo, então.
Foi culpa dum sistema que me permitiu estar exposta àquilo.
O nome desse sistema é indústria pornográfica.
O nome desse sistema é-
O nome desse sistema-
A televisão nacional permitir cenas de sexo desde, desde, desde o anos do, de antes dos anos 2000. Eu nasci em 2001.
A gente tá de acordo.
Até a bolha da criação de conteúdo-
Não deveria acontecer.
Adulto através dos influenciadores, ela é muito recente. Então eu acho assim, um equívoco você considerar até mesmo que pedófilos sejam pedófilos devido ao acesso à pornografia, sendo que a pedofilia, ela existe muito antes da pornografia acontecer dentro da internet e as crianças terem esse acesso.
A gente concorda, a gente concorda com tudo que cê tá falando. [aplausos] A gente, a gente veio de uma geração da Banheira do Gugu. Pornografia três horas da tarde passando na Rede Globo, em novelas. Isso acontecia.
E onde que a gente vai ter a informação sobre isso?
Mas é o, o ponto é esse, a família dá informação, mas a produção-
A minha família não me deu informação. A sua família te deu informação antes de você conseguir acessar uma cena pornográfica?
Meu pai já havia conversado comigo de forma corretíssima sobre sexo.
E da, da mesma forma não adiantou?
Não adiantou, porque aquilo me estimulou de uma forma que me destruiu. Pra você ter uma ideia, é, eu, eu passei-
O que te destruiu-
Eu passei por coisas terríveis por causa daquele, aquele evento-
Eu acredito que o que tenha te destruído foi a falta de informação, até mesmo dos seus pais de saberem o que te dizer.
Cê tá dizendo então que tá tudo bem uma criança bem-informada com nove anos ter acesso à pornografia?
Não, ao contrário, eu estou dizendo que essa criança precisa acessar a informação antes de ter acesso a esse tipo de conteúdo.
Meu Deus do céu, mas se ela, se você não parte do pressuposto que uma criança teve a informação.
Porque essa informação, ela deve vim dos adultos.
Tudo bem.
Desses mesmos que vão, é-
Esse não é o problema
Colocá-la elas como erradas a assistirem isso.
Esse não é o problema.
Então você colocar essa culpa dentro da pornografia, você tá falando com pessoas que não sabem quem são essas crianças.
Mas eu tô te falando que eu tive informação.
Eu como produtora de conteúdo, enquanto responsabilidade pública, eu preciso colocar os meus conteúdos dentro de plataformas que me possibilitem a isso.
Mas eu te mostrei-
Mas eu não posso ter o controle de uma criança acessar a partir da casa dela, porque o pai dela estava ocupado fazendo qualquer outro tipo de coisa.
Isso aqui é um argumento que vocês não conseguiram refutar. Um argumento que vocês não conseguiram refutar, é que aquilo que entra na internet foge do nosso controle. Cê pode colocar numa plataforma paga, que custa milhões de reais.
Mas a sua criança não devia sair do teu controle.
Você não tem mais controle sobre o que vão fazer com aquele conteúdo.
A sua criança, uma criança muito menos.
É isso que eu tô falando.
Se não for o pai que tem ali a informá-la, de onde que ela vai ter essa informação?
Mas esse é o ponto.
A primeira vez que eu vi um órgão sexual foi dentro da minha escola. Eu vi uma vagina grandona, e aí, assim, a única coisa que eu sabia ali e que a professora soube me informar foi que: "Aqui é onde passa o bebê, aqui é onde faz o xixi". Os alunos perguntaram: "E o todo o resto?"
O seu argumento não se sustenta, porque-
Ela me sustentou. Ela me respondeu: "Eu não sou obrigada".
Deixa eu falar uma coisa?
A partir dali, essas crianças saíram dali com curiosidade. Quando elas foram conversar com os pais, e até mesmo os pais cristãos, eles disseram que era pecado e não quiseram falar sobre isso.
Mas é isso que eu tô falando.
E essa criança se informou através da internet, porque era o único meio que ela tinha ali.
Posso falar, posso falar também?
Pode.
Olha só, o seu, o seu argumento não para de pé, porque uma criança bem-informada, que for erotizada com dez anos de idade-
Você não foi uma criança bem-informada, então você acessou?
Ela vai ser destruída. Esse é o meu ponto. Uma criança, por mais bem-informada que ela seja, se você mostra uma cena erótica, é, é, de sexo explícito com nove anos-
Mas isso é um crime.
Cê vai destruir a mulher, a, a criança.
Você mostrar isso a uma criança é um crime.
Esse que é o ponto, então o problema não é informação, cê tá se contradizendo.
O problema não é a informação?
Claro que não.
Como que o problema não é a informação?
Claro que não, porque uma criança, por mais bem-informada que ela seja, se ela é apresentada pra pornografia com nove anos de idade, isso vai destruí-la da mesma forma Sua filha tem quantos anos?
Minha filha tem dois.
E ela já vê pornografia?
Não, mas eu já vi que ela já viu e conversei com ela sobre.
Pois é. A gente não sabe como é que vai ser essa adulta, os reflexos que isso vai ter no casamento dela.
Quando você criminaliza e coloca isso dentro duma-- quando você criminaliza e coloca isso dentro duma bolha de é pecado, é condenado, a gente não fala sobre isso. E onde que essas crianças vão ter informação? Eu, pela minha curiosidade, em um segundo momento, depois dessa escola, eu fui acessar sim a pornografia. E ali dentro eu vi coisas de tudo quanto é tipo. Se eu tivesse tido um pouco mais de informação, dentro da minha visualização, eu saberia dizer se aquilo ali é errado ou não é errado.
Porém, eu não recebi essa informação e eu acredito que você também não.
Deixa eu te dar uma réplica do seu argumento. Eu concordo com você que uma criança bem informada e educada pelos pais da forma correta, ela vai ter mais barreiras, mais defesas pra não ser destruída pela pornografia. Mas de qualquer forma, criança bem informada como for, se com nove anos, oito anos, sete anos, ela é apresentada, incluída dentro da pornografia, ela vai ser destruída e vai sofrer por causa disso.
A partir do momento em que a gente tá colocando a posição de apresentar uma criança à pornografia, a gente tá falando de um crime.
É isso. Esse é o ponto. Você concorda comigo.
Sim, mas quando você coloca como crime, a gente não consegue conversar sobre isso.
E quem patrocinou esse crime? Não foi quem fez?
Não.
Como não?
Você vai negar qualquer coisa pra ela vender indiretamente?
Eu não vendo conteúdo de criança.
Mas você sabe que crianças acessam. A gente tá falando de celular, gente.
Mas eu não sou, eu não posso.
Eu não tô falando de crack.
Eu não sou o pai dessa criança, eu não sou a mãe dessa criança.
É muito fácil. É, você divulgaria Betty?
Não.
Por quê? Você acha imoral?
Não, porque eu já trabalho com conteúdo adulto. Aí eu concordo que já não é a coisa mais linda a ser vista. E eu decidi não trabalhar com Betty.
Porque você entende que é uma coisa errada.
Não, eu não considero, eu não considero errado.
Você venderia cocaína se fosse legal?
Você está querendo comparar a minha, a minha profissão com um crime. Isso eu já não permito.
O que eu tô dizendo é que a pessoa pra comprar cocaína, ela tem que ir num lugar muito perigoso, numa boca de fumo.
Mas quando você faz a comparação relacionada a uma dependência química, a gente tá falando de uma coisa totalmente diferente, de uma dependência comportamental.
Cê tá errada. Sabe por quê? A pornografia é uma de-dependência química.
Uma pessoa, quando ela acessa uma cocaína, ela tem o risco de ter uma overdose. O pior que pode acontecer com uma pessoa que tem o livre acesso à pornografia é ela, socialmente, em algum momento, se sentir prejudicada por isso.
Não é verdade. O casamento é destruído, a sociedade é destruída.
O casamento é destruído porque o homem-- o casamento é destruído porque homens não têm caráter. É essa a questão.
Não é verdade. Não é verdade.
O casamento é destruído pelo mesmo homem que tá assistindo pornografia e não soube dar informação pro seu filho de que aquilo é errado.
Então, mas esse que é o ponto. Você tá se contradizendo porque você diz que se a criança for bem educada e informada, tá tudo certo ela ter acesso à pornografia.
Quando ela tiver o acesso, ela vai saber que é errado sim ou não. Se ela não tem a informação, ela não sabe do que é que a gente tá falando.
Mas uma criança bem informada de nove anos, por mais informação que ela tenha, ela não vai conseguir se proteger dos danos.
Uma criança sem informação, ela não sabe identificar um abuso. Uma mulher sem informação, ela não sabe identificar um abuso.
Esse é o ponto.
Então quando a gente tira essa responsabilidade dos, dos responsáveis, realmente, dos adultos, a gente tá colocando numa indústria que não tá nem aí pra quem tá dentro de casa assistindo.
Mas esse que é o ponto. Nós estamos falando de pornografia e a pornografia está no celular. Na casa da criança tem cinco celulares, seis celulares. A coisa mais fácil do mundo é ela acessar esse conteúdo.
Só faltou o responsável ali. Só faltou o responsável ali presente. Muito obrigada.
Valeu.
Ai, socorro, onde é que eu assino?
Então, fazer uma pergunta pro senhor. Então um policial que tem uma arma dentro de casa, a criança vai ter acesso?
Pode ter se ele não for cuidadoso.
Ah, então mesma coisa referente ao celular.
Mas um, um policial que tem uma arma, ele vai ter um cofre, ele vai guardar a arma num local seguro.
Acredito eu que o seu filho não consegue se esconder se tiver mexendo no celular. Eu acho que a criança não tem que ter acesso ao celular.
Então...
Da mesma forma que eu acho também que uma criança de catorze anos, pela lei, ela não deve se casar, porque a lei ela permite que um homem de trinta anos se case.
E qual é a criança que hoje não tem acesso ao celular?
Ela não-- você é um pai, né? Cê não consegue colocar limite nos seus filhos?
Consigo.
Então.
Como meus pais colocaram limite, mesmo assim eu tive acesso.
Então, porque cê foi desobediente. Ponto, cê não consegue mudar a educação do seu filho?
Meu Deus do céu, a gente tá falando de uma criança de nove anos.
Mas se, se um erro foi com você, cê acha que cê vai cometer os mesmos erros do seu pai?
Meu Deus do céu, o que eu tô falando é de celular.
E eu tô te respondendo.
A criança vai eventualmente acessar celular.
Eu te garanto, eu te garanto que você acabou de falar pra mim, seu filho não tem acesso nenhum ao Netflix, por quê? Cê consegue controlar isso. É a mesma coisa o celular. Se você conseguir controlar seu filho, ele não vai ter acesso.
Mas o ponto é que eventualmente esse acesso vai acontecer.
Se você for desobediente... [risadas]
O celular hoje tá em todos os lugares.
Meu, uma criança, olha aqui...
Tá na escola. Ele pode não ter celular em casa, mas chega na escola e uma criança tem.
Uma criança não consegue comprar um iPhone 17 não. [risadas] Valeu.
Eu posso só concluir minha re-- linha de raciocínio aqui? Só o que eu queria dizer é o seguinte: por mais que pais hoje digam assim: "A gente nem vai ter celular em casa", nós estamos falando de uma coisa que tá em todos os lugares. Na escola, ela vai ter um amigo que tem.
Então quando eu tá na escola, quem está na minha casa?
Não, mas a culpa é de quem? A culpa é do sistema.
Meu Deus do céu, mas não deveria haver pornografia em celulares. Crianças têm acesso a celular. E você vai proibir no condomínio? Vai proibir no, no, no playground da, do condomínio? Meu Deus do céu. O segundo tema é: quem tem família boa não se torna criador de conteúdo adulto.
[conversas ao fundo]
Pra mim isso aí não é destruís-- não destrói, por quê? Porque minha família, por ser uma pessoa que ela consegue ver meu bem-estar, elas me apoiaram. Não concordaram, mas me apoiaram. E outra coisa que cê tava falando também, que a pornografia destrói a gente. Só que eu penso assim, o excesso de água, ele dá uma falência nos nossos rins. O excesso de exercício físico, ele dá um problema no nosso corpo muscular.
E o excesso de pornografia pode causar mal pra uma pessoa que não sabe se controlar. A pessoa que não consegue ter contato com o outro porque tá viciado em pornografia.
Quer dizer, Andy, só, você-- eu respeito sua opinião, só que ela tá errada.
Me dá o seu ponto, por quê?
Beber água demais pode fazer mal-
Sim.
Mas você não tem como comparar com o hiperestímulo de uma pornografia.
Ambos dá dopamina, ambos têm o mesmo, é o, é o efeito de dopamina. Vou te dar um outro exemplo, então. Açúcar.
Claro que não, tá errado.
Errado? Me dá um exemplo, então, de açúcar. Quem come muito açúcar pode ter diabete. E aí?
Açúcar pode viciar. Jogos de video game podem viciar. Mas a alteração da bioquímica do cérebro na pornografia se parece com a cocaína e com o crack.
Não.
Deixa eu falar uma coisa. O cérebro tem uma região chamada hipocampo, que é responsável pela criação de hábitos.
Uhum.
A alteração no hipocampo, na pornografia e, e na cocaína é muito parecida. Nosso cérebro tem uma região chamada córtex pré-frontal.
Sim, que é só formado quando a gente tem vinte e cinco anos, correto? Só que é meio-
A, a formação termina quando você tem vinte e cinco anos.
Só que é meio contraditório, porque se, se isso é, então é proibido, então por que umas crianças de catorze ano, pela lei, ela pode se casar, pode ter-
Ela já tem córtex pré-frontal.
Não, tá formando. Você acabou de falar que tá formando. Como que ela pode ter relação sexual e casar? Porque se uma, um cara de trinta anos se relacionar com a minha filha que tem catorze anos, se eu bater nesse cara, eu tô sendo errado, eu posso cumprir a lei.
Mas o que cê tá defendendo? Não tô entendendo.
Tô defendendo a integridade da minha filha, porque ser uma criança de catorze anos-
Mas qual é seu argumento? Não entendi seu argumento.
Cê acabou de falar que a criança tá formando o seu córtex pré-frontal ainda.
Meu argumento era que o córtex pré-frontal, pré-frontal na dicção em pornografia, ele tem uma hipofunção, uma baixa de funcionamento de uma forma extremamente parecida com o vício em cocaína.
Hum.
Nós temos uma amígdala no cérebro que é responsável pela reação a gatilhos eróticos, por exemplo.
Sim.
A hiperreatividade na pornografia é muito parecida com o vício em cocaína. E aí eu chego no meu ponto. A principal-
E, e como que a criança tem ainda esse acesso, sendo que a nossa plataforma que a gente trabalha não tem acesso à criança, porque ela precisa ter o CPF. Não, mas cê acabou de falar que a criança tem acesso a isso, porque tá formando ainda. Uma criança não tem acesso à nossa plataforma. Quem tem acesso à nossa plataforma é adultos.
Mas é isso. E-esse tema vai chegar, mas ainda não chegou. O que eu queria te dizer é que na pornografia, num viciado em pornografia, a alteração do sistema mesolímbico dopaminérgico, que é o sistema de dopamina e recompensa-
Sim.
Ele se altera de uma forma extremamente parecida com o vício em crack, com o vício em cocaína.
Liberação de dopamina.
Mas não compare com o vício em água.
Mas a gente não pode ter um prazer, então. Você comer um doce...
[aplausos] [gritos]
Tô viva. Agora eu fui, caralho. Prazer, me chamo Alexandra.
Só pra gente recapitular o tema e a gente não se perder.
Então, eu queria-
Quem vem de uma família forte, não se torna produtora de conteúdo adulto.
Não, mas eu queria saber o seu ponto. Por que que você tá comparando tanto a pornografia com a droga? Qual é dif-- por que isso?
Eu já expliquei meu caso.
A pornografia faz mal a alguém agora? Não sabia.
Eu já-
Se masturbar faz mal? Não sabia, não.
Mas faz mal.
Por quê?
O meu ponto-
Gozar faz mal? Eu, eu gosto muito de gozar.
Eu tô te mostrando que faz.
Não faz mal.
O autoerotismo faz mal. Um homem que se vicia em autoerotismo, a pressão da mão nunca vai se comparar com a pressão do pênis.
Acabou, ele compra um brinquedo, compra uma buceta.
Não, e o casamento dele?
Que casamento, se for solteiro?
Mas eu tô falando de um casado.
Se for ca-
O vício em pornografia destrói o cérebro. Vamo voltar pro tema? O tema é família.
Mas aí é porque não tem...
O meu ponto é: quem veio de uma família forte não se transforma, não se torna criadora de conteúdo adulto. Qual é seu ponto? Cê veio de uma família forte?
Não, mas-
Seu pai tá presente?
Mas tem gente que por mais que não venha de uma família forte, é viciado-
Você teve relacionamento bom com seu pai?
Eu não tive pai, isso não tem nada a ver com a minha vida.
Pois é, porque-
Porque eu sou uma pessoa muito feliz.
Mas o que eu tô falando pra vocês-
Corro atrás das minhas coisas.
O que eu queria dizer pra você e pra todas as outras e outros, é que é impossível, é impossível uma pessoa ter um pai presente, bom e bem-sucedido-
Mas não tem nada a ver, tem gente que tem ba-- pai presente e é um viciado. E aí, o que que cê tem a dizer sobre isso?
Tudo bem, mas aí são outras, outros tóxicos.
Mas a pornografia não faz mal a ninguém. O corpo é da mulher.
Obrigado.
[aplausos]
Tudo bem.
Tudo bem, meu nome é Maria.
Oi, Maria, prazer em conhecer.
É, eu tenho vinte e oito anos, eu sou mãe de dois filhos, sou casada, eu não tenho meu pai, é, mas eu fui criada pela minha avó, pelo meu avô, com muita dignidade. Eles me deram tudo do meu, do bom e do melhor pra mim. Meu nome é Maria, é, eu tenho vinte e oito anos, eu sou empresária e criadora de conteúdo. Tô aqui hoje pra falar que as criadoras de conteúdo adulto, elas conseguem ter uma liberdade financeira.
Isso não é um bicho de sete cabeças igual todo mundo acha que é. E graças ao conteúdo adulto, eu consegui tirar a minha mãe da prostituição, porque ela me abandonou. E eu consegui tirar ela da prostituição, do mundo das drogas. Ela tá morando comigo agora. Eu consigo dar o bo-- o, o melhor pra minha fa- pra minha, pra minha família, meus filhos.
O que que seu marido acha do que você faz?
Ele faz junto comigo.
Que é isso?
É. [aplausos]
Como assim?
É.
Ma-Maria, olha só, não tem como ser normal-
Por que não é normal?
Um casal expor a sua intimidade publicamente e usar isso como moeda, como, como um objeto a ser comercializado.
Não, mas a gente adora fazer isso. A gente ganha dinheiro, a gente dá o melhor pros nossos filhos.
Hoje.
E a gente ensina-
Mas daqui a vinte anos, vocês tão se destruindo. Quando a sua psique assentar isso na sua alma-
A gente não tá-
Você vai ter uma empolcha profunda.
Daqui a vinte anos a gente vai tá, sei lá, em Ibiza, sabe, aposentado, bebendo nosso... Os nossos filhos vão tá bem estudados, bem estruturados
Maria, nem tudo na vida é dinheiro.
Não, tudo na vida é dinheiro, sem dinheiro você não consegue nada. Se você não tivesse dinheiro-
Dinheiro não é tudo na vida.
Se você não tivesse dinheiro-
É melhor você ter uma vida simples, humilde, com dignidade e honra do que ter luxo.
Não. Sabe por que não? Sabe por que não? Sabe por que não? Porque quando eu não tinha dinheiro, e eu ti-- eu tenho uma filha de treze anos. Quando eu não tinha dinheiro, eu tinha que sofrer. A minha saúde mental tava destruída, eu trabalhava de CLT. Aí eu chegava em casa, eu não tinha dinheiro pra comprar uma pomada pra minha filha, porque a bunda dela tava toda assada.
Eu não tinha dinheiro pra comprar uma fralda boa pra minha filha.
Eu acho horrível que você tenha vindo dessa realidade, mas não é por isso que você vai trabalhar com uma coisa imoral.
E hoje, e hoje, e hoje, e hoje eu consigo dar o melhor pros meus filhos. A minha filha que antes eu não conseguia dar nada.
Você consegue dar o melhor pros seus filhos? Você tem quantos filhos, cê falou? Perdão.
Dois.
Dois? Eles são homem, mulher?
É um menino e uma menina.
Quantos anos ele tem?
Ele tem um ano.
Um ano. O que que você acha que vai acontecer com seu filho quando ele tiver na quarta série, na quinta série?
Ele nem vai tá aqui, ele vai tá, sei lá, a gente vai tá nos Estados Unidos.
Não, me deixa falar. Quando, quando ele chegar na quinta série e os coleguinhas dele tiverem acesso ao conteúdo da mãe.
Não, pera aí. Calma. Os coleguinhas dele vai ter quantos anos? Quatro, cinco, dez anos?
Você acha que não tem criança que tem acesso à pornografia?
Não tem que ter, sabe por quê?
Deixa eu te dar um dado.
O meu conteúdo é vendido dentro de uma plataforma que pra você entrar dentro dessa plataforma, você tem que provar que tem dezoito anos.
Como todo, quando, quando sai pornô você tem que provar que é conteúdo adulto.
Não, no X vídeos. Você pode entrar no X vídeos e ver conteúdo adulto.
Mas você tem que marcar que é de maior.
Mas foda-se, na privacy você precisa de provar que tem dezoito anos.
Tudo bem, e quem vazou seu vídeo e já tá no Telegram?
Não tem vídeo vazado.
Quem disse?
Não tem quinhentos reais um vídeo, ninguém tem coragem de vazar um vídeo.
Você não sabe. Você não sabe.
Eu sei.
O ponto é que você tá me dizendo, a outra pessoa que sentou aqui, que eu esqueci o, que eu esqueci o nome, também tiveram problema com a figura paterna. Deixa eu te falar uma coisa, Maria, com todo-
Eu não tenho problema nenhum com a figura paterna.
Você, você não teve um pai presente.
O meu avô me deu tudo que o meu pai não deu. O meu avô-
Seu pai e seu avô têm orgulho do que você faz?
Ele nem tá aqui mais pra fazer isso, mas-
Cê acha que ele falaria o quê?
Ele não ia falar nada, ele ia amar, porque eu ia tá, ó, deixando o velho lá em cima.
Você sabe muito bem disso. Você sabe muito bem disso. Se ele for uma pessoa com a formação adequada, ele não iria sentir orgulho de uma neta que trabalha com isso.
Ah, ele ia sim, ele tem certeza que ele deve tá...
Obrigado.
Obrigada.
Ó.
Opa.
Eu só vou falar um negócio pra você.
Uhum.
Você tá culpabilizando as famí-- as meninas e não as famílias. Se você gastasse teu tempo discutindo contra trinta pais ausentes, aí talvez fosse- [aplausos]
Não, mas é isso.
Não, eu tenho. Não, rapidinho.
O meu ponto, antes, só, só antes de você falar, o meu ponto não é culpabilizar vocês. Eu não estou aqui pra dizer que vocês são culpadas de alguma coisa. O que eu quero aqui é ajudar vocês, e eu tô mostrando pra vocês que uma família estruturada não cria uma pessoa-
Você tá aqui fazendo o seguinte. Você não vai me ajudar. Você não tem a história, você não tem o background. Você também tem que abrir pra ouvir o nosso ponto sem números, nem estatísticas.
Vou começar então o tempo aqui. Como é seu nome?
Tudo bem? Sou Oli.
Oli.
É, e-
Deixa eu começar o tempo aqui, Oli.
Eu discordo completamente de que pessoas que não tiveram uma família funcional, como você coloca que é a funcionalidade correta, é, produzem conteúdo adulto e estragam a vida delas. Isso é, é uma falácia, porque eu venho de uma família muito bem estruturada, com pai, com mãe, com avós. Os meus avós têm graduação. [aplausos]
O que que seus avós acham do seu trabalho?
Os meus avós, eles acham que-
Sinceramente.
Eu devo ser feliz fazendo o que eu decida fazer de forma íntegra comigo.
Mas eles, eles sentem orgulho? Eles sentem orgulho do que você faz?
Com certeza absoluta eles sentem orgulho de mim, porque eu faço o que eu faço dentro da minha casa, com as minhas regras.
E seus pais, o que que eles acham?
Também. Eles me apoiam em tudo que eu faço. Absolutamente tudo. Sabe por quê? Porque a base é a educação. A base é você falar pro seu filho, pra uma criança que tá em desenvolvimento, os prós e os contras de cada coisa. E ele, como indivíduo, decida fazer ou não. Então não é um moralismo- [aplausos]
Ele pode decidir o que ele quiser, desde que não seja uma coisa que faz mal pra ele e pra outras pessoas.
Mas faz mal pra ele em que sentido?
O trabalho que você faz é um trabalho autodestruidor.
Pra quem? Pra você ou pra mim que tô fazendo?
Pra você que está fazendo.
Mas baseado em quê, amado?
O que eu estou te mostrando aqui, mostrando pras pessoas que sentaram aqui antes, são números. Oitenta por cento das pessoas que trabalham com isso terminam a carreira com transtorno de estresse pós-traumático. Sessenta por cento das criadora, das criadoras de conteúdo já tentaram tirar a própria vida.
Parafraseando a nossa amiga que já falou sobre isso. Parafraseando a nossa amiga que já falou disso, estatísticas mudam. Mas isso não é, não é relevante em relação à criação de conteúdo.
Meu Deus do céu, os seus números macro não são relevantes, o que é?
Legal, legal. Por que que então não é mais vantajoso-
Você não vai refutar.
Por que que não é mais vantajoso então você educar a população de que ela pode procurar ajuda especializada, ao invés de culpabilizar uma pessoa que produz conteúdo adulto pela família disfuncional que ela teve ou não teve?
Mas não tem nada a ver com isso. Eu estou te mostrando que a pornografia destrói você não apenas pelo estigma social, mas pelo que ela produz na sua alma e de quem consome.
Alma? Você tá partindo de um princípio religioso e lúdico.
Não é lúdico.
Eu não acredito em alma. Eu não acredito em alma, eu sou cem por cento ateu. Então assim, a sua, a sua devolutiva-
Você acredita em psiquê? Você acredita em mente? Você acredita em depressão?
Eu acredito nisso, isso é um sim.
Você acredita em transtorno psíquico?
Sim.
Você acredita em transtorno de ansiedade generalizada?
Sim.
Eu estou te mostrando números. O seu caso é um caso isolado.
Tudo bem.
Se nós formos falar da realidade macro, sessenta por cento das criadoras de conteúdo tentaram se matar alguma vez na vida.
Olha que loucura. Então vamo educar essa galera que elas precisam procurar ajuda.
Não adianta educar. O que está matando ela é o trabalho.
E não falar pra essa galera que o problema delas vem de uma família disfuncional, porque isso não é uma verdade.
O que está matando ela é o trabalho que ela executa. Produzir conteúdo, tornar o seu corpo um objeto a ser comercializado destrói a sua mente.
Tudo bem, então passar dezesseis horas num plantão como enfermeira de pé não prejudica a psiquê da pessoa.
Também é ruim. Mas se você trabalhar durante dezesseis horas com algo que te-- tem um propósito, que tem uma missão na vida-
Qual é o propósito? O propósito do tra-do trabalho, segundo a, a comunidade capitalista que a gente vive, é ganhar dinheiro.
Não é.
É ganhar dinheiro. [aplausos]
O trabalho pressupõe dignidade.
Dignidade. Então o meu trabalho é menos digno de uma pessoa-
O trabalho, o trabalho precisa de uma recompensa financeira, mas o trabalho pressupõe dignidade. Se você trabalha-
Eu acho que todo mundo aqui entende um pouco de marketing e aplica isso na sua vida, não aplica? Isso é estudo
Eu sei disso, eu não duvido que você tenha habilidade pra exercer o que você exercita.
Então não tem a ver.
O meu ponto não é esse. O ponto é que você entrou numa indústria que vai te destruir. Se você tem uma família forte, estruturada-
Isso é ético. Pra começar, isso é ético
...que sabe o, o mínimo sobre a realidade, ela não vai se alegrar com você estando dentro dessa indústria.
Mas quem?
Essa indústria vai usar todos vocês aqui, vai descartar vocês por isso.
Como a medicina usa, como uma pessoa pro-- que trabalha com estética usa.
Claro que não, o médico tem aposentadoria, cê vai ter aposentadoria?
Mas ama-- mas cê já ouviu falar em a-- em, em investimentos particulares?
Meu Deus do céu, eu tô falando que a indústria vai falar com você.
A gente vive também numa sociedade que, hmm, a maioria de nós aqui, contribuintes ou não contribuintes, não vão se aposentar. Então isso também não é um ponto.
Tudo bem, mas o que eu estou falando é do que-
Pausa, pausa, por favor. Obrigado.
Obrigado.
Gente, puxa o microfone pra cá. Moça, desculpa, deixa eu puxar. Menina, te bater sua capa. Deixa eu ver a capa. Vai, Maria. [risos] Upa, tá. Gostosa. Desculpa, gostosa.
Tudo bem?
Tudo bem, prazer, Maria.
Ô Maria, deixa eu iniciar o tempo aqui. Maria, por que que você discorda da minha afirmação?
Porque eu tenho família presente, meus pais sempre foram presentes na minha vida. Faço trabalho sensual, tudo.
O que que seu pai acha do que cê faz?
Meu pai me apoia, meu, meus pais sempre me apoiaram. Eles sempre me deram a liberdade de ser quem eu sou.
Se seu pai apoia a filha dele usar o corpo como um objeto e comercializar a sua nudez e a sua intimidade, me perdoe, ele não é um bom pai.
Ah, não. Não é um bom pai, não. O meu pai, ele me dá a liberdade de ser quem eu sou.
Te-- a-- seu pai te dá a liberdade de se destruir.
Não, meu pai ele me-
O seu pai te dá a liberdade de entrar numa indústria que vai destruir você e destruir outras pessoas.
Não, meu pai, ele me dá liberdade-
Perdão, ele falhou como pai.
Ser uma mulher-- ah, nossa, cê não pode falar do meu pai mesmo. O meu pai, ele é casado com a minha mãe há quarenta anos, ele tem dois filhos, ele sempre trabalhou, sempre com a minha mãe e com meu pai. Ele sempre prezou pela família.
Não acredito em você.
Ele me deu uma educação que ele falou assim: "Você pode estar pelada ou com uma roupa."
Isso não é educação.
O seu caráter-
Isso não é educação.
O seu caráter vem de dentro da sua casa. Você pode tá coberto dos pés à cabeça. Se você entrar numa igreja e fazer mal pro próximo, não, não difere, tá dentro de você. Não importa a hipocri-- é, exatamente, a hipocrisia.
Maria, você concorda-
Meu pai me ensinou o certo, o certo a se fazer.
Deixa eu te perguntar uma coisa.
Uhum.
Cê concorda com a mulher na sociedade ser tratada como um objeto?
Mas eu não sou um objeto.
Você concorda com a mulher na sociedade ser tratada como uma coisa a ser comercializada?
Mas eu não sou uma coisa a ser comercializada.
Você está ajudando esse processo quando você vende a sua nudez.
Não, eu não sou vendida minha nudez.
Não deveria ser-- deixa eu falar uma coisa pra todas vocês aqui. Não deveria ser necessário um homem vir aqui e dizer pra você que a intimidade não deveria ser vendida.
Mas quem é o homem? Por que que o homem tem que falar?
A mulher não pode ser objetificada.
Mas eu, eu não posso fazer-
Cê jamais deveria colocar a sua nudez na internet e dizer: "Custa tanto".
Mas isso não pode ser-
Você não tem preço, você deveria ter valor.
Eu tenho outros trabalhos. Eu sou tatuadora, eu sou cabeleireira, eu tenho uma loja de roupas, tá bom? Eu faço trabalho artístico, porque pra mim a sensualidade é uma arte. Eu sou-- gosto da arte de fotos, tá bom? Não faço coisas pornôs. É, gosto da sensualidade, isso pra mim é um trabalho artístico. Foto, você não admira? Qualquer outro trabalho?
É diferente.
O meu corpo-
É diferente, a sua nudez não é como a foto de um gato ou de uma árvore.
O que eu faço com o meu corpo é problema meu.
Com certeza.
É o, o que eu quero fazer com o meu corpo é problema meu.
Eu sei que é problema seu. Eu tô aqui porque eu tô tentando te ajudar.
Sim, é problema meu.
E te mostrar que cê vai se destruir.
Mas eu-- isso não tá me destruindo. Eu sou livre. Isso não tá me, me ferindo.
Maria, hoje você acha isso.
Por que que me fere?
A sua alma é primitiva, daqui a vinte anos ela vai dizer: "O que foi que eu fiz? Eu vendi a minha intimidade, eu vendi a minha nudez como se fosse um pedaço de carne no açougue".
Você não, não, não, não, assim... Eu não tô nem um pouco arrependida, eu sou livre.
Hoje.
Porque as pessoas que estão ao meu redor me respeitam. Eu respeito o próximo. Não tem nada a ver.
O tema não, o tema não é esse.
Não tem nada a ver.
O tema é que se seu pai não te deu uma educação pra você não trabalhar com isso-
Eu acho que tá mais o problema da-- meu pai me deu muita educação
...ele falhou como pai.
Como que ele falou-- falhou como pai?
Ele não está cuidando de você.
Ser livre-
Eu jamais-- perdão da-
Obrigado. Não, ele tá falando do meu pai. Obrigado.
Obrigado, Maria. Terceiro tema é: a pornografia é uma porta de entrada pra crimes sexuais.
Oi, eu sou a Tyfani Rocha, sou ex-aeromoça e criadora de conteúdo adulto.
Tudo bem, Tyfani?
Tudo bem, prazer.
Deixa eu começar a contagem aqui.
Tá bom, perfeito.
Por que que você discorda da minha afirmação?
Porque eu acho que tem-- eu posso te dar dois exemplos. No Líbano, lá é liberada a pornografia e lá continua sendo o país que tem o menor índice de abuso sexual. Oi, eu sou a Tyfani Rocha, eu tenho vinte cinco anos, sou ex-comissária e agora criadora de conteúdo adulto. Eu estou aqui pra defender que colocar a culpa, tudo que acontece no mundo na pornografia, é você ignorar vários outros fatores.
E aqui a gente vai provar isso. E é liberado.
Como assim é liberada a pornografia?
Você pode assistir, libertamente.
Aqui também.
Então, se fosse a pornografia que causasse o abuso sexual, lá não teria o índice pequeno.
Mas aqui também é acessível pra todo mundo, inclusive pra crianças.
Exatamente. O que que eu tô falando contigo? Não é a pornografia que tá indo levar o abuso sexual. Não é, porque se fosse a pornografia, lá iria ter.
Tyfani, deixa eu te falar uma coisa. Cê já ouviu falar do efeito Coolidge?
Não, pode falar.
O efeito Coolidge é um fenômeno que acontece no nosso comportamento, os etologistas descobriram. Quando você tem acesso a estímulos sexuais, você sempre vai buscar estímulos sexuais mais pesados. Você vê isso no viciado em pornografia. O cara começa assistindo sexo entre homem e mulher, depois u-uma mulher com três homens, cinco homens, o marido vendo a esposa traindo ele, depois sexo com cachorro, depois as coisas mais abjetas possíveis.
Então, o, o meu ponto aqui pra você, e eu queria ver como você destrói esse argumento, é que Por exemplo, todo pedófilo, todo pedófilo, cem por cento dos pedófilos hoje, antes da pedofilia, foram consumidores de pornografia. Todos os estupradores hoje, antes de se tornarem estupradores, foram consumidores daquilo que você produz
Ah, então você acha, você falar que adultização no conteúdo é um crime, ok. Você tá confundindo pornografia com pedofilia. O que a gente faz aqui é conteúdo, é pornografia, não é pedofilia
O que eu tô te dizendo é que assim como ninguém começa nas drogas com crack, geralmente entra pela maconha, depois vai evoluindo por causa do efeito Coolidge, a pornografia serve como uma maconha, que depois vai levar a drogas mais pesadas, que são os crimes sexuais
Não, porque a, a pessoa assistir um pornô, não é, ela vai olhar pra uma criança e ver sexualidade naquela criança
Tiffany, pode anotar o que eu tô falando, esse vídeo vai ficar gravado. Daqui a vinte anos, caras que consomem o seu conteúdo hoje, vão ser presos por pedofilia, por estupro [risos]
Então vamo partir, vamo partir pelo princípio. Tá, eu tirei o exemplo do Líbano. No Líbano, tem...
A pedofilia é uma patologia
Pode falar, Tiffany, por favor
Eu te dei o exemplo do Líbano. No Líbano, tem prisão perpétua. Por que que hoje em dia você pode falar que a pornografia pode tá levando a isso? Tá, cê pode se-- querer proibir a pornografia no Brasil, mas por que que um, um cara que vai lá e estupra, ele não tem uma penalidade adequada? Por que que não tem uma castração, por que que não tem-
Mas o que tem a ver com o tema isso?
Tá, porque se a pessoa, o, a pornografia, você tá falando que ela vai levar a pessoa a ser um possível pedófilo
Porque ela vai buscar estímulos maiores e muitas vezes depravados
E por que que quando chi-- tipo assim, se a pessoa foi lá e fez um estupro, cometeu uma pedofilia, por que que ela não tem u-uma penalidade adequada pelo que ela fez? Porque aqui no Brasil é uma terra sem lei
Concordo
Entendeu? É totalmente uma terra sem lei
Concordo
Por que que o meu produto, eu estar vendendo o meu corpo e não estou vendendo pra pessoas que têm menos de dezoito anos, tô vendendo pra maior de idade, então eu não posso ser responsável pelo que a pessoa tá fazendo
Mas é a mesma coisa que um traficante diz quando vende coca-cocaina ou crack
Ok, e você acha, ó, cigarro, vamos colocar um cigarro. Você acha que a pessoa vai deixar de fumar cigarro por causa daquela fotinha que tem na embalagem? [risos]
Não vai. Concordo com você
Mas existe também
Então vamos partir do início
É isso, onde é que você quer chegar?
Eu quero chegar que a pornografia não vai-
Da mesma forma que o cara descobre o cigarro-
Eu fazer o meu conteúdo não vai fazer com que a pessoa se torne um pedófilo
E daqui a cinco, sete anos está na cocaína atrás de estímulos mais pesados-
Você está praticamente me-
A pessoa começa na pornografia e pode se tornar um criminoso depois
Você está me falando então que a maioria vai ser um pedófilo, por quê? Porque hoje em dia os, um dos sites mais acessados do mundo é o site de pornografia. Isso faz com que todo mundo que esteja aqui nesse Brasil seja um pedófilo? Não faz
Não faz, mas faz com que o país inteiro esteja destruído. O que eu vim aqui hoje fazer-
Mas o país, o país-
Olha só, deixa eu te falar só, só um segundo. O que eu vim aqui hoje fazer, me expondo, eu sou casado, eu tenho três filhos, eu tenho uma carreira bem-sucedida, eu não precisava tá aqui diante de trinta pessoas que discordam de mim
Sim, concordo
O que eu vim aqui pra bater esse papo com vocês é pra gente tentar salvar uma nação. A pornografia é a droga que mais destrói o Brasil e as nações da Terra hoje. É uma indústria que empurra pessoas pra o crime sexual. Eu te garanto isso
Não vai, porque se você hoje tirar a pornografia do mundo todo, não vai parar de acontecer abuso sexual no outro dia.
Diminui, diminui sim [aplausos]
Não vai, porque se fosse assim, porque se fosse assim, países que têm a pornografia proibida não teria índice nenhum de estupro
Mas me fale um que não seja menor-
Posso te falar, Egito
No Egito, como é que é lá pedofilia e estupro? Cê sabe os números?
Egito, o índice, o índice é muito mais alto do que o índice do Líbano e da Grécia, que tem a pornografia aberta
Tá carteando. O Brasil, o Brasil tem muito mais estupro do que o Egito
Exatamente. Deixa eu te falar uma coisa. O Brasil tem mais estupro porque-
Porque a pornografia é sensível
Não, não é por isso, porque a gente não tem lei, porque uma pessoa estupra, ele vira um, um famosinho igual na série Tremembé. Porque ele vira o maníaco do parque, o que que ele faz? Vira um famoso. É por isso, é porque no nosso país não tem lei [aplausos]
E todos eles começaram na pornografia
Não começou na pornografia, você-
Todos eles descobriram a depravação sexual na pornografia
Rafael, você-
Você acha correto u-uma pessoa fazer sexo com, com um defunto, por exemplo? [risos]
Você tá falando de um crime-
Cê acha errado ou não?
Você, Rafael, você está comparando o meu trabalho com crime
Eu não tô comparando com isso.
Escuta
O que eu estou falando é que o efeito Coolidge demonstra que a pessoa quer estímulos cada vez mais bizarros. É esse o meu ponto [risos]
Deixa eu te falar uma coisa. Você falar comigo que u-uma pessoa que gosta de, ó, se você falar coisa de pedofilia, necrofilia, zoofilia, ok, eu concordo com você que é um crime. Se você quer que as pessoas não tenha acesso a esse tipo de conteúdo, a gente aqui, cê pode ter certeza que a gente não vai postar, por quê?
Você não tem controle
Porque a gente está de-- escuta, que é um debate
Obrigado, Tiffany
De nada
Muito bom, obrigado [aplausos]
Um, dois, três e já [risos]
Oi, tudo bem? Eu sou a Psy Lunar
Psy Lunar
Isso, sou a Psy Lunar
Prazer conhecê-la. Que que cê discorda de mim?
Eu discordo. Qual é o tema mesmo, gente? Foram...
É uma porta de entrada pra crimes sexuais
Eu acredito que não, porque existem também estatísticas em locais que realmente, eu não vou ter dados, mas eu dei uma pesquisada pra es-- porque eu sabia que ia ter esse assunto. E tem locais que quanto mais você tem uma liberdade, você tem local pra explorá-la. Quando uma pessoa cresce reprimida, é pior ainda. Você pode ver pelo Brasil, muitas pessoas cresceram em lares cristãos, criança que sofre abuso e não tem espaço pra entender sobre isso, e a maioria vem de famílias tradicionais
Deixa eu te falar uma coisa. Você já viu, dentro do, da indústria pornográfica, aqueles filmes em que eles colocam atrizes que parecem adolescentes se sexualizando com adultos? Você já viu isso?
Claro, a adultização é um problema, isso é um problema muito grande
Você tem alguma dúvida de que isso é um gatilho pra o cara se tornar um pedófilo depois? O pessoal que consome um vídeo imaginando que aquela mulher tem catorze anos, doze anos, você concorda comigo que ele já entrou na pedofilia de alguma forma?
Então, a adultização Viés que colabora pra uma pessoa infantilizar pra uma massa muito grande, realmente é necessário ter controle desse tipo de coisa.
O meu ponto é que ele entrou nisso e depois ele vai querer concretizar isso com a pedofilia consumada.
Não, geralmente a pessoa-
É uma porta de entrada.
Ela tem a imaginação, a mente do ser humano tem muita imaginação. Se você dá vazão pros seus desejos sendo uma pessoa adulta-
Concordo
...dentro de um, de um consentimento entre adultos, é outra história. Mas eu não concordo com a adultização e é um problema, sim. Entre as criadoras, a gente conversa sobre isso.
Todos os pedófilos-
Que isso é um problema social em todos os lugares, na igreja, no conteúdo adulto.
100% começaram com pornografia e depois se tornaram criminosos sexuais.
Por que que tem tanto pastor, então, que é criminoso sexual? [aplausos]
Tem sim. Tem. Tem, e precisa ser condenado e preso.
Eu não vejo isso em famílias alternativas que as pessoas têm local pra se expressar.
Mas tem, tem também. Tem também.
Não, é bem difícil. Me dá aí uma estatística.
É porque a maioria da população cristã também-
Você tem o número duma população maior de vício, essas coisas, você tem algum dado de alguém que consome conteúdo? Porque geralmente quando você tem uma imaginação, é a mesma coisa que você tá falando de alguém que joga videogame e vai sair matando.
Mas o que que tem a ver com o tema? Meu tema é que a pessoa começa com pornografia e depois escala pra crimes sexuais.
O tema é uma comparação de coisas que você consome.
Comportamentos que são tipificados em lei, entendeu? Ele busca estímulos mais perversos e depravados, e ele sai de uma coisa que não é ilegal pra uma coisa que é um crime tipificado. Isso é um fato. Todos os criminosos sexuais descobriram a depravação sexual e entraram nesse mundo através da pornografia.
Pra mim, a única forma de você ser um criminoso sexual é você sofrer abuso sexual.
Como assim?
É, porque você começa sendo, sofrendo abuso e você pode ser um po-- um agressor em potencial pelo abuso que você sofreu. Agora, assistir pornografia levar alguém a estuprar, a ser pedófilo, é muito complexo.
A porta de entrada é essa. Vou te dar outro número também. Olha só o que eu vou te dizer. A pornografia hoje, a indústria pornográfica, que movimenta trilhões de dólares por ano.
O sexo movimenta, né?
A indústria pornográfica é a maior patrocinadora do pior de todos os crimes sexuais, que é o tráfico sexual. Cê já ouviu falar do Michael Pratt? Ele é o dono da Girls Do Porn. Ele foi condenado esse ano, em 2025, a vinte e sete anos de cadeia, porque o site dele, a empresa dele, estava envolvida com centenas de casos de tráfico sexual, filmando os abusos acontecendo.
E realmente tem que ser interrompido, tem que ter um órgão controlando tudo isso, porque é local pra adultos.
E colocando esse conteúdo nos principais sites pornográficos.
É pra adulto.
A MindGeek, dona do Pornhub, teve que fazer uma, uma, uma, um acordo com a Promotoria Federal dos Estados Unidos pra não ter os, o site derrubado, porque esse conteúdo de tráfico sexual tava lá dentro. Pra você ter uma ideia-
E por que que os pastores e a bancada cristã tão aqui?
Meu Deus, que que tem a ver com o tema?
O que eu tô falando é que essas pessoas acabaram de levantar uma PEC, uma PL.
Eu sou pastor, eu tô aqui lutando contra isso.
E a PL, e cadê?
Eu vim aqui pra te dizer que você faz parte de uma indústria, você entrou numa indústria.
Você também faz parte de uma indústria espanta, infelizmente.
Deixa eu te falar, você, você entrou numa indústria, eu estou te provando isso com fatos e, e notícias. Saiu no Washington Post, saiu no The Guardian. Michael Pratt, pesquise lá depois, vinte e sete anos de cadeia. Os vídeos desse cara estavam no Pornhub, estavam em diversos sites brasileiros.
Então já sei, a educação sexual no país precisa ser melhor.
Pausa o tempo, por favor.
Obrigado.
Obrigada.
Tinha essa aqui que tá com o braço levantado, mas... Vamo lá? Um, dois, três e vai.
Oi, Rafa. Tudo bem? Eu sou Gemima.
Gemima?
Isso.
Prazer conhecer.
Sabe a origem do meu nome?
Não.
É bíblica.
É bíblica?
Uhum. Uma das filhas de Jó. Bom, eu não concordo com você, primeiro porque os pedófilos, na sua grande maioria, eles foram abusados. Não sei se você sabe disso.
Concordo.
E eu acho que, na verdade, antes-
Assim como as produtoras de conteúdo, sabia disso? Existe-- [risos] Não, isso aqui não é opinião minha.
Meu nome é Gemima Medeiros, tenho quarenta e cinco anos, sou terapeuta corporal e estou aqui hoje pra defender meu ponto de vista sobre os criadores de conteúdo.
A, a, essa, é uma pesquisa do, do Nordic, o Jornal de Psiquiatria, que fez uma pesquisa na Suécia, identificou que oito em cada dez produtoras de conteúdo relatam ter sofrido abuso sexual.
Mas isso não é só produtora de conteúdo, né? Eu quero, na verdade, te perguntar se você sabe qual é a origem da pornografia. Sabe por quê? A origem da pornografia, na verdade, ela vem da nossa falta de educação sexual. Quando a gente, na verdade, ignora o corpo e ignora o e-o erótico, o que que é que ele se transforma? O que é proibido, ele vira escondido, certo?
O que que cê propõe? Uma sociedade onde todos andem nus e transando no meio da rua?
Não, eu proponho, na verdade, que a gente trate o corpo e a sexualidade como natural, como na verdade é. Então-
É natural, é sagrado, deve ser cuidado, deve ser zelado. O corpo não é pra ser comercializado como uma mercadoria, como um pedaço de carne.
Então, mas aí é que tá. Ele só é comercial-
A pornografia exatamente isso.
Ele só é comercializado exatamente porque ele é proibido. Se ele fosse livre, não ia ter esse interesse no escondido, entendeu? No, tudo, na verdade, que não é validado, ele vira um problema.
Posso te falar uma coisa?
Vai virar parafilia, vai pe-
Eu sou terapeuta.
Virar pedofilia. Eu também, também sou terapeuta.
Eu já atendi Inúmeros homens viciados em pornografia.
Não existe vício em pornografia.
Como assim?
Não existe.
Claro que existe.
Bom, então acho que você precisa estudar melhor, porque na verdade não existe por-
O cara que é casado. Olha só, eu já atendi homens que conseguem se masturbar seis vezes por dia.
Eu entendo isso, mas isso é uma compulsão
Ele é um viciado.
Não é vício, isso não existe. Isso realmente não existe.
O meu ponto é que esse cara, ele foi destruído por ele mesmo, porque ele se educou e educou o seu próprio cérebro a sexo digital. Ele não é mais capaz de satisfazer uma mulher real. Isso acontece todos os dias.
Então, eu atendo todos os dias homens que têm problemas vários. Mas o que que acontece? Hoje, o sexo ele é tão, é, problematizado, que eles não conseguem nem conversar com as suas esposas. As pessoas confundem intimidade com tirar a roupa, que na verdade é conversa franca.
Mas isso não tem nada a ver com o que eu tô falando. O que eu tô falando é que o cara que adapta o seu cérebro aos estímulos dopaminérgicos do sexo virtual, nunca vai ach-achar isso na esposa. Esse é o grande problema da pornografia. O cara projeta aquele tipo de sexo que ele faz na masturbação. Em casamento, ele nunca vai achar. A esposa não atende, respondeu.
Então, mas você tá batendo no resultado, não na causa, entende? Se a gente tivesse-- vou te dar um exemplo. Eu tenho uma filha de doze anos. Essa semana eu perguntei pra ela o que era sexo pra ela. Ela veio com uma imagem super linda de duas, é, dois panos assim girando numa sincronicidade, e eu falei pra ela assim: "Tá, mas o que, o que exatamente isso ca-isso quer dizer?"
Ela me disse assim: "Sexo pra mim é um ato de amor entre duas pessoas com total intimidade". Eu acho que esse, essa é a distorção.
Isso deve acontecer num ambiente íntimo, seguro e privado.
Então, mas aí a gente tá fazendo-
Não deve ser exposto.
Então, mas aí a gente tá batendo no problema e não na causa.
O que a exposição destrói pessoas.
Então, mas destrói pessoas, porque na verdade a gente não tem uma educação sexual realmente interessante falada.
Tem homens que estão nos assistindo agora, agora, que eles não conseguem mais se libertar disso. O casamento completamente destruído. Alguns deles dizem: "Me ajude, Rafael". "Eu não consigo parar". "Eu só tenho prazer com sexo digital, não consigo ter ereção com minha esposa".
Mas você continua batendo, você continua batendo na pornografia, quando na verdade a gente não tá olhando a raiz da, da questão, entendeu?
Tô mostrando a raiz da coisa.
Não, você não tá mostrando a raiz da coisa. A raiz da coisa é a gente ter uma educação e a validação do corpo como algo sagrado de fato, como algo que a gente tem, tem que se conhecer. Então, mas aí a gente continua batendo. Vai ser batido, vai ser vendido, vai ser vendido.
No momento em que você diz: "Compre a minha nudez, me amando mil reais", você tá dizendo: "Meu corpo é um objeto que eu posso vender, que todo mundo que quiser pode comprar".
Vai ser vendido eternamente.
Isso destrói a mulher, isso destrói a sociedade, isso destrói uma nação.
Mas isso é sua visão. O que acontece é o seguinte, a gente vai continuar batendo na pornografia durante muitos e muitos anos.
Mas é um fato, todo criminoso sexual descobriu a depravação sexual na pornografia.
Então, mas ele só descobriu na pornografia-
Acabamos o tempo.
Obrigada. Procura lá meu nome, hein. É importante.
Vou procurar. A pornografia destrói a vida dos criadores de conteúdo.
Prazer, tudo bem?
Prazer.
Meu nome é Ismaela.
Oi, Ismaela. Prazer conhecê-la.
Bom.
Dar o start aqui.
Tudo bem.
Então, me fala por que que você discorda dessa afirmação.
Eu discordo que a criação de conteúdo destrua nossas vidas porque eu não tenho uma vida destruída. Olá, meu nome é Ismaela, eu tenho vinte e um anos e hoje eu tô aqui pra mostrar que a criação de conteúdo é um trabalho tão digno e que deve ser respeitado como qualquer outro traba-- eu, como, é, pessoa principal, né, dona da minha vida, eu posso te garantir que eu tenho, é, uma ótima qualidade de vida com a minha família, que a criação de conteúdo me proporcionou.
É, eu sou uma pessoa que eu tenho, é, valores muito bem colocados na minha vida, de coisas que, na, é, valores inegociáveis, que apesar de eu ser criadora de conteúdo, né, as pessoas acreditam que nós não temos valores inegociáveis, e eu tenho. E eu não tenho a vida destruída, então eu discordo completamente desse tema.
Há quanto tempo você faz isso?
Eu faço isso, a princípio, desde o começo do ano.
Então não tem nem um ano que você faz.
Isso, exato.
Quando a gente tá numa profissão, a gente costuma olhar pras pessoas mais bem-sucedidas e que têm uma, uma carreira longeva. Então, eu acredito que todo jogador de futebol olha pro Cristiano Ronaldo e diz: "Poxa, eu quero chegar lá".
Aham, sei.
Quando você olha pra mulheres como você, que passaram uma década, quinze anos trabalhando com o que você trabalha, o que é que você vê?
Olha, eu vejo mulheres que tiveram, algumas têm planos de carreira, como outras não. Em qualquer profissão pode acontecer de aqui, daqui quinze anos você não tá feliz. Você pode ser um CLT e não tá feliz daqui quinze anos, né. Claro. E eu queria te falar que eu sou formada em Relações Públicas, eu já trabalhei na minha área, então o que destruiu minha vida foi o trabalho de CLT e a pressão desse trabalho.
Eu sou a Bru Busche, tenho vinte e oito anos, sou criadora de conteúdo adulto e tô aqui porque eu acho muito interessante esses debates, sempre quis participar de um e tenho muito pra acrescentar, acredito eu. E depois que eu comecei a criação de conteúdo, eu tive muito mais liberdade.
Qual era seu trabalho, me perdoe?
Eu era assistente de marketing.
Então, mas se a gente pega o universo de todos aqueles que trabalham com isso e verifica a porcentagem de pessoas que passam por problemas psíquicos, transtornos, hã, é, de, de estresse, de ansiedade. No, nesse meio, você vai ver que a porcentagem é muito inferior ao meio dos produtores de conteúdo adulto. Nós estamos falando de uma indústria pornográfica, onde oito em cada dez produtoras de conteúdo, depois de dez anos de carreira, oito em cada dez apresentam sintomas pra diagnóstico de depressão, transtorno de estresse pós-traumático, transtorno de ansiedade generalizada.
Mas aí cê acha que a culpa, cê acha que a culpa é delas e não da pressão que a sociedade coloca nelas?
Talvez, mas isso não muda-
Se as pessoas fossem menos preconceituosas e que se importassem mais com as próprias vidas, talvez elas não sofreriam.
Eu, eu acho que tem o estigma, eu acho que existe o estigma social, mas eu também acho que tem a ver com a essência do trabalho, porque você expor o seu corpo, você expor a sua nudez, a sua intimidade para que outras pessoas vejam, você comercializar a sua nudez te faz mal de qualquer forma, porque-
Na verdade, faz mal porque você pensa assim. No mundo existe milhares de pessoas, cada uma linda com a sua individualidade de uma forma.
Eu vou te explicar por quê. Porque sua mente hoje pode ser ideológica, pode ser pós-moderna, pode ser feminista, mas a sua alma é primitiva. E lá no fundo da sua alma, ela sabe que a sua intimidade não deveria ser tratada como um pedaço de carne.
Mas você é cristão.
E é isso que você faz em seu trabalho.
Existem outras religiões.
Você expõe seu corpo como se fosse uma peça de carne num açougue pra ser comercializada. Isso destrói a sua alma.
Destrói.
No final das contas, depois de dez, quinze anos, quando a sua alma elaborar isso, as coisas se assentarem, você vai descobrir que você fez um mal imenso através das suas próprias decisões, porque a sua nudez não deveria ter se tornado um objeto. O seu corpo não é um objeto pra ser vendido.
Tem muita gente que não vende o corpo e que tem a alma destruída porque-
Suas colegas te demitiram.
Tá. Obrigado.
Valeu.
Tudo bem, querido?
Seu nome?
É Aline Lari.
Aline?
Isso.
Prazer conhecê-la, Aline.
É, na verdade, assim, eu tava achando incrível o que ela tava falando, mas eu precisava vim aqui porque eu acho que é muito difícil ter aqui no meio alguém que faz mais de dez anos de profissão. E eu faz mais de dez anos de profissão e eu sou uma pessoa muito, muito realizada. Meu nome é Aline Lari, atualmente eu sou empresária, sou mãe e vim aqui defender nossa causa.
Não é porque nós somos produtoras de conteúdo que também não somos inteligentes, empreendedoras e boas mães. Eu hoje eu tenho quatro filhos, uma menina que faz, que tá fazendo cursinho preparatório pra medicina e um filho que tá no Ceará, ganhou uma bolsa no Farias Brito porque ele é medalhista mundial de matemática. [aplausos] Então, eu tenho um pai que tem deficiência física e esse mês eu passei com ele um mês na UTI e se não fosse por causa da minha carreira bem-sucedida, ele teria morrido.
Eu transferi ele no mesmo dia pra um hospital particular. Então, assim-
Deixa eu te falar alguns números.
Sim.
Que não são opinião minha.
Sim, pode falar.
Uma pesquisa feita em 2011, conduzida pela Universidade do Sul da Califórnia.
Sim.
Verificou que entre as mulheres, em geral, apenas treze por cento têm sintomas pra diagnóstico de, de depressão. Entre as produtoras de conteúdo adulto, esse número vai pra trinta e três por cento, quase três vezes mais.
Sim, pela pressão do preconceito que a gente tá aqui hoje pra destruir.
Diversas coisas. Não é só preconceito.
Não?
Não é só preconceito.
Isso é o principal, porque eu já vivi dos dois lado. Eu já vivi do lado que eu fui dez anos casada, num casamento, numa bolha, e eu era depressiva. E hoje eu não sou. E hoje, graças a Deus, a, a minha profissão, eu tenho uma família muito abençoada e eu posso proporcionar aos meus filho muitas coisas que eu não tive na minha infância. Então hoje, se a minha mãe tivesse tido a minha coragem, eu ia tipo endeusar ela.
Mas olha só, é, daqui a, daqui a quinze anos, daqui a vinte anos, fazendo o que você faz, você vai ver a repercussão disso.
É, mas já faz dez anos. Eu tô amando a repercussão, quanto mais tiver, melhor.
Mas, mas dez anos ainda não é a conclusão da sua carreira.
Uhum.
Vou te dar outros números, tá? Esse ano, um jornal de psiquiatria chamado Nordic fez uma pesquisa na Suécia e ele descobriu números que são escandalosos, na minha opinião. Ele descobriu que dentre as produtoras de conteúdo, mais de sessenta por cento delas já pensou em tirar a própria vida ou tentaram tirar a própria vida. Elas também descobriram nessa pesquisa que mais de oitenta por cento das produtoras de conteúdo como você, desenvolveram transtorno de estresse pós-traumático, como alguém que vive um abuso, um estupro, uma guerra ou coisas assim.
Isso não é apenas preconceito, até porque na Suécia, um país progressista, onde existe um liberalismo muito gigantesco, as pessoas não têm mais esse estigma. É porque você destrói a sua própria alma quando você vende a sua intimidade como se fosse um objeto.
Eu acho que a gente tá aqui pra quebrar esse tabu. Independente dos números, a gente tá aqui pra quebrar isso, porque eu acho que é uma nova geração com-
Mas os números são fatos.
Sim, mas esses números podem mudar como qualquer estatística.
Tudo bem, mas não é qualquer estatística.
Muito obrigada. Muito obrigada.
Obrigado.
Tudo bem?
Tudo bem. Prazer conhecê-la.
Deixa eu pegar direito, que a gente pegou meio... [riso]
Como é seu nome?
Thais. Aliás, Maru, perdão.
Maru?
É, Maru.
Ok, Maru. Prazer.
É, eu trabalho também há mais de dez anos com conteúdo adulto. E eu já passei por, por problemas assim, é, psicológicos, no sentido de, de sentir o julgamento das pessoas. E eu acho que é aí que mora o maior problema. Meu nome é Maru, eu tenho trinta e três anos, eu sou criadora de conteúdo, mas também sou artista, cantora. E eu tô aqui hoje pra desmistificar a ideia de que o criador de conteúdo é um problema ou que o nosso trabalho é um problema.
Na verdade, a gente só transformou a vergonha dos outros na nossa liberdade. As pessoas julgam a gente e esse julgamento acaba causando essa pressão psicológica que causa esses problemas.
Não é só isso, Maru. Deixa eu te falar o que é que acontece. Você entrou numa indústria onde você está sendo usada como um objeto. Você entrou numa indústria onde essa indústria vai usar você, depois te descartar. Você não vai ficar jovem pra sempre. A velhice chega, as marcas do tempo chegam. E quando isso acontece, a indústria te descarta como se você fosse um pedaço de lixo.
Entendi.
Isso é o que acontece com todas as produtoras de conteúdo, inclusive milionárias, que hoje estão com cinquenta anos, sessenta anos, com depressão ou com a família completamente destruída.
Te entendo perfeitamente.
Porque elas foram usadas. Eu vim aqui hoje, respeitosamente, a gente tá batendo um papo aqui que é, é extremamente educado, eu te agradeço por isso. Mas eu vim aqui de todo coração, porque eu acho que eu posso te ajudar e ajudar vocês. Eu vim aqui pra olhar nos seus olhos e te dizer, por favor, saia dessa indústria, porque ela vai usar você, depois vai te descartar.
Posso só falar uma coisa, galera, só um pouquinho? É porque vocês levantaram enquanto ele tava falando. Eu sou uma pessoa muito espiritualizada, muito. Eu tenho uma espiritualidade, assim, muito aflorada. Eu sou muito fiel aos meus valores, aos meus princípios como ser humano, independente de religião.
Mas cê acredita em Deus?
Acredito em Deus. Acredito em Deus e acre-
Você é cristã?
Não, não sou cristã. Eu não sou cristã, mas eu acredito em Deus e acredito que nós temos realmente o livre-arbítrio de fazer o que a gente quiser, independente de religião, de crença. E assim, e-eu acho que a indústria, ela pode-- po-- vocês podem ter essa visão de que a indústria quer usar a gente, mas nós pegamos isso pra nós, pra mudar as nossas vidas e até nos sentir melhor, porque eu, por exemplo, era uma menina quando eu comecei e eu tinha muita baixa autoestima.
Eu não acreditava em mim, eu não confiava no meu potencial de nada. Hoje, graças ao meu conteúdo adulto, eu consigo investir na minha música, eu consigo pagar um aluguel maravilhoso no mi-- na minha casa, eu tô conseguindo comprar uma casa. Tô conseguindo-
E quando as marcas do tempo chegarem, que você não conseguir mais fazer isso?
Eu-- já vou. Maravilhoso. Quando as marcas do tempo chegarem, eu não vou ter me arrependido de fazer nada do que eu fiz.
Será? Porque o-
Te digo com todo o meu coração: não vou tá arrependida de nada do que eu fiz, porque eu não fiz mal a ninguém. O que eu fiz foi só pra mim e não foi mal. Eu me fiz muito bem.
Discordo. Eu discordo.
Mas essa é uma opinião sua.
Não, não é opinião. Eu quero falar de fatos aqui, não de moralismo.
Sim.
Tá? O conteúdo que você vende destrói pessoas, assim como um-
Não concordo.
Assim como uma droga pesada destrói pessoas, a pornografia também destrói, porque os efeitos que ela causa no cérebro são muito parecidos com os efeitos de uma droga pesada, por exemplo. Se você pega, é, por exemplo, o, o, o cérebro de uma pessoa que consome cocaína ou crack, você vai ver atividades muito similares com o que acontece com alguém que está consumindo pornografia. É muito diferente de um vício em açúcar.
É muito diferente de um vício em jogos ou bet. O vício em pornografia acontece no cérebro de um adicto-
Eu acho que qualquer vício é, é prejudicial ao ser humano.
Não, não, não. Existem... Claro. Obrigado, Maru.
Obrigada.
Primeiro, Rafa, te aconselho a segurar o copo d'água. [risadas] Como assim? Segura o copo d'água.
Segura pra galera não ver o copo d'água.
Pra ser pro... Ah, tá. Entendi. [risos] É uma mesa, é um microfone. Só segura o copo d'água aí pra- Tá bom. Tudo bem?
Tudo bem.
Prazer conhecê-la.
Natália.
Natália?
Juliana.
Juliana. Ok.
Aqui, ó, Juli.
Tudo bem, Juli?
Tudo bem.
Prazer conhecê-la. O que que você discorda dessa afirmação?
Eu não discordo que o conteúdo ou outro trabalho destrua a mente de uma pessoa. Qualquer coisa que a gente faça hoje em dia pode destruir. Afinal, a gente mora num país que é supercorrupto e muita gente não tem nem o que comer. Então eu acredito que você também ir pra casa e chegar em casa e não ter o que comer também destrói a vida de uma pessoa.
Concordo.
Então não é só as criadoras de conteúdo.
Mas é porque você não tem uma oportunidade melhor que você vai trabalhar com qualquer coisa?
Eu não queria uma oportunidade melhor, eu queria uma oportunidade rápida. Minha família estava com fome e eu precisava trabalhar.
Mas se você tivesse a oportunidade de encontrar um outro trabalho, você encontraria?
Sim, se fosse um dinheiro rápido.
Sério?
Sim, porque eu quero dinheiro, eu quero ajudar minha família, eu quero crescer, eu quero ter uma vida melhor.
Mas então você tá me dizendo se você pudesse ter um outro trabalho que-
Cê vai me dar?
Não, é, é isso. Mas se você, se, se você tivesse essa oportunidade, você, você sairia da produção de conteúdo adulto?
Sim.
Então cê tá me dizendo que esse não é o mundo ideal pra você, você não gostaria de trabalhar com isso.
Não, não, pior, não. Em nenhum momento eu falei isso. Eu falei que eu mudaria pra um trabalho melhor, que me desse mais dinheiro. É diferente.
Não-
Porque eu gosto de dinheiro.
É isso.
E dinheiro rápido, porque fácil não é.
Mas se você tivesse um trabalho que te desse o mesmo dinheiro de hoje, mas que você não tivesse que expor a sua nudez, você aceitaria?
Também.
É isso. Então o que você tá me dizendo é que a sua honra, a sua dignidade tem preço.
Não, não tô te dizendo isso.
Pelo dinheiro, você faz o que for necessário.
Mas eu não tô nem aí pra honra e dignidade que vocês acham de mim.
Mas você venderia drogas?
Não.
Você venderia drogas pra s-pra, pra ganhar mais dinheiro?
Mas por que você tá me comparando com droga?
É porque a pornografia, deixa eu explicar uma coisa pra você, Juli, com todo respeito. A por-
Não, não compare a droga com a, com a pornografia.
Mas-
Outra coisa.
Mas o que eu tô te dizendo-
Se a pessoa me consome, primeiramente, o meu conteúdo é fechado e privado. É só pra adultos.
Mas a droga também só consome se comprar.
Mas a pessoa que-- o que acontece, o nosso país é um pas-- um país desconstruído. Não tem educação nas escolas, não tem educação emocional, não tem educação financeira.
Mas o que eu tô tentando te mostrar é que o processo bioquímico no cérebro de um viciado em pornografia é praticamente idêntico ao processo de adicção em drogas pesadas.
Olha, então, ó.
Isso é um fato.
Eu sou uma criadora de conteúdo, eu não tenho depressão. Eu podia usar crack, mesmo sabendo que pode me viciar, mas eu não uso. Cada homem que sabe das suas escolhas.
Não, mas-
Maneira de se vitimizar: "ai, então eu vou me mal-"
Mas então você venderia crack porque cada um que lide com suas escolhas.
Não, não venderia, porque voc-- o meu trabalho é legal. Ele não tá fora da legalidade.
Mas e se vier uma lei amanhã que, que libera o, a venda de cocaína?
E aí pronto. Não, pro-- não, uma co-- eu estou falando do meu trabalho.
Cê venderia cocaína?
Qual que é a pauta? O meu trabalho.
É isso, exa-
A pauta é sobre o meu trabalho. E eu tô falando, eu tô respondendo ao trabalho.
Mas olha só, Juli, a minha opinião, a minha opinião é que seu trabalho é um trabalho imoral.
E aí, tudo bem.
Sabe por quê? Porque-
Ai, tu acha que eu ligo pra isso?
É isso. Mas olha só, o, o meu ponto aqui, o meu ponto é que essa imoralidade não destrói apenas o seu consumidor A pornografia destrói o consumidor e destrói a produtora do conteúdo adulto.
Mas eu não tô nem aí.
De-deixa eu te falar uma coisa-
Por que que tá me destruindo? Eu tô ótima.
Não, eu sei, mas, mas eu não vim aqui-
Sabe, sabe o que destrói? A falta de empatia. É voc- vocês chegarem aqui e falar que a gente é puta, que não sei o quê, isso que destrói a vida das pessoas.
Mas eu falei isso? O que eu tô tentando demonstrar-
O que destrói é você falar que a minha vida é uma destruição, minha vida é maravilhosa, graças a Deus.
Júlia, deixa, deixa eu te falar uma coisa? [aplausos]
Antes de chegar aqui eu orei bastante, eu orei com todos nós aqui.
Deixa eu te falar uma coisa?
E é verdade que nós temos Deus, sim.
Eu não vim aqui, eu não disse que você não tem Deus, e eu não vim aqui pra ganhar de você.
Nem eu, eu tô só te falando o meu ponto de vista.
Eu vim aqui porque eu realmente acredito com sinceridade que eu posso te ajudar. E o que eu quero te dizer é que você que é produtora de conteúdo, é a maior vítima do seu trabalho.
Claro que sou. Ó, presta atenção, quando eu era uma criança, era mais de meia-noite, eu conseguia assistir uma pornografia, porque o canal era aberto.
Ou seja, você está me provando que a pornografia destrói crianças também, porque as crianças têm acesso-
Mas então vamos começar a olhar desde as escolas. Vamos começar a olhar as músicas que as crianças escutam, o TikTok, as plataformas, tudo.
Vamos, vamos sim.
Vamos começar a olhar tudo.
Vamos, concordo.
Não é só pornografia, até porque minha pornografia, ela é dentro de um site fechado, ela não é dentro de um site aberto.
É um, dentro de um site, um site fechado, mas a partir do momento que você bota na internet, você não tem mais controle nenhum sobre o conteúdo.
Por quê? Porque o sistema não quer.
Claro que não.
O que mais tem se você entrar na internet, então qual que é a pauta? Tirar o conteúdo das crianças.
Eu também vendo curso.
Essa é que é a pauta.
E tem pirataria, tem golpista.
E é por causa do sistema.
Acabou o tempo. Obrigado. [aplausos] O quinto tema é: no fundo, todo mundo sabe que pornografia é imoral.
Um, dois, três e... [aplausos]
Tudo bem? Eu me chamo Paulo Salvador, é um prazer tá aqui. Vamo lá. Eu acho que é muito mais imoral aqui o seu preconceito com relação a tudo que todo mundo-
Não é preconceito. Eu embasei meus dados em religião?
Não, os seus dados são, eu acho que são muito mais fontes da sua cabeça do que qualquer outra coisa. Eu me chamo Paulo Salvador, tenho trinta e três anos de idade, sou influenciador, produtor de conteúdo na internet e eu tô aqui pra bater de frente com esse conservador sobre o que a gente faz na internet, que não tem nada a ver com essas ideologias e crenças que ele tem na cabeça e grande parte da sociedade também tem.
Meu Deus do céu, cê tá dizendo que os números que eu trouxe são mentirosos?
Não, eu só tô dizendo que-
Vou pedir pra equipe colocar os estudos aqui, né, no vídeo?
As referências que você traz são muito mais baseadas nas suas referências pessoais.
São estudos científicos, é literatura científica.
Não, mas é a sua vontade como pai, como ter a sua família desse jeito.
Não é vontade, você descobrir que sessenta por cento das produtoras de conteúdo-
O seu preconceito, deixa eu te falar um negócio-
Que tentaram se suicidar não é opinião.
O seu preconceito destrói muito mais pessoas do que o que a gente faz aqui.
Você descobrir que oitenta por cento dos produtores de conteúdo tem transtorno de estresse pós-traumático, não é opinião. Eu trouxe números, são dados, são fatos sociais.
Você trouxe os seus dados.
Qual foi o meu embasamento religioso ou de crença aqui?
Os seus dados são a sua vontade de construir aquilo dentro da sua família.
Você tá contra dizendo, você sabe que eu trouxe dados de literatura científica.
Mas você tá dizendo que o que a gente faz é imoral? O imoral é muito mais o seu preconceito e o que as pessoas fazem com o nosso conteúdo do que propriamente o que a gente faz. A gente tá aqui produzindo o nosso conteúdo, expressando a nossa liberdade e ganhando direi-- dinheiro por isso.
Você é livre no Brasil pra fazer isso e vai continuar sendo.
A gente não está sendo imoral com ninguém porque a gente não tá fazendo mal pra ninguém. A gente produz o nosso conteúdo e a gente coloca aquilo na nossa-
Aí eu discordo.
Dentro da internet, quem pode ter acesso, tem acesso.
Eu vou esperar você me deixar falar pra, pra, pra dizer porque que eu discordo. Eu discordo que não faz, que fa-- que não faz mal pras pessoas, porque eu já trouxe inúmeros dados aqui pra provar que faz mal pras pessoas.
Tudo faz mal pras pessoas se usado de maneiras ruins e deliberadas e sem controle, principalmente dos pais.
Não é comparável. Não é comparável.
Não, mas aí é uma questão de comparação.
Água em excesso faz mal, mas água faz bem de forma geral.
Você tá aqui compara-- você, não, você tá aqui-
Pornografia é essencialmente algo imoral.
Você tá comparando coisas pra dizer que a pornografia é o, é a raiz de todos os problemas, mas não é. Existem outros problemas que você não precisa ficar comparando pra você diminuir o que a gente faz.
A pornografia é a raiz de muitos problemas. A objetificação social da mulher é fruto da pornografia. Vocês comercializam a nudez-
Não, não, não, pelo amor de Deus. Não, pelo amor de Deus.
Vocês comercializam a nudez da mulher.
Não, deixa eu te falar. Não, não.
Vocês vendem nudez.
O cara, o cara passar na rua, buzinar pra uma mulher e achar que ela tem que entrar dentro do carro dela, isso é um problema da pornografia ou falta de caráter do cara?
Quem diz que o corpo daquela mulher tem preço são vocês.
Não, não, isso não tem nada a ver uma coisa com a outra.
Como não, cara?
Ninguém tá... Não, o preço do, do corpo daquela mulher é decisão dela, não é decisão do que a gente faz na internet.
Acessar a intimidade. Vocês podem discordar do que eu tô falando, mas no fundo vocês sabem. No momento em que você mostra a sua nudez na internet e diz: "Qualquer pessoa pode ter acesso por tal preço"-
Não, qualquer pessoa não, acima de dezoito anos.
Tudo bem. Deixa eu, deixa eu terminar.
Certo.
Se você, se você mostra sua nudez e diz: "Qualquer pessoa acima de dezoito anos que pagar, pode ter acesso", você tá dizendo: "Meu corpo tem preço".
Sim.
Ter intimidade comigo tem um preço.
Não, não, deixa eu te falar. Eu coloquei o meu preço, é vinte e nove e noventa. Foda-se.
Objetificou o seu preço.
Não, mas qual que é o problema? Qual que é o problema disso? Qual que é o problema disso?
Eu tô te mostrando o problema.
É uma decisão minha, não sua.
Eu sei.
Você tá colocando essa referência em cima do que eu faço e do que todo mundo faz, por conta das suas crenças-
Não é verdade
Retrógradas da sua cabeça, não tem nada a ver comigo. Se eu escolhi vender o meu conteúdo, colocar o meu corpo ali, é uma decisão minha e não cabe a você.
Eu não quero te provar que não é verdade. É direito seu e vai continuar sendo.
Exatamente, onde que tá o problema então?
Eu não vim aqui com a expectativa de tornar a pornografia algo ilegal, nunca vai ser. Você faz o que quiser do seu corpo. Eu vim aqui olhar nos seus olhos-
Então estamos concordando, tá
E dizer que é imoral porque destrói você e destrói os seus consumidores.
Eu, eu, eu pareço destruído pra você? Eu não, tô, tô de boa.
Meu Deus do céu, eu tô falando incrivelmente-
Não, não pareço destruído. Tudo destrói a mente se você não tiver estrutura.
Não é verdade. Não compare um quilo de picada a quilo de cocaína.
Se a pro-- se, se a pornografia tá destruindo a sua mente é porque lhe falta terapia.
A pornografia destrói qualquer ser humano.
Lhe falta muita coisa, lhe falta caráter.
Qualquer ser humano que consumir pornografia vai ter sequelas deletérias.
Não.
Qualquer ser humano que consome pornografia vai ter transtornos psíquicos.
Não, você, você fala, você tem muitas certezas na sua cabeça.
Não, é ciência.
Você tem muitas certezas na sua cabeça.
Qualquer ser humano que consome pornografia vai ter alterações graves na cabeça.
Que não tem estrutura mental, que não trabalha a cabeça
Levantaram as mãos [aplausos]. Valeu. Obrigado.
Pode repetir o tema?
Todo mundo sabe no fundo que a pornografia é imoral.
Um, dois, três e já.
Ai, o silicone.
Tudo bem?
Tudo bem, prazer, eu sou a Amanda Leão, eu sou formada em Farmácia.
Prazer.
Mas hoje em dia eu trabalho com conteúdo adulto. Então, eu acho um pouco complicado você colocar essa pauta de moralidade, porque a moralidade ela é bem fluida, né? Em tanto de país pra país, quanto de tempo pra tempo. O que era moral antigamente, hoje em dia é diferente e no futuro também vai ser diferente. Inclusive, você afirmar que no futuro a gente vai se arrepender, também é muito complicado, porque a moralidade ela muda, as leis mudam, até as leis que são-
É o que a realidade mostra. Você tem 2018, por exemplo, em doze semanas, você teve cinco suicídios de atrizes famosas do ramo pornográfico. Você, você tem dados que mostram que a grande maioria das produtoras de conteúdo terminam a carreira curta com graves problemas psíquicos. Não é minha opinião. Eu estou mostrando com fatos científicos aqui que a pornografia destrói milhões de pessoas.
Então, mas como já foi falado aqui, destrói pela sociedade, não pelo trabalho em si. Porque o que que você fala sobre pornografia? Nudez é pornografia? Então se for assim, todas as atrizes são condenadas. No passado, a maioria das famosas, que são famosas hoje, posaram nuas na Playboy. E elas tão bem, isso não afetou a vida delas, não afetou os filhos dela e nem-
Quem diz?
A carreira delas. Elas mesmas e os próprios filhos.
Xuxa não foi afetada?
Cê já ouviu ela falar que foi afetada? Xuxa, me fala se eu fui afetada, depois cê me liga, a gente conversa.
Meu Deus do céu. O fato é o seguinte-
Você tá querendo colocar fatos em uma profissão que primeiramente é muito nova.
Existem discussões sobre moral-
A pornografia que a gente tinha antigamente é totalmente diferente da pornografia que a gente tem hoje em dia. Você falar que a indústria vai me descartar no futuro, não é válido pra mim, porque o meu trabalho é independente.
É o que acontece hoje.
Eu não tenho indústria. [aplausos]
É o que acontece hoje.
Eu sou dona do meu trabalho. Eu não tenho indústria que dita o que eu faço ou que eu não faço. Eu sou empresária.
A indústria-
Eu tenho a minha empresa.
A indústria é a junção da sua empresa, por exemplo, com o público consumidor, com a plataforma que recebe os seus conteúdos, é um conjunto. Esse conjunto vai te descartar, por motivos óbvios. Eles te consomem porque você é jovem.
Assim como alguém que trabalha de CLT e faz sessenta anos, também é descartado por qualquer trabalho, assim como uma grávida que trabalha como CLT, também vai ser descartada.
Mas o-
Então isso é válido pra todos os trabalhos.
Mas é totalmente diferente.
O meu trabalho-
Se o trabalho é um trabalho digno e moral.
Mas eu tô falando pra você que moralidade e dignidade é fluida de lugar pra lugar.
Mais ou menos.
Tem países que é digno e moral se casar com uma criança. O meu trabalho é lícito. Então dentro desse país eu estou dentro da liciti-licitidade-
A discussão não é sobre legalidade
E moralidade pra mim, porque isso, o que é moral pra você que é cristão, é diferente do que é moral pra outras pessoas aqui.
A lei positivada não define o que é moral. Se amanhã uma lei disser que vender cocaína tá liberado, vai continuar sendo imoral.
Mas nós vivemos em sociedade, então a, as nossas ações devem ser pautadas de acordo com as leis.
Não, isso é positivismo.
Porque nós temos diferentes religiões, nós temos diferentes pessoas e a moralidade é fluida.
Se amanhã tiver uma lei mandando você consumir cocaína ou vender cocaína-
Mas a lei não pode mandar ninguém fazer nada, porque nós temos livre arbítrio.
Mas o ponto é que acima das leis está a sua moral-
Mas como sociedade, se a gente não se pautar nas leis, o que que a gente vai ser? Porque cada um tem um conceito diferente de moralidade.
Você se pauta nas leis, mas na, na medida em que uma lei for imoral, você descumpre essa lei. É um, é uma desobediência civil obrigatória. Se uma lei te obrigar a fazer algo que vai contra a sua fé, por exemplo, cê vai fazer?
Obrigado, pessoal. Pausa o tempo, por favor.
Levantaram as mãos [aplausos].
Um, dois, três e já [risos].
Tudo bem?
Tudo bem? Prazer, eu sou a Gi.
Me fala, por que que você discorda, Gi?
Eu discordo porque eu acho que moralidade é uma coisa muito individual. Tem o contexto social, contexto jurídico, contexto religioso, então é uma coisa muito ampla pra você taxar dentro de um grupo específico.
Depende. Existe-
Deixa eu concluir, só um momentinho. É, eu acho que como é uma coisa muito ampla e que tem vários tipos de significado dentro de vários vertentes, não tem como você catar as pessoas que tão aqui e você olhar pra cara de cada uma dessas pessoas e falar: "Vocês são imorais". Porque a moralidade muda, entendeu? É, você falar: "Ai, jurisprudência a gente não pode tá tratando aqui", realmente, mas nenhuma lei vai ser alterada de acordo com a religião ou de acordo com costumes sociais, porque a lei só é alterada de acordo com-
Como não? Na Coreia do Norte, no Afeganistão, no Paquistão, não tem leis que são alteradas por religião?
Então, eu trabalho no Brasil, eu não trabalho em outros países.
Como é que tá no Brasil daqui a dez anos, vinte anos?
Não, mas aí, aí cê tá falando de futuro, eu não tô numa, numa bagulho de tar-- eu vamo com calma.
Mas o ponto não é esse. O ponto é que existe uma coisa chamada lei natural.
Hum.
Existem princípios basilares que todo ser humano sabe que são certos e que são errados. Por exemplo-
Com base em quê?
Por ex-- é uma lei natural que Deus colocou dentro de nós.
Mas aí, qual Deus? [risos] Não, aí calma aí, qual Deus?
Esse que eu ponto.
Porque o seu Deus é o que eu estou falando.
Essa-
A moral, ela é cabível dentro da sua fé e da fé de cada pessoa aqui. O seu Deus não é o meu Deus.
Mas a minha fé não muda a verdade.
A sua moral... Exatamente.
Mas só um dos dois tá certo.
Mas não é sobre estar certo ou estar errado, porque religião e moral não tem certo e errado, amor. [aplausos]
Mas o lei, a lei natural, a lei natural não está vinculada a uma religião específica.
Mas é-
A lei natural explica que existem certos princípios que são universais. Por exemplo-
Uhum.
Todo mundo concorda que ser humano tem direito à vida. Cê concorda ou não?
Sim.
Cê concorda com o aborto?
Concordo.
Então você não concorda com o direito à vida.
Eu concordo com o direito à vida. Aí cê tá falando sobre uma coisa que primeiro cê tá fugindo do tema, já começa por aí. E segundo que-
O tema não é moralidade?
Mas então, aí cê tá falando de aborto junto com moralidade e tudo mais.
Cê acha que o ser humano tem direito à autodefesa? A se defender?
Com certeza.
Lei natural. Cê acha que o ser humano tem direito à propriedade?
Sim.
Lei natural.
Mas aí-
Da mesma forma, todo ser humano sabe que a nudez é algo íntimo que deve ser protegido e não comercializado.
Não, não todo ser humano sabe não, porque as pessoas só têm noção de que sexo é uma coisa assim, ou de que a mulher, o corpo da mulher não pode ser comercializado-
O sexo não é impuroO sexo é criado por Deus?
Era vocês comercializando podia. Aí quando são as mulheres trabalhando de forma autônoma, aí é um problema.
A questão é que isso não muda o fato de que a nudez de uma mulher não deve ser comercializada.
Mas quem foi que disse isso?
O seu corpo não tem preço, precisa dizer.
Mas amor da minha vida, deixa eu te falar um negócio.
Precisa um homem vim aqui olhar nos seus olhos e dizer que seu corpo não é um objeto?
Mas eu não preciso que um homem me fale nada, porque o meu corpo é meu, não é de vocês.
Você faz o que quiser.
O meu corpo não é do patriarcado, o meu corpo não é do capitalismo, o meu corpo não é de terceiros, é meu. É por isso que pela constituição, eu posso fazer o que eu faço.
Mas esse que é o ponto. Eu vim aqui e eu sei que daqui, quando o vídeo acabar, você vai continuar fazendo o que você bem entender do seu corpo.
Uhum. Sim.
Eu não quero mudar isso.
Sim.
O que eu estou querendo é te mostrar que isso vai destruir você, destruir as pessoas que consomem. Se você não quiser acreditar, tudo certo.
É que assim ó, só pra te explicar um negócio. Eu pesquisei bastante pra entender sobre o mercado pornográfico no Brasil, sobre assim, como que as criadoras de conteúdo ou quais são as doenças, né, o que pode ocasionar a pornografia muito ativa na vida de uma pessoa. Não existem dados brasileiros. Todos os dados que você trouxe são dados de fora.
E daí?
Não, calma. Todos os dados são dados de fora. A maioria das pessoas que você tá lidando aqui são pessoas que trabalham no Brasil. Dentro do Brasil, não se tem dados, não se tem provas.
Meu Deus do céu. A pornografia é mundial, a pornografia é global.
Ok, mas aí você tá falando de que uma coisa que vai acontecer não tem dado ainda. No Brasil.
Meu Deus, a gente vai esperar o Brasil fazer uma pesquisa daqui a cem anos?
Não é esperar o Brasil fazer uma pesquisa daqui a cem anos.
Eu não posso usar uma pesquisa dos Estados Unidos, só porque você não quer?
Você pode usar uma pesquisa, você pode. Só que são culturas, religiões, são coisas completamente diferentes. E aí você pega uma coisa e você generaliza, cara, não tem como.
A gente vê os mesmos resultados.
E aí você, você ainda trouxe o lance de você comparar drogas com um trabalho que é legal.
Nós temos aqui mulheres que tiveram pais presentes, mas a maioria das que vieram aqui tiveram ausência paterna. Todas vocês que produzem conteúdo pornográfico hoje, de certa forma, vocês estão dizendo pra essa figura paterna dentro da sua mente: "Pai, me note."
Não.
"Pai, olha pra mim." [risadas]
Do fundo do meu coração, eu vou ser muito sincera com você, mesmo, mesmo. O s-- A sua mentalidade, ela está pautada em um conservadorismo baseado em religião. Essa sua opinião que você está dizendo pra mim...
O meu embasamento aqui foi basicamente científico.
Eu posso concluir a minha frase?
Por favor.
Porque eu sei que cê tá na sua opinião, mas eu tô dando a minha agora. Na minha opinião, os, as, os seus dados, né, essa, o tudo que você trouxe até agora é baseado na sua religião. Não é à toa que você trouxe sempre Deus em primeiro lugar.
As pesquisas são religiosas? Eu sou um pastor, eu sou um cristão.
Então, eu...
Eu vou falar de cristianismo.
Tudo bem, você pode falar sobre cristianismo.
Mas eu trouxe dados científicos, literatura vasta.
Só que você trouxe, você trouxe uma frase que foi completamente ridícula de julgar o pai de uma criadora de conteúdo. Ela sabe mui-
Meu Deus, isso é um fato.
Não, espera, calma aí. Não, não é um fato. Porque se fosse qualquer outra pessoa aqui apontando dedo pra você falando que você é um péssimo pai, cê ia ficar puto.
É a minha opinião.
Não, mas não é questão de opinião.
A minha opinião é que um pai presente não permite que a filha se torne uma, uma criadora de conteúdo.
Ela acabou de falar pra você, ela aca-- mas não é sobre permitir, eu não sou de ninguém, eu sou um indivíduo.
Meu Deus do céu. Mas permitir que eu fale como pai.
A partir do momento que o meu pai e a minha mãe me colocaram no mundo e eu fiz dezoito anos, eu decido o que eu posso fazer.
Decide.
Se o meu pai acha certo ou acha errado, beleza, é questão de respeitar e ele deu a educação pra isso. Se eu estou fazendo alguma coisa que você acha errado, beleza, mas você não pode chegar e falar que a educação daquela pessoa foi errada porque não foi a mesma que a sua.
Eu não quero te provar.
Medir a ré-- medir o mundo com a sua régua é foda.
Eu não quero que você tenha a minha fé, eu não quero te convencer de que eu estou certo.
Uhum.
Eu estou aqui sinceramente tentando te mostrar que na minha opinião, na minha opinião, o que você faz hoje destrói você.
Uhum.
Destrói pessoas.
Uhum.
E você vai ser descartada pela indústria daqui a alguns anos. Se você não quiser pensar como eu, você é totalmente livre.
Não, total.
Eu não tô tentando te provar o contrário.
E eu acho que aqui a gente não tá pra concordar, a gente tá pra expor mesmo. Então mais uma vez explicando pra vocês. Mulheres, o corpo de vocês são livres, tá? Cada um faz o que bem entender.
O corpo é livre e no momento em que você diz: "Minha, minha nudez tem preço", você está cooperando para a objetificação da mulher.
Quando eu trabalhava de CLT eu também tinha preço, eu ganhava quarenta e oito reais por hora.
Não, o seu tempo tem preço. [aplausos] Seu, seu preço...
Mas o meu tempo vem através do meu corpo, não vem?
Não, não, mas, mas não é só no sexo.
O meu trabalho não era um trabalho físico, eu era recepcionista, eu trabalhava, amor.
Não é só no sexo. Não é a sua intimidade sexual.
Eu tinha que, eu tive que fazer curso de inglês, porque senão eu não ia ganhar o dinheiro que eu ganhava com o salário.
Eu estou falando de honestidade. Eu estou falando do corpo, do sentido da intimidade erótica. Você não vendia seu corpo eroticamente.
Mas eu vendi o meu corpo.
Seu tempo.
Eu estava ali, mas, ué? [aplausos]
Obrigado.
Obrigada. [aplausos]
Arrasou!
O sexto e último tema é: se a pornografia desaparecesse hoje, o mundo seria melhor?
Um, dois, três e pode entrar.
Amiga, vamos combinar de colocar a mão, amiga.
Arrasa!
Olá, tudo bem? Prazer.
Seu nome?
Poliana.
Oi, Poliana.
Eu acho que é a gente colocar tudo numa caixinha só. Você apresentou dados, mas eu acho que pra solucionar, na verdade, toda a, a, a situação que a gente vive no geral, a gente tem um dado de mais de onze milhões de mulheres que são mães solos no Brasil. Meu nome é Poliana, eu tenho vinte e nove anos, eu sou criadora de conteúdo, sou barbeira e eu vim aqui hoje com um propósito de, em algum momento, a nossa profissão seja reconhecida, seja vista de uma forma um pouco mais branda.
E aí a gente defende tanto o conservadorismo e cadê os pais que pra, pra se fazer presente...
Concordo.
Pra, pra controlar o que se diz moral e o que se diz imoral.
Temos que mudar isso, concordo.
Então...
Mas você acha que a pornografia traz benefícios nesse sentido?
Sim.
Qual é o benefício?
Com certeza. Vários benefícios. Dentro de uma plataforma, por exemplo, a gente não pode, né, colocar, a gente sabe que tem coisas boas e sabe que tem coisas ruins. Mas dentro da pornografia, por exemplo, a gente encontra tudo.
Cê sabe que tem coisas ruins?
Tem coisas ruins também, em tudo.
O quê, por exemplo? Me diz aí. Me diga uma.
Uai, a gente tava falando de, de vazamentos de... De conteúdo infantil, várias outras coisas.
Fica com o conteúdo então que acontece.
Sim, com certeza, mas não dentro da nossa plataforma, né, que a gente já de-
Ah, da sua plataforma não acontece.
A gente deixou muito, muito claro que a nossa plataforma é uma plataforma pra maiores de dezoito-
Não tem vazamento.
Tem vazamento como qualquer em outro lugar, né. E aí a gente volta naquela questão, cadê os pais que nós somos conservadores, isso e aquilo, e aí não consegue colocar a educação, seus limites ali dentro do próprio lar. Aí você vem me falar-
Os malefícios da pornografia são extremamente gigantescos.
Hum, mas aí você volta a falar no, o, eu posso dizer os benefícios, por exemplo, dentro do tantra, a gente tá falando uma parada cultural. Dentro do tantra, a gente tem tratamentos pra pessoas que sofreram abuso sexual com a própria sexualidade, com o tran-- com o tantra, sem essa demonização do próprio corpo.
Não é demo-demonização.
É o quê?
A questão é que ela vai tentar se curar-
Hã
...do abuso infantil-
Hã
...mas expor o seu corpo como mercadoria vai trazer outros transtornos psíquicos, como eu já de-demonstrei aqui.
Não, mas uma coisa não tem-
Demonstrei numericamente.
Não.
Literatura científica.
Litt-
Oito em cada dez criadoras de conteúdo terminam a carreira destruídas.
Mas aí você tá fugin- você tá fugindo o assunto.
Transtorno bipolar.
Você tá fugindo o assunto.
Transtorno de ansiedade generalizada.
Mas hoje a doença, a-
Depressão
...a ansiedade, a depressão é uma doença do século.
Você não pode comparar numericamente-
Hã
...com os números da pornografia.
Hã.
Deixa eu te falar uma coisa, cê já viu como tá o mundo hoje? No Japão, os jovens não querem mais casar.
Hã.
Na China, os jovens não-- os pais tão pagando-
Mas cê sabe por que que as pessoas não querem casar? Cê sabe por que as pessoas não querem casar? Porque a gen-
Desculpa, a galera te demitiu.
Te demitiram. Obrigado.
É sempre assim. Eu peguei primeiro. Oi, tudo bom?
Tudo bem, e teu nome?
É Flora. Cê repete pra mim, por favor.
Se a pornografia desaparecesse hoje, o mundo se tornaria um lugar melhor imediatamente.
Não, eu não concordo com isso.
Por quê?
Você vê pelo meu caso, tá? Eu aprendi a, o meu corpo como ele funciona pela pornografia. Olá, eu sou Flora Favaretto, tenho vinte e quatro aninhos, sou empresária, mais criadora de conteúdo, mais dezoito, né, e eu tô aqui pra representar as criadoras de conteúdo e mostrar o nosso lado.
Hum.
Eu aprendi que existe, é, maneiras de me satisfazer sozinha, é, com a pornografia. Eu não tive acesso à educação, à escola, a essas, a essas educações que eu acho que deveria ter.
Cê é casada?
Não.
Quer ser um dia?
Hum, talvez sim, talvez eu queira.
Cê acha que a pornografia vai te atrapalhar de casar, sinceramente?
Não, mas pelo meu trabalho ou pela pornografia? Porque pelo meu trabalho-
Teu trabalho é pornografia.
Mas então, eu acho que ela ajuda muito casais a se aproximarem, porque quando você se conhece, você conhece seu corpo, você sabe como que ele funciona, você consegue passar pra outra pessoa pra ele poder te ajudar.
Totalmente errado. Eu, eu cuido de casais há dez anos, Flora. Cem por cento dos casais que colocaram a pornografia pra dentro de casa pra apimentar a relação, foram destruídos pela pornografia.
Tudo bem, mas aí você tá falando de um nicho específico. Eu tô falando do-
É muito comum eu ver um casal que disse assim: "Poxa, a gente tá precisando apimentar a relação".
Não, mas eu não tô dizendo-
E foram assistir pornografia juntos.
Mas eu não tô dizendo-
O marido se tornou viciado, a esposa se tornou viciada, eles não tinham mais prazer juntos.
Mas eu tô dizendo de se conhecer o seu corpo.
Porque o estímulo-
Não é imoral
...dopaminérgico do sexo digital vai ser sempre muito maior do que o sexo real, então a pessoa vai se desconectando da realidade. É-
Pode falar com todo mundo.
Levantar as mãos.
Vai, Rafa, vai. Ele, deixa ele. Vai, vai, vai. Deixa ele ir, deixa ele ir. Vai. [aplausos]
O que ele disse? Vem, vem, vem. Seu nome?
Sem pressão, gente. O meu nome, é, curiosamente é o mesmo nome que o teu, eu sou o Rafael. Tudo bem?
Prazer, Rafael. Tudo bem.
Bom, é, g-- queria começar apontando algumas coisas que desde o início dessa conversa existiram dados que foram trazidos de uma forma muito pessoal e baseada em um recorte do teu espectro de vivência. Sou o Rafael, tenho trinta e dois anos, sou publicitário e maquiador, e hoje tô aqui pra debater algumas ideias e acabar com alguns mitos que tem sobre a criação de conteúdo adulto, né, então assim...
Meu recorte?
Isso, teu recorte.
Uma pesquisa que foi feita, por exemplo, pela Universidade do Sul da Califórnia, fui eu que fiz?
Não, mas você trouxe um dado que lhe favor-favorece. Eu poderia ter estudado fatos que apenas nos favorecessem, é-
Então traga os seus. Cê não se preparou pro debate?
Eu me preparei pro debate, mas eu-
Traz seus números então pra refutar os meus.
Eu entendo que os teus dados eles existam, não estou questionando a existência. Estou questionando a, a origem, é, não parcial deles. Então, por exemplo, você traz um, um, um dado seu como se ele fosse absoluto. Então, assim, é, um dado de um outro país, com uma outra cultura, com outro recorte social, de acesso à educação, de acesso a mil outras políticas que não podem ser comparados. É um dado absoluto para aquele local, não é um dado absoluto para cá.
Você mesmo, você mesmo falou agora há pouco que não existe uma pesquisa brasileira que traga isso. "Ah, mas está no mundo". Sim, está no mundo.
Não, fui-fui preciso, não, eu não sei se existe.
Mas é mu-- mas é muito fatalista você dizer que é a pornografia que cria pedófilos. O que cria pedófilos é o, a cultura machi-
Eu disse que a pornografia é a porta de entrada pra crimes sexuais.
E você entende que a porta de entrada para crimes sexuais é uma educação machista que é passada de geração em geração?
Discordo.
Você discorda, então me prove.
Eu disc-- o que você chama de machista?
Hum.
Me explique o que é machismo pra você.
O machismo é um comportamento baseado em uma cultura onde o homem acha que ele tem posse ou poder sobre um corpo feminino.
Opa, eu não concordo com isso. [aplausos]
Mas isso não é uma questão de concordar, isso é um conceito.
Isso acontece hoje no Brasil?
E contra concei-- e contra conceitos a gente não tem como concordar ou discordar, eles são absolutos.
Isso acontece hoje no Brasil?
O machismo?
Esse tipo de educação
Uma educação machista?
Sim.
Olha, o, a educação machista acontece quando um pai pergunta pro filho de três anos como tão as namoradinhas na escola.
Tudo bem, você disse que o machismo é quando o pai, o patriarca, o pai de família entende que é dono do corpo da mulher-
Uhum.
Dono do corpo da filha.
Exatamente.
Nada contribui mais pra objetificação do corpo da mulher do que a pornografia. Quando você comercializa a nudez de uma mulher e diz: "Isso aqui você vai ter acesso se pagar X", você tá dizendo a nudez da mulher é objetificada. Isso destrói as mulheres.
O que você não entende é que a objetificação do corpo feminino existia antes de existir a pornografia.
E sempre foi prejudicial.
A ob-- mas então.
Cê concorda com a objetificação?
Então a raiz do problema não é pornografia, é a objetificação. E a objetificação surgiu a partir dos homens.
Mas o que eu estou te mostrando é que a pornografia incentiva isso como nunca antes na história.
E o que eu estou te mostrando é que independente da pornografia, o machismo ia existir e o comportamento compulsivo ia existir para o consumo do corpo da mulher, independente da pornografia existir.
Posso te dar um dado geral?
Talvez.
Posso ou não posso? Olha só.
É que dado ge-- vai, vai.
Eu não vou te dar números.
Ok.
Uma pesquisa, é, um estudo do, de um cara chamado Joseph Daniel Anwin. Ele foi um PhD de Oxford, Cambridge, e ele foi um antropólogo e sociólogo. Ele estudou durante a vida inteira cinco mil civilizações. Ele descobriu algo interessante, que quando a civi-a civilização respeitava o regramento sexual rígido, ela entrava em ascensão. Isso aconteceu com Roma, isso aconteceu com a Grécia, com os espartanos, com os impérios medievais.
No momento em que essa civilização banalizou o sexo, quebrou o regramento sexual rígido, cada um pega quem quiser, transa com quem quiser.
E o que causou isso? E o que causou esse tipo de quebra? Não foi possivelmente a pornografia que não existia na época da Grécia antiga.
Eu, eu vou chegar lá. Ele descobriu que toda civilização que banalizou o sexo e deu fácil acesso ao sexo casual, entrou em estado de declínio. Hoje você tem isso em nossa civilização como nunca antes na história do globo, porque naquela época você tinha prostitutas, você tinha prostituição, você não tinha acesso tão fácil como hoje.
Ou seja, existia um comércio em cima do corpo feminino, que quem fazia eram outros homens.
Sempre existiu.
Independente da pornografia, então já existia o consumo.
Sempre existiu.
É muito leviano você dizer mais uma vez com base em um recorte social da sua vivência, tá? Um recorte social da sua vivência que a pornografia, ela-
Eu trouxe um cara que é PhD em, em Oxford e Cambridge, não é nem nesse país aqui.
Mas você está falando que-
O que, o que ele identificou foi que uma civilização, quando quebra o regramento sexual rígido e o sexo é banalizado, ela entra em estado de declínio.
O que causa a quebra?
A pornografia não quebra isso?
Mas a pornografia, ela existe apesar do machismo e desse comportamento de consumo sexual. A pornografia, ela não é um agravante, ela é um produto disso.
Ela agrava isso.
Já existia um interesse sexual para o consumo e isso foi transformado em um produto.
Pra você ter uma ideia, hoje quarenta por cento do tráfego pago mundial é investido em pornografia, é a maior indústria do mundo.
Ou seja, é um produto.
Movimenta-
E quem são os maiores consumidores?
E quem é o produto?
Quem são os maiores?
A nudez da mulher, basicamente.
Sim, o produto é a nudez da mulher, que durante anos foi negociada apenas por homens e entre homens, e hoje em dia elas podem ter o poder de escolher quanto vai ser o valor delas.
A pornografia pega o corpo da mulher e usa como um produto a ser comercializado, você concorda com isso?
Você concorda que a sociedade faz isso e não a pornografia?
Meu Deus do céu, mas a pornografia incentiva, é o chão onde esse processo pisa.
A pornografia é uma consequência de um comportamento antropológico de consumo do corpo feminino.
Concordo que ela é consequência e fruto de um processo e hoje também é a maior consequência-
Então, se você concorda, a raiz desse problema não é a pornografia, é o comportamento machista que é passado geracionalmente.
Tudo bem, a, a pornografia não nasceu sozinha.
Huuum.
Nós temos no mundo digital uma ferramenta-
Então você concorda que é uma consequência.
Olha só. Acabou.
Mas tem quatro e quarenta e quatro.
Não, é porque levantaram a mão.
Ah.
Valeu.
Já bleia. Vamo lá. Um, dois, três e pode vir.
Peguei. Ai, amiga, pode vir. Vai você, que eu não fui ainda, vai.
Vai.
Oi, tudo bem? Meu nome é Beatriz.
Tudo bem, Beatriz? Prazer.
Olha, eu não concordo com você, porque o mundo ele é um lugar ruim, tipo assim, com ou sem pornografia. Não é a gente que deixa ele melhor ou pior, porque por um exemplo-
A pornografia deixa pior.
Olha, eu não concordo com você, porque ela pode ser usada pra coisas boas. E por um exemplo, a gente é tão-
Me dê uma coisa boa que a pornografia pode ser usada.
Pode ser usada por casais, pode ser usada por mim, por exemplo.
Por casais, como?
Meu nome é Beatriz Bittencourt, eu tenho vinte anos, eu sou criadora de conteúdo adulto e eu tô aqui pra mostrar a minha visão do por que a criação de conteúdo é sim um trabalho digno. Por casais, eles podem entrar num consenso pra ver pornografia, por mim mesmo, que mudou a minha vida.
Me mostra aí-
Mudou a vida da minha família.
Tudo bem. Só, só pra pegar esse ponto aí. Você conhece um casal que colocou a pornografia por dentro, pra, pra dentro e o casamento ficou forte depois de dez anos?
Sim.
Quem é?
É, vou dar o-- por dez anos não, mas eu vou dar o exemplo meu por quatro.
Quatro é pouco. E dez?
Como quatro é pouco? Uma vida tem quatro anos. Como que quatro é pouco?
Por que você disse que seu casamento ficou melhor com a pornografia?
Ficou melhor com a pornografia, foi uma oportunidade de trabalho, entendeu? Foi uma oportunidade da gente ter uma vida melhor, foi a oportunidade da gente...
O traficante também tem ma-mansões, tem Ferrari.
Mas eu não devo ser comparada com uma traficante, nunca.
Meu Deus do céu.
Nunca. Primeiramente, porque a pornografia, ela não pode ser comparada com uma droga, porque pra uma droga ser viciante, ela tem que ser consumida todos os dias.
Não, tá errado.
E o nosso conteúdo é mensal. A gente paga, eles pagam uma vez no mês pra tá com a gente.
Tem viciado em cocaína que usa uma vez por mês.
Mas eu não posso ser comparada com uma droga.
Tem sim.
Eu não tenho que ser comparada com uma droga.
O processo bioquímico no cérebro é idêntico. Eu já provei isso aqui.
Não é, não é.
As alterações bioquímicas no cérebro que acontecem no vício em pornografia são praticamente idênticos ao que acontece no vício em drogas pesadas.
Não é, porque a droga, ela é uma coisa que é imediata praticamente.
Pornografia também.
A pornografia não, não é.
A recompensa dopaminérgica é imediata.
A pessoa ela tem que conseguir levar
Entendeu? Ela não-- é, tudo em excesso é demais. Coca-cola em excesso é demais, açúcar em excesso é demais. Aí o dono do supermercado ele vai ser culpado por quem vai lá e compra bebida
Coca-cola não altera a bioquímica do cérebro como drogas pesadas-
Mas toma alguém diabético
...e pornografia altera.
E altera, sim.
Não altera. Pode pesquisar.
Produz na família da mesma forma.
A pornografia é muito pior. Levantaram as mãos. Obrigado.
Obrigada, viu?
Alguém quer bebida?
Aí, vai.
Vai, vai, vai.
Obrigado, viu?
Fala bonito então, né? Fala bonito.
Ó, vou fazer o... Seu nome?
Prazer, tudo bem? Sou o Johan.
Johan?
É. Então, qual que é o tema mesmo? Só pra-
Se a pornografia desaparecesse, o mundo seria melhor.
Cara, eu discordo, porque não foi a pornografia que matou mais de cem pessoas no Rio de Janeiro. Então, tipo assim, pra mim, cara, eu acho que isso aí é igual alguns companheiro falou, cê tá trazendo algo que é completamente seu, entendeu?
A pornografia destrói famílias todos os dias, milhões de famílias.
Fala isso pra mim, por exemplo, eu sou acompanhante, por exemplo. Tem um monte de cara que me liga, manda mensagem pra saber a melhor forma de satisfazer a sua esposa em casa. Tipo assim, além de ser criador de conteúdo, eu sou um profissional que eu levo experiência pras pessoas.
Você já foi procurado-- perdão por perguntar. Se você não quiser responder, fica muito à vontade. Você já foi procurado pra programa por homens casados?
Já, eu saio com casais.
O que é que eles tavam buscando em você?
Justamente satisfazer as esposa, que é algo que eles não conhecia por falta de conhecimento.
Como assim? E com você ele vai descobrir isso?
Sim, porque eu sou profissional na área.
Mas você acha-
Eu sou profissional na área. Eu sou profissional na área. [risos]
Você acha que o programa com você vai melhorar o casamento dele? Meu Deus do céu. Olha só. Perdoe a sinceridade.
Não, pode falar, fica à vontade.
Tá? Eu cuido de famílias há, há dez anos. Todas as famílias onde houve acesso a adultério, a programas com, com prostituição-
Conscientização não é adultério.
Meu Deus do céu, mas-
Não é. Não é.
Peraí, ele-- eu achei que ele te procurasse pra ter relações.
Não, eu falei, eu trabalho com casal, não com individualismo.
Cê faz o que então?
Eu acompanho casais. Além de criar conteúdo, eu também sou garoto de programa. E você tava falando que a pornografia é um-
Não, mas é, então a gente tá conversando sobre duas coisas distintas. O que eu estou conversando é sobre programa com ato sexual.
Então, justamente isso.
E isso ajuda o casamento do cara?
Cara, muitos casais-
Não é verdade.
Claro que sim. Claro que sim. Claro que sim. Claro que sim.
Meu Deus, qualquer pessoa que tá assistindo isso vai, vai ter o, o mínimo de bom senso pra pensar o seguinte: o cara tem uma esposa.
Inclusive vai ter pessoas que vai mandar mensagem depois te procurando. Pode ter certeza.
O cara tem uma esposa, pelo amor de Deus, o cara tem uma esposa, o relacionamento sexual dele está ruim. Ele chama um outro homem pra fazer um programa de casamento melhor.
Profissional que entende na área. Profissional que entende na área.
Meu Deus do céu. Olha só, cê pode pensar assim, eu não vou conseguir te, te provar do contrário.
Não é um pensamento, não é um pensamento. É um fato, de verdade.
Não é fato.
É claro que é.
Não é fato.
Até mesmo porque se eu te falar pra você que, igual por exemplo, cê fala muito de religião. Já teve pessoas cristãs, que é da igreja, frequenta, que já me procurou.
Não é cristão, me perdoe.
Já, ué. Aí é opinião sua. Aí é opinião sua, né?
O Cristo de, o Cristo falou sobre o casamento-
Não, eu não quero falar de, de, de igreja, que aqui o assunto não é igreja, não é religião.
Mas eu sei que trouxe esse tema.
Não, falei que casal que é cristão.
Eu não estava falando esse tema.
Não tô falando de igreja, falei casal que é cristão.
Você que trouxe o tema.
Não.
Então, cristão é de, ve, ele, o grego-
Não, você tá, cê tá querendo falar de religião pra mim, eu não tô falando de religião. Obrigado, pessoal.
Você que falou de religião.
Obrigado, viu? [aplausos]
Eu acho que o debate foi proveitoso. Acho que nós tivemos diálogos educados aqui que contribuíram pra o público que vai nos assistir, que está nos assistindo, a pensar nas coisas de uma forma mais profunda. Obviamente, eu defendi o meu ponto e tentei mostrar pras pessoas que elas estão entrando aqui numa indústria destrutiva, que destrói o mundo e nós temos a chance, como sociedade, de expurgar esse mal.
A indústria vai utilizar essas mulheres, esses homens que passaram aqui, depois vai descartá-los. E os meus argumentos buscaram mostrar pra elas que Deus tem um propósito maior pra vida delas, o corpo delas não foi feito pra ser objetificado. Tenho certeza de que não consegui fazer isso com todas e com todos, mas dei o meu melhor pra, de alguma forma, como ser humano, ajudar também, não de uma forma moralista, mas demonstrando argumentos, base sólida, através da literatura científica.
Falo profeta. Obrigado, Rafa.
Eu sou o Brian Reckless, isso é um versus cinquenta por dez mil reais. [aplausos]
Qual desses é um vegetal?
A, carrot. B, banana. Or C, watermelon. A, carrot. Yes, that's correct! [aplausos]
You work, you, I ever die to go work.
Ufa! Vai ter quarenta segundos para dizer a quantidade máxima de palavras que você conhece em inglês.
Heaven, hell, ice cream, é, é...