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1 Criadora Conteúdo Adulto vs 30 Conservadores

Com Ketlin Groisman
1 h 17 min de vídeo · 16 mil palavras

Legendas em português

1 Criadora Conteúdo Adulto vs 30 Conservadores é um episódio do Canal Foco no formato 1 vs 30, sobre sociedade, com Ketlin Groisman (criadora de conteúdo adulto), publicado no YouTube em 21 de setembro de 2025. O vídeo tem 1 h 17 min e 1,14 mi de visualizações.

Transcrito em 9 de outubro de 2026. Todas as transcrições

Cada minuto é um botão que toca o vídeo a partir daquele trecho.

Ketlin Groisman

E o caso que tu comentou das crianças e tal, tá com o Ítalo agora super em alta.

Participante

Sim, o Felca.

Ketlin Groisman

Nossa, eu sou totalmente a favor do Felca.

Participante

Eu, particularmente, eu entrei na porno-- eu fui viciado em pornografia por catorze anos da minha vida.

Ketlin Groisman

É um veterinário muito caro, ele teve que fazer transfusão de sangue, ficar internado, soro. E de uma hora pra outra eu precisei desembolsar tipo uns sete mil reais. Como que eu ia fazer isso? Aí eu olhava pro meu cachorro lá, jogado, magrinho, todo fodido. Aí eu pensava: "O que eu faço da minha vida?" Entendeu? É, isso mexe muito comigo ainda hoje. Enfim...

Participante

Isso não me parece felicidade, você entrar numa indústria porque você não tem escolha.

Participante

Mas homem pensa mais com a cabeça de baixo do que com a de cima.

Ketlin Groisman

Com certeza, com certeza. [risos] Ter a validação de pessoas, homens te desejando é ótimo. Não tem como negar isso. Não vou ser hipócrita de negar isso.

Participante

Na época, muitos casamentos acabaram, inclusive o meu.

Ketlin Groisman

É?

Participante

É.

Ketlin Groisman

Lamentes.

Participante

É, e foi justamente pra uma pessoa de conteúdo adulto.

Ketlin Groisman

Oi, oi, gente, meu nome é Ketlin, sou criadora de conteúdo adulto e hoje tô aqui cercada por trinta conservadores. O primeiro tema é: pornografia é um trabalho tão digno quanto qualquer outro.

Participante

[risos] Oi, tudo bom?

Ketlin Groisman

Oi, tudo bem.

Participante

Tudo, e você?

Ketlin Groisman

Certo, qual que é o seu nome?

Participante

Meu nome é Graziele, prazer em conhecê-la.

Ketlin Groisman

Prazer, Grazi. Qual que é a sua opinião sobre esse tema?

Participante

Então, na realidade, é, eu sou totalmente contra.

Ketlin Groisman

Uhum.

Participante

Tá? Eu acredito que você pode procurar outros trabalhos, né, não tô tirando a sua dignidade, jamais. Eu sou pedagoga-

Ketlin Groisman

Uhum.

Participante

Né? E eu trabalho com crianças.

Ketlin Groisman

Sim.

Participante

E a gente tá vendo o bombardeio que a internet, né, está tendo em relação à pornografia.

Ketlin Groisman

Uhum.

Participante

Eu não vou falar, eu sou cristã, tá? Mas eu não vou falar somente embasada no cristianismo, eu vou falar embasada na ciência. A pornografia, assim como a cocaína e outras drogas ilícitas, ela é um vício, né. O que que ela faz, né, com o nosso cérebro quando a pessoa é viciada em conteúdo pornográfico? Ela acaba tendo um bombardeio de dopamina, né-

Ketlin Groisman

Sim.

Participante

E isso acaba prejudicando a vida dela. Mental, não só espiritual, mas mental. A questão hormonal, porque o homem ou a mulher não vão funcionar da mesma maneira. Falando da questão do trabalho, né, você é uma mulher bonita, você é uma mulher muito bonita, inteligente. Eu acredito, né, que com-como você é produtora de conteúdo pornográfico, você pode também produzir outros tipos de conteúdo que vão ajudar também a questão do trabalho.

Eu não sei se você só vive do conteúdo pornográfico, se você tem outras, né, atividades, né. É isso.

Ketlin Groisman

Então, antes de eu entrar na pornografia-

Participante

Sim.

Ketlin Groisman

Eu estudei pra medicina e fiz Química Medicinal numa federal lá em Porto Alegre.

Participante

Sim.

Ketlin Groisman

Eu entrei pra esse mundo por conta de uma questão pessoal que a maioria das meninas entram e outras também entram por questões de "nossa, eu gosto desse mundo".

Participante

Sim.

Ketlin Groisman

Quando eu era mais nova, assim, s-tinha a revista Playboy, né.

Participante

Sim.

Ketlin Groisman

E eu já pensei: "Nossa, eu acho legal posar pra Playboy" antes disso.

Participante

Uhum.

Ketlin Groisman

Mas eu nunca pensei numa coisa muito explícita que nem é o que eu faço hoje.

Participante

Sim.

Ketlin Groisman

Então eu entrei por uma questão pessoal de, do meu cachorro tá muito doente-

Participante

Uhum.

Ketlin Groisman

E minha mãe ser uma aposentada-

Participante

Sim.

Ketlin Groisman

E não ter dinheiro pra arcar com os custos.

Participante

Sim.

Ketlin Groisman

Eu entrei por isso. Concordo em certos pontos contigo que o pornô ele vicia, mas tudo usado em altas doses e sem controle, ele é viciante mesmo.

Participante

Sim.

Ketlin Groisman

Concordo nisso. Mas eu acho que tem a outra parte de que o pornô é um certo tipo de entretenimento, que às vezes ajuda até casais a melhorarem a relação sexual. E o caso que tu comentou das crianças e tal, tá com o Ítalo agora super em alta.

Participante

Sim, o Felca.

Ketlin Groisman

Nossa, eu sou totalmente a favor do Felca.

Participante

Sim.

Ketlin Groisman

Porque o que o Ítalo fez assim, é realmente, é, infantilizar, né, tudo das crianças.

Participante

Sim.

Ketlin Groisman

Eu acho que pra mim, a partir dos dezoito anos é uma coisa. Agora, antes dessa idade, com certeza, tu tem que, né, ensinar teus filhos que não é certo isso, que não é legal.

Participante

Sim.

Ketlin Groisman

Então tem que ter discernimento ali, né.

Participante

Entendi, mas o que você acha, assim, no seu caso, você fez medicina. Hoje a medicina, é, tem várias se-- tem várias, várias-

Ketlin Groisman

Vertentes, né?

Participante

Vai, vertentes. Você acha que não vale mais a pena você voltar a cuidar de, de pessoas do que produzir esse conteúdo que acaba prejudicando não só a sua imagem, mas também prejudica a imagem da sua família, porque você produz. Você já parou pra pensar como, não sei se você é atriz ou só produz. Como você se sente em relação a isso? Ok. Obrigada, meu amor.

Ketlin Groisman

De nada, muito obrigada pela opinião.

Participante

Prazer.

Ketlin Groisman

Prazer, qual que é seu nome?

Participante

Meu nome é Jean.

Ketlin Groisman

Prazer, Jean.

Participante

Você falou que você é contra essa questão da adultização do Felca, mas não tem como você ser contra essa questão da adultização, porque como produtora de conteúdo, qual o tipo de conteúdo que você faz?

Ketlin Groisman

Eu não faço aquele pornozão, digamos assim, que nem o André Surak faz.

Participante

Aham.

Ketlin Groisman

Mais tranquilo, mas continua sendo pornô. Um traficante, ele é traficante por vender maconha, por vender droga pesada, eu concordo com isso.

Participante

Exatamente. Então como você usou o exemplo do traficante, um traficante que vende maconha é diferente do que vende crack?

Ketlin Groisman

Não, só que o pornô não é ilícito, né?

Participante

Não, não é ilícito.

Ketlin Groisman

Eu sei que vicia também, só que não é ilícito.

Participante

Exatamente. Mas cê já ouviu falar no efeito College?

Ketlin Groisman

Não.

Participante

O efeito College, também aplicado pra droga, é quando você aplica, hã, começa com uma coisa e você vai acabar em outra.

Ketlin Groisman

Sim.

Participante

Então, ou seja, você não é uma atriz, uma produtora totalmente explícita.

Ketlin Groisman

Uhum.

Participante

Mas uma hora o cara vai parar nisso. O que que você pensa sobre isso?

Ketlin Groisman

Então, no meu caso, eu faço esse pornô que nem eu te falei, que é uma coisa mais leve, entre aspas. Não fui eu que criei o mundo pornográfico, eu só tô ali. Talvez eu inserida nesse meio, eu contribua, sim, pra essas coisas.

Participante

Uhum.

Ketlin Groisman

Só que como eu não faço isso que você citou, eu acho que eu não, né, sou, apoio isso. Eu não apoio isso, acho muito pelo contrário, eu acho isso muito errado, que nem eu tava comentando ali. O caso do Ítalo, de tipo, pegar as crianças e ganhar like em cima disso, tanto que eu acho totalmente contra.

Participante

Sim.

Ketlin Groisman

Por exemplo, vou te explicar. Meu Instagram é banido pra menores de dezoito anos.

Participante

Uhum.

Ketlin Groisman

Tipo, eu tirei. Claro, quem quiser ver de algum jeito, vai ver. Tudo tem como ver de alguma forma.

Participante

Sim.

Ketlin Groisman

É por isso que eu acho que é muito importante os pais educarem os filhos, explicar: "ó..." Nessa idade aqui é tranquilo, tu vê, sabe? Então tem que ter um diálogo em casa pra começar

Participante

É, mas hoje a realidade é que a maioria dos pais, além de não terem consciência, não têm esse tipo de educação sexual em casa. Eu, particularmente, eu entrei na porno-- eu fui viciado em pornografia por catorze anos da minha vida.

Ketlin Groisman

Uhum.

Participante

Eu conheci a pornografia com sete anos também pela Playboy.

Ketlin Groisman

Uhum.

Participante

Eu acabei parando em vídeos pornográficos mais pesados. Então eu, como um ex-viciado, eu consigo afirmar pra você que você, por mais que não seja o, o tipo de conteúdo mais pesado, você é a porta de entrada.

Ketlin Groisman

Sim.

Participante

E como é que você vai garantir que o cara não é? Porque você apoia de forma indireta.

Ketlin Groisman

Sim, não tem como garantir. Tipo, eu faço o meu trabalho, exponho, tipo, as minhas coisas ali, mas eu não tenho como garantir o que que o cara vai ver, o que não vai ver. Até porque não tem como a gente ter controle do que que os nossos consumidores, né, têm acesso.

Participante

Sim.

Ketlin Groisman

Como eu produzo só essa coisa mais leve, digamos que o meu ponto ali é produzir isso, e eu tô produzindo isso e não vou pra outros meios mais pesados. Então digamos que a minha parte, entre bem aspas, eu estou fazendo. Não estou indo-

Participante

Uhum

Ketlin Groisman

...prum meio mais pesado, mas eu concordo contigo, sim, em partes.

Participante

Sim, sim, entendi. Mas só que, por exemplo, você disse que a droga, a questão da maconha-

Ketlin Groisman

Uhum

Participante

...etc, não é ilícito. E concordo com isso. Porém, na pornografia, se ela tem os mesmos efeitos na pessoa que tá consumindo, cê não acha que deveria ser ilíc-ilícito?

Ketlin Groisman

Os mesmos efeitos não tem. Quimicamente, não vai ter. Vai ter uma diferença ali, né? Tipo assim, por exemplo, quando tu usa droga, tu fica às vezes desvirtuado, tu não sabe o que tu tá fazendo.

Participante

Uhum.

Ketlin Groisman

A pornografia, tu vai pra rua, vê um pornô antes de sair de casa, tu não fica loucão que nem quando tu usa droga. Concorda?

Participante

Sim. Concordo. Mas só que voc-

Ketlin Groisman

Mas a longo prazo, pode sim causar esses efeitos. Por isso que eu digo, tudo tem que ser dosado.

Participante

Sim.

Ketlin Groisman

Porque se não for dosado, tudo quem acessa, tudo faz mal.

Participante

Exatamente. Mas você acha-

Ketlin Groisman

Obrigada, viu?

Participante

Eu que agradeço.

[risada]

Participante

Oi.

Ketlin Groisman

Oi, tudo bem?

Participante

Tudo bem.

Ketlin Groisman

Qual que é seu nome?

Participante

Sou Amanda.

Ketlin Groisman

Prazer, Amanda.

Participante

Prazer. Você disse que não criou a pornografia, então não teria problema de você realizar esse ato.

Ketlin Groisman

Entre partes, sim.

Participante

É, tá.

Ketlin Groisman

Tudo bem, sim.

Participante

Então a pessoa que não criou o roubo, ela poderia roubar?

Ketlin Groisman

É que roubar é ilícito.

Participante

É.

Ketlin Groisman

A pornografia hoje no Brasil, ela não é uma coisa assim que a gente diz que é muito, é, certa, mas-

Participante

Uhum

Ketlin Groisman

...só que ela não é um crime. Só, né, quem promove isso, digamos, se eu sou uma cafetona, seria um crime.

Participante

Sim.

Ketlin Groisman

E sim, que nem eu falei antes, eu concordo que não é uma-- a maior maravilha do mundo. Ser médica-

Participante

Uhum

Ketlin Groisman

...é muito mais bem vista pela sociedade do que ser uma atriz, por exemplo, de conteúdo adulto. Não sou uma atriz pornô que nem Eliza Sanches, Andreia Sora. Eu tenho, digamos assim, a plataforma, eu posto da minha vida, das minhas coisas pessoais.

Participante

Uhum.

Ketlin Groisman

O que acontece no meu dia a dia, digamos assim. Posto a minha vida pessoal, tipo, eu não forço nada, sabe, a ser postado.

Participante

Certo. E como foi pra sua família saber disso?

Ketlin Groisman

Olha, a minha mãe me apoiou muito no início.

Participante

Hum.

Ketlin Groisman

E isso conta muito pra mim, sabe? Que eu acho que não é certo. Acho que nenhuma mãe quer ver a sua filha nesse meio. Mas por outro lado também tem vários benefícios em questão financeira, em questão de mudar a vida, porque minha vida antes de entrar nisso era totalmente-- eu já passei fome.

Participante

Uhum.

Ketlin Groisman

Então assim, é bem diferente.

Participante

Tá. E você tem filhos?

Ketlin Groisman

Não, e não pretendo ter.

Participante

Não, não pretende?

Ketlin Groisman

Não pretendo ter.

Participante

Entendi.

Ketlin Groisman

Porque eu sei que talvez isso seria uma carga emocional muito grande pra eles, então eu já me policio com isso também de não querer ter filho, de focar mais no meu trabalho, nas minhas coisas assim, porque talvez, talvez eu não seria uma mãe, boa mãe por causa disso. Talvez meu filho sofresse muito bullying por causa disso, ver a mãe exposta na internet.

Participante

É, isso poderia causar várias marcas.

Ketlin Groisman

Eu tenho muita ciência disso já.

Participante

Por isso que eu te fiz essa pergunta.

Ketlin Groisman

Sim, eu já tenho ciência disso.

Participante

Entendi. E quando você envelhecer, você acha que isso vai ser uma questão? Você pode se arrepender?

Ketlin Groisman

Você diz de eu olhar pra trás e ver assim, é...

Participante

Sim.

Ketlin Groisman

Nossa, fiz-

[risada]

Participante

[risada] É quem senta, quem chega!

Ketlin Groisman

Pra eu poder falar bastante.

Participante

Oi, tudo bem?

Ketlin Groisman

Oi, tudo bom.

Participante

Qual que é seu nome?

Ketlin Groisman

Luiza Martins.

Participante

Oi, Luiza. Bom, você falou que isso faz bem até pros casamentos, né? Você citou o casamento-

Ketlin Groisman

Uhum

Participante

...que é uma instituição sagrada de Deus, né?

Ketlin Groisman

Sim.

Participante

E existe um versículo que fala: "Venerado entre os homens seja o casamento". Então como que é pra você, vamos dizer assim, em, é, ajudar a destruir algo sagrado?

Ketlin Groisman

Então, eu concordo que a pornografia pode destruir sim, porque eu já tive um namorado viciado em pornô, que isso afetou muito o nosso relacionamento. Como eu falei, tudo tem os dois lados. Tudo tem o lado positivo, tudo tem o lado negativo. Como ela também contribui pra destruir casamentos, destruir família, infantilização, tudo, ela também pode ajudar de certas maneiras. Por exemplo, não s-sei se você é casada, namora, enfim.

Não sei se tu já assistiu pornô com teu namorado.

Participante

Então, não, nós somos da igreja e graças a Deus isso nunca entrou no nosso meio, e seria um motivo de termos, termos entrasse.

Ketlin Groisman

É.

Participante

Em questão de dinheiro, é, você sabe que dinheiro uma hora acaba e a fama também.

Ketlin Groisman

Claro.

Participante

E também vamos envelhecer.

Ketlin Groisman

Uhum.

Participante

E você que é tão linda, um dia também vai ficar v-

Ketlin Groisman

Concordo

Participante

...vai ficar uma idosa.

Ketlin Groisman

Concordo.

Participante

A beleza vai acabar.

Ketlin Groisman

Sim.

Participante

E como que é pra você isso? Porque o passageiro vai embora, o que é-- o dinheiro vai embora.

Ketlin Groisman

Sim, concordo. A maioria das meninas que tá nesse meio, elas se preocupam muito financeiramente. Claro, tem umas que tu vai ver esbanjando e não tá nem aí. Mas muitas têm planos de carreira, muitas investem, que é o meu caso. Então assim, a gente tem um plano de carreira, porque a gente sabe que isso não é pra sempre. Não vou tá lá com cinquenta, quarenta anos fazendo isso ainda.

Muitas vezes com nossos investimentos a gente pode abrir empresas, essas coisas. Por exemplo, é meu plano de carreira, porque eu tenho noção explícita sim que eu não vou viver disso pra sempre, nem dá pra viver disso pra sempre, nem quero viver disso pra sempre. Então pra mim isso tá bem explicado na minha cabeça.

Participante

E como você lida assim com a parte espiritual? Porque a gente sabe que a gente é alma, corpo e espírito. A gente-- é igual eu te falei, a, isso aqui é uma matéria, um dia a gente vai morrer.

Ketlin Groisman

Sim.

Participante

Como que você lida com a parte espiritual?

Ketlin Groisman

Então, a, sobre a minha religião? Eu sou-

Participante

Não é nem religião.

Ketlin Groisman

Sim.

Participante

A gente sabe que existe um criador de todas as coisas. A gente sabe que existe Deus.

Ketlin Groisman

Sim, sim.

Participante

E o certo e o errado.

Ketlin Groisman

Sim. Eu lido com a minha parte espiritual muito bem, porque o que eu estou fazendo na minha percepção de cabeça tá ok. Eu não finjo ser quem eu não sou, entendeu? Como muitas pessoas fazem isso. Não estou falando meu cristão, estou falando no mundo inteiro. Então eu prefiro ser quem eu sou e mostrar a minha verdade do que às vezes Passar por algo que não, não é quem eu sou.

Então acho que tando tranquila com a minha consciência é o que importa.

Participante

Isso não gera nenhum tipo de arrependimento em você ou até mesmo remorso?

Ketlin Groisman

Por enquanto, não. E um dia não sei se vai gerar.

Participante

Voltando um pouco pra parte, é, da pornografia e crianças. Hã, a gente sabe, né, aqui ninguém é hipócrita. Todo mundo tem uma fase da vida que consumiu.

Ketlin Groisman

Sim.

Participante

Né? Uns viciados, outros pra glória de Deus, saíram disso. Mas toda vez que a gente entra em um site pornográfico, tem lá: "Você tem ou não dezoito anos?" E é só uma criança clicar e falar que tem dezoito anos.

Ketlin Groisman

É isso.

Participante

Eu tive acesso antes dos dezoito anos. Então isso, isso não te gera uma culpa de que uma criança, de que futuramente vai ser destruída por isso?

Ketlin Groisman

Que nem eu falei, eu sou totalmente contra isso. Se eu tivesse como controlar, como eu tento controlar pelo menos minhas redes sociais, não deixar menores de idade entrar, eu controlaria. Só que a gente não tem controle do mundo inteiro. Então eu tento fazer o que tá no meu controle, na minha base.

Participante

Mas cê seria uma a menos a causar isso nas pessoas.

Ketlin Groisman

É, mas eu acho que não mudaria tanto. É que nem vegetariano e carnívoro.

Participante

Cê poderia ser a diferença.

Ketlin Groisman

Não sei se faria tanta diferença. É que pra mim faz muita diferença eu fazendo isso. E eu não es- [som de porta batendo] [risos] Oi, tudo bem?

Participante

Tudo bem, Ket?

Ketlin Groisman

Qual que é seu nome?

Participante

Eu sou a Eva.

Ketlin Groisman

Eva, tudo bem.

Participante

Eva, mavá, tudo bem. Ketlin, ainda nessa abordagem que vocês tão falando sobre o ser e sobre o fazer, né? Você fala sobre o ser, eu sou isso e fica esse lugar que eu concordo contigo, a minha responsabilidade. Eu faço isso, eu vendo isso, consome quem quer. Ponto, xis. Mas sobre o seu ser, porque eu vejo muita coisa do personagem. Você se adapta, você cria um personagem e você se desnuda do que você é pra ir lá cumprir o seu, o seu trabalho.

Ketlin Groisman

Uhum.

Participante

Mas esse seu ser, ele tem um impacto pensando em tudo que foi abordado até agora, que é na biologia, na parte biológica. [telefone tocando] Dá, dá a sua... Tá bom, é isso.

Ketlin Groisman

Muito obrigada. O segundo tema é: fazer pornô é melhor que ser CLT.

Participante

Agora, se você tá no CLT, mas acabou sendo demitido, eu sei que não é fácil, mas calma, tem um jeito de colocar um dinheiro na sua conta ainda hoje, mesmo desempregado. Sabia que dá pra antecipar parte do seu FGTS? Pois é, se você já trabalhou ou trabalha com carteira assinada, pode ser que tenha um valor pra receber ainda hoje. E o melhor, você pode receber direto na sua conta de forma simples e prática, com ajuda da Cloud Express, uma das maiores referências no saque do FGTS aqui no Brasil.

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Ketlin Groisman

Oi, tudo bem?

Participante

Tudo bem, jovem.

Ketlin Groisman

Qual que é seu nome?

Participante

Prazer, me chamo Rafael.

Ketlin Groisman

Prazer, Rafa.

Participante

Eu sou bem conservador, mas eu presto muita atenção ao que rola hoje em dia em volta, né? Como que é que você se sente quando depois cê vem de uma balada, vem de um rolê, você coloca sua cabeça no travesseiro, o seu emocional, como que fica? Porque no caso você tem que cuidar disso, porque várias situações, às vezes por conta do, da falta do dinheiro e situações que leva você, muita gente ao suicídio, à depressão, a ficar doente.

Como você lida com essa situação?

Ketlin Groisman

É, antes também de fazer minha faculdade, eu já fui CLT. Eu fiz educação física também.

Participante

Bacana.

Ketlin Groisman

Eu já tentei algumas várias coisas na vida.

Participante

Show.

Ketlin Groisman

Eu trabalhava como, é, CLT numa academia CLT, né, eles fazem o estagiário que pra pagar menos.

Participante

Certo.

Ketlin Groisman

Eu trabalhava doze horas por dia pra ganhar quatrocentos e cinquenta reais no mês. Eu limpava banheiro, abria academia, fechava caixa, dava personal, fazia tudo que o meu chefe mandava fazer, eu tava fazendo. A minha questão emocional nessa época, a minha cabeça tava tipo assim, muito de trabalhar, trabalhar, trabalhar.

Participante

Uhum.

Ketlin Groisman

Que eu não conseguia parar um pouquinho pra pensar o que que tava acontecendo comigo. Aí chegava final do mês, quatrocentos e cinquenta reais, hoje em dia tu não faz nada.

Participante

Aí a conta não fecha.

Ketlin Groisman

Exato. E eu via que além de tá ganhando pouco financeiramente, eu não tinha tempo pra nada. Doze horas no meu dia eu ia fazer o quê depois? Treinar, tomar banho, ir pra casa e dormir. Então eu também tava ficando adoecida mental. E eu fico pensando, essa profissão que eu estou hoje, com certeza ela te faz mal mentalmente.

Participante

Uhum.

Ketlin Groisman

Hoje em dia a maioria das meninas fazem terapia, tem acompanhamento de psiquiatra, eu também. É, mas só que em contrapartida, ela te dá o benefício financeiro. Não são todas, obviamente, mas eu, por exemplo, tenho benefício financeiro que mudei, por exemplo, a vida da minha mãe.

Participante

Certo.

Ketlin Groisman

Que pra mim é o ponto mais importante da minha vida.

Participante

No caso você pode se machucar, mas porém, você sabendo que tem pessoas que dependem de você, então você passa por cima dos seus valores pra obter um resultado que seria a parte financeira, no caso.

Ketlin Groisman

Foi isso que eu fiz, por isso que eu comecei, por causa do cachorro.

Participante

Ah, entendi. É, mas futuramente isso daí vai te machucar.

Ketlin Groisman

Importa-- eu prefiro me machucar e tipo, sei lá, dar uma condição boa pra minha mãe do que procurar outra coisa.

Participante

Não, é isso. Não, tá bom. Boa sorte aí.

Ketlin Groisman

Muito obrigada.

Participante

E aí, Ketlin.

Ketlin Groisman

Tudo bem?

Participante

Tudo bem?

Ketlin Groisman

Qual é o seu nome?

Participante

Eu sou o Otávio.

Ketlin Groisman

Otávio, tudo bem.

Participante

Ia dizer que você é muito mais bonita pessoalmente.

Ketlin Groisman

Ai, muito obrigada.

Participante

Eu queria pegar uma questão que ela mexeu um pouco comigo.

Ketlin Groisman

Uhum.

Participante

É, você contou sua história e eu já passei por uma coisa bem parecida. Cê falou do seu cachorro.

Ketlin Groisman

Uhum.

Participante

Que você entrou nessa por conta do seu cachorro. Eu já perdi um cachorro por conta de não ter condições financeiras. O que a gente fez é eutanásia É muito triste. Me pegou, me pegou, mas eu quero f-focar em outra coisa. Beleza, você fez aquilo por aquela necessidade de cuidar de alguém que você ama. Só quem tem cachorro sabe o quão importante eles são pra gente e o quão terapêutico eles são pra nós.

Mas o que te fez continuar? Porque eu fico pensando que aquele foi um problema e você poderia ter resolvido ele. Eu também já fiz coisa errada. Eu já divulguei jogo do tigrinho.

Ketlin Groisman

Sim.

Participante

Entendeu?

Ketlin Groisman

Sim.

Participante

E particularmente, eu sei que isso é uma coisa que não é legal. É uma coisa que eu não gosto de fazer. De vez em quando eu divulgo ainda, mas é uma coisa que eu posso dizer pra você que faz mal, mas por que continuar? Por que você quis continuar?

Ketlin Groisman

Uhum. Entendi.

Participante

O que fe-- o que te motivou a isso?

Ketlin Groisman

Tá. Nessa época que eu tive essa situação com meu cachorro, eu fazia federal, e a federal tu não pode escolher teus horários, é tipo período integral, minha mãe aposentada, né, enfim, essa questão financeira não tinha como. Eu recebia muitas propostas na época no meu Instagram de fazer programa. Só que nessa questão eu nunca entrei, que daí eu já acho também um pouco pesado pra mim, pessoalmente. Tive meus problemas com ele, é, o veterinário é muito caro, ele teve que fazer transfusão de sangue, ficar internado, soro, e de uma hora pra outra eu precisei desembolsar tipo uns sete mil reais.

Como é que vai fazer isso? Nessa época tava estourando Only Fans aqui no Brasil, era meio que época de pandemia também. Muitas pessoas me falaram: "Por que que cê num, então, não faz Only Fans, não faz conteúdo adulto?" Eu pensei, eu tinha o maior preconceito do mundo. Eu falava: "Por que que eu vou entrar nisso?" Eu falava: "Como é que as pessoas vão me ver?" E eu ficava com aquilo na minha cabeça mastutando o dia inteiro.

Aí eu olhava pro meu cachorro lá, jogado, magrinho, todo fodido. Aí eu pensava: "O que eu faço da minha vida?" Entendeu? É, isso mexe muito comigo ainda hoje. Enfim.

Participante

Eu sinto muito. Eu, eu sei exatamente o que cê tá sentindo.

Ketlin Groisman

Obrigada. Aí começou, tipo, a dar dinheiro pra mim, eu fui, levei ele no veterinário, tudo mais. Só que eu vi que tava dando tão certo que eu pensei assim: "Por que que eu vou parar agora? Se minha mãe precisa também da minha ajuda, tipo, com salário mínimo, se sustentando e tudo mais, a gente sem casa própria", que eu me mudei pra Porto Alegre, eu morava em Nova Petrópolis, que é interior do Rio Grande do Sul, que lá não tinha faculdade, mudei pra Porto Alegre pra fazer faculdade, entendeu, federal.

Aí eu pensava, tipo: "Por que que eu vou deixar de fazer algo que tá dando certo, mesmo sendo errado, por uma questão, sei lá, de socia-sociedade, do que as pessoas vão me julgar?"

Participante

Eu acho muito interessante o que você tá falando, mas Ketlin, você é uma mulher bonita, você é uma deusa, uma louca, uma feiticeira. Isso é claro quando a gente olha pra você. Eu acho que não tem aqui, ninguém aqui que discorde disso. E o mundo, ele é um mundo de aparências.

Ketlin Groisman

Sim.

Participante

E qualquer coisa que você fizesse na internet, fora pornografia, daria certo, porque você é uma moça que sabe se comunicar, você tem talento.

Ketlin Groisman

Obrigada.

Participante

Entende? Seu talento não é só mostrar essa raba, não é só mostrar esse peitão, cara. Você é maior que isso, porra!

Ketlin Groisman

Hoje em dia, eu gosto de fazer outras coisas. Eu participei já de programas de humor que eu gosto muito, que eu acho muito legal. É, já fui pra uma mansão de influencers. Eu gosto dessa parte. Só que o que dá dinheiro pra mim hoje em dia, querendo ou não, é a pornografia.

Participante

Uhum.

Ketlin Groisman

Se, se tu me falar: "Tu quer fazer isso pro resto da tua vida?" Não. Se eu pudesse viver só de internet sem ter que me despir, eu faria. Mas eu gosto também dessa parte. É uma parte Ketlin, assim, que também gosta disso, entendeu?

Participante

É o seu oculto falando.

Ketlin Groisman

É, eu acho que todo mundo tem uma partezinha dentro de si que tem um negocinho assim, mas eu quis expor a minha.

Participante

Eu acho que todo homem já quis ser artista pornô em algum momento da vida.

Ketlin Groisman

É. Eu acho que sim. Não é muito interessante, mas talvez eu acho que sim.

Participante

É, principalmente se a peça for pequena.

Ketlin Groisman

É, então, tem tudo isso também.

Participante

Foi uma honra falar com você.

Ketlin Groisman

Muito obrigada pela participação.

Participante

Você disse que criar conteúdo é melhor do que CLT. Em que?

Ketlin Groisman

Uhum. Então, que nem eu expus ali a minha parte. Eu acho que o maior benefício é se-- é financeiro.

Participante

Sim.

Ketlin Groisman

Porque hoje em dia o CLT ele trabalha quarenta e quatro horas semanais pra ganhar mil e quinhentos reais, mais ou menos, e entre aspas, ter um plano de carreira, porque muitos salários são congelados e a pessoa acha que tá tendo um plano de carreira e tá ali numa coisa super legal, produtiva, que vai ser, vai trabalhar por quarenta anos e meu Deus do céu, tô seguro na minha vida.

Participante

Sim.

Ketlin Groisman

Eu não concordo com isso. Pra qualquer momento, se teu chefe te ver, "nossa, não tá sendo produtivo, o que que eu vou fazer?" Tu vai continuar ali? Não, tu vai demitir.

Participante

Aí no Only Fans você tem essa segurança.

Ketlin Groisman

Tenho mais. Por conta que o dinheiro que a gente, que, por exemplo, eu ganho, não vou generalizar, que eu sei que não são todas.

Participante

A maioria não é.

Ketlin Groisman

É, o dinheiro, ele, que tu ganha, vou falar de mim, quatrocentos e cinquenta no mês que eu ganhava, é muito mais fácil ganhar hoje, sabe? Então, às vezes, em um curto período de tempo, talvez eu faça mais do que um CLT fez em quarenta anos.

Participante

Eu concordo com isso, você consegue fazer mais dinheiro.

Ketlin Groisman

Uhum.

Participante

Porém, a preço de quê?

Ketlin Groisman

Exato.

Participante

Porque você falou que você é acompanhada por terapeuta.

Ketlin Groisman

É, eu sempre fui, até antes de fazer, é, o conteúdo, desde 2017.

Participante

Você comentou também que você perdeu seu cachorro.

Ketlin Groisman

Uhum.

Participante

Esse cachorro, você pegou ele de adoção, de onde que ele veio?

Ketlin Groisman

Eu ganhei ele.

Participante

Ganhou ele? De quem?

Ketlin Groisman

Do meu pai.

Participante

Do seu pai? Seu pai, ele...

Ketlin Groisman

Ele morreu quando eu tinha 12 anos.

Participante

Sinto muito.

Ketlin Groisman

Obrigada.

Participante

Seu pai, ele iria concordar com esse tipo de trabalho que você tem?

Ketlin Groisman

Com certeza, não. Nenhum pai quer ver a filha nesse meio. Isso eu concordo super contigo. Se eu fosse mãe, eu não queria ver minha filha nesse meio.

Participante

E você acha-

Ketlin Groisman

Faria tudo pra pagar, sei lá, uma faculdade pra ela, fazer qualquer coisa por ela. Eu concordo com isso plenamente, assim.

Participante

Sim. E você acha que a falta do seu pai influenciou nessa escolha?

Ketlin Groisman

Eu acho que influenciou na questão, assim, que talvez eu não precisasse tanto financeiramente, com um homem ali dentro de casa-

Participante

Sim

Ketlin Groisman

... dando, botando dinheiro, fazendo tudo certo, talvez eu não partirei pra esse caminho. E talvez se ele tivesse ali, eu pensaria duas vezes também.

Participante

De certa forma eu admiro a sua atitude de ter ajudado a sua mãe.

Ketlin Groisman

Obrigada.

Participante

Mas eu não concordo da forma que você fez.

Ketlin Groisman

Sim.

Participante

Porque eu não, n-- você falou que ela te apoia.

Ketlin Groisman

Uhum.

Participante

Eu tenho minhas dúvidas, assim, eu não conheço sua mãe, mas eu não vejo al-- uma mãe apoiar a filha ou um filho em alguma coisa que vai expor a sua honra, vai, você também, você de certa forma, você tem uma relevância, uma fama, então você não tá segura andando na rua a qualquer momento, porque você fatura muito dinheiro.

Ketlin Groisman

Uhum.

Participante

Então você fica exposta.

Ketlin Groisman

Sim.

Participante

E que mãe vai querer isso pra uma filha?

Ketlin Groisman

Sim, o que ela apoia é me ver feliz. Às vezes eu tava trabalhando, chegava em casa chorando, mal pra caramba, e tipo, ela falava: "O que que tá acontecendo?" Entendeu?

Participante

E você é feliz.

Ketlin Groisman

Era humilhada pelo meu chefe. Sou Sou. Tipo, eu sei que tem os, as questões de princípios e tal, mas eu tento ver a Ketlin que eu sou

Participante

Sim

Ketlin Groisman

É a Ketlin personagem, como a gente é tipo no trabalho, tu é uma coisa no teu trabalho e no teu meio social, em casa tu é outra. Então hoje em dia ela quer me ver feliz, independente do que eu faça, tipo assim, não matando, não roubando. Tá, o pornô destrói um pouquinho ali, tudo bem, eu sei disso-

Participante

Um pouquinho não, né? Bastante

Ketlin Groisman

Eu tenho consciência disso. Eu concordo, eu tenho consciência.

Participante

A maioria das mulheres não ganham muito dinheiro

Ketlin Groisman

Sim

Participante

A maioria das mulheres que produzem conteúdo adulto, principalmente no OnlyFans, faturam em média duzentos dólares por mês. Ou seja, isso não é nenhum salário mínimo. Você é um ponto fora da curva

Ketlin Groisman

Duzentos dólares por mês. Olha, no meu meio, as meninas que ganham mais baixo, o mínimo elas faturam, é, dez, quinze mil por mês

Participante

Mas você sabe que isso são pouquíssimas, né?

Ketlin Groisman

Não, isso são as mais baixas. No meu meio, por exemplo, das pessoas que eu convivo

Participante

É, exatamente, as pessoas que você convive

Ketlin Groisman

Claro, pode ser que um-- não, eu concordo super contigo. Tem menina que, sei lá, vai ganhar cem dólares, vai ganhar mil reais, cinco mil reais por mês

Participante

Exatamente, é, mui-- na verdade, muito menos. A maioria ganha menos de que um salário mínimo

Ketlin Groisman

Uhum

Participante

Só que hoje, vocês com essa influência e principalmente falando sobre a quantidade de faturamento ou estilo de vida que vocês vivem, indiretamente também você apoia mulheres a entrarem nisso, sendo que a maioria não vai conseguir. E a maioria tem a questão da beleza, que influencia. Tem a questão do marketing, porque querendo ou não, você tem que produzir conteúdo não só adulto, mas você também tem que chamar-

Ketlin Groisman

Sim

Participante

Lídico, né

Ketlin Groisman

A maioria tá no Instagram. Ali que tu faz o teu marketing todo, né?

Participante

Exatamente

Ketlin Groisman

Eu concordo contigo. Posto academia, vídeo idiota de humor pra viralizar, que é o que viraliza, e é isso, entendeu? Mas tipo, eu não gosto de postar tipo meu, meu luxo, minhas coisas assim.

Participante

Sim

Ketlin Groisman

Eu sempre falo: "Cara, não é todo mundo que vai ter a mesma sorte, não é todo mundo que vai ter a mesma visibilidade, não é todo mundo que entrou no mesmo período que eu". Quem tá entrando agora muitas vezes não consegue se erguer tanto quem entrou lá atrás, quando estourou, né

Participante

Você disse que entrou nessa indústria por conta do desespero e um, um sufoco financeiro

Ketlin Groisman

Financeiro, é. Exato

Participante

A maioria das pessoas que entram nessa indústria são por causa disso

Ketlin Groisman

Sim

Participante

Só que isso não me parece felicidade, você entrar numa indústria porque você não tem escolha

Ketlin Groisman

Escolha todo mundo tem. A questão é que eu queria sair daquele lugar o mais rápido possível. Por exemplo, no meu caso, eu fazia faculdade. Eu podia esperar cinco anos, eu ia ter minha escolha ali de me formar. Eu queria-- que eu fiz Química Medicinal também, eu queria ser perita criminal, tinha escolha de ser concursada e era isso. Só que eu quis uma coisa mais rápida. Não que seja mais fácil, mas era mais rápido.

Minha escolha foi essa. Não é que eu fiquei sem escolha, sabe?

Participante

Sim, você agiu com imediatismo e você escolheu essa escolha

Ketlin Groisman

Eu agi na emoção de salvar uma coisa que eu amava na minha vida. Foi por isso que eu agi nessa emoção. Agora, se eu não tivesse naquele ponto ali, eu ia falar: "Por que que, tipo assim, beleza, vou fazer minha faculdade, esperar cinco anos e tá tudo certo. Não tô passando fome, tenho onde morar, tá tudo bem". Não sei se você é pai, se tem filho, ok.

Mas tipo assim, se tu visse uma coisa que tivesse ao teu alcance, um jeito de tu fazer algo por alguém que tu ama, pelo menos eu faria. Tudo que eu posso fazer, eu faria

Participante

Eu faria tudo que não envergonhasse meu filho

Ketlin Groisman

Claro

Participante

Porque você mesmo disse que não quer ter filhos porque sabe do que isso pode gerar pra ele

Ketlin Groisman

Uhum. Exato

Participante

Só que como eu vou fazer algo que tiver à minha disposição, sendo que logo na frente vai me trazer uma consequência que eu não quero?

Ketlin Groisman

Exato, por isso que eu pensei em não ter filho, entendeu? Porque eu sei que não seria legal pra ele. E antes já de entrar nesse mundo, eu já não pensava em ter filho. Eu acho, não sei se eu seria uma boa mãe, talvez, eu não sei

Participante

E por que que você entrou nesse mundo, sendo que você... [riso]

Ketlin Groisman

Obrigada, viu? O terceiro tema é: todo mundo já viu pornô e vai continuar vendo.

Participante

Será que todo mundo já viu pornô?

Ketlin Groisman

É o tema

Participante

Eu acho que a grande maioria viu pornô, porque é nessa busca pelo meu "quem sou eu?"

Ketlin Groisman

Uhum

Participante

Como que é, o que que é sexo? O que que é isso? Mas aí entra uma parada que é o que, o que me faz, é-

Ketlin Groisman

Querer ver

Participante

Ver, não. Hã, repelir um pouco a indústria do pornô

Ketlin Groisman

Aham

Participante

Que é o quê? A imposição do consumo. Porque a indústria do pornô, ela quer me trazer um padrão de como eu gozo

Ketlin Groisman

Uhum

Participante

O que eu devo fazer pra gozar e como eu sou aceita no meio a partir daquilo

Ketlin Groisman

Uhum

Participante

Esse é um problema

Ketlin Groisman

Uhum

Participante

Porque a partir do momento que o meu sexo, a minha libido, que é algo tão íntimo, né, que não tem nem a ver com a prestação de serviço. "Ai, vou vender minha imagem, tal, eu tô forever pra sociedade". Aí eu acho que a pessoa que trabalha nisso, ela acaba sendo um fruto daquele meio. Por exemplo, é, o que o nosso amigo abordou sobre o tempo passar e tal, que vai passar, e você fazer o seu nesse momento, mas você ainda tá condicionada ao que um OnlyFans te permite.

Você não tem uma liberdade, entende? A gente entra nisso, de falar que você não tem essa liberdade no, na, na sua construção. E a gente também entra sobre essa imposição do meio pornográfico de querer ensinar pras pessoas como que elas gozam, como que elas são, como que é a... Entende?

Ketlin Groisman

Entendo. Então, hoje em dia, se a gente for fazer uma pesquisa, trinta por cento do tráfego da internet é voltado por pornô e trinta e cinco por cento dos downloads totais são de pornô. É uma coisa absurda, se tu for ver de tudo que tem no mundo, ser um percentual tão grande disso

Participante

Sexo vende, né?

Ketlin Groisman

Estamos aí, né? Por isso que eu entrei por isso. Enfim

Participante

Tem quantos anos?

Ketlin Groisman

Eu tenho vinte e sete. Pareço mais nova?

Participante

Parece.

Ketlin Groisman

É? [riso]

Participante

Carinha de bebê

Ketlin Groisman

Ah, que bom. Tem uns filmes pornográficos, sim, que eles te impõem um certo jeito de tu fazer alguma coisa, que tu tá sendo uma atriz pornô. Só que a questão do, da plataforma de conteúdo que eu entrei, eu entrei botando a minha vida ali dentro. Então o que eu já fazia na minha vida, eu só filmei. Então digamos que é o meu pessoal. Tipo, eu não vou fazer que nem aquelas mulheres louca, um gang bang, um não sei o quê que elas fazem.

Não, eu bo-- eu mostro minha vida pessoal. É uma vida normal, que tem sexo, que, né? Normal, assim.

Participante

E aí se eu sou um consumidor e isso me dá tesão, nossa, deixa eu ver a gatinha, pá pá pá, é um problema meu, voltamos praquilo, é um problema meu.

Ketlin Groisman

Não que seja um problema teu, eu tô contribuindo pra esse pro-problema, tá certo?

Participante

Então cê acha que não, não é, você não tá fazendo parte dessa, desse meio de consumo que induz, que impõe como a galera deve se pôr pra gozar ou não gozar?

Ketlin Groisman

Ah, nem eu às vezes sei como é que faz. Eu só faço o que tipo, eu só filmo a minha vida pessoal, entendeu? [risadas] Às vezes não acontece e tá tudo bem, sabe? Tudo certo.

Participante

Tá nessa busca também, né?

Ketlin Groisman

É, a gente tem que se conhecer. E, e também entrando nisso, eu também acabei me conhecendo um pouquinho mais. Às vezes não acontece, vai fazer o quê? Não é filme pornô, atriz pornô, que meu Deus do céu, tô tendo um squirt, tô fazendo o caramba quatro. Não.

Participante

Menina, eu sou louca pra aprender a fazer um squirt. Teu squirt...

Ketlin Groisman

Aconteceu uma vez comigo, também não sei direito. Assim, não sou a melhor pessoa talvez pra te ensinar.

Participante

Que é a parte biológica.

Ketlin Groisman

É.

Participante

Estudar isso aí. Minha psicóloga falou, cê tá com a dopamina baixa, tá meio deprimida, vai lá, se masturba, dá uma elevada, porque é muito melhor fazer isso gozada do que você correr quilômetros, né? Biologicamente falando. Mas, energeticamente, todas as vezes que eu me conectei com isso, eu tive uma baixa frequencial.

Ketlin Groisman

É?

Participante

Falei, cara, que energia pesada é essa? Que às vezes não é o artista que tá representando, mas é o universo que é pesado.

Ketlin Groisman

Tu fala que vendo pornô tu sentiu uma energia baixa?

Participante

Energética, pesada.

[risadas]

Ketlin Groisman

Os dois, se vocês dois quiserem fazer ao mesmo tempo.

Participante

Vamos junto, vamos junto.

Participante

Vai, vai pro lado. Não, vamo não. Não, não. Um pouquinho, só pra não cair da cadeira.

Ketlin Groisman

Os dois vão fazer ao mesmo tempo comigo.

Participante

Novidade, novidade. Não?

Participante

Já quer ir pra lá?

Ketlin Groisman

Pode ser. Um contra dois aqui. Diálogo a três. Não é sexo a três, é diálogo a três. Oi, qual que é seu nome?

Participante

Prazer, Cauã.

Ketlin Groisman

Cauã, tudo bem?

Participante

A questão é: o pornô, hoje em dia consumido, ele não sexualiza e objetifica muito a mulher ao ponto de trazer um sexo quase que irreal na maioria das vezes?

Ketlin Groisman

Claro, com certeza. Às vezes, vamos supor lá, o cara começou a ver pornôzinho cedo-

Participante

Uhum.

Ketlin Groisman

E acha que o sexo com a mulher vai ser aquilo lá, a mulher com corpo perfeito, porque é tudo jogo de luz, é tudo uma coisa filmada, né? Não é uma vida real. Disso eu tenho perfeita noção. É por isso que, que nem eu falei, no meu caso, eu filmei a vida pessoal, eu não faço uma produção mega astronômica. Eu concordo que isso pode sim afetar a questão de objetificar a mulher.

Concordo.

Participante

E você não produzindo conteúdo pornográfico, seja sozinha ou com outras pessoas, não incentiva ainda mais, não somente pessoas que já estão na, nessa área, a investirem mais nisso? E pessoas que não conhecem muito essa área começarem a adentrar esse mundo?

Ketlin Groisman

Eu acho que sim, eu posso ter uma grande influência nisso.

Participante

Isso não seria negativo?

Ketlin Groisman

Por ser grande, tal. Seria. Eu concordo. Eu não tenho nem o que debater contigo. Isso seria super negativo. Eu concordo que eu não faço a coisa mais linda do mundo. Eu não sou uma médica que salva vidas.

Participante

Então.

Ketlin Groisman

Às vezes eu sou uma menina que destrói vidas, mas também ajudo algumas pessoas.

Participante

Uma pessoa que veio antes de mim tentou ali falar sobre, é, uma metáfora com roubo, né?

Ketlin Groisman

Aham.

Participante

Ah, então ladrão ali e tudo mais. Eu gosto mais de utilizar a questão do tráfico mesmo, que por mais que também seja ilegalizado, a gente, a gente tá falando-

Ketlin Groisman

Trafico legalizado?

Participante

Ilegalizado.

Ketlin Groisman

Ah, tá, entendi. Aham.

Participante

Você vê que o consumo de drogas afeta o cérebro. Você afirma que não é a mesma coisa. Tudo bem. Mas que o traficante, ele vendendo essas drogas, fornecendo essas drogas pra pessoa ser dependente cada vez mais desse tipo de consumo, ele não, não tem uma culpa, uma responsabilidade?

Ketlin Groisman

Tem uma contribuição. Tem. Que nem eu falei que eu tinha também.

Participante

Então isso é totalmente natural e defender a pessoa que estimula, e continuamente, a dependência de outras pessoas.

Ketlin Groisman

Não, por isso que eu não defendo, eu só faço a minha parte, mas não que eu defenda, eu não sou uma ativista que defende isso.

Participante

Você não está defendendo neste exato momento o conteúdo adulto?

Ketlin Groisman

O que eu tô defendendo nesse exato momento é que todo mundo vê pornô e vai continuar vendo, não exatamente o que você tá falando.

Participante

Essa é, esse é o tema, mas o debate geral. Obrigado.

Participante

[risadas] Eu não vejo pornô.

Ketlin Groisman

Uhum.

Participante

Eu não gosto, não acho graça, não acho interessante, até mesmo porque eu sou casada e não preciso disso.

Ketlin Groisman

Sim.

Participante

Né? Graças a Deus, meu marido dá conta. [risadas]

Ketlin Groisman

E você nunca viu pornô? Nunca, nunca, nunca?

Participante

Nunca, não gosto. Desde pequena eu fui educada com uma educação cristã. E por ser pedagoga também, né, meu marido tá até ali. [risadas] E o que que acontece, Ket? Eu não sou uma falsa moralista, tá? Eu não, não tô aqui pra te julgar, nem pra te condenar. Eu tô aqui pra discordar do que-

Ketlin Groisman

Sim.

Participante

É o tema, tá? Então o que que acontece? Eu nunca assisti e nós não gostamos disso.

Ketlin Groisman

Uhum.

Participante

Nós somos casados na igreja, né, e assim, nós não temos esse hábito. Só que nós conhecemos casais que, assim, o casamento deles está destruído por conta da pornografia.

Ketlin Groisman

Sim.

Participante

Porque o que acontece? O homem quando ele se masturba muito, às vezes o homem tá assim, isso não sou eu que estou falando, é a ciência, tá?

Ketlin Groisman

Uhum.

Participante

O homem ele está literalmente assim, sem fazer nada.

Ketlin Groisman

Sim.

Participante

Ele não tá com vontade de ter relação sexual. Ele vai lá Faz o procedimento [riso]

Ketlin Groisman

O procedimento

Participante

Né? Mas porque ele não tem nada o que fazer-

Ketlin Groisman

Sim

Participante

...não que ele está com desejo. Isso afeta o quê? O sexual dele na questão do casamento, ele não vai dar-- não vai ter aquele mesmo tchan-

Ketlin Groisman

Uhum

Participante

...no casamento do que ele fazendo esse ato, isso prejudica muito a saúde dele. Então eu e meu marido, a gente não tem esse, esse, essa questão de pornografia, porque a gente valoriza muito a questão do corpo-

Ketlin Groisman

Sim

Participante

...nós somos cristãos, né?

Ketlin Groisman

Vamos falar sobre o casamento que você falou, a questão de ver e tá muito destruindo casamentos.

Participante

Sim.

Ketlin Groisman

Tu tem que entrar em acordo com teu parceiro. Digamos que a pornografia, ver sozinho até pode ser um ato de traição, não de traição ali, mas traição de confiança-

Participante

É, na igreja é assim

Ketlin Groisman

...de traição do que tu não gostar do que o teu parceiro fizer.

Participante

Uhum.

Ketlin Groisman

Tu acha que tudo tem que ser conversado com o teu parceiro-

Participante

Então, é

Ketlin Groisman

...independente se for um pornô-

Participante

Sim

Ketlin Groisman

...ou vai fazer outra coisa, eu não sei, tudo tem que ser conversado.

Participante

É que assim, na igreja, Ket, assim, a gente aprende que não há necessidade disso, e realmente não há.

Ketlin Groisman

Sim.

Participante

Quando há uma parceria legal, que nem eu tenho com meu esposo, acho-- eu acredito-

Ketlin Groisman

Uhum

Participante

...que não precisa, porque eu acredito muito na carência das pessoas.

Ketlin Groisman

Sim.

Participante

O mundo tá muito carente hoje.

Ketlin Groisman

Sim.

Participante

Então as pessoas, elas tão buscando o quê? Afeto, afeto sexual online.

Ketlin Groisman

De tudo, de tudo.

Participante

Né? E não é só o OnlyFans, você falou que o seu pornô é algo mais, entre aspas-

Ketlin Groisman

É

Participante

...mais light.

Ketlin Groisman

Depois da pandemia piorou pouquinho, porque as pessoas ali quando tavam na pandemia é uma coisa online, vê-

Participante

Sim, entendeu?

Ketlin Groisman

Sim, eu, eu tô ciente disso. Ééé-

Participante

Tem o lance também, não sei se você chegou a assistir as reportagens das meninas que estão se prostituindo em beiras de estrada lá no, na região Norte.

Ketlin Groisman

Ah, sempre tem, sim.

Participante

Então muitas rela-

Ketlin Groisman

Menores de idade

Participante

Então, o relato de muitas é: de onde vem a sua inspiração? E muitas infelizmente acabam falando que vem da pornografia.

Ketlin Groisman

É.

Participante

Entende? Isso é muito triste, sabe?

Ketlin Groisman

A pornogra-- a, a prostituição, no caso, digamos que, não, não sei se é a profissão mais antiga do mundo-

Participante

É uma das mais antigas

Ketlin Groisman

...há relatos que, sim, desde, né? Não sei se, se tu tem que assim, eu me inspirei em alguém.

Participante

Sim.

Ketlin Groisman

Mas é que isso existe muito antes.

Participante

Você começou com quantos anos, Ket?

Ketlin Groisman

Três anos atrás eu tinha 24.

Participante

Mas voc-você, quando você era adolescente, você tinha algum, sei lá, alguma ambição de ir pro job, alguma ambição?

Ketlin Groisman

Que nem eu falei, eu, eu naquela época, quando eu era adolescente, saía muita revista da Playboy.

Participante

Sim.

Ketlin Groisman

Eu achava bonito, porque era uma coisa mais sexy, claro, tinha a questão também explícita, eu achava bonito. Eu falava-

Participante

Sim

Ketlin Groisman

...quem sabe um dia?

Participante

Sim.

Ketlin Groisman

Que eu nunca gostei muito do meu corpo.

Participante

Mas você é bonita, querida.

Ketlin Groisman

Muito obrigada.

Participante

Não, mas é, e aí você-

Ketlin Groisman

E aí, o que que eu pensei em fazer?

Participante

Sim.

Ketlin Groisman

Será que isso vai me ajudar de alguma maneira pra minha autoestima?

Participante

Sim.

Ketlin Groisman

Tu vê que tu tá ganhando um monte de dinheiro, tu olha e vai pensar assim: "Não, não quero mais ganhar". É meio difícil na mente, sabe?

Participante

Mas a consciência, cara, cê consegue ficar de boa?

Ketlin Groisman

A consciência, no começo eu te fa-- que nem eu te expliquei.

Participante

Você ficou mal no começo?

Ketlin Groisman

No começo eu tinha preconceito em fazer.

Participante

Mas cê não-

Ketlin Groisman

No começo eu pensei assim: será que eu entro? Mas naquela situação que eu tava ali, o que que eu fazia?

Participante

Mas você, você tem uma re-- você tem um-

Ketlin Groisman

Entendeu?

Participante

Finalmente.

Ketlin Groisman

Finalmente. Qual que é seu nome?

Participante

Gabriel Carrilho.

Ketlin Groisman

Gabriel, e aí?

Participante

Prazer, Ketlin.

Ketlin Groisman

Prazer.

Participante

Hã, primeiro parabéns por, é, se dispor-

Ketlin Groisman

Muito obrigada

Participante

...a falar. Eu senti sinceridade e verdade em você.

Ketlin Groisman

Obrigada.

Participante

Hã, você parece uma pessoa muito esclarecida.

Ketlin Groisman

Uhum.

Participante

E as coisas que eu vou dizer não são com o intuito de provocar nenhum tipo de emoção ou de te provocar.

Ketlin Groisman

Certo.

Participante

Pra gente estabelecer uma conversa, eu queria primeiro, é, conversar com a Ketlin pessoa.

Ketlin Groisman

Certo, estou aqui.

Participante

Não com a Ketlin prostituta, sabe?

Ketlin Groisman

Mas eu não sou prostituta, né? Eu vendo conteúdo adulto.

Participante

Então.

Ketlin Groisman

Sim, é visto com algumas pessoas-

Participante

Tá. Vamo lá, vamo lá, vamo lá

Ketlin Groisman

...que é prostituição, e tá tudo bem você pensar assim.

Participante

A, a, a diferença da prostitução só, é que você não tá carnalmente-

Ketlin Groisman

Aham

Participante

...encostando em ninguém.

Ketlin Groisman

Sim.

Participante

Mas assim, hã, você está entregando a, a parte que é s-- que é sua, o que é íntimo.

Ketlin Groisman

Uhum.

Participante

O que, no fundo, não deveria ser entregue pro mundo, pra todo mundo.

Ketlin Groisman

Uhum.

Participante

E as pessoas te veem, hã, dessa forma.

Ketlin Groisman

Uhum.

Participante

Hã, você disse, por exemplo, que o preconceito e tal, e as coisas que você pensa, e, e eu, assim, você é uma pessoa brilhante, você brilha quando você fala.

Ketlin Groisman

Obrigada.

Participante

É, eu entendo a tua história triste, eu sou moderador de conteúdo, então eu vejo pornografia e os bastidores da internet todos os dias.

Ketlin Groisman

Uhum.

Participante

Hã, e também sou ator, então eu sei qual é a sensação.

Ketlin Groisman

Tu é ator de quê?

Participante

Hã, não pornô. [riso]

Ketlin Groisman

Ah, bom. Entendi.

Participante

Então eu, eu sei, eu sei qual é a sensação. Eu vim aqui porque eu sei que eu vou ser eu mesmo.

Ketlin Groisman

Aham.

Participante

Porque-- por isso que eu quero falar com a Ketlin pessoa, porque eu sei como é você sentir um macaco de circo e você só chegar e fazer uma cena, um texto e, e, e como que você enxerga essas coisas?

Ketlin Groisman

É o que eu falei, eu filmo minha vida, eu não tô fazendo algo que eu não faria.

Participante

Entendi. Hã...

Ketlin Groisman

O quarto tema é: falar de sexo é mais saudável do que fingir que ele não existe. Qual que é seu nome, prazer?

Participante

Robson Braga.

Ketlin Groisman

Robson.

Participante

Eu gosto sempre de seguir essa frase: nem tudo que eu posso eu devo.

Ketlin Groisman

Sim.

Participante

Nem tudo que eu devo eu posso, mas nem tudo me convém. É isso?

Ketlin Groisman

É.

Participante

Foi mais relação do seu pai, você entende? Ou mais relação por causa do cachorro? Porque seu pai te deu o-

Ketlin Groisman

Você diz que eu tenho entrado nesse meio, é, por relação...

Participante

Do, do cuidar.

Ketlin Groisman

Então, eu entrei pelo fatídico momento ali que aconteceu isso. Antes disso eu não fazia, depois disso eu não fazia. A única ideia que se passou pela minha cabeça anteriormente foi da questão de posar um dia pra Playboy, de ter a sensação de ter um corpo legal e talvez fazer umas fotos sensuais e me sentir bem, entendeu? Esse foi o único pensamento antes disso que passou pela minha mente.

Antes disso não passou nada, nunca imaginei em fazer isso. Eu queria ser uma médica, salvar gente. Eu nunca pensei, sei lá, em ser uma atriz de OnlyFans, alguma coisa assim, entendeu?

Participante

Mas você gosta da profissão de médica?

Ketlin Groisman

Gosto, porque meu pai era. Então eu tenho, tipo, levava isso pra mim, tipo, ele foi um exemplo assim pra mim.

Participante

Mas tem aquela questão emotiva também, porque quem deu o cachorro foi seu pai, certo?

Ketlin Groisman

Sim.

Participante

Então acho que o fundo é muito mais questão Digo, da questão de psicologia emocional, é-

Ketlin Groisman

É!

Participante

Mais a base é o pai, né?

Ketlin Groisman

Foi muito, muito nessa questão.

Participante

Aquela coisa que eu também não tenho pai, então, meu pai me influenciou muita coisa também. Em relação à música, ele era jazzista, e e etc, artista. Então, em relação à minha musicalidade, a base é do pai. Então tudo que eu ouço hoje de música, e a música é uma terapia também-

Ketlin Groisman

Aham.

Participante

Acho que às vezes é um ponto de apoio que você também usa nesse sentido, se você for a-avaliar. E médico ganha bem, né? Se ele, se ele se estudar, se especializar.

Ketlin Groisman

Sim.

Participante

Cê já pensou em se fundamentar mais pra frente, talvez, porque hoje você tá numa idade que a gente é como se fosse um livro. Hoje você lê um livro hoje, amanhã você lê o livro de novo, aquele que você leu.

Ketlin Groisman

Tá ficando velha já, eu sei. [riso]

Participante

Já.

Ketlin Groisman

Tô ficando velha. Então-

Participante

Não, eu estou velho então, porque eu tô com quarenta e nove anos. [riso]

Ketlin Groisman

Não, não, a alma, a alma é nova. Entrar pra medicina, talvez sim, mais pra frente, porque entrar na medicina hoje em dia por Enem, essas coisas, é bem difícil, né? Talvez pagando seria mais fácil, e né, enfim. Gostaria, gostaria sim, de ter uma profissão bem vista pela sociedade, que eu sei que a minha é horrível vista, né? Então assim, seria legal.

Participante

Mas você acha isso horrível, mas isso te faz mal por pensar que é horrível? Quando algo é horrível pra gente, aquilo faz, te faz mal no nosso fundo?

Ketlin Groisman

É horrível pela sociedade, mas pra mim não.

Participante

Mas pra você não.

Ketlin Groisman

Pra mim, eu já sou bem esclarecida com tudo. No começo era, até eu ver o que que isso mudava, impactava na minha vida pessoal, de quem eu gostava, do que eu podia fazer.

Participante

Como você consegue correlacionar no mundo machista, como a gente vive em relação a algo horrível, algo que é visto como você observa que é, e como você lida com isso no dia a dia? Como as pessoas te, te tratam e como você consegue se proteger disso?

Ketlin Groisman

Você diz me tratam na internet, pessoalmente, quando me veem?

Participante

No contexto, no geral, porque se você tem o, é um livro aberto.

Ketlin Groisman

Aham. As pessoas muitas vezes me param na rua pra tirar foto, são supersimpáticas comigo. Nunca sofri nenhum tipo de assédio assim, imoralidade, nada na rua. E tipo, eu acho isso muito legal, as pessoas se respeitarem. Porque a maioria das pessoas que criticam essas coisas, falam na internet, às vezes até de um perfil fake, que eu não sei nem quem é, e nunca me conheceram, e tá vendo, sei lá, um primeiro vídeo que viu na vida e vê que, ai, tô fazendo um vídeo bestinha ali de Instagram pra postar-

Participante

Uhum.

Ketlin Groisman

Pra ter retenção pra vender e vai pensar: "Gente, ela é aquilo". Não, a gente não é aquilo.

Participante

Mas sempre você acha que as pessoas são o que elas são? Porque hoje que a gente vive numa sociedade que é muito de imagem, é tudo muito rápido, elas podem até tirar foto com você, mas sempre às vezes tem um cunho de interesse, um fundo, né?

Ketlin Groisman

Claro. Pode tirar foto pra mim e tá me zoando com os amigos.

Participante

É, sim.

Ketlin Groisman

Isso eu tô ciente, com certeza.

Participante

É, ainda tem aquele próprio fake que você falou, é os próprios fakes que também tiraram e tão a foto.

Ketlin Groisman

Não, exatamente. O que importa é a pessoa ser, tipo, na minha frente.

Participante

E amanhã você acha que você pode se arrepender disso, como diz a história do livro-

Ketlin Groisman

Posso.

Participante

Você é um livro hoje-

Ketlin Groisman

Com certeza.

Participante

E amanhã você vai ter outra contextualização e outra opinião.

Ketlin Groisman

A gente pode se arrepender de tanta coisa na vida, não tem como a gente saber.

Participante

Até mudar de ideia por ter filho, talvez.

Ketlin Groisman

Exato. Mas no momento atual, eu não me arrependo. Eu acho que, quem, quem sabe se eu botar a vida daqui a cinco anos, entendeu? Se eu tô, tipo, de boa fazendo o que eu tô fazendo hoje, pra mim é o que conta. Eu tô em paz com isso, sabe?

Participante

Então cê vive mais o presente, cê não se preocupa.

Ketlin Groisman

Com certeza. Eu já fui viver muito futuro, a ansiedade ataca, então não dá.

Participante

E em relação a namoro, você consegue namorar?

Ketlin Groisman

Eu já namorei duas vezes, quando eu era criadora de conteúdo adulto. É, sempre-

Participante

Quando era?

Ketlin Groisman

Hã?

Participante

Você ainda-

Ketlin Groisman

Quando, quando eu s-- eu sou, isso.

Participante

É.

Ketlin Groisman

Namorei lá duas vezes, já. O primeiro namoro eu entrei não sendo criadora. Eu entrei nesse meio, eu falei com ele: "Olha só, vou fazer isso, por isso, por isso, por isso, beleza? Me apoia?" Beleza. Só que é um pouco difícil, né? Tem tudo isso, a questão.

Participante

A relação?

Ketlin Groisman

É, às vezes fica difícil. Por exemplo, que nem eu falei, quando eu namorava, eu só tinha relação com essa pessoa, filmava só o que acontecia nos bastidores da nossa vida, é isso, entendeu? Não é porque a gente filma conteúdo, faz conteúdo adulto, que sei lá, a gente é oferecida, fica com vários caras.

Participante

Não, sim.

Ketlin Groisman

Tem as relações que são abertas, de muitas meninas que fazem, porque eles entraram-

Participante

Você já teve esse tipo de relação?

Ketlin Groisman

Não, nunca. É, querendo ou não, também sou bem conservadora nessa parte de relação.

Participante

É. [riso]

Ketlin Groisman

Sou ciumenta e tipo assim, o que é meu, é meu, e eu não gosto de dividir também.

Participante

Mas se você é ciumenta, como você pensa que às vezes a pornografia pode auxiliar nu-numa relação, se você também pensa que o ciúme também...

Ketlin Groisman

Então, se meu namorado-

Participante

Você concorda?

Ketlin Groisman

Visse pornô, tipo, eu assistiria com ele de boa. Porque eu acho que é uma coisa assim, é um entretenimento diferente. O que pra mim contaria mais talvez seria o carnal de tá com outra pessoa, entendeu?

Participante

Cê tá falando é o presencial ali, tête-à-tête.

Ketlin Groisman

É, pra mim contaria mais isso, entendeu?

Participante

Mas cê tá assistindo o filme ali com você, mas tá pensando na, no corpo da menina, ele tendo uma penetração nela, mas não com você, pra você tá tranquila?

Ketlin Groisman

A gente não pode controlar o que as pessoas pensam, porque às vezes eles até pensam em coisas e não tão vendo filme.

Participante

Mas isso te gera um ciúme?

Ketlin Groisman

Não, porque eu não sei o que ele tá pensando. Como é que-

Participante

Mas se ele pensasse nisso? Às vezes a gente pensa.

Ketlin Groisman

Mas aí eu vou ter que ter a hipótese de que ele tá sempre pensando, me traindo, aí eu fico louca.

Participante

Mas homem pensa mais com a cabeça de baixo do que com a de cima.

Ketlin Groisman

Com certeza, com certeza.

[riso]

Ketlin Groisman

Mas então-

Participante

Se não, o público não seria tão masculino quanto.

Ketlin Groisman

Exato.

Participante

Né?

Ketlin Groisman

Não, com certeza, eu concordo, mas tipo assim, não dá pra gente saber o que pensa, o que deixa de pensar ou controlar.

Participante

É, também acho. Acho que não tem nada a ver nem questão de religião, porque pra quem viu recentemente o pastor andando de calcinha ali.

[riso]

Participante

É, recentemente também não, envolve também relação à religião. Acho que vale, vai o que a pessoa, o que, é, cada um evolui na sua individualidade.

Ketlin Groisman

Uhum.

Participante

Então, é, como a gente vive num, num lugar, é, hipócrita, num país hipócrita, então o que vale é a sua ação. Eu posso falar qualquer coisa aqui agora, amanhã eu pego, entro no seu Instagram, já assino Only, OnlyFans lá e falo: "Ó, não conta pra ninguém que sou eu que-

Ketlin Groisman

Legal.

Participante

Fiz aquela gravação com você e eu gosto de pornografia". Então o pessoal é muito do que faz, não do que fala.

Ketlin Groisman

Sim.

Participante

Então eu não tô aqui pra te, pra te julgar nesse sentido. Eu acho muito legal.

Ketlin Groisman

Obrigada, viu?

Participante

Obrigado.

Participante

Eu vou bater não na parte religião, mas na parte de versículos, que se o teu olho pecar, lança fora. Então só do homem olhar, ele já, e desejar, ele já tá traindo. Eu tenho um relacionamento de três anos e que a gente, é, entrou num combinado de não ter sexo antes do casamento. E como que é pra você? Porque a gente sabe que homem, eles não assistem pornografia, é mais ligado pra parte meninos.

E, é, você não tem esse desejo de um dia ser amada, ser respeitada e até alguém esperar esse momento especial de um casamento e tal, você não idelia-- não idealiza um casamento?

Ketlin Groisman

Fazendo o que eu faço, eu já tive namoro e fui respeitada Eu acho que não é por conta disso que eu não sou respeitada, até porque dependendo da pessoa que tu se envolve, a pessoa tem uma ciência e entende o que tu faz e consegue diferenciar, porque na vida real eu sou uma Ketlin totalmente diferente.

Participante

Sim, mas namoro a gente sabe que a maioria dos-- é oba oba, assim. Tô falando de casamento mesmo, você sonha em ter um, um casamento e ser tudo fechado, assim?

Ketlin Groisman

Eu não fico tipo assim idealizando coisas. Eu acho que o que acontecer, aconteceu, se for uma pessoa legal, porque pensa assim, às vezes a gente sonha em se casar, tá com um cara superchato, mas eu quero me casar só por me casar, por ser bem vista, talvez eu vou me casar. Então eu não tenho essa idealização. Se for pra acontecer, vai acontecer, entendeu?

Participante

E esse ponto que você tocou de corpo, né, que você não aceitava muito bem o seu corpo. É, entrar pra esse meio, você não acha também que foi uma, uma certa carência dentro de você, de querer que os outros te desejem, de querer que, de se-- querer se sentir bonita, os outros se senti-- os outros te sentindo-

Ketlin Groisman

Pode ser diversas carências, pode ser porque eu não tive pai, porque talvez eu não soube o que que era o amor de um pai quando eu tava ali na minha adolescência. Pode ser diversas, eu concordo contigo. E ter a validação de pessoas, homens te desejando é ótimo. Não tem como negar isso. Não vou ser hipócrita de negar isso.

Participante

Mas sabendo que o desejo é passageiro, a gente fala mais de valor. O, a maioria que, que deseja milhares de mulheres não é os que vai valorizar essas mulheres.

Ketlin Groisman

Mas aí é que eu não-- é que daí eu estaria que tá ten-tendo que buscar um relacionamento, entendeu? E quando eu buscava isso, eu sempre conseguia ser valorizada. Eu acho que vai de pessoa pra pessoa-

Participante

Pelo que você é e não pelo que você oferece pra pessoa.

Ketlin Groisman

Porque talvez a pessoa me conheça ali na internet, vai querer me conhecer e vai ver que é diferente, entendeu? É um personagem, que nem eu falo.

Participante

E como, enquanto seu pai tava vivo, como foi sua convivência com ele?

Ketlin Groisman

Maravilhosa. Ele era um pai maravilhoso pra mim, sempre, sempre, sempre.

Participante

Eu acredito muito na, na importância de um pai, porque eu cresci sem pai.

Ketlin Groisman

Sim.

Participante

E eu cresci com esses valores dentro de mim por ver o meu pai fazendo muita besteira na vida dele, com traição contra as mulheres, enfim, eu não queria ser mais uma dessas mulheres.

Ketlin Groisman

Sim.

Participante

Entendeu? Então eu queria ser totalmente contrária à imagem que o meu pai passou pra mim.

Ketlin Groisman

Então, eu perdi meu pai muito cedo, então a influência que ele teve assim na minha vida foi de um curto período de doze anos e nossa, foi um pai excelente, assim, nunca teve traição, nunca teve discussão em casa. Mas eu acho que foi o ponto crucial ali de ter a oportunidade, tá tendo em alta um Oliphant que veio pra cá, de juntar uma coisa útil ao agradável e acontecer uma série de fatores, entendeu?

Participante

E você tem essa consciência que a-acima do seu pai, existe um pai maior que não queria essa vida pra você?

Ketlin Groisman

Então, aí a gente se baseia no fato de religião que eu já não sei se eu consigo entrar muito-

Participante

Cê não tem uma religião.

Ketlin Groisman

Por conta que talvez você saiba mais que eu, né. A minha religião é es-- tipo espírito, acredito em física quântica, acredito mais em ciência do que realmente em questões religiosas, de Deus e tudo mais, mas eu super te respeito. Mas tipo, por isso que eu não consigo talvez entrar muito bem nesse ponto, porque eu não tenho muito embasamento pra falar de religião, entendeu?

Participante

É, mesmo dentro da sua religião, você não sente que existe algo melhor que poderia suprir-

Ketlin Groisman

Claro que existe.

Participante

Tudo, tudo dentro de você que-

Ketlin Groisman

Claro que existe algo melhor, que nem eu falei, se fosse, se eu pu-- se eu não tivesse aquele, o fato lá, talvez eu não teria entrado. Não sei, entendeu? Às vezes é melhor ser uma médica, que nem eu falei, do que entrar pra isso.

Participante

E você tá disposta a sair se um dia você sentisse algo muito maior dentro de você que te gerasse arrependimento?

Ketlin Groisman

Com certeza. Não sei se vai me gerar um arrependimento, assim. Não sei te s-saber falar isso agora no presente, uma coisa de um futuro que não aconteceu, entendeu? Mas eu acho que tudo na vida tem uma segunda chance.

Participante

Tá ótimo. Obrigada.

Ketlin Groisman

Obrigada.

Participante

Seguinte, é, agora há pouco aconteceu uma situação onde você foi colocada na posição de que a sua profissão é prostituição. Você ficou incomodada com isso, ficou nítido, e até certo ponto eu também fiquei incomodado com isso. Mas é inegável que pra maioria das pessoas, a criação de conteúdo adulto, ela é uma prostituição virtual.

Ketlin Groisman

Sim, concordo.

Participante

Então eu queria pedir pra você dar algumas palavrinhas pra gente tentando retrucar isso. Por que que você não é uma prostituta?

Ketlin Groisman

Então, eu concordo na questão de que vender tua imagem por alguma coisa, talvez sim, mas pensa assim, que nem o moço comentou antes ali, a, a menina tá numa balada, ela não é prostituta escancarada, mas sei lá, é, entrou no camarote do cara em troca de bebida e tal, e vai ficar com ele depois, sei lá, por conta, sei lá, de tá ali no, no ex-- por status, por fama.

Entende? Seria isso, assim, tipo, eu não me vejo, é que eu não me vejo como prostituta pela questão de não fazer o ato carnal com pessoas por conta de dinheiro. Só me envolvi com pessoas por conta de gostar, de ter química por isso. Mas sei que muita gente vê isso como uma prostituição virtual, porque tu tá expondo o teu corpo, a tua intimidade, o teu bem mais sagrado, sabe?

Participante

Sim, é, e, você vê que o fato de você não ficar com vários caras aleatórios é o, é o que torna você-

Ketlin Groisman

Tipo assim, a, a prostituta em si, ela fica com vários caras, sei lá, transa quantas vezes por dia, por dinheiro e tá trocando várias fluidos, várias energias ali na mesma hora.

Participante

Uhum.

Ketlin Groisman

Eu sou uma coisa, tipo, atrás, é, da internet lá e a pessoa só me vê, converso com as pessoas e é isso, entendeu? Tal-- já saí com assinantes quando eu gostei do cara, mas nunca tipo "ai vou te pagar pra sair contigo", nunca.

Participante

Eu, como um homem que flerta com o conservadorismo, acho que é problemático que ninguém tocou nesse ponto aqui.

[riso]

Participante

Pessoal, nós precisamos conversar sobre sexo. A gente precisa educar os nossos filhos pra falar sobre sexo, senão acontece o que acontece no Brasil. Por mais que muitas pessoas acabem tendo, por exemplo, gravidez infantil, que acontece bastante, acontece muitas vezes por essa falta de conversa.

Participante

Sim, muitos abusos também acontecem por causa disso.

Participante

Sim, e a população mais pobre do Brasil, que principalmente é atingida por isso, é conservadora.

Participante

Exato.

Participante

As pessoas mais pobres são conservadoras. Então, o conservadorismo tem que aprender a falar sobre sexo, porque sexo também é educação.

Participante

Exato.

Participante

Senão a gente banaliza, né?

Participante

Exatamente. Por exemplo, se um pai não ensinar a filha, tipo assim, "ó, isso não pode fazer, tipo assim, se encostarem em ti dessa maneira, não pode".

Ketlin Groisman

Os abusos eles vão acontecer, talvez a menina nem sabe o que que tá acontecendo e é banalizado e é normal aquilo, meu Deus. Então acho-

Participante

Tu já sofreu algum tipo de abuso?

Ketlin Groisman

Já.

Participante

Eu também.

Ketlin Groisman

Obrigada. O quinto tema é: Fazer o que ama só é aceito quando não envolve pornografia.

Participante

Eu sou Carol.

Ketlin Groisman

Carol.

Participante

É, de tudo que a gente conversou, a, você acha que se não existisse o pornô em si, a indústria pornográfica acabasse, deveria continuar existindo apenas o Only, apenas a, os civis fazendo conteúdo? Ou você acha que deveria acabar cem por cento, tanto a pornografia quanto, é, quanto o Only Fans e o Privacy?

Ketlin Groisman

Eu acho que deveria continuar, tipo assim, até porque isso gira bilhões, né, na economia, a gente paga imposto também. E tipo assim, eu sendo uma pessoa que faz isso, com certeza eu vou defender que deveria continuar. Tipo, não é, não é que eu acho mais certo do que quem é uma atriz, elabora tudo no cenário e tudo mais, mas tipo, acho mais tranquilo, né?

Participante

Não, justamente por isso que eu te pergunto.

Ketlin Groisman

Sim.

Participante

Você acha que deveria continuar só exis-- deveria acabar a pornografia, o, os sites pornôs, a indústria pornográfica em si, de filmes, é, essa questão autorizada, porque a gente sabe que an-antes do Only Fans já tinha ques-tinha a questão já de como os, o pornô é m-muito hardcore.

Ketlin Groisman

Uhum.

Participante

Né, de qualquer maneira, assim, lógico que tem, é, como pessoas como você que fazem conteúdos adultos, que fazem hardcore também. Você acha que se acabasse a indústria porno-- deveria acabar a indústria pornográfica e ficar, e continuar a existir só Only Fans?

Ketlin Groisman

Eu acho que o que deveria acabar é essa coisa de infantilização, de menor de idade ter ac-

Participante

Adultização.

Ketlin Groisman

É, de adultização, menor de idade ter acesso às plataformas. É, isso sim deveria acabar. Agora, se um maior de idade tá de acordo fazendo e outro maior de idade, que é responsável por si próprio, tá de acordo vendo, né, aí a gente não tem muito controle. Cada um tem que saber o que faz da sua vida, né. Claro, com aquela coisa de, dos excessos, né, de não pecar muito nos excessos, porque tudo faz mal, né, com excesso.

Cortar a indústria totalmente pornográfica de atrizes ali, seria bom, né, seria bom, porque talvez muitas mulheres não sofreriam abusos, não estariam fazendo o que elas não querem, mas...

Participante

Ele vai contar.

Ketlin Groisman

Oi.

Participante

Olá.

Ketlin Groisman

Qual que é seu nome?

Participante

Bem, Regina Oliveira.

Ketlin Groisman

Regina.

Participante

Você cogitou lá atrás que na época da pandemia aumentou muito o fluxo, né?

Ketlin Groisman

Sim.

Participante

Eu gostaria de saber, hã, se você passou a fazer online, atender clientes online, porque, na verdade, na época, muitos casamentos acabaram, né. Inclusive o meu.

Ketlin Groisman

É?

Participante

É.

Ketlin Groisman

Lamentes.

Participante

É, e foi justamente pra uma pessoa de conteúdo adulto.

Ketlin Groisman

Foi?

Participante

Foi.

Ketlin Groisman

Aham.

Participante

Na época me revoltei, mas como a gente tem a cabeça boa, graças a Deus consegui contornar a minha situação. Você, na verdade, se interessaria por um homem casado? Daria frequência a esse atendimento com ele?

Ketlin Groisman

Então, na minha plataforma, hã, ocorre da seguinte maneira: é uma plataforma como se fosse um Instagram, tu posta o que tu quer lá dentro, só que é de forma paga e de forma explícita. Lá dentro tem os chats das pessoas, é, e a gente vai conversando, vai criando laços, vínculos. Sim, tem casados, é inegável que tem casados.

Participante

Sim.

Ketlin Groisman

Só que, que nem eu falei, eu já me envolvi com pessoas lá de dentro, mas nunca com casado. Eu sei que isso tem o potencial enorme de destruir família.

Participante

Ah, então você tem o limite.

Ketlin Groisman

Claro que sim.

Participante

Sim.

Ketlin Groisman

Eu nunca me envolvi com cara casado nem antes de fazer isso. Até porque é problema pra cabeça, né, pelo amor de Deus. Mulher vim atrás, matar, tudo isso que tá acontecendo hoje em dia é triste.

Participante

É verdade.

Ketlin Groisman

Mas sim, tem muita gente que não tá nem aí, prefere ser amante, o cara é casado, é melhor manter assim. E sim, tem muitas mulheres que-

Participante

Certo. Eu tenho outra dúvida. É, dizem assim, você mesmo cogitou várias vezes aqui que não quer viver dessa profissão pra sempre. Hã, mas não existe, se você casar um dia, tiver filhos, a ex...

Ketlin Groisman

Não tem como apagar a minha vida, eu sei. Tá na internet, tá na minha cabeça, não tem como apagar.

Participante

Então fica difícil ter uma família dessa forma.

Ketlin Groisman

Eu não pretendo ter uma família com filhos. Talvez ter um marido ali, um companheiro que me aceite, mas eu acho que na minha cabeça, o que conta é que tipo o que tu faz a partir de certo momento. Então tipo se-

Participante

Mas você acha que você conseguiria deixar o vício estando casada?

Ketlin Groisman

É que não é um-

Participante

Porque é um vício.

Ketlin Groisman

É um vício em dinheiro, né.

Participante

Só em dinheiro?

Ketlin Groisman

Também, também dinheiro.

Participante

Você falou que adora se despir, que você faz com prazer, que você faz.

Ketlin Groisman

Eu não falei exatamente isso.

Participante

Não. Tô me escutando.

Ketlin Groisman

Não, eu não falei exatamente isso.

Participante

Eu entendi errada.

Ketlin Groisman

Eu falei que eu gostava de fazer o que eu faço e eu tinha interesse de posar pra uma Playboy pra tentar me sentir melhor com a minha autoestima.

Participante

Certo.

Ketlin Groisman

Coisas que eu tento fazer até hoje.

Participante

Mas se você faz isso com prazer, que é o seu trabalho, é, isso não, não gera um vício pra você?

Ketlin Groisman

Eu falo que eu hoje em dia não sou viciada. Eu sou viciada em dinheiro, em tipo, nisso eu sou viciada. Todo mundo é meio viciado.

Participante

E em sexo, não.

Ketlin Groisman

Não. Muito pelo contrário, às vezes. É, enfim, é, tipo, a minha cabeça é bem tranquila.

Participante

Como contrário, você não, não gosta tanto?

Ketlin Groisman

Eu, eu acho que eu sou, tipo assim, eu gosto de transar.

Participante

Certo.

Ketlin Groisman

Vou falar bem abertamente, com quem eu gosto. Eu não vou sair transando com carinha que eu vi na balada por aí.

Participante

Ah, tá.

Ketlin Groisman

Pra mim tem que ter uma química, uma conexão, entendeu? Eu não consigo transar por transar.

Participante

Ah, você não faz programa.

Ketlin Groisman

Não, como eu falei antes, eu nunca fiz programa, nunca saí com alguém por dinheiro, entendeu? Só me vem pelada lá pagando, ok, me vem pelada. Mas sair com alguém, não.

Participante

Então você faz por amor.

Ketlin Groisman

De certa maneira, sim, eu gosto do que eu faço. Eu não vou falar "não, eu não gosto, tenho repugna pelo que eu faço". Eu aprendi a gostar.

Participante

Ok. É só isso.

Ketlin Groisman

Então tá, muito obrigada.

Participante

Uma coisa que eu percebi do seu comportamento é que em algumas vezes você fala: eu era Eu gostava. Será que esse "eu era, eu gostava", como se você falasse no passado, não é um reflexo de que talvez a conta já esteja caindo e você queira sair desse tipo de vida?

Ketlin Groisman

Não que eu queira sair exatamente agora, mas eu não pretendo levar isso pra sempre. Eu tenho ciência disso, que nem eu já tinha comentado antes, eu tenho ciência disso.

Participante

Eu queria te perguntar sobre o comportamento do homem que assiste pornografia. Você conhece um pouco do comportamento do homem?

Ketlin Groisman

Eu namorei um ex-viciado em pornografia, que quando eu chegava em casa, ele tava batendo punheta e eu, tipo, já. Já conheci um comportamento de um homem viciado em pornô e em sexo, é horrível.

Participante

E você chegava a ver isso?

Ketlin Groisman

Eu um dia tava estudando pra minha faculdade, fui entrar no quarto, tava ele batendo punheta enquanto eu tava na sala estudando.

Participante

Podia pelo menos ter trancado a porta, né?

Ketlin Groisman

É, [riso] mas não trancou. É, mas é a vida. Mas sim, eu já passei por isso e não é legal. É por isso que eu, eu digo, tem que viver com consciência. Tudo que tu faz, tem que ser com consciência, porque senão o excesso às vezes acaba te viciando, né.

Participante

É que eu acho que talvez o, o seu namorado, talvez ele estivesse nos padrões que você gosta. Mas você já imaginou o padrão das pessoas que assistem você?

Ketlin Groisman

Sim, eu já imaginei, como eu já-- eu converso, é, tem muito doido. Eu s-- eu tenho-

Participante

Sim.

Ketlin Groisman

Sei disso. Tem uns fetiches muito estranhos que eles pedem também.

Participante

Essa é minha problemática com a pornografia. Você começa e depois você vai evoluindo até o certo ponto de você acabar gostando de cocô.

Ketlin Groisman

Né?

Participante

De você gos-- acabar gostando de mijo.

Ketlin Groisman

Sim, tem, né, a chuva dourada, essas coisas assim, mas não, eu a-- eu fui até um certo ponto, que nem eu falei, de expor a minha vida. O único fetiche mais assim que eu tenho é o negócio de pé, que os cara gosta do meu pé, mas é o máximo assim. Eu já não vou pra uma coisa hardcore que nem algumas atrizes vão. Eu sou tipo, mais de mostrar minha intimidade real.

Eu não vou fingir, tipo, ser o que eu não sou.

Participante

Eu acho que o grande fetiche, co-- entendendo sua comunidade do jeito que você fala, é eles terem o mínimo contato com você, o mínimo contato com uma mulher bonita.

Ketlin Groisman

Eu acho que eu também crio muita conexão com eles. Tipo, eu não trato eles que nem, ai, é mais um assinante. Eu gosto de conversar, sabe? Eu gosto de conhecer. Então acho que isso também é um diferencial pra mim. Não é só tipo ali, ai eu tô-- o atrativo é eles verem eu pelada lá, mas só que eles também conhecem um pouquinho do meu lado, uma Ketlin diferente.

E por isso que eles permanecem ali, entendeu?

Participante

Você acredita firmemente que eles conhecendo todas essas suas-

Ketlin Groisman

Vertentes?

Participante

Não exatamente vertentes.

Ketlin Groisman

Ketlens?

Participante

Essa fraqueza que você tem.

Ketlin Groisman

Fraqueza de-

Participante

É, porque você expõe algumas fraquezas suas. Se você cria comunidade, você consegue gerar empatia expondo parte das suas fraquezas.

Ketlin Groisman

Sim, eu-- é que eu não consigo fingir o que eu não sou. Eu, tipo, quem me conhece, que nem vocês viram que eu expus minha fraqueza, meu cachorro, que eu não tenho pai, é isso, sabe? Eu, eu sou muito, tipo, sincera assim, eu falo as coisas e quem quer usar isso contra mim, vai usar, mas eu não posso também ter controle de tudo. Eu só não vou deixar de ser o que eu sou pra agradar talvez os outros ou pra eles não me machucarem.

Participante

Boa.

Ketlin Groisman

Obrigada. [riso]

Participante

Ok, hã, você disse várias coisas. Hã, o Otávio muito bem falou sobre passado, que parece que é uma coisa que volta e meia tá, hã, na tua mente. E você também falou: "Ah, não é, não é prostituição e tal". Aí você disse que prostituição é fazer alguma coisa por dinheiro. Eu entendo essa proteção que você tem de tipo, é, vou criar aqui uma fantasia e eu entendo a, a solidão.

Hã, todos somos seres humanos, todos seres, somos seres sociáveis. Hã, a lógica cristã, eu to, eu tô falando de um pouquinho de religião, mas esse não vai ser o foco da conversa. A lógica cristã é: hã, Deus, Pai, Filho e Espírito Santo, é, é um Deus só, mas é um Deus triuno, porque justamente Deus sempre quis relacionamento. Nós não somos pessoas feitas pra sermos sozinhos. Quando eu falo sozinhos, não é necessariamente casado ou namorado.

Ketlin Groisman

Uhum.

Participante

E fica claro que também, hã, de certa forma, supre a sua solidão conversar com as pessoas na internet e tal. Posso ser sincero?

Ketlin Groisman

Pode.

Participante

Hã, eu acho que você seria uma excelente mãe, mesmo você compreendendo que talvez, nossa, em algum momento os amigos do meu filho vão descobrir um vídeo meu, alguma coisa assim. Cê, cê não, cê-- você acha que realmente a tua vida acabou? Que as portas-

Ketlin Groisman

Não, eu não acho que minha vida acabou-

Participante

Não, não, acabou nesse sentido, que as portas de, de todas essas coisas foram realmente fechadas?

Ketlin Groisman

Não, é que eu, antes disso, eu também nunca quis ser mãe. Minha mãe também nunca quis ser mãe. Ela me teve com trinta e nove anos quando conheceu meu pai, se apaixonou por ele e foi um homem que tipo, que meio que, que fez ela querer ter filho. Às vezes a gente se baseia muito nisso, dependendo do homem com quem a gente tá, de ter segurança, de ter, querer ter um filho com o homem que vai tá ali contigo, entendeu?

E por enquanto eu não achei esse homem, não tenho essa vontade. Vou fazer o quê? Talvez daqui a dez anos eu tenha. Pode ser que eu tenha filho, mude de ideia que nem minha mãe mudou, né? Eu não sei, não que as portas estejam fechadas, entendeu?

Participante

Outra coisa que a gente tem os últimos trinta segundos. Você falou sobre legalidade e assim, coisas terríveis já foram legalizadas.

Ketlin Groisman

Claro.

Participante

Mas isso não era legal.

Ketlin Groisman

Sim.

Participante

Você entende que por mais que ficou claro a tua posição na vida, todos os teus motivos, hã, você está sendo apresentada talvez pra outras meninas que falam: "Bom, isso é uma saída, eu vou fazer isso." E talvez vão ter uma história parecida com a tua. Cê entende que essa exposição, milhões de pessoas tão vendo e algumas meninas vão ser influenciadas?

Ketlin Groisman

Eu não falo que é uma saída. Gente, não façam isso. [riso] Só se vocês tiverem certeza. Não é uma saída, é... Foi uma saída pra mim naquele momento, mas não é uma saída única que tu tem na tua vida. Nenhuma vida é parecida uma com a outra. Talvez a de-- a delas não seja parecida com a minha. Eu tive uma saída por conta de uma questão muito pessoal mesmo, que me afetou muito, mas não quer dizer que a delas sejam assim.

O sexto e último bloco é todo mundo se prostitui. Todo mundo tem um preço. Por exemplo, tu vai trabalhar numa empresa, tu tem um preço pra trabalhar. Não por talvez tá expondo tua imagem nua ali, mas tu tem um preço pra trabalhar. Talvez teu patrão te explore. Isso é bem entre aspas, uma forma de prostituição. Tu é humilhado pra ganhar pouco e pode ser s-- tipo substituído assim.

[música suave]

Ketlin Groisman

Você de novo.

Participante

Eu de novo.

Ketlin Groisman

Vamos lá.

Participante

A etimologia de prostituição é quem vende serviço por sexo.

Ketlin Groisman

Exato, quem ganha dinheiro-

Participante

Através de algum serviço sexual.

Ketlin Groisman

Sim, tá dito no, no Google isso é verdade, concordo.

Participante

Seja físico, seja virtual.

Ketlin Groisman

Sim.

Participante

Só que então isso, esse tema é uma falácia, né? Não é todo mundo que se prostitui.

Ketlin Groisman

Bem entre aspas, é todo mundo se prostitui, tipo assim, prostitui seu tempo, que nem eu vou falar que eu era CLT e eu ficava doze horas trabalhando. Prostituí meu tempo e minha saúde mental pra ganhar pouco.

Participante

É, nossos trabalhos são antagônicos, né?

Ketlin Groisman

Sim.

Participante

Eu tinha comentado, o meu trabalho, eu ajudo homens a saírem da pornografia.

Ketlin Groisman

Uhum. Você, você é psicólogo, alguma coisa assim?

Participante

Sim, eu sou psicanalista.

Ketlin Groisman

Que legal.

Participante

Então assim, eu, por conversar também muito com homens que estão saindo desse vício, eu posso dizer que a maioria, como você tinha citado antes, não tem consciência do que isso pode gerar neles.

Ketlin Groisman

Uhum.

Participante

Então automaticamente você induz o homem, seja de uma forma ali pra como você se expõe no Instagram, a entrar nesse vício.

Ketlin Groisman

Sim, eu concordo, porque é o meu trabalho, digamos assim, eu vou querer induzir pra levar ele, pra conversar, pra ter, né? É o meu trabalho.

Participante

Sim, mas a mesma inteligência que você tem-

Ketlin Groisman

Sim, poderia usar pra outras coisas. Eu concordo contigo.

Participante

Por que você não faz?

Ketlin Groisman

Exato. Eu estou inserida nesse meio que está me fazendo bem, tá tudo certo. Por enquanto eu vou continuar, sabe? Mas lá pra frente, quem sabe eu possa mudar, entendeu?

Participante

Entendi. Quando você falou sobre a questão da adultização, as crianças, os pais hoje em dia, a maioria das crianças não tem celular. Então eles acessam o conteúdo pelo celular dos pais. Ou seja, eles conseguem ter acesso ao seu conteúdo.

Ketlin Groisman

Desse ponto, sim. Aí o que que eu falo, vai educação de casa, de tá monitorando o que que o filho vê, de trancar certas plataformas, porque tipo, as plataformas que têm, elas não são aplicativos, né? Então, tem um controle ali, digamos. Não é um controle enorme, mas é um controle que é pouco. Sim, eu concordo com isso.

Participante

É, não é um controle total, mas ainda assim você-

Ketlin Groisman

Não tem como, né? Tipo, você é a Coreia do, do Norte ou do Sul, não me lembro, que vai dar-- controlar total. Mas é, tem, tem que ter um certo tipo de controle.

Participante

Então, mas esse controle também não seria você não produzindo conteúdo?

Ketlin Groisman

Mas aí não seria um controle geral, seria só eu vir me controlar o que eu faço, porque iria ainda acontecer a produção de conteúdo, né? Tipo, ai, uma pessoa a menos fazendo, tá, daqui a pouco outra a menos, vai diminuindo. Beleza, concordo. Só que eu não posso também parar a minha vida por conta talvez dos pais não conseguirem ensinar seus filhos, não terem essa educação em casa, entendeu?

Participante

Sim, seu ex-namorado, ele foi uma pessoa com problema em pornografia também. E como é que você se sente em relação a isso, sendo que afetou o seu relacionamento e hoje você contribui pra que outros relacionamentos sejam destruídos?

Ketlin Groisman

Então, contribuo, contribuo talvez, mas tipo, não é meu objetivo.

Participante

Não, tudo bem.

Ketlin Groisman

Tudo bem não sendo objetivo, mas acontecer, né? Eu sei, é ruim, eu entendo.

Participante

Exatamente.

Ketlin Groisman

Eu não tenho muito como defender esse ponto porque eu concordo contigo. Obrigada.

Participante

Obrigado.

Ketlin Groisman

Oi, tudo bem? Qual que é seu nome?

Participante

Suzan.

Ketlin Groisman

Suzan.

Participante

Ai, tô até um pouquinho nervosa.

Ketlin Groisman

Só ficar.

Participante

Mas eu queria falar com você um tema que todos os dias acontece. Agora mesmo, provavelmente tem uma mulher sendo morta. E eu acredito que só por nós sermos mulheres, a gente já está vulnerável dentro da sociedade. Algumas profissões menos, outras mais. E eu acredito que a sua traga uma vulnerabilidade muito maior.

Ketlin Groisman

Com certeza.

Participante

Você comentou brevemente, eu não quero entrar nesse assunto, porque eu acredito que seja bem delicado pra você a questão de abuso. Mas você acha que o conteúdo adulto, ele te traz uma proteção ou uma vulnerabilidade maior? Porque aqui mesmo hoje, pra gente debater com você, tem um segurança, porque qualquer coisa poderia ser, acontecer e a gente não teria-

Ketlin Groisman

Sim.

Participante

Esse controle. Porque eu falo que não é todo homem, mas é sempre um homem. E a gente sabe que a maioria das pessoas que consomem conteúdo adulto são homens.

Ketlin Groisman

Aham.

Participante

E às vezes uma gracinha que aconteceu aqui mesmo de um "ai, você é muito linda, você é muito isso". Eu acho que não entra dentro do contexto, não é toda mulher que está aberta a receber uma cantadinha barata.

Ketlin Groisman

Eu lido bem com isso porque eu já lido há um tempo com isso. No começo eu sempre fui meio assim de tipo, ah, meio assim com homem, sabe? Tipo, de controlar. Mas eu vi que o jeito que eles me tratavam era tão tranquilo, que eu percebi, sendo uma figura pública, eu tenho que receber algumas coisas e eu não vou poder fazer nada, porque eu mesma tô me expondo.

Por que que as pessoas não vão poder falar comigo, falar o que pensam, sendo que eu tô me expondo? Então não faria sentido pra mim isso.

Participante

Uhum.

Ketlin Groisman

Então eu tendo em mente que eu sou uma figura pública e tô ali me expondo na internet, a pessoa vem tipo, que nem ele falou, me chamou de bonita e tal, tá tudo certo. Agora falar tipo coisas mais baixas, aí já parte pra uma questão de desrespeito, mas pra mim não, não tem problema assim, sabe? É bem-- hoje eu sou bem tranquila com isso.

Participante

E você po-- é, falou de um ponto que você é um pouquinho ciumenta. Se você tivesse um namorado que consumisse outros conteúdos adultos, você se sentiria afetada por isso?

Ketlin Groisman

O que eu sempre falo, seja claro comigo. Eu talvez, tipo assim, vai consumir, me avisa e tá tudo certo, porque eu não gosto é que me escondam as coisas. E a questão de ser ciumenta é aquela questão mais de carnal com a pessoa, de ter proximidade, não é uma questão online. Que nem eu falei, o cara pode tá pensando numa mulher vinte e quatro horas por dia que não seja eu.

Vou saber? Como? O que me importa é o que ele faz, entendeu?

Participante

E tem algo assim que se você pudesse mudar nessa profissão, você mudaria?

Ketlin Groisman

A questão de menor de idade. Essa é uma questão e difícil, entendeu? Se eu pudesse mudar, seria isso. Eu acho que não tem porque menor de idade tá se expondo a isso, consumir isso, que nem teve a situação do Ítalo, de ele usar as crianças pra ganhar, monetizar em cima disso, isso eu acho errado. Isso se eu pudesse banir, assim, com certeza eu faria. Só que não tem como eu fazer, né?

Participante

Você trouxe uma situação que todo mundo se prostitui na questão de todo mundo tem um valor. Isso parcialmente-

Ketlin Groisman

Sim.

Participante

Tá correto, mas...

Ketlin Groisman

No Google, se tu for ver, a prostituição é s-- é dinheiro em troca, sexo em troca de dinheiro, é isso.

Participante

Mas você também não concorda que as pessoas que não se dão valor, não dão valor aos seus corpos, nem os relacionamentos que elas produzem, também não estão considerando se prostituir gratuitamente?

Ketlin Groisman

Pra mim o que é pior é tu vender tua alma. Tipo assim, vender tua alma sendo humilhado por um chefe, um CLT, sem plano de carreira, isso é bem pior do que O que eu faço

Participante

Não, é compreensível. O ponto que eu quero trazer é, as pessoas de fato têm os seus devidos valores, mas que-

Ketlin Groisman

Têm

Participante

...a questão da prostituição é algo mais abrangente, principalmente na questão relacionamento.

Ketlin Groisman

Opa!

Participante

Sou o Lucas Andrade.

Ketlin Groisman

Lucas. E aí, qual que é a sua opinião sobre o tema?

Participante

Quando você é um ser humano-

Ketlin Groisman

Uhum

Participante

...naturalmente, a nossa tendência, desde os nossos ancestrais, quando a gente faz trocas entre si, a gente troca o que a gente produz, o que a gente tem e às vezes, sim, o que a gente é. Prostituição necessariamente tange a questão do sexo.

Ketlin Groisman

Uhum.

Participante

Então não é todo mundo que se prostitui, necessariamente.

Ketlin Groisman

Não, é que nem eu comentei, se tu for pesquisar no Google, é sexo em troca de dinheiro.

Participante

Perfeito.

Ketlin Groisman

Por isso que é bem aspas, que todo mundo se prostitui. O que a gente tá dizendo bem aspas, que todo mundo, entre aspas de novo, tem um valor pra fazer algo. São trocas, trocas de interesses, troca de tempo.

Participante

Na verdade, você estabelece o preço. Quem estabelece o valor é o consumidor.

Ketlin Groisman

Sim.

Participante

Qual o seu valor?

Ketlin Groisman

Aí depende, valor pra quem? Pra sociedade, pra mim?

Participante

De novo, quem estabelece o valor é o consumidor. Qual que é o seu valor?

Ketlin Groisman

Valor de consu-- não sei, o consumidor tem que falar.

Participante

E o que que eles dão pra você?

Ketlin Groisman

Dinheiro.

Participante

Quanto?

Ketlin Groisman

Aí não sei se eu quero entrar nessa questão. Acho que não cabe muito ao tema falar quanto.

Participante

Ok.

Ketlin Groisman

Por isso que eu, eu ve-- por isso que-

Participante

O preço você coloca. O preço você coloca

Ketlin Groisman

É, é que nem o que eu falo, eu não quero influenciar ninguém falando de quanto eu ganho, entendeu? Por isso que eu não quero entrar nessa questão.

Participante

Uhum.

Ketlin Groisman

Mas tipo assim, coloco o preço, estou me rotulando com preço, sou um produto, sim.

Participante

Perfeito. Você se, você se estabelece como produto.

Ketlin Groisman

Sou um produto.

Participante

Naturalmente, assim como a pessoa que produz o que ela tem, ela coloca o preço dela.

Ketlin Groisman

Uhum.

Participante

Você se-

Ketlin Groisman

Às vezes elas nem colocam o preço, o chefe vai lá e estipula, vai ganhar um salário mínimo é isso. Ela não tem nem a chance de se colocar o preço.

Participante

Então, mas se ele tá estipulando, ele tá ali colocando o valor.

Ketlin Groisman

Aham. Hoje em dia eu consigo conciliar bem tudo, que nem eu falei, a minha mãe me apoia. Então não tem essa discrepância na minha cabeça de ficar duas coisas se batendo e eu falar: "Meu Deus, eu tô aqui no meio caminho, o que que eu vou fazer? Será que eu faço isso?" Então já que ela me apoia, o meu, meu valor, tipo, pra mim, eu sei o meu valor em questão pessoal.

Agora, valor de preço também sei, que é trinta e nove e noventa, lá na minha plataforma.

Participante

Mas qual que cê prefere? Isso que, que eu queria saber, qual que é o, o que que cê prefere? O que que você realmente aprecia mesmo?

Ketlin Groisman

Eu gosto de princípios. Eu sei que eu tenho princípios. Fora isso, que eu sei que todo mundo julga e a sociedade julga que não é um princípio, eu sei dos meus outros valores e princípios e eu aprecio muito isso.

Participante

Preferencialmente, acima do dinheiro que as pessoas te dão. Ou não?

Ketlin Groisman

Tenho, sim, porque se eu não tiver certos princípios, eu estaria talvez me envolvendo carnalmente com pessoas fisicamente.

Participante

Quais são seus princípios?

Ketlin Groisman

Meus princípios, tipo assim, que nem eu falei, de me envolver com quem eu gosto. Acho que isso é um princípio de não trocar energia com qualquer pessoa, fisicamente. Princípio de honrar minha mãe, minha família e dar tudo o que eles precisam. Princípio de ser verdadeira, princípio de não roubar, de não, sei lá, fazer coisas erradas, erradas, fora o que eu faço, né, de trabalhar com conteúdo adulto.

Princípio de ser uma pessoa boa, de não querer fazer mal pros outros. Princípio de querer fazer as minhas coisas só e não querer prejudicar o próximo.

Participante

Quando a colega falou da questão do vício, você realmente ia admitir que tá viciada no dinheiro? Associado à vaidade...

Ketlin Groisman

O dinheiro vicia, não que eu-- vicia, porque é muito bom. Tu ver, tu ganhar, tipo, muito dinheiro, tu vai querer continuar ganhando. Não tem como tu ser hipócrita e falar: "Não, eu tô ganhando duzentos mil, eu não quero mais ganhar dinheiro".

Participante

Uhum.

Ketlin Groisman

É muito bom, né? Então, tipo assim, você tava falando, desculpa te interromper, associado à vaidade, você tava falando que o din-- sei lá, o dinheiro é ótimo, mas não que eu esteja viciada só em dinheiro. Eu acho que é um fator-

Participante

Também na vaidade, no dinheiro e na vaidade, né? Você realmente deixaria de ganhar o dinheiro, deixaria os aplausos, as glórias, as, os elogios na sua vida? Cê teria essa escolha ou você não tem a capacidade de escolher isso?

Ketlin Groisman

Sim, que nem eu falei, eu acho que entrando pra medicina, eu teria um outro tipo de aplauso, de salvar vidas, de salvar pessoas, não de tá na frente dos holofotes.

Participante

E o que, que você prefere? Qual que é o seu valor?

Ketlin Groisman

Hoje, por enquanto, eu estou fazendo isso, mas não quer dizer que daqui a cinco anos eu possa tá fazendo outra coisa e isso não define o meu-

Participante

Mas isso é relativizar, isso é relativizar. Se você relativiza-

Ketlin Groisman

A gente pode conversar daqui a cinco anos e talvez eu esteja fazendo alguma coisa. É que eu não sei te falar o que eu vou fazer no futuro, entendeu?

Participante

Mas se você relativiza, você tem princípio, por definição.

Ketlin Groisman

Sim.

Participante

Então você não tem princípios.

Ketlin Groisman

Tenho, no meu ponto de vista, sim. Eu não posso falar pra ti que daqui a cinco anos eu vou tá fazendo uma faculdade, sendo que eu não sei o que eu vou tá fazendo da minha vida.

Participante

Então cê não sabe.

Ketlin Groisman

Eu tenho vontade de fazer, não sei se eu vou fazer, entendeu? Vou agradecer a todo mundo que esteve aqui no debate comigo, foi um debate super legal e passivo. E é isso, gente, muita coisa diferente. [aplausos]