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1 Criadora Conteúdo Adulto vs 30 Conservadores

Com Ketlin Groisman
1 h 17 min de vídeo · 16 mil palavras
1 Criadora Conteúdo Adulto vs 30 Conservadores é um episódio do Canal Foco no formato 1 vs 30, sobre sociedade, com Ketlin Groisman (criadora de conteúdo adulto), publicado no YouTube em 21 de setembro de 2025. O vídeo tem 1 h 17 min e 1,14 mi de visualizações.
Transcrito em 9 de outubro de 2026. Todas as transcrições
Cada minuto é um botão que toca o vídeo a partir daquele trecho.
E o caso que tu comentou das crianças e tal, tá com o Ítalo agora super em alta.
Sim, o Felca.
Nossa, eu sou totalmente a favor do Felca.
Eu, particularmente, eu entrei na porno-- eu fui viciado em pornografia por catorze anos da minha vida.
É um veterinário muito caro, ele teve que fazer transfusão de sangue, ficar internado, soro. E de uma hora pra outra eu precisei desembolsar tipo uns sete mil reais. Como que eu ia fazer isso? Aí eu olhava pro meu cachorro lá, jogado, magrinho, todo fodido. Aí eu pensava: "O que eu faço da minha vida?" Entendeu? É, isso mexe muito comigo ainda hoje. Enfim...
Isso não me parece felicidade, você entrar numa indústria porque você não tem escolha.
Mas homem pensa mais com a cabeça de baixo do que com a de cima.
Com certeza, com certeza. [risos] Ter a validação de pessoas, homens te desejando é ótimo. Não tem como negar isso. Não vou ser hipócrita de negar isso.
Na época, muitos casamentos acabaram, inclusive o meu.
É?
É.
Lamentes.
É, e foi justamente pra uma pessoa de conteúdo adulto.
Oi, oi, gente, meu nome é Ketlin, sou criadora de conteúdo adulto e hoje tô aqui cercada por trinta conservadores. O primeiro tema é: pornografia é um trabalho tão digno quanto qualquer outro.
[risos] Oi, tudo bom?
Oi, tudo bem.
Tudo, e você?
Certo, qual que é o seu nome?
Meu nome é Graziele, prazer em conhecê-la.
Prazer, Grazi. Qual que é a sua opinião sobre esse tema?
Então, na realidade, é, eu sou totalmente contra.
Uhum.
Tá? Eu acredito que você pode procurar outros trabalhos, né, não tô tirando a sua dignidade, jamais. Eu sou pedagoga-
Uhum.
Né? E eu trabalho com crianças.
Sim.
E a gente tá vendo o bombardeio que a internet, né, está tendo em relação à pornografia.
Uhum.
Eu não vou falar, eu sou cristã, tá? Mas eu não vou falar somente embasada no cristianismo, eu vou falar embasada na ciência. A pornografia, assim como a cocaína e outras drogas ilícitas, ela é um vício, né. O que que ela faz, né, com o nosso cérebro quando a pessoa é viciada em conteúdo pornográfico? Ela acaba tendo um bombardeio de dopamina, né-
Sim.
E isso acaba prejudicando a vida dela. Mental, não só espiritual, mas mental. A questão hormonal, porque o homem ou a mulher não vão funcionar da mesma maneira. Falando da questão do trabalho, né, você é uma mulher bonita, você é uma mulher muito bonita, inteligente. Eu acredito, né, que com-como você é produtora de conteúdo pornográfico, você pode também produzir outros tipos de conteúdo que vão ajudar também a questão do trabalho.
Eu não sei se você só vive do conteúdo pornográfico, se você tem outras, né, atividades, né. É isso.
Então, antes de eu entrar na pornografia-
Sim.
Eu estudei pra medicina e fiz Química Medicinal numa federal lá em Porto Alegre.
Sim.
Eu entrei pra esse mundo por conta de uma questão pessoal que a maioria das meninas entram e outras também entram por questões de "nossa, eu gosto desse mundo".
Sim.
Quando eu era mais nova, assim, s-tinha a revista Playboy, né.
Sim.
E eu já pensei: "Nossa, eu acho legal posar pra Playboy" antes disso.
Uhum.
Mas eu nunca pensei numa coisa muito explícita que nem é o que eu faço hoje.
Sim.
Então eu entrei por uma questão pessoal de, do meu cachorro tá muito doente-
Uhum.
E minha mãe ser uma aposentada-
Sim.
E não ter dinheiro pra arcar com os custos.
Sim.
Eu entrei por isso. Concordo em certos pontos contigo que o pornô ele vicia, mas tudo usado em altas doses e sem controle, ele é viciante mesmo.
Sim.
Concordo nisso. Mas eu acho que tem a outra parte de que o pornô é um certo tipo de entretenimento, que às vezes ajuda até casais a melhorarem a relação sexual. E o caso que tu comentou das crianças e tal, tá com o Ítalo agora super em alta.
Sim, o Felca.
Nossa, eu sou totalmente a favor do Felca.
Sim.
Porque o que o Ítalo fez assim, é realmente, é, infantilizar, né, tudo das crianças.
Sim.
Eu acho que pra mim, a partir dos dezoito anos é uma coisa. Agora, antes dessa idade, com certeza, tu tem que, né, ensinar teus filhos que não é certo isso, que não é legal.
Sim.
Então tem que ter discernimento ali, né.
Entendi, mas o que você acha, assim, no seu caso, você fez medicina. Hoje a medicina, é, tem várias se-- tem várias, várias-
Vertentes, né?
Vai, vertentes. Você acha que não vale mais a pena você voltar a cuidar de, de pessoas do que produzir esse conteúdo que acaba prejudicando não só a sua imagem, mas também prejudica a imagem da sua família, porque você produz. Você já parou pra pensar como, não sei se você é atriz ou só produz. Como você se sente em relação a isso? Ok. Obrigada, meu amor.
De nada, muito obrigada pela opinião.
Prazer.
Prazer, qual que é seu nome?
Meu nome é Jean.
Prazer, Jean.
Você falou que você é contra essa questão da adultização do Felca, mas não tem como você ser contra essa questão da adultização, porque como produtora de conteúdo, qual o tipo de conteúdo que você faz?
Eu não faço aquele pornozão, digamos assim, que nem o André Surak faz.
Aham.
Mais tranquilo, mas continua sendo pornô. Um traficante, ele é traficante por vender maconha, por vender droga pesada, eu concordo com isso.
Exatamente. Então como você usou o exemplo do traficante, um traficante que vende maconha é diferente do que vende crack?
Não, só que o pornô não é ilícito, né?
Não, não é ilícito.
Eu sei que vicia também, só que não é ilícito.
Exatamente. Mas cê já ouviu falar no efeito College?
Não.
O efeito College, também aplicado pra droga, é quando você aplica, hã, começa com uma coisa e você vai acabar em outra.
Sim.
Então, ou seja, você não é uma atriz, uma produtora totalmente explícita.
Uhum.
Mas uma hora o cara vai parar nisso. O que que você pensa sobre isso?
Então, no meu caso, eu faço esse pornô que nem eu te falei, que é uma coisa mais leve, entre aspas. Não fui eu que criei o mundo pornográfico, eu só tô ali. Talvez eu inserida nesse meio, eu contribua, sim, pra essas coisas.
Uhum.
Só que como eu não faço isso que você citou, eu acho que eu não, né, sou, apoio isso. Eu não apoio isso, acho muito pelo contrário, eu acho isso muito errado, que nem eu tava comentando ali. O caso do Ítalo, de tipo, pegar as crianças e ganhar like em cima disso, tanto que eu acho totalmente contra.
Sim.
Por exemplo, vou te explicar. Meu Instagram é banido pra menores de dezoito anos.
Uhum.
Tipo, eu tirei. Claro, quem quiser ver de algum jeito, vai ver. Tudo tem como ver de alguma forma.
Sim.
É por isso que eu acho que é muito importante os pais educarem os filhos, explicar: "ó..." Nessa idade aqui é tranquilo, tu vê, sabe? Então tem que ter um diálogo em casa pra começar
É, mas hoje a realidade é que a maioria dos pais, além de não terem consciência, não têm esse tipo de educação sexual em casa. Eu, particularmente, eu entrei na porno-- eu fui viciado em pornografia por catorze anos da minha vida.
Uhum.
Eu conheci a pornografia com sete anos também pela Playboy.
Uhum.
Eu acabei parando em vídeos pornográficos mais pesados. Então eu, como um ex-viciado, eu consigo afirmar pra você que você, por mais que não seja o, o tipo de conteúdo mais pesado, você é a porta de entrada.
Sim.
E como é que você vai garantir que o cara não é? Porque você apoia de forma indireta.
Sim, não tem como garantir. Tipo, eu faço o meu trabalho, exponho, tipo, as minhas coisas ali, mas eu não tenho como garantir o que que o cara vai ver, o que não vai ver. Até porque não tem como a gente ter controle do que que os nossos consumidores, né, têm acesso.
Sim.
Como eu produzo só essa coisa mais leve, digamos que o meu ponto ali é produzir isso, e eu tô produzindo isso e não vou pra outros meios mais pesados. Então digamos que a minha parte, entre bem aspas, eu estou fazendo. Não estou indo-
Uhum
...prum meio mais pesado, mas eu concordo contigo, sim, em partes.
Sim, sim, entendi. Mas só que, por exemplo, você disse que a droga, a questão da maconha-
Uhum
...etc, não é ilícito. E concordo com isso. Porém, na pornografia, se ela tem os mesmos efeitos na pessoa que tá consumindo, cê não acha que deveria ser ilíc-ilícito?
Os mesmos efeitos não tem. Quimicamente, não vai ter. Vai ter uma diferença ali, né? Tipo assim, por exemplo, quando tu usa droga, tu fica às vezes desvirtuado, tu não sabe o que tu tá fazendo.
Uhum.
A pornografia, tu vai pra rua, vê um pornô antes de sair de casa, tu não fica loucão que nem quando tu usa droga. Concorda?
Sim. Concordo. Mas só que voc-
Mas a longo prazo, pode sim causar esses efeitos. Por isso que eu digo, tudo tem que ser dosado.
Sim.
Porque se não for dosado, tudo quem acessa, tudo faz mal.
Exatamente. Mas você acha-
Obrigada, viu?
Eu que agradeço.
[risada]
Oi.
Oi, tudo bem?
Tudo bem.
Qual que é seu nome?
Sou Amanda.
Prazer, Amanda.
Prazer. Você disse que não criou a pornografia, então não teria problema de você realizar esse ato.
Entre partes, sim.
É, tá.
Tudo bem, sim.
Então a pessoa que não criou o roubo, ela poderia roubar?
É que roubar é ilícito.
É.
A pornografia hoje no Brasil, ela não é uma coisa assim que a gente diz que é muito, é, certa, mas-
Uhum
...só que ela não é um crime. Só, né, quem promove isso, digamos, se eu sou uma cafetona, seria um crime.
Sim.
E sim, que nem eu falei antes, eu concordo que não é uma-- a maior maravilha do mundo. Ser médica-
Uhum
...é muito mais bem vista pela sociedade do que ser uma atriz, por exemplo, de conteúdo adulto. Não sou uma atriz pornô que nem Eliza Sanches, Andreia Sora. Eu tenho, digamos assim, a plataforma, eu posto da minha vida, das minhas coisas pessoais.
Uhum.
O que acontece no meu dia a dia, digamos assim. Posto a minha vida pessoal, tipo, eu não forço nada, sabe, a ser postado.
Certo. E como foi pra sua família saber disso?
Olha, a minha mãe me apoiou muito no início.
Hum.
E isso conta muito pra mim, sabe? Que eu acho que não é certo. Acho que nenhuma mãe quer ver a sua filha nesse meio. Mas por outro lado também tem vários benefícios em questão financeira, em questão de mudar a vida, porque minha vida antes de entrar nisso era totalmente-- eu já passei fome.
Uhum.
Então assim, é bem diferente.
Tá. E você tem filhos?
Não, e não pretendo ter.
Não, não pretende?
Não pretendo ter.
Entendi.
Porque eu sei que talvez isso seria uma carga emocional muito grande pra eles, então eu já me policio com isso também de não querer ter filho, de focar mais no meu trabalho, nas minhas coisas assim, porque talvez, talvez eu não seria uma mãe, boa mãe por causa disso. Talvez meu filho sofresse muito bullying por causa disso, ver a mãe exposta na internet.
É, isso poderia causar várias marcas.
Eu tenho muita ciência disso já.
Por isso que eu te fiz essa pergunta.
Sim, eu já tenho ciência disso.
Entendi. E quando você envelhecer, você acha que isso vai ser uma questão? Você pode se arrepender?
Você diz de eu olhar pra trás e ver assim, é...
Sim.
Nossa, fiz-
[risada]
[risada] É quem senta, quem chega!
Pra eu poder falar bastante.
Oi, tudo bem?
Oi, tudo bom.
Qual que é seu nome?
Luiza Martins.
Oi, Luiza. Bom, você falou que isso faz bem até pros casamentos, né? Você citou o casamento-
Uhum
...que é uma instituição sagrada de Deus, né?
Sim.
E existe um versículo que fala: "Venerado entre os homens seja o casamento". Então como que é pra você, vamos dizer assim, em, é, ajudar a destruir algo sagrado?
Então, eu concordo que a pornografia pode destruir sim, porque eu já tive um namorado viciado em pornô, que isso afetou muito o nosso relacionamento. Como eu falei, tudo tem os dois lados. Tudo tem o lado positivo, tudo tem o lado negativo. Como ela também contribui pra destruir casamentos, destruir família, infantilização, tudo, ela também pode ajudar de certas maneiras. Por exemplo, não s-sei se você é casada, namora, enfim.
Não sei se tu já assistiu pornô com teu namorado.
Então, não, nós somos da igreja e graças a Deus isso nunca entrou no nosso meio, e seria um motivo de termos, termos entrasse.
É.
Em questão de dinheiro, é, você sabe que dinheiro uma hora acaba e a fama também.
Claro.
E também vamos envelhecer.
Uhum.
E você que é tão linda, um dia também vai ficar v-
Concordo
...vai ficar uma idosa.
Concordo.
A beleza vai acabar.
Sim.
E como que é pra você isso? Porque o passageiro vai embora, o que é-- o dinheiro vai embora.
Sim, concordo. A maioria das meninas que tá nesse meio, elas se preocupam muito financeiramente. Claro, tem umas que tu vai ver esbanjando e não tá nem aí. Mas muitas têm planos de carreira, muitas investem, que é o meu caso. Então assim, a gente tem um plano de carreira, porque a gente sabe que isso não é pra sempre. Não vou tá lá com cinquenta, quarenta anos fazendo isso ainda.
Muitas vezes com nossos investimentos a gente pode abrir empresas, essas coisas. Por exemplo, é meu plano de carreira, porque eu tenho noção explícita sim que eu não vou viver disso pra sempre, nem dá pra viver disso pra sempre, nem quero viver disso pra sempre. Então pra mim isso tá bem explicado na minha cabeça.
E como você lida assim com a parte espiritual? Porque a gente sabe que a gente é alma, corpo e espírito. A gente-- é igual eu te falei, a, isso aqui é uma matéria, um dia a gente vai morrer.
Sim.
Como que você lida com a parte espiritual?
Então, a, sobre a minha religião? Eu sou-
Não é nem religião.
Sim.
A gente sabe que existe um criador de todas as coisas. A gente sabe que existe Deus.
Sim, sim.
E o certo e o errado.
Sim. Eu lido com a minha parte espiritual muito bem, porque o que eu estou fazendo na minha percepção de cabeça tá ok. Eu não finjo ser quem eu não sou, entendeu? Como muitas pessoas fazem isso. Não estou falando meu cristão, estou falando no mundo inteiro. Então eu prefiro ser quem eu sou e mostrar a minha verdade do que às vezes Passar por algo que não, não é quem eu sou.
Então acho que tando tranquila com a minha consciência é o que importa.
Isso não gera nenhum tipo de arrependimento em você ou até mesmo remorso?
Por enquanto, não. E um dia não sei se vai gerar.
Voltando um pouco pra parte, é, da pornografia e crianças. Hã, a gente sabe, né, aqui ninguém é hipócrita. Todo mundo tem uma fase da vida que consumiu.
Sim.
Né? Uns viciados, outros pra glória de Deus, saíram disso. Mas toda vez que a gente entra em um site pornográfico, tem lá: "Você tem ou não dezoito anos?" E é só uma criança clicar e falar que tem dezoito anos.
É isso.
Eu tive acesso antes dos dezoito anos. Então isso, isso não te gera uma culpa de que uma criança, de que futuramente vai ser destruída por isso?
Que nem eu falei, eu sou totalmente contra isso. Se eu tivesse como controlar, como eu tento controlar pelo menos minhas redes sociais, não deixar menores de idade entrar, eu controlaria. Só que a gente não tem controle do mundo inteiro. Então eu tento fazer o que tá no meu controle, na minha base.
Mas cê seria uma a menos a causar isso nas pessoas.
É, mas eu acho que não mudaria tanto. É que nem vegetariano e carnívoro.
Cê poderia ser a diferença.
Não sei se faria tanta diferença. É que pra mim faz muita diferença eu fazendo isso. E eu não es- [som de porta batendo] [risos] Oi, tudo bem?
Tudo bem, Ket?
Qual que é seu nome?
Eu sou a Eva.
Eva, tudo bem.
Eva, mavá, tudo bem. Ketlin, ainda nessa abordagem que vocês tão falando sobre o ser e sobre o fazer, né? Você fala sobre o ser, eu sou isso e fica esse lugar que eu concordo contigo, a minha responsabilidade. Eu faço isso, eu vendo isso, consome quem quer. Ponto, xis. Mas sobre o seu ser, porque eu vejo muita coisa do personagem. Você se adapta, você cria um personagem e você se desnuda do que você é pra ir lá cumprir o seu, o seu trabalho.
Uhum.
Mas esse seu ser, ele tem um impacto pensando em tudo que foi abordado até agora, que é na biologia, na parte biológica. [telefone tocando] Dá, dá a sua... Tá bom, é isso.
Muito obrigada. O segundo tema é: fazer pornô é melhor que ser CLT.
Agora, se você tá no CLT, mas acabou sendo demitido, eu sei que não é fácil, mas calma, tem um jeito de colocar um dinheiro na sua conta ainda hoje, mesmo desempregado. Sabia que dá pra antecipar parte do seu FGTS? Pois é, se você já trabalhou ou trabalha com carteira assinada, pode ser que tenha um valor pra receber ainda hoje. E o melhor, você pode receber direto na sua conta de forma simples e prática, com ajuda da Cloud Express, uma das maiores referências no saque do FGTS aqui no Brasil.
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Oi, tudo bem?
Tudo bem, jovem.
Qual que é seu nome?
Prazer, me chamo Rafael.
Prazer, Rafa.
Eu sou bem conservador, mas eu presto muita atenção ao que rola hoje em dia em volta, né? Como que é que você se sente quando depois cê vem de uma balada, vem de um rolê, você coloca sua cabeça no travesseiro, o seu emocional, como que fica? Porque no caso você tem que cuidar disso, porque várias situações, às vezes por conta do, da falta do dinheiro e situações que leva você, muita gente ao suicídio, à depressão, a ficar doente.
Como você lida com essa situação?
É, antes também de fazer minha faculdade, eu já fui CLT. Eu fiz educação física também.
Bacana.
Eu já tentei algumas várias coisas na vida.
Show.
Eu trabalhava como, é, CLT numa academia CLT, né, eles fazem o estagiário que pra pagar menos.
Certo.
Eu trabalhava doze horas por dia pra ganhar quatrocentos e cinquenta reais no mês. Eu limpava banheiro, abria academia, fechava caixa, dava personal, fazia tudo que o meu chefe mandava fazer, eu tava fazendo. A minha questão emocional nessa época, a minha cabeça tava tipo assim, muito de trabalhar, trabalhar, trabalhar.
Uhum.
Que eu não conseguia parar um pouquinho pra pensar o que que tava acontecendo comigo. Aí chegava final do mês, quatrocentos e cinquenta reais, hoje em dia tu não faz nada.
Aí a conta não fecha.
Exato. E eu via que além de tá ganhando pouco financeiramente, eu não tinha tempo pra nada. Doze horas no meu dia eu ia fazer o quê depois? Treinar, tomar banho, ir pra casa e dormir. Então eu também tava ficando adoecida mental. E eu fico pensando, essa profissão que eu estou hoje, com certeza ela te faz mal mentalmente.
Uhum.
Hoje em dia a maioria das meninas fazem terapia, tem acompanhamento de psiquiatra, eu também. É, mas só que em contrapartida, ela te dá o benefício financeiro. Não são todas, obviamente, mas eu, por exemplo, tenho benefício financeiro que mudei, por exemplo, a vida da minha mãe.
Certo.
Que pra mim é o ponto mais importante da minha vida.
No caso você pode se machucar, mas porém, você sabendo que tem pessoas que dependem de você, então você passa por cima dos seus valores pra obter um resultado que seria a parte financeira, no caso.
Foi isso que eu fiz, por isso que eu comecei, por causa do cachorro.
Ah, entendi. É, mas futuramente isso daí vai te machucar.
Importa-- eu prefiro me machucar e tipo, sei lá, dar uma condição boa pra minha mãe do que procurar outra coisa.
Não, é isso. Não, tá bom. Boa sorte aí.
Muito obrigada.
E aí, Ketlin.
Tudo bem?
Tudo bem?
Qual é o seu nome?
Eu sou o Otávio.
Otávio, tudo bem.
Ia dizer que você é muito mais bonita pessoalmente.
Ai, muito obrigada.
Eu queria pegar uma questão que ela mexeu um pouco comigo.
Uhum.
É, você contou sua história e eu já passei por uma coisa bem parecida. Cê falou do seu cachorro.
Uhum.
Que você entrou nessa por conta do seu cachorro. Eu já perdi um cachorro por conta de não ter condições financeiras. O que a gente fez é eutanásia É muito triste. Me pegou, me pegou, mas eu quero f-focar em outra coisa. Beleza, você fez aquilo por aquela necessidade de cuidar de alguém que você ama. Só quem tem cachorro sabe o quão importante eles são pra gente e o quão terapêutico eles são pra nós.
Mas o que te fez continuar? Porque eu fico pensando que aquele foi um problema e você poderia ter resolvido ele. Eu também já fiz coisa errada. Eu já divulguei jogo do tigrinho.
Sim.
Entendeu?
Sim.
E particularmente, eu sei que isso é uma coisa que não é legal. É uma coisa que eu não gosto de fazer. De vez em quando eu divulgo ainda, mas é uma coisa que eu posso dizer pra você que faz mal, mas por que continuar? Por que você quis continuar?
Uhum. Entendi.
O que fe-- o que te motivou a isso?
Tá. Nessa época que eu tive essa situação com meu cachorro, eu fazia federal, e a federal tu não pode escolher teus horários, é tipo período integral, minha mãe aposentada, né, enfim, essa questão financeira não tinha como. Eu recebia muitas propostas na época no meu Instagram de fazer programa. Só que nessa questão eu nunca entrei, que daí eu já acho também um pouco pesado pra mim, pessoalmente. Tive meus problemas com ele, é, o veterinário é muito caro, ele teve que fazer transfusão de sangue, ficar internado, soro, e de uma hora pra outra eu precisei desembolsar tipo uns sete mil reais.
Como é que vai fazer isso? Nessa época tava estourando Only Fans aqui no Brasil, era meio que época de pandemia também. Muitas pessoas me falaram: "Por que que cê num, então, não faz Only Fans, não faz conteúdo adulto?" Eu pensei, eu tinha o maior preconceito do mundo. Eu falava: "Por que que eu vou entrar nisso?" Eu falava: "Como é que as pessoas vão me ver?" E eu ficava com aquilo na minha cabeça mastutando o dia inteiro.
Aí eu olhava pro meu cachorro lá, jogado, magrinho, todo fodido. Aí eu pensava: "O que eu faço da minha vida?" Entendeu? É, isso mexe muito comigo ainda hoje. Enfim.
Eu sinto muito. Eu, eu sei exatamente o que cê tá sentindo.
Obrigada. Aí começou, tipo, a dar dinheiro pra mim, eu fui, levei ele no veterinário, tudo mais. Só que eu vi que tava dando tão certo que eu pensei assim: "Por que que eu vou parar agora? Se minha mãe precisa também da minha ajuda, tipo, com salário mínimo, se sustentando e tudo mais, a gente sem casa própria", que eu me mudei pra Porto Alegre, eu morava em Nova Petrópolis, que é interior do Rio Grande do Sul, que lá não tinha faculdade, mudei pra Porto Alegre pra fazer faculdade, entendeu, federal.
Aí eu pensava, tipo: "Por que que eu vou deixar de fazer algo que tá dando certo, mesmo sendo errado, por uma questão, sei lá, de socia-sociedade, do que as pessoas vão me julgar?"
Eu acho muito interessante o que você tá falando, mas Ketlin, você é uma mulher bonita, você é uma deusa, uma louca, uma feiticeira. Isso é claro quando a gente olha pra você. Eu acho que não tem aqui, ninguém aqui que discorde disso. E o mundo, ele é um mundo de aparências.
Sim.
E qualquer coisa que você fizesse na internet, fora pornografia, daria certo, porque você é uma moça que sabe se comunicar, você tem talento.
Obrigada.
Entende? Seu talento não é só mostrar essa raba, não é só mostrar esse peitão, cara. Você é maior que isso, porra!
Hoje em dia, eu gosto de fazer outras coisas. Eu participei já de programas de humor que eu gosto muito, que eu acho muito legal. É, já fui pra uma mansão de influencers. Eu gosto dessa parte. Só que o que dá dinheiro pra mim hoje em dia, querendo ou não, é a pornografia.
Uhum.
Se, se tu me falar: "Tu quer fazer isso pro resto da tua vida?" Não. Se eu pudesse viver só de internet sem ter que me despir, eu faria. Mas eu gosto também dessa parte. É uma parte Ketlin, assim, que também gosta disso, entendeu?
É o seu oculto falando.
É, eu acho que todo mundo tem uma partezinha dentro de si que tem um negocinho assim, mas eu quis expor a minha.
Eu acho que todo homem já quis ser artista pornô em algum momento da vida.
É. Eu acho que sim. Não é muito interessante, mas talvez eu acho que sim.
É, principalmente se a peça for pequena.
É, então, tem tudo isso também.
Foi uma honra falar com você.
Muito obrigada pela participação.
Você disse que criar conteúdo é melhor do que CLT. Em que?
Uhum. Então, que nem eu expus ali a minha parte. Eu acho que o maior benefício é se-- é financeiro.
Sim.
Porque hoje em dia o CLT ele trabalha quarenta e quatro horas semanais pra ganhar mil e quinhentos reais, mais ou menos, e entre aspas, ter um plano de carreira, porque muitos salários são congelados e a pessoa acha que tá tendo um plano de carreira e tá ali numa coisa super legal, produtiva, que vai ser, vai trabalhar por quarenta anos e meu Deus do céu, tô seguro na minha vida.
Sim.
Eu não concordo com isso. Pra qualquer momento, se teu chefe te ver, "nossa, não tá sendo produtivo, o que que eu vou fazer?" Tu vai continuar ali? Não, tu vai demitir.
Aí no Only Fans você tem essa segurança.
Tenho mais. Por conta que o dinheiro que a gente, que, por exemplo, eu ganho, não vou generalizar, que eu sei que não são todas.
A maioria não é.
É, o dinheiro, ele, que tu ganha, vou falar de mim, quatrocentos e cinquenta no mês que eu ganhava, é muito mais fácil ganhar hoje, sabe? Então, às vezes, em um curto período de tempo, talvez eu faça mais do que um CLT fez em quarenta anos.
Eu concordo com isso, você consegue fazer mais dinheiro.
Uhum.
Porém, a preço de quê?
Exato.
Porque você falou que você é acompanhada por terapeuta.
É, eu sempre fui, até antes de fazer, é, o conteúdo, desde 2017.
Você comentou também que você perdeu seu cachorro.
Uhum.
Esse cachorro, você pegou ele de adoção, de onde que ele veio?
Eu ganhei ele.
Ganhou ele? De quem?
Do meu pai.
Do seu pai? Seu pai, ele...
Ele morreu quando eu tinha 12 anos.
Sinto muito.
Obrigada.
Seu pai, ele iria concordar com esse tipo de trabalho que você tem?
Com certeza, não. Nenhum pai quer ver a filha nesse meio. Isso eu concordo super contigo. Se eu fosse mãe, eu não queria ver minha filha nesse meio.
E você acha-
Faria tudo pra pagar, sei lá, uma faculdade pra ela, fazer qualquer coisa por ela. Eu concordo com isso plenamente, assim.
Sim. E você acha que a falta do seu pai influenciou nessa escolha?
Eu acho que influenciou na questão, assim, que talvez eu não precisasse tanto financeiramente, com um homem ali dentro de casa-
Sim
... dando, botando dinheiro, fazendo tudo certo, talvez eu não partirei pra esse caminho. E talvez se ele tivesse ali, eu pensaria duas vezes também.
De certa forma eu admiro a sua atitude de ter ajudado a sua mãe.
Obrigada.
Mas eu não concordo da forma que você fez.
Sim.
Porque eu não, n-- você falou que ela te apoia.
Uhum.
Eu tenho minhas dúvidas, assim, eu não conheço sua mãe, mas eu não vejo al-- uma mãe apoiar a filha ou um filho em alguma coisa que vai expor a sua honra, vai, você também, você de certa forma, você tem uma relevância, uma fama, então você não tá segura andando na rua a qualquer momento, porque você fatura muito dinheiro.
Uhum.
Então você fica exposta.
Sim.
E que mãe vai querer isso pra uma filha?
Sim, o que ela apoia é me ver feliz. Às vezes eu tava trabalhando, chegava em casa chorando, mal pra caramba, e tipo, ela falava: "O que que tá acontecendo?" Entendeu?
E você é feliz.
Era humilhada pelo meu chefe. Sou Sou. Tipo, eu sei que tem os, as questões de princípios e tal, mas eu tento ver a Ketlin que eu sou
Sim
É a Ketlin personagem, como a gente é tipo no trabalho, tu é uma coisa no teu trabalho e no teu meio social, em casa tu é outra. Então hoje em dia ela quer me ver feliz, independente do que eu faça, tipo assim, não matando, não roubando. Tá, o pornô destrói um pouquinho ali, tudo bem, eu sei disso-
Um pouquinho não, né? Bastante
Eu tenho consciência disso. Eu concordo, eu tenho consciência.
A maioria das mulheres não ganham muito dinheiro
Sim
A maioria das mulheres que produzem conteúdo adulto, principalmente no OnlyFans, faturam em média duzentos dólares por mês. Ou seja, isso não é nenhum salário mínimo. Você é um ponto fora da curva
Duzentos dólares por mês. Olha, no meu meio, as meninas que ganham mais baixo, o mínimo elas faturam, é, dez, quinze mil por mês
Mas você sabe que isso são pouquíssimas, né?
Não, isso são as mais baixas. No meu meio, por exemplo, das pessoas que eu convivo
É, exatamente, as pessoas que você convive
Claro, pode ser que um-- não, eu concordo super contigo. Tem menina que, sei lá, vai ganhar cem dólares, vai ganhar mil reais, cinco mil reais por mês
Exatamente, é, mui-- na verdade, muito menos. A maioria ganha menos de que um salário mínimo
Uhum
Só que hoje, vocês com essa influência e principalmente falando sobre a quantidade de faturamento ou estilo de vida que vocês vivem, indiretamente também você apoia mulheres a entrarem nisso, sendo que a maioria não vai conseguir. E a maioria tem a questão da beleza, que influencia. Tem a questão do marketing, porque querendo ou não, você tem que produzir conteúdo não só adulto, mas você também tem que chamar-
Sim
Lídico, né
A maioria tá no Instagram. Ali que tu faz o teu marketing todo, né?
Exatamente
Eu concordo contigo. Posto academia, vídeo idiota de humor pra viralizar, que é o que viraliza, e é isso, entendeu? Mas tipo, eu não gosto de postar tipo meu, meu luxo, minhas coisas assim.
Sim
Eu sempre falo: "Cara, não é todo mundo que vai ter a mesma sorte, não é todo mundo que vai ter a mesma visibilidade, não é todo mundo que entrou no mesmo período que eu". Quem tá entrando agora muitas vezes não consegue se erguer tanto quem entrou lá atrás, quando estourou, né
Você disse que entrou nessa indústria por conta do desespero e um, um sufoco financeiro
Financeiro, é. Exato
A maioria das pessoas que entram nessa indústria são por causa disso
Sim
Só que isso não me parece felicidade, você entrar numa indústria porque você não tem escolha
Escolha todo mundo tem. A questão é que eu queria sair daquele lugar o mais rápido possível. Por exemplo, no meu caso, eu fazia faculdade. Eu podia esperar cinco anos, eu ia ter minha escolha ali de me formar. Eu queria-- que eu fiz Química Medicinal também, eu queria ser perita criminal, tinha escolha de ser concursada e era isso. Só que eu quis uma coisa mais rápida. Não que seja mais fácil, mas era mais rápido.
Minha escolha foi essa. Não é que eu fiquei sem escolha, sabe?
Sim, você agiu com imediatismo e você escolheu essa escolha
Eu agi na emoção de salvar uma coisa que eu amava na minha vida. Foi por isso que eu agi nessa emoção. Agora, se eu não tivesse naquele ponto ali, eu ia falar: "Por que que, tipo assim, beleza, vou fazer minha faculdade, esperar cinco anos e tá tudo certo. Não tô passando fome, tenho onde morar, tá tudo bem". Não sei se você é pai, se tem filho, ok.
Mas tipo assim, se tu visse uma coisa que tivesse ao teu alcance, um jeito de tu fazer algo por alguém que tu ama, pelo menos eu faria. Tudo que eu posso fazer, eu faria
Eu faria tudo que não envergonhasse meu filho
Claro
Porque você mesmo disse que não quer ter filhos porque sabe do que isso pode gerar pra ele
Uhum. Exato
Só que como eu vou fazer algo que tiver à minha disposição, sendo que logo na frente vai me trazer uma consequência que eu não quero?
Exato, por isso que eu pensei em não ter filho, entendeu? Porque eu sei que não seria legal pra ele. E antes já de entrar nesse mundo, eu já não pensava em ter filho. Eu acho, não sei se eu seria uma boa mãe, talvez, eu não sei
E por que que você entrou nesse mundo, sendo que você... [riso]
Obrigada, viu? O terceiro tema é: todo mundo já viu pornô e vai continuar vendo.
Será que todo mundo já viu pornô?
É o tema
Eu acho que a grande maioria viu pornô, porque é nessa busca pelo meu "quem sou eu?"
Uhum
Como que é, o que que é sexo? O que que é isso? Mas aí entra uma parada que é o que, o que me faz, é-
Querer ver
Ver, não. Hã, repelir um pouco a indústria do pornô
Aham
Que é o quê? A imposição do consumo. Porque a indústria do pornô, ela quer me trazer um padrão de como eu gozo
Uhum
O que eu devo fazer pra gozar e como eu sou aceita no meio a partir daquilo
Uhum
Esse é um problema
Uhum
Porque a partir do momento que o meu sexo, a minha libido, que é algo tão íntimo, né, que não tem nem a ver com a prestação de serviço. "Ai, vou vender minha imagem, tal, eu tô forever pra sociedade". Aí eu acho que a pessoa que trabalha nisso, ela acaba sendo um fruto daquele meio. Por exemplo, é, o que o nosso amigo abordou sobre o tempo passar e tal, que vai passar, e você fazer o seu nesse momento, mas você ainda tá condicionada ao que um OnlyFans te permite.
Você não tem uma liberdade, entende? A gente entra nisso, de falar que você não tem essa liberdade no, na, na sua construção. E a gente também entra sobre essa imposição do meio pornográfico de querer ensinar pras pessoas como que elas gozam, como que elas são, como que é a... Entende?
Entendo. Então, hoje em dia, se a gente for fazer uma pesquisa, trinta por cento do tráfego da internet é voltado por pornô e trinta e cinco por cento dos downloads totais são de pornô. É uma coisa absurda, se tu for ver de tudo que tem no mundo, ser um percentual tão grande disso
Sexo vende, né?
Estamos aí, né? Por isso que eu entrei por isso. Enfim
Tem quantos anos?
Eu tenho vinte e sete. Pareço mais nova?
Parece.
É? [riso]
Carinha de bebê
Ah, que bom. Tem uns filmes pornográficos, sim, que eles te impõem um certo jeito de tu fazer alguma coisa, que tu tá sendo uma atriz pornô. Só que a questão do, da plataforma de conteúdo que eu entrei, eu entrei botando a minha vida ali dentro. Então o que eu já fazia na minha vida, eu só filmei. Então digamos que é o meu pessoal. Tipo, eu não vou fazer que nem aquelas mulheres louca, um gang bang, um não sei o quê que elas fazem.
Não, eu bo-- eu mostro minha vida pessoal. É uma vida normal, que tem sexo, que, né? Normal, assim.
E aí se eu sou um consumidor e isso me dá tesão, nossa, deixa eu ver a gatinha, pá pá pá, é um problema meu, voltamos praquilo, é um problema meu.
Não que seja um problema teu, eu tô contribuindo pra esse pro-problema, tá certo?
Então cê acha que não, não é, você não tá fazendo parte dessa, desse meio de consumo que induz, que impõe como a galera deve se pôr pra gozar ou não gozar?
Ah, nem eu às vezes sei como é que faz. Eu só faço o que tipo, eu só filmo a minha vida pessoal, entendeu? [risadas] Às vezes não acontece e tá tudo bem, sabe? Tudo certo.
Tá nessa busca também, né?
É, a gente tem que se conhecer. E, e também entrando nisso, eu também acabei me conhecendo um pouquinho mais. Às vezes não acontece, vai fazer o quê? Não é filme pornô, atriz pornô, que meu Deus do céu, tô tendo um squirt, tô fazendo o caramba quatro. Não.
Menina, eu sou louca pra aprender a fazer um squirt. Teu squirt...
Aconteceu uma vez comigo, também não sei direito. Assim, não sou a melhor pessoa talvez pra te ensinar.
Que é a parte biológica.
É.
Estudar isso aí. Minha psicóloga falou, cê tá com a dopamina baixa, tá meio deprimida, vai lá, se masturba, dá uma elevada, porque é muito melhor fazer isso gozada do que você correr quilômetros, né? Biologicamente falando. Mas, energeticamente, todas as vezes que eu me conectei com isso, eu tive uma baixa frequencial.
É?
Falei, cara, que energia pesada é essa? Que às vezes não é o artista que tá representando, mas é o universo que é pesado.
Tu fala que vendo pornô tu sentiu uma energia baixa?
Energética, pesada.
[risadas]
Os dois, se vocês dois quiserem fazer ao mesmo tempo.
Vamos junto, vamos junto.
Vai, vai pro lado. Não, vamo não. Não, não. Um pouquinho, só pra não cair da cadeira.
Os dois vão fazer ao mesmo tempo comigo.
Novidade, novidade. Não?
Já quer ir pra lá?
Pode ser. Um contra dois aqui. Diálogo a três. Não é sexo a três, é diálogo a três. Oi, qual que é seu nome?
Prazer, Cauã.
Cauã, tudo bem?
A questão é: o pornô, hoje em dia consumido, ele não sexualiza e objetifica muito a mulher ao ponto de trazer um sexo quase que irreal na maioria das vezes?
Claro, com certeza. Às vezes, vamos supor lá, o cara começou a ver pornôzinho cedo-
Uhum.
E acha que o sexo com a mulher vai ser aquilo lá, a mulher com corpo perfeito, porque é tudo jogo de luz, é tudo uma coisa filmada, né? Não é uma vida real. Disso eu tenho perfeita noção. É por isso que, que nem eu falei, no meu caso, eu filmei a vida pessoal, eu não faço uma produção mega astronômica. Eu concordo que isso pode sim afetar a questão de objetificar a mulher.
Concordo.
E você não produzindo conteúdo pornográfico, seja sozinha ou com outras pessoas, não incentiva ainda mais, não somente pessoas que já estão na, nessa área, a investirem mais nisso? E pessoas que não conhecem muito essa área começarem a adentrar esse mundo?
Eu acho que sim, eu posso ter uma grande influência nisso.
Isso não seria negativo?
Por ser grande, tal. Seria. Eu concordo. Eu não tenho nem o que debater contigo. Isso seria super negativo. Eu concordo que eu não faço a coisa mais linda do mundo. Eu não sou uma médica que salva vidas.
Então.
Às vezes eu sou uma menina que destrói vidas, mas também ajudo algumas pessoas.
Uma pessoa que veio antes de mim tentou ali falar sobre, é, uma metáfora com roubo, né?
Aham.
Ah, então ladrão ali e tudo mais. Eu gosto mais de utilizar a questão do tráfico mesmo, que por mais que também seja ilegalizado, a gente, a gente tá falando-
Trafico legalizado?
Ilegalizado.
Ah, tá, entendi. Aham.
Você vê que o consumo de drogas afeta o cérebro. Você afirma que não é a mesma coisa. Tudo bem. Mas que o traficante, ele vendendo essas drogas, fornecendo essas drogas pra pessoa ser dependente cada vez mais desse tipo de consumo, ele não, não tem uma culpa, uma responsabilidade?
Tem uma contribuição. Tem. Que nem eu falei que eu tinha também.
Então isso é totalmente natural e defender a pessoa que estimula, e continuamente, a dependência de outras pessoas.
Não, por isso que eu não defendo, eu só faço a minha parte, mas não que eu defenda, eu não sou uma ativista que defende isso.
Você não está defendendo neste exato momento o conteúdo adulto?
O que eu tô defendendo nesse exato momento é que todo mundo vê pornô e vai continuar vendo, não exatamente o que você tá falando.
Essa é, esse é o tema, mas o debate geral. Obrigado.
[risadas] Eu não vejo pornô.
Uhum.
Eu não gosto, não acho graça, não acho interessante, até mesmo porque eu sou casada e não preciso disso.
Sim.
Né? Graças a Deus, meu marido dá conta. [risadas]
E você nunca viu pornô? Nunca, nunca, nunca?
Nunca, não gosto. Desde pequena eu fui educada com uma educação cristã. E por ser pedagoga também, né, meu marido tá até ali. [risadas] E o que que acontece, Ket? Eu não sou uma falsa moralista, tá? Eu não, não tô aqui pra te julgar, nem pra te condenar. Eu tô aqui pra discordar do que-
Sim.
É o tema, tá? Então o que que acontece? Eu nunca assisti e nós não gostamos disso.
Uhum.
Nós somos casados na igreja, né, e assim, nós não temos esse hábito. Só que nós conhecemos casais que, assim, o casamento deles está destruído por conta da pornografia.
Sim.
Porque o que acontece? O homem quando ele se masturba muito, às vezes o homem tá assim, isso não sou eu que estou falando, é a ciência, tá?
Uhum.
O homem ele está literalmente assim, sem fazer nada.
Sim.
Ele não tá com vontade de ter relação sexual. Ele vai lá Faz o procedimento [riso]
O procedimento
Né? Mas porque ele não tem nada o que fazer-
Sim
...não que ele está com desejo. Isso afeta o quê? O sexual dele na questão do casamento, ele não vai dar-- não vai ter aquele mesmo tchan-
Uhum
...no casamento do que ele fazendo esse ato, isso prejudica muito a saúde dele. Então eu e meu marido, a gente não tem esse, esse, essa questão de pornografia, porque a gente valoriza muito a questão do corpo-
Sim
...nós somos cristãos, né?
Vamos falar sobre o casamento que você falou, a questão de ver e tá muito destruindo casamentos.
Sim.
Tu tem que entrar em acordo com teu parceiro. Digamos que a pornografia, ver sozinho até pode ser um ato de traição, não de traição ali, mas traição de confiança-
É, na igreja é assim
...de traição do que tu não gostar do que o teu parceiro fizer.
Uhum.
Tu acha que tudo tem que ser conversado com o teu parceiro-
Então, é
...independente se for um pornô-
Sim
...ou vai fazer outra coisa, eu não sei, tudo tem que ser conversado.
É que assim, na igreja, Ket, assim, a gente aprende que não há necessidade disso, e realmente não há.
Sim.
Quando há uma parceria legal, que nem eu tenho com meu esposo, acho-- eu acredito-
Uhum
...que não precisa, porque eu acredito muito na carência das pessoas.
Sim.
O mundo tá muito carente hoje.
Sim.
Então as pessoas, elas tão buscando o quê? Afeto, afeto sexual online.
De tudo, de tudo.
Né? E não é só o OnlyFans, você falou que o seu pornô é algo mais, entre aspas-
É
...mais light.
Depois da pandemia piorou pouquinho, porque as pessoas ali quando tavam na pandemia é uma coisa online, vê-
Sim, entendeu?
Sim, eu, eu tô ciente disso. Ééé-
Tem o lance também, não sei se você chegou a assistir as reportagens das meninas que estão se prostituindo em beiras de estrada lá no, na região Norte.
Ah, sempre tem, sim.
Então muitas rela-
Menores de idade
Então, o relato de muitas é: de onde vem a sua inspiração? E muitas infelizmente acabam falando que vem da pornografia.
É.
Entende? Isso é muito triste, sabe?
A pornogra-- a, a prostituição, no caso, digamos que, não, não sei se é a profissão mais antiga do mundo-
É uma das mais antigas
...há relatos que, sim, desde, né? Não sei se, se tu tem que assim, eu me inspirei em alguém.
Sim.
Mas é que isso existe muito antes.
Você começou com quantos anos, Ket?
Três anos atrás eu tinha 24.
Mas voc-você, quando você era adolescente, você tinha algum, sei lá, alguma ambição de ir pro job, alguma ambição?
Que nem eu falei, eu, eu naquela época, quando eu era adolescente, saía muita revista da Playboy.
Sim.
Eu achava bonito, porque era uma coisa mais sexy, claro, tinha a questão também explícita, eu achava bonito. Eu falava-
Sim
...quem sabe um dia?
Sim.
Que eu nunca gostei muito do meu corpo.
Mas você é bonita, querida.
Muito obrigada.
Não, mas é, e aí você-
E aí, o que que eu pensei em fazer?
Sim.
Será que isso vai me ajudar de alguma maneira pra minha autoestima?
Sim.
Tu vê que tu tá ganhando um monte de dinheiro, tu olha e vai pensar assim: "Não, não quero mais ganhar". É meio difícil na mente, sabe?
Mas a consciência, cara, cê consegue ficar de boa?
A consciência, no começo eu te fa-- que nem eu te expliquei.
Você ficou mal no começo?
No começo eu tinha preconceito em fazer.
Mas cê não-
No começo eu pensei assim: será que eu entro? Mas naquela situação que eu tava ali, o que que eu fazia?
Mas você, você tem uma re-- você tem um-
Entendeu?
Finalmente.
Finalmente. Qual que é seu nome?
Gabriel Carrilho.
Gabriel, e aí?
Prazer, Ketlin.
Prazer.
Hã, primeiro parabéns por, é, se dispor-
Muito obrigada
...a falar. Eu senti sinceridade e verdade em você.
Obrigada.
Hã, você parece uma pessoa muito esclarecida.
Uhum.
E as coisas que eu vou dizer não são com o intuito de provocar nenhum tipo de emoção ou de te provocar.
Certo.
Pra gente estabelecer uma conversa, eu queria primeiro, é, conversar com a Ketlin pessoa.
Certo, estou aqui.
Não com a Ketlin prostituta, sabe?
Mas eu não sou prostituta, né? Eu vendo conteúdo adulto.
Então.
Sim, é visto com algumas pessoas-
Tá. Vamo lá, vamo lá, vamo lá
...que é prostituição, e tá tudo bem você pensar assim.
A, a, a diferença da prostitução só, é que você não tá carnalmente-
Aham
...encostando em ninguém.
Sim.
Mas assim, hã, você está entregando a, a parte que é s-- que é sua, o que é íntimo.
Uhum.
O que, no fundo, não deveria ser entregue pro mundo, pra todo mundo.
Uhum.
E as pessoas te veem, hã, dessa forma.
Uhum.
Hã, você disse, por exemplo, que o preconceito e tal, e as coisas que você pensa, e, e eu, assim, você é uma pessoa brilhante, você brilha quando você fala.
Obrigada.
É, eu entendo a tua história triste, eu sou moderador de conteúdo, então eu vejo pornografia e os bastidores da internet todos os dias.
Uhum.
Hã, e também sou ator, então eu sei qual é a sensação.
Tu é ator de quê?
Hã, não pornô. [riso]
Ah, bom. Entendi.
Então eu, eu sei, eu sei qual é a sensação. Eu vim aqui porque eu sei que eu vou ser eu mesmo.
Aham.
Porque-- por isso que eu quero falar com a Ketlin pessoa, porque eu sei como é você sentir um macaco de circo e você só chegar e fazer uma cena, um texto e, e, e como que você enxerga essas coisas?
É o que eu falei, eu filmo minha vida, eu não tô fazendo algo que eu não faria.
Entendi. Hã...
O quarto tema é: falar de sexo é mais saudável do que fingir que ele não existe. Qual que é seu nome, prazer?
Robson Braga.
Robson.
Eu gosto sempre de seguir essa frase: nem tudo que eu posso eu devo.
Sim.
Nem tudo que eu devo eu posso, mas nem tudo me convém. É isso?
É.
Foi mais relação do seu pai, você entende? Ou mais relação por causa do cachorro? Porque seu pai te deu o-
Você diz que eu tenho entrado nesse meio, é, por relação...
Do, do cuidar.
Então, eu entrei pelo fatídico momento ali que aconteceu isso. Antes disso eu não fazia, depois disso eu não fazia. A única ideia que se passou pela minha cabeça anteriormente foi da questão de posar um dia pra Playboy, de ter a sensação de ter um corpo legal e talvez fazer umas fotos sensuais e me sentir bem, entendeu? Esse foi o único pensamento antes disso que passou pela minha mente.
Antes disso não passou nada, nunca imaginei em fazer isso. Eu queria ser uma médica, salvar gente. Eu nunca pensei, sei lá, em ser uma atriz de OnlyFans, alguma coisa assim, entendeu?
Mas você gosta da profissão de médica?
Gosto, porque meu pai era. Então eu tenho, tipo, levava isso pra mim, tipo, ele foi um exemplo assim pra mim.
Mas tem aquela questão emotiva também, porque quem deu o cachorro foi seu pai, certo?
Sim.
Então acho que o fundo é muito mais questão Digo, da questão de psicologia emocional, é-
É!
Mais a base é o pai, né?
Foi muito, muito nessa questão.
Aquela coisa que eu também não tenho pai, então, meu pai me influenciou muita coisa também. Em relação à música, ele era jazzista, e e etc, artista. Então, em relação à minha musicalidade, a base é do pai. Então tudo que eu ouço hoje de música, e a música é uma terapia também-
Aham.
Acho que às vezes é um ponto de apoio que você também usa nesse sentido, se você for a-avaliar. E médico ganha bem, né? Se ele, se ele se estudar, se especializar.
Sim.
Cê já pensou em se fundamentar mais pra frente, talvez, porque hoje você tá numa idade que a gente é como se fosse um livro. Hoje você lê um livro hoje, amanhã você lê o livro de novo, aquele que você leu.
Tá ficando velha já, eu sei. [riso]
Já.
Tô ficando velha. Então-
Não, eu estou velho então, porque eu tô com quarenta e nove anos. [riso]
Não, não, a alma, a alma é nova. Entrar pra medicina, talvez sim, mais pra frente, porque entrar na medicina hoje em dia por Enem, essas coisas, é bem difícil, né? Talvez pagando seria mais fácil, e né, enfim. Gostaria, gostaria sim, de ter uma profissão bem vista pela sociedade, que eu sei que a minha é horrível vista, né? Então assim, seria legal.
Mas você acha isso horrível, mas isso te faz mal por pensar que é horrível? Quando algo é horrível pra gente, aquilo faz, te faz mal no nosso fundo?
É horrível pela sociedade, mas pra mim não.
Mas pra você não.
Pra mim, eu já sou bem esclarecida com tudo. No começo era, até eu ver o que que isso mudava, impactava na minha vida pessoal, de quem eu gostava, do que eu podia fazer.
Como você consegue correlacionar no mundo machista, como a gente vive em relação a algo horrível, algo que é visto como você observa que é, e como você lida com isso no dia a dia? Como as pessoas te, te tratam e como você consegue se proteger disso?
Você diz me tratam na internet, pessoalmente, quando me veem?
No contexto, no geral, porque se você tem o, é um livro aberto.
Aham. As pessoas muitas vezes me param na rua pra tirar foto, são supersimpáticas comigo. Nunca sofri nenhum tipo de assédio assim, imoralidade, nada na rua. E tipo, eu acho isso muito legal, as pessoas se respeitarem. Porque a maioria das pessoas que criticam essas coisas, falam na internet, às vezes até de um perfil fake, que eu não sei nem quem é, e nunca me conheceram, e tá vendo, sei lá, um primeiro vídeo que viu na vida e vê que, ai, tô fazendo um vídeo bestinha ali de Instagram pra postar-
Uhum.
Pra ter retenção pra vender e vai pensar: "Gente, ela é aquilo". Não, a gente não é aquilo.
Mas sempre você acha que as pessoas são o que elas são? Porque hoje que a gente vive numa sociedade que é muito de imagem, é tudo muito rápido, elas podem até tirar foto com você, mas sempre às vezes tem um cunho de interesse, um fundo, né?
Claro. Pode tirar foto pra mim e tá me zoando com os amigos.
É, sim.
Isso eu tô ciente, com certeza.
É, ainda tem aquele próprio fake que você falou, é os próprios fakes que também tiraram e tão a foto.
Não, exatamente. O que importa é a pessoa ser, tipo, na minha frente.
E amanhã você acha que você pode se arrepender disso, como diz a história do livro-
Posso.
Você é um livro hoje-
Com certeza.
E amanhã você vai ter outra contextualização e outra opinião.
A gente pode se arrepender de tanta coisa na vida, não tem como a gente saber.
Até mudar de ideia por ter filho, talvez.
Exato. Mas no momento atual, eu não me arrependo. Eu acho que, quem, quem sabe se eu botar a vida daqui a cinco anos, entendeu? Se eu tô, tipo, de boa fazendo o que eu tô fazendo hoje, pra mim é o que conta. Eu tô em paz com isso, sabe?
Então cê vive mais o presente, cê não se preocupa.
Com certeza. Eu já fui viver muito futuro, a ansiedade ataca, então não dá.
E em relação a namoro, você consegue namorar?
Eu já namorei duas vezes, quando eu era criadora de conteúdo adulto. É, sempre-
Quando era?
Hã?
Você ainda-
Quando, quando eu s-- eu sou, isso.
É.
Namorei lá duas vezes, já. O primeiro namoro eu entrei não sendo criadora. Eu entrei nesse meio, eu falei com ele: "Olha só, vou fazer isso, por isso, por isso, por isso, beleza? Me apoia?" Beleza. Só que é um pouco difícil, né? Tem tudo isso, a questão.
A relação?
É, às vezes fica difícil. Por exemplo, que nem eu falei, quando eu namorava, eu só tinha relação com essa pessoa, filmava só o que acontecia nos bastidores da nossa vida, é isso, entendeu? Não é porque a gente filma conteúdo, faz conteúdo adulto, que sei lá, a gente é oferecida, fica com vários caras.
Não, sim.
Tem as relações que são abertas, de muitas meninas que fazem, porque eles entraram-
Você já teve esse tipo de relação?
Não, nunca. É, querendo ou não, também sou bem conservadora nessa parte de relação.
É. [riso]
Sou ciumenta e tipo assim, o que é meu, é meu, e eu não gosto de dividir também.
Mas se você é ciumenta, como você pensa que às vezes a pornografia pode auxiliar nu-numa relação, se você também pensa que o ciúme também...
Então, se meu namorado-
Você concorda?
Visse pornô, tipo, eu assistiria com ele de boa. Porque eu acho que é uma coisa assim, é um entretenimento diferente. O que pra mim contaria mais talvez seria o carnal de tá com outra pessoa, entendeu?
Cê tá falando é o presencial ali, tête-à-tête.
É, pra mim contaria mais isso, entendeu?
Mas cê tá assistindo o filme ali com você, mas tá pensando na, no corpo da menina, ele tendo uma penetração nela, mas não com você, pra você tá tranquila?
A gente não pode controlar o que as pessoas pensam, porque às vezes eles até pensam em coisas e não tão vendo filme.
Mas isso te gera um ciúme?
Não, porque eu não sei o que ele tá pensando. Como é que-
Mas se ele pensasse nisso? Às vezes a gente pensa.
Mas aí eu vou ter que ter a hipótese de que ele tá sempre pensando, me traindo, aí eu fico louca.
Mas homem pensa mais com a cabeça de baixo do que com a de cima.
Com certeza, com certeza.
[riso]
Mas então-
Se não, o público não seria tão masculino quanto.
Exato.
Né?
Não, com certeza, eu concordo, mas tipo assim, não dá pra gente saber o que pensa, o que deixa de pensar ou controlar.
É, também acho. Acho que não tem nada a ver nem questão de religião, porque pra quem viu recentemente o pastor andando de calcinha ali.
[riso]
É, recentemente também não, envolve também relação à religião. Acho que vale, vai o que a pessoa, o que, é, cada um evolui na sua individualidade.
Uhum.
Então, é, como a gente vive num, num lugar, é, hipócrita, num país hipócrita, então o que vale é a sua ação. Eu posso falar qualquer coisa aqui agora, amanhã eu pego, entro no seu Instagram, já assino Only, OnlyFans lá e falo: "Ó, não conta pra ninguém que sou eu que-
Legal.
Fiz aquela gravação com você e eu gosto de pornografia". Então o pessoal é muito do que faz, não do que fala.
Sim.
Então eu não tô aqui pra te, pra te julgar nesse sentido. Eu acho muito legal.
Obrigada, viu?
Obrigado.
Eu vou bater não na parte religião, mas na parte de versículos, que se o teu olho pecar, lança fora. Então só do homem olhar, ele já, e desejar, ele já tá traindo. Eu tenho um relacionamento de três anos e que a gente, é, entrou num combinado de não ter sexo antes do casamento. E como que é pra você? Porque a gente sabe que homem, eles não assistem pornografia, é mais ligado pra parte meninos.
E, é, você não tem esse desejo de um dia ser amada, ser respeitada e até alguém esperar esse momento especial de um casamento e tal, você não idelia-- não idealiza um casamento?
Fazendo o que eu faço, eu já tive namoro e fui respeitada Eu acho que não é por conta disso que eu não sou respeitada, até porque dependendo da pessoa que tu se envolve, a pessoa tem uma ciência e entende o que tu faz e consegue diferenciar, porque na vida real eu sou uma Ketlin totalmente diferente.
Sim, mas namoro a gente sabe que a maioria dos-- é oba oba, assim. Tô falando de casamento mesmo, você sonha em ter um, um casamento e ser tudo fechado, assim?
Eu não fico tipo assim idealizando coisas. Eu acho que o que acontecer, aconteceu, se for uma pessoa legal, porque pensa assim, às vezes a gente sonha em se casar, tá com um cara superchato, mas eu quero me casar só por me casar, por ser bem vista, talvez eu vou me casar. Então eu não tenho essa idealização. Se for pra acontecer, vai acontecer, entendeu?
E esse ponto que você tocou de corpo, né, que você não aceitava muito bem o seu corpo. É, entrar pra esse meio, você não acha também que foi uma, uma certa carência dentro de você, de querer que os outros te desejem, de querer que, de se-- querer se sentir bonita, os outros se senti-- os outros te sentindo-
Pode ser diversas carências, pode ser porque eu não tive pai, porque talvez eu não soube o que que era o amor de um pai quando eu tava ali na minha adolescência. Pode ser diversas, eu concordo contigo. E ter a validação de pessoas, homens te desejando é ótimo. Não tem como negar isso. Não vou ser hipócrita de negar isso.
Mas sabendo que o desejo é passageiro, a gente fala mais de valor. O, a maioria que, que deseja milhares de mulheres não é os que vai valorizar essas mulheres.
Mas aí é que eu não-- é que daí eu estaria que tá ten-tendo que buscar um relacionamento, entendeu? E quando eu buscava isso, eu sempre conseguia ser valorizada. Eu acho que vai de pessoa pra pessoa-
Pelo que você é e não pelo que você oferece pra pessoa.
Porque talvez a pessoa me conheça ali na internet, vai querer me conhecer e vai ver que é diferente, entendeu? É um personagem, que nem eu falo.
E como, enquanto seu pai tava vivo, como foi sua convivência com ele?
Maravilhosa. Ele era um pai maravilhoso pra mim, sempre, sempre, sempre.
Eu acredito muito na, na importância de um pai, porque eu cresci sem pai.
Sim.
E eu cresci com esses valores dentro de mim por ver o meu pai fazendo muita besteira na vida dele, com traição contra as mulheres, enfim, eu não queria ser mais uma dessas mulheres.
Sim.
Entendeu? Então eu queria ser totalmente contrária à imagem que o meu pai passou pra mim.
Então, eu perdi meu pai muito cedo, então a influência que ele teve assim na minha vida foi de um curto período de doze anos e nossa, foi um pai excelente, assim, nunca teve traição, nunca teve discussão em casa. Mas eu acho que foi o ponto crucial ali de ter a oportunidade, tá tendo em alta um Oliphant que veio pra cá, de juntar uma coisa útil ao agradável e acontecer uma série de fatores, entendeu?
E você tem essa consciência que a-acima do seu pai, existe um pai maior que não queria essa vida pra você?
Então, aí a gente se baseia no fato de religião que eu já não sei se eu consigo entrar muito-
Cê não tem uma religião.
Por conta que talvez você saiba mais que eu, né. A minha religião é es-- tipo espírito, acredito em física quântica, acredito mais em ciência do que realmente em questões religiosas, de Deus e tudo mais, mas eu super te respeito. Mas tipo, por isso que eu não consigo talvez entrar muito bem nesse ponto, porque eu não tenho muito embasamento pra falar de religião, entendeu?
É, mesmo dentro da sua religião, você não sente que existe algo melhor que poderia suprir-
Claro que existe.
Tudo, tudo dentro de você que-
Claro que existe algo melhor, que nem eu falei, se fosse, se eu pu-- se eu não tivesse aquele, o fato lá, talvez eu não teria entrado. Não sei, entendeu? Às vezes é melhor ser uma médica, que nem eu falei, do que entrar pra isso.
E você tá disposta a sair se um dia você sentisse algo muito maior dentro de você que te gerasse arrependimento?
Com certeza. Não sei se vai me gerar um arrependimento, assim. Não sei te s-saber falar isso agora no presente, uma coisa de um futuro que não aconteceu, entendeu? Mas eu acho que tudo na vida tem uma segunda chance.
Tá ótimo. Obrigada.
Obrigada.
Seguinte, é, agora há pouco aconteceu uma situação onde você foi colocada na posição de que a sua profissão é prostituição. Você ficou incomodada com isso, ficou nítido, e até certo ponto eu também fiquei incomodado com isso. Mas é inegável que pra maioria das pessoas, a criação de conteúdo adulto, ela é uma prostituição virtual.
Sim, concordo.
Então eu queria pedir pra você dar algumas palavrinhas pra gente tentando retrucar isso. Por que que você não é uma prostituta?
Então, eu concordo na questão de que vender tua imagem por alguma coisa, talvez sim, mas pensa assim, que nem o moço comentou antes ali, a, a menina tá numa balada, ela não é prostituta escancarada, mas sei lá, é, entrou no camarote do cara em troca de bebida e tal, e vai ficar com ele depois, sei lá, por conta, sei lá, de tá ali no, no ex-- por status, por fama.
Entende? Seria isso, assim, tipo, eu não me vejo, é que eu não me vejo como prostituta pela questão de não fazer o ato carnal com pessoas por conta de dinheiro. Só me envolvi com pessoas por conta de gostar, de ter química por isso. Mas sei que muita gente vê isso como uma prostituição virtual, porque tu tá expondo o teu corpo, a tua intimidade, o teu bem mais sagrado, sabe?
Sim, é, e, você vê que o fato de você não ficar com vários caras aleatórios é o, é o que torna você-
Tipo assim, a, a prostituta em si, ela fica com vários caras, sei lá, transa quantas vezes por dia, por dinheiro e tá trocando várias fluidos, várias energias ali na mesma hora.
Uhum.
Eu sou uma coisa, tipo, atrás, é, da internet lá e a pessoa só me vê, converso com as pessoas e é isso, entendeu? Tal-- já saí com assinantes quando eu gostei do cara, mas nunca tipo "ai vou te pagar pra sair contigo", nunca.
Eu, como um homem que flerta com o conservadorismo, acho que é problemático que ninguém tocou nesse ponto aqui.
[riso]
Pessoal, nós precisamos conversar sobre sexo. A gente precisa educar os nossos filhos pra falar sobre sexo, senão acontece o que acontece no Brasil. Por mais que muitas pessoas acabem tendo, por exemplo, gravidez infantil, que acontece bastante, acontece muitas vezes por essa falta de conversa.
Sim, muitos abusos também acontecem por causa disso.
Sim, e a população mais pobre do Brasil, que principalmente é atingida por isso, é conservadora.
Exato.
As pessoas mais pobres são conservadoras. Então, o conservadorismo tem que aprender a falar sobre sexo, porque sexo também é educação.
Exato.
Senão a gente banaliza, né?
Exatamente. Por exemplo, se um pai não ensinar a filha, tipo assim, "ó, isso não pode fazer, tipo assim, se encostarem em ti dessa maneira, não pode".
Os abusos eles vão acontecer, talvez a menina nem sabe o que que tá acontecendo e é banalizado e é normal aquilo, meu Deus. Então acho-
Tu já sofreu algum tipo de abuso?
Já.
Eu também.
Obrigada. O quinto tema é: Fazer o que ama só é aceito quando não envolve pornografia.
Eu sou Carol.
Carol.
É, de tudo que a gente conversou, a, você acha que se não existisse o pornô em si, a indústria pornográfica acabasse, deveria continuar existindo apenas o Only, apenas a, os civis fazendo conteúdo? Ou você acha que deveria acabar cem por cento, tanto a pornografia quanto, é, quanto o Only Fans e o Privacy?
Eu acho que deveria continuar, tipo assim, até porque isso gira bilhões, né, na economia, a gente paga imposto também. E tipo assim, eu sendo uma pessoa que faz isso, com certeza eu vou defender que deveria continuar. Tipo, não é, não é que eu acho mais certo do que quem é uma atriz, elabora tudo no cenário e tudo mais, mas tipo, acho mais tranquilo, né?
Não, justamente por isso que eu te pergunto.
Sim.
Você acha que deveria continuar só exis-- deveria acabar a pornografia, o, os sites pornôs, a indústria pornográfica em si, de filmes, é, essa questão autorizada, porque a gente sabe que an-antes do Only Fans já tinha ques-tinha a questão já de como os, o pornô é m-muito hardcore.
Uhum.
Né, de qualquer maneira, assim, lógico que tem, é, como pessoas como você que fazem conteúdos adultos, que fazem hardcore também. Você acha que se acabasse a indústria porno-- deveria acabar a indústria pornográfica e ficar, e continuar a existir só Only Fans?
Eu acho que o que deveria acabar é essa coisa de infantilização, de menor de idade ter ac-
Adultização.
É, de adultização, menor de idade ter acesso às plataformas. É, isso sim deveria acabar. Agora, se um maior de idade tá de acordo fazendo e outro maior de idade, que é responsável por si próprio, tá de acordo vendo, né, aí a gente não tem muito controle. Cada um tem que saber o que faz da sua vida, né. Claro, com aquela coisa de, dos excessos, né, de não pecar muito nos excessos, porque tudo faz mal, né, com excesso.
Cortar a indústria totalmente pornográfica de atrizes ali, seria bom, né, seria bom, porque talvez muitas mulheres não sofreriam abusos, não estariam fazendo o que elas não querem, mas...
Ele vai contar.
Oi.
Olá.
Qual que é seu nome?
Bem, Regina Oliveira.
Regina.
Você cogitou lá atrás que na época da pandemia aumentou muito o fluxo, né?
Sim.
Eu gostaria de saber, hã, se você passou a fazer online, atender clientes online, porque, na verdade, na época, muitos casamentos acabaram, né. Inclusive o meu.
É?
É.
Lamentes.
É, e foi justamente pra uma pessoa de conteúdo adulto.
Foi?
Foi.
Aham.
Na época me revoltei, mas como a gente tem a cabeça boa, graças a Deus consegui contornar a minha situação. Você, na verdade, se interessaria por um homem casado? Daria frequência a esse atendimento com ele?
Então, na minha plataforma, hã, ocorre da seguinte maneira: é uma plataforma como se fosse um Instagram, tu posta o que tu quer lá dentro, só que é de forma paga e de forma explícita. Lá dentro tem os chats das pessoas, é, e a gente vai conversando, vai criando laços, vínculos. Sim, tem casados, é inegável que tem casados.
Sim.
Só que, que nem eu falei, eu já me envolvi com pessoas lá de dentro, mas nunca com casado. Eu sei que isso tem o potencial enorme de destruir família.
Ah, então você tem o limite.
Claro que sim.
Sim.
Eu nunca me envolvi com cara casado nem antes de fazer isso. Até porque é problema pra cabeça, né, pelo amor de Deus. Mulher vim atrás, matar, tudo isso que tá acontecendo hoje em dia é triste.
É verdade.
Mas sim, tem muita gente que não tá nem aí, prefere ser amante, o cara é casado, é melhor manter assim. E sim, tem muitas mulheres que-
Certo. Eu tenho outra dúvida. É, dizem assim, você mesmo cogitou várias vezes aqui que não quer viver dessa profissão pra sempre. Hã, mas não existe, se você casar um dia, tiver filhos, a ex...
Não tem como apagar a minha vida, eu sei. Tá na internet, tá na minha cabeça, não tem como apagar.
Então fica difícil ter uma família dessa forma.
Eu não pretendo ter uma família com filhos. Talvez ter um marido ali, um companheiro que me aceite, mas eu acho que na minha cabeça, o que conta é que tipo o que tu faz a partir de certo momento. Então tipo se-
Mas você acha que você conseguiria deixar o vício estando casada?
É que não é um-
Porque é um vício.
É um vício em dinheiro, né.
Só em dinheiro?
Também, também dinheiro.
Você falou que adora se despir, que você faz com prazer, que você faz.
Eu não falei exatamente isso.
Não. Tô me escutando.
Não, eu não falei exatamente isso.
Eu entendi errada.
Eu falei que eu gostava de fazer o que eu faço e eu tinha interesse de posar pra uma Playboy pra tentar me sentir melhor com a minha autoestima.
Certo.
Coisas que eu tento fazer até hoje.
Mas se você faz isso com prazer, que é o seu trabalho, é, isso não, não gera um vício pra você?
Eu falo que eu hoje em dia não sou viciada. Eu sou viciada em dinheiro, em tipo, nisso eu sou viciada. Todo mundo é meio viciado.
E em sexo, não.
Não. Muito pelo contrário, às vezes. É, enfim, é, tipo, a minha cabeça é bem tranquila.
Como contrário, você não, não gosta tanto?
Eu, eu acho que eu sou, tipo assim, eu gosto de transar.
Certo.
Vou falar bem abertamente, com quem eu gosto. Eu não vou sair transando com carinha que eu vi na balada por aí.
Ah, tá.
Pra mim tem que ter uma química, uma conexão, entendeu? Eu não consigo transar por transar.
Ah, você não faz programa.
Não, como eu falei antes, eu nunca fiz programa, nunca saí com alguém por dinheiro, entendeu? Só me vem pelada lá pagando, ok, me vem pelada. Mas sair com alguém, não.
Então você faz por amor.
De certa maneira, sim, eu gosto do que eu faço. Eu não vou falar "não, eu não gosto, tenho repugna pelo que eu faço". Eu aprendi a gostar.
Ok. É só isso.
Então tá, muito obrigada.
Uma coisa que eu percebi do seu comportamento é que em algumas vezes você fala: eu era Eu gostava. Será que esse "eu era, eu gostava", como se você falasse no passado, não é um reflexo de que talvez a conta já esteja caindo e você queira sair desse tipo de vida?
Não que eu queira sair exatamente agora, mas eu não pretendo levar isso pra sempre. Eu tenho ciência disso, que nem eu já tinha comentado antes, eu tenho ciência disso.
Eu queria te perguntar sobre o comportamento do homem que assiste pornografia. Você conhece um pouco do comportamento do homem?
Eu namorei um ex-viciado em pornografia, que quando eu chegava em casa, ele tava batendo punheta e eu, tipo, já. Já conheci um comportamento de um homem viciado em pornô e em sexo, é horrível.
E você chegava a ver isso?
Eu um dia tava estudando pra minha faculdade, fui entrar no quarto, tava ele batendo punheta enquanto eu tava na sala estudando.
Podia pelo menos ter trancado a porta, né?
É, [riso] mas não trancou. É, mas é a vida. Mas sim, eu já passei por isso e não é legal. É por isso que eu, eu digo, tem que viver com consciência. Tudo que tu faz, tem que ser com consciência, porque senão o excesso às vezes acaba te viciando, né.
É que eu acho que talvez o, o seu namorado, talvez ele estivesse nos padrões que você gosta. Mas você já imaginou o padrão das pessoas que assistem você?
Sim, eu já imaginei, como eu já-- eu converso, é, tem muito doido. Eu s-- eu tenho-
Sim.
Sei disso. Tem uns fetiches muito estranhos que eles pedem também.
Essa é minha problemática com a pornografia. Você começa e depois você vai evoluindo até o certo ponto de você acabar gostando de cocô.
Né?
De você gos-- acabar gostando de mijo.
Sim, tem, né, a chuva dourada, essas coisas assim, mas não, eu a-- eu fui até um certo ponto, que nem eu falei, de expor a minha vida. O único fetiche mais assim que eu tenho é o negócio de pé, que os cara gosta do meu pé, mas é o máximo assim. Eu já não vou pra uma coisa hardcore que nem algumas atrizes vão. Eu sou tipo, mais de mostrar minha intimidade real.
Eu não vou fingir, tipo, ser o que eu não sou.
Eu acho que o grande fetiche, co-- entendendo sua comunidade do jeito que você fala, é eles terem o mínimo contato com você, o mínimo contato com uma mulher bonita.
Eu acho que eu também crio muita conexão com eles. Tipo, eu não trato eles que nem, ai, é mais um assinante. Eu gosto de conversar, sabe? Eu gosto de conhecer. Então acho que isso também é um diferencial pra mim. Não é só tipo ali, ai eu tô-- o atrativo é eles verem eu pelada lá, mas só que eles também conhecem um pouquinho do meu lado, uma Ketlin diferente.
E por isso que eles permanecem ali, entendeu?
Você acredita firmemente que eles conhecendo todas essas suas-
Vertentes?
Não exatamente vertentes.
Ketlens?
Essa fraqueza que você tem.
Fraqueza de-
É, porque você expõe algumas fraquezas suas. Se você cria comunidade, você consegue gerar empatia expondo parte das suas fraquezas.
Sim, eu-- é que eu não consigo fingir o que eu não sou. Eu, tipo, quem me conhece, que nem vocês viram que eu expus minha fraqueza, meu cachorro, que eu não tenho pai, é isso, sabe? Eu, eu sou muito, tipo, sincera assim, eu falo as coisas e quem quer usar isso contra mim, vai usar, mas eu não posso também ter controle de tudo. Eu só não vou deixar de ser o que eu sou pra agradar talvez os outros ou pra eles não me machucarem.
Boa.
Obrigada. [riso]
Ok, hã, você disse várias coisas. Hã, o Otávio muito bem falou sobre passado, que parece que é uma coisa que volta e meia tá, hã, na tua mente. E você também falou: "Ah, não é, não é prostituição e tal". Aí você disse que prostituição é fazer alguma coisa por dinheiro. Eu entendo essa proteção que você tem de tipo, é, vou criar aqui uma fantasia e eu entendo a, a solidão.
Hã, todos somos seres humanos, todos seres, somos seres sociáveis. Hã, a lógica cristã, eu to, eu tô falando de um pouquinho de religião, mas esse não vai ser o foco da conversa. A lógica cristã é: hã, Deus, Pai, Filho e Espírito Santo, é, é um Deus só, mas é um Deus triuno, porque justamente Deus sempre quis relacionamento. Nós não somos pessoas feitas pra sermos sozinhos. Quando eu falo sozinhos, não é necessariamente casado ou namorado.
Uhum.
E fica claro que também, hã, de certa forma, supre a sua solidão conversar com as pessoas na internet e tal. Posso ser sincero?
Pode.
Hã, eu acho que você seria uma excelente mãe, mesmo você compreendendo que talvez, nossa, em algum momento os amigos do meu filho vão descobrir um vídeo meu, alguma coisa assim. Cê, cê não, cê-- você acha que realmente a tua vida acabou? Que as portas-
Não, eu não acho que minha vida acabou-
Não, não, acabou nesse sentido, que as portas de, de todas essas coisas foram realmente fechadas?
Não, é que eu, antes disso, eu também nunca quis ser mãe. Minha mãe também nunca quis ser mãe. Ela me teve com trinta e nove anos quando conheceu meu pai, se apaixonou por ele e foi um homem que tipo, que meio que, que fez ela querer ter filho. Às vezes a gente se baseia muito nisso, dependendo do homem com quem a gente tá, de ter segurança, de ter, querer ter um filho com o homem que vai tá ali contigo, entendeu?
E por enquanto eu não achei esse homem, não tenho essa vontade. Vou fazer o quê? Talvez daqui a dez anos eu tenha. Pode ser que eu tenha filho, mude de ideia que nem minha mãe mudou, né? Eu não sei, não que as portas estejam fechadas, entendeu?
Outra coisa que a gente tem os últimos trinta segundos. Você falou sobre legalidade e assim, coisas terríveis já foram legalizadas.
Claro.
Mas isso não era legal.
Sim.
Você entende que por mais que ficou claro a tua posição na vida, todos os teus motivos, hã, você está sendo apresentada talvez pra outras meninas que falam: "Bom, isso é uma saída, eu vou fazer isso." E talvez vão ter uma história parecida com a tua. Cê entende que essa exposição, milhões de pessoas tão vendo e algumas meninas vão ser influenciadas?
Eu não falo que é uma saída. Gente, não façam isso. [riso] Só se vocês tiverem certeza. Não é uma saída, é... Foi uma saída pra mim naquele momento, mas não é uma saída única que tu tem na tua vida. Nenhuma vida é parecida uma com a outra. Talvez a de-- a delas não seja parecida com a minha. Eu tive uma saída por conta de uma questão muito pessoal mesmo, que me afetou muito, mas não quer dizer que a delas sejam assim.
O sexto e último bloco é todo mundo se prostitui. Todo mundo tem um preço. Por exemplo, tu vai trabalhar numa empresa, tu tem um preço pra trabalhar. Não por talvez tá expondo tua imagem nua ali, mas tu tem um preço pra trabalhar. Talvez teu patrão te explore. Isso é bem entre aspas, uma forma de prostituição. Tu é humilhado pra ganhar pouco e pode ser s-- tipo substituído assim.
[música suave]
Você de novo.
Eu de novo.
Vamos lá.
A etimologia de prostituição é quem vende serviço por sexo.
Exato, quem ganha dinheiro-
Através de algum serviço sexual.
Sim, tá dito no, no Google isso é verdade, concordo.
Seja físico, seja virtual.
Sim.
Só que então isso, esse tema é uma falácia, né? Não é todo mundo que se prostitui.
Bem entre aspas, é todo mundo se prostitui, tipo assim, prostitui seu tempo, que nem eu vou falar que eu era CLT e eu ficava doze horas trabalhando. Prostituí meu tempo e minha saúde mental pra ganhar pouco.
É, nossos trabalhos são antagônicos, né?
Sim.
Eu tinha comentado, o meu trabalho, eu ajudo homens a saírem da pornografia.
Uhum. Você, você é psicólogo, alguma coisa assim?
Sim, eu sou psicanalista.
Que legal.
Então assim, eu, por conversar também muito com homens que estão saindo desse vício, eu posso dizer que a maioria, como você tinha citado antes, não tem consciência do que isso pode gerar neles.
Uhum.
Então automaticamente você induz o homem, seja de uma forma ali pra como você se expõe no Instagram, a entrar nesse vício.
Sim, eu concordo, porque é o meu trabalho, digamos assim, eu vou querer induzir pra levar ele, pra conversar, pra ter, né? É o meu trabalho.
Sim, mas a mesma inteligência que você tem-
Sim, poderia usar pra outras coisas. Eu concordo contigo.
Por que você não faz?
Exato. Eu estou inserida nesse meio que está me fazendo bem, tá tudo certo. Por enquanto eu vou continuar, sabe? Mas lá pra frente, quem sabe eu possa mudar, entendeu?
Entendi. Quando você falou sobre a questão da adultização, as crianças, os pais hoje em dia, a maioria das crianças não tem celular. Então eles acessam o conteúdo pelo celular dos pais. Ou seja, eles conseguem ter acesso ao seu conteúdo.
Desse ponto, sim. Aí o que que eu falo, vai educação de casa, de tá monitorando o que que o filho vê, de trancar certas plataformas, porque tipo, as plataformas que têm, elas não são aplicativos, né? Então, tem um controle ali, digamos. Não é um controle enorme, mas é um controle que é pouco. Sim, eu concordo com isso.
É, não é um controle total, mas ainda assim você-
Não tem como, né? Tipo, você é a Coreia do, do Norte ou do Sul, não me lembro, que vai dar-- controlar total. Mas é, tem, tem que ter um certo tipo de controle.
Então, mas esse controle também não seria você não produzindo conteúdo?
Mas aí não seria um controle geral, seria só eu vir me controlar o que eu faço, porque iria ainda acontecer a produção de conteúdo, né? Tipo, ai, uma pessoa a menos fazendo, tá, daqui a pouco outra a menos, vai diminuindo. Beleza, concordo. Só que eu não posso também parar a minha vida por conta talvez dos pais não conseguirem ensinar seus filhos, não terem essa educação em casa, entendeu?
Sim, seu ex-namorado, ele foi uma pessoa com problema em pornografia também. E como é que você se sente em relação a isso, sendo que afetou o seu relacionamento e hoje você contribui pra que outros relacionamentos sejam destruídos?
Então, contribuo, contribuo talvez, mas tipo, não é meu objetivo.
Não, tudo bem.
Tudo bem não sendo objetivo, mas acontecer, né? Eu sei, é ruim, eu entendo.
Exatamente.
Eu não tenho muito como defender esse ponto porque eu concordo contigo. Obrigada.
Obrigado.
Oi, tudo bem? Qual que é seu nome?
Suzan.
Suzan.
Ai, tô até um pouquinho nervosa.
Só ficar.
Mas eu queria falar com você um tema que todos os dias acontece. Agora mesmo, provavelmente tem uma mulher sendo morta. E eu acredito que só por nós sermos mulheres, a gente já está vulnerável dentro da sociedade. Algumas profissões menos, outras mais. E eu acredito que a sua traga uma vulnerabilidade muito maior.
Com certeza.
Você comentou brevemente, eu não quero entrar nesse assunto, porque eu acredito que seja bem delicado pra você a questão de abuso. Mas você acha que o conteúdo adulto, ele te traz uma proteção ou uma vulnerabilidade maior? Porque aqui mesmo hoje, pra gente debater com você, tem um segurança, porque qualquer coisa poderia ser, acontecer e a gente não teria-
Sim.
Esse controle. Porque eu falo que não é todo homem, mas é sempre um homem. E a gente sabe que a maioria das pessoas que consomem conteúdo adulto são homens.
Aham.
E às vezes uma gracinha que aconteceu aqui mesmo de um "ai, você é muito linda, você é muito isso". Eu acho que não entra dentro do contexto, não é toda mulher que está aberta a receber uma cantadinha barata.
Eu lido bem com isso porque eu já lido há um tempo com isso. No começo eu sempre fui meio assim de tipo, ah, meio assim com homem, sabe? Tipo, de controlar. Mas eu vi que o jeito que eles me tratavam era tão tranquilo, que eu percebi, sendo uma figura pública, eu tenho que receber algumas coisas e eu não vou poder fazer nada, porque eu mesma tô me expondo.
Por que que as pessoas não vão poder falar comigo, falar o que pensam, sendo que eu tô me expondo? Então não faria sentido pra mim isso.
Uhum.
Então eu tendo em mente que eu sou uma figura pública e tô ali me expondo na internet, a pessoa vem tipo, que nem ele falou, me chamou de bonita e tal, tá tudo certo. Agora falar tipo coisas mais baixas, aí já parte pra uma questão de desrespeito, mas pra mim não, não tem problema assim, sabe? É bem-- hoje eu sou bem tranquila com isso.
E você po-- é, falou de um ponto que você é um pouquinho ciumenta. Se você tivesse um namorado que consumisse outros conteúdos adultos, você se sentiria afetada por isso?
O que eu sempre falo, seja claro comigo. Eu talvez, tipo assim, vai consumir, me avisa e tá tudo certo, porque eu não gosto é que me escondam as coisas. E a questão de ser ciumenta é aquela questão mais de carnal com a pessoa, de ter proximidade, não é uma questão online. Que nem eu falei, o cara pode tá pensando numa mulher vinte e quatro horas por dia que não seja eu.
Vou saber? Como? O que me importa é o que ele faz, entendeu?
E tem algo assim que se você pudesse mudar nessa profissão, você mudaria?
A questão de menor de idade. Essa é uma questão e difícil, entendeu? Se eu pudesse mudar, seria isso. Eu acho que não tem porque menor de idade tá se expondo a isso, consumir isso, que nem teve a situação do Ítalo, de ele usar as crianças pra ganhar, monetizar em cima disso, isso eu acho errado. Isso se eu pudesse banir, assim, com certeza eu faria. Só que não tem como eu fazer, né?
Você trouxe uma situação que todo mundo se prostitui na questão de todo mundo tem um valor. Isso parcialmente-
Sim.
Tá correto, mas...
No Google, se tu for ver, a prostituição é s-- é dinheiro em troca, sexo em troca de dinheiro, é isso.
Mas você também não concorda que as pessoas que não se dão valor, não dão valor aos seus corpos, nem os relacionamentos que elas produzem, também não estão considerando se prostituir gratuitamente?
Pra mim o que é pior é tu vender tua alma. Tipo assim, vender tua alma sendo humilhado por um chefe, um CLT, sem plano de carreira, isso é bem pior do que O que eu faço
Não, é compreensível. O ponto que eu quero trazer é, as pessoas de fato têm os seus devidos valores, mas que-
Têm
...a questão da prostituição é algo mais abrangente, principalmente na questão relacionamento.
Opa!
Sou o Lucas Andrade.
Lucas. E aí, qual que é a sua opinião sobre o tema?
Quando você é um ser humano-
Uhum
...naturalmente, a nossa tendência, desde os nossos ancestrais, quando a gente faz trocas entre si, a gente troca o que a gente produz, o que a gente tem e às vezes, sim, o que a gente é. Prostituição necessariamente tange a questão do sexo.
Uhum.
Então não é todo mundo que se prostitui, necessariamente.
Não, é que nem eu comentei, se tu for pesquisar no Google, é sexo em troca de dinheiro.
Perfeito.
Por isso que é bem aspas, que todo mundo se prostitui. O que a gente tá dizendo bem aspas, que todo mundo, entre aspas de novo, tem um valor pra fazer algo. São trocas, trocas de interesses, troca de tempo.
Na verdade, você estabelece o preço. Quem estabelece o valor é o consumidor.
Sim.
Qual o seu valor?
Aí depende, valor pra quem? Pra sociedade, pra mim?
De novo, quem estabelece o valor é o consumidor. Qual que é o seu valor?
Valor de consu-- não sei, o consumidor tem que falar.
E o que que eles dão pra você?
Dinheiro.
Quanto?
Aí não sei se eu quero entrar nessa questão. Acho que não cabe muito ao tema falar quanto.
Ok.
Por isso que eu, eu ve-- por isso que-
O preço você coloca. O preço você coloca
É, é que nem o que eu falo, eu não quero influenciar ninguém falando de quanto eu ganho, entendeu? Por isso que eu não quero entrar nessa questão.
Uhum.
Mas tipo assim, coloco o preço, estou me rotulando com preço, sou um produto, sim.
Perfeito. Você se, você se estabelece como produto.
Sou um produto.
Naturalmente, assim como a pessoa que produz o que ela tem, ela coloca o preço dela.
Uhum.
Você se-
Às vezes elas nem colocam o preço, o chefe vai lá e estipula, vai ganhar um salário mínimo é isso. Ela não tem nem a chance de se colocar o preço.
Então, mas se ele tá estipulando, ele tá ali colocando o valor.
Aham. Hoje em dia eu consigo conciliar bem tudo, que nem eu falei, a minha mãe me apoia. Então não tem essa discrepância na minha cabeça de ficar duas coisas se batendo e eu falar: "Meu Deus, eu tô aqui no meio caminho, o que que eu vou fazer? Será que eu faço isso?" Então já que ela me apoia, o meu, meu valor, tipo, pra mim, eu sei o meu valor em questão pessoal.
Agora, valor de preço também sei, que é trinta e nove e noventa, lá na minha plataforma.
Mas qual que cê prefere? Isso que, que eu queria saber, qual que é o, o que que cê prefere? O que que você realmente aprecia mesmo?
Eu gosto de princípios. Eu sei que eu tenho princípios. Fora isso, que eu sei que todo mundo julga e a sociedade julga que não é um princípio, eu sei dos meus outros valores e princípios e eu aprecio muito isso.
Preferencialmente, acima do dinheiro que as pessoas te dão. Ou não?
Tenho, sim, porque se eu não tiver certos princípios, eu estaria talvez me envolvendo carnalmente com pessoas fisicamente.
Quais são seus princípios?
Meus princípios, tipo assim, que nem eu falei, de me envolver com quem eu gosto. Acho que isso é um princípio de não trocar energia com qualquer pessoa, fisicamente. Princípio de honrar minha mãe, minha família e dar tudo o que eles precisam. Princípio de ser verdadeira, princípio de não roubar, de não, sei lá, fazer coisas erradas, erradas, fora o que eu faço, né, de trabalhar com conteúdo adulto.
Princípio de ser uma pessoa boa, de não querer fazer mal pros outros. Princípio de querer fazer as minhas coisas só e não querer prejudicar o próximo.
Quando a colega falou da questão do vício, você realmente ia admitir que tá viciada no dinheiro? Associado à vaidade...
O dinheiro vicia, não que eu-- vicia, porque é muito bom. Tu ver, tu ganhar, tipo, muito dinheiro, tu vai querer continuar ganhando. Não tem como tu ser hipócrita e falar: "Não, eu tô ganhando duzentos mil, eu não quero mais ganhar dinheiro".
Uhum.
É muito bom, né? Então, tipo assim, você tava falando, desculpa te interromper, associado à vaidade, você tava falando que o din-- sei lá, o dinheiro é ótimo, mas não que eu esteja viciada só em dinheiro. Eu acho que é um fator-
Também na vaidade, no dinheiro e na vaidade, né? Você realmente deixaria de ganhar o dinheiro, deixaria os aplausos, as glórias, as, os elogios na sua vida? Cê teria essa escolha ou você não tem a capacidade de escolher isso?
Sim, que nem eu falei, eu acho que entrando pra medicina, eu teria um outro tipo de aplauso, de salvar vidas, de salvar pessoas, não de tá na frente dos holofotes.
E o que, que você prefere? Qual que é o seu valor?
Hoje, por enquanto, eu estou fazendo isso, mas não quer dizer que daqui a cinco anos eu possa tá fazendo outra coisa e isso não define o meu-
Mas isso é relativizar, isso é relativizar. Se você relativiza-
A gente pode conversar daqui a cinco anos e talvez eu esteja fazendo alguma coisa. É que eu não sei te falar o que eu vou fazer no futuro, entendeu?
Mas se você relativiza, você tem princípio, por definição.
Sim.
Então você não tem princípios.
Tenho, no meu ponto de vista, sim. Eu não posso falar pra ti que daqui a cinco anos eu vou tá fazendo uma faculdade, sendo que eu não sei o que eu vou tá fazendo da minha vida.
Então cê não sabe.
Eu tenho vontade de fazer, não sei se eu vou fazer, entendeu? Vou agradecer a todo mundo que esteve aqui no debate comigo, foi um debate super legal e passivo. E é isso, gente, muita coisa diferente. [aplausos]